O povo judeu se formou na Terra de Israel há mais de 3 mil anos. A Estela de Merneptah já cita “Israel” por volta de 1209 a.C. Houve reinos israelitas, exílios em 586 a.C. e 70 d.C. e presença judaica contínua sob vários impérios. O sionismo político organizou o retorno em 1897. David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel em 14 de maio de 1948.
De quem era o território de Israel antes de 1948?
Antes de 1948, a terra passou por muitos donos. Primeiro vieram os reinos israelitas. Depois vieram impérios estrangeiros e, por fim, o Mandato Britânico. Nesse período não existiu ali nenhum Estado árabe independente.
A sequência, de forma resumida:
- Reinos de Israel e Judá (Antiguidade). As comunidades israelitas se formaram na região montanhosa de Canaã por volta de 1200–1000 a.C.
- Assírios, babilônios e persas. A Assíria destruiu o Reino de Israel em 722 a.C. A Babilônia destruiu Jerusalém e o Primeiro Templo em 586 a.C. Os persas permitiram o retorno dos exilados em 538 a.C.
- Soberania judaica hasmoneia (de 164 a.C. até 63 a.C.). Ela terminou quando o general romano Pompeu chegou.
- Roma e Bizâncio, seguidos de governos islâmicos, cruzados, mamelucos e otomanos, do século VII ao século XIX.
- Mandato Britânico. A Liga das Nações aprovou o Mandato em 1922, e ele entrou em vigor em 1923. Durou até 14 de maio de 1948.
A terra tinha população. Em 1922, o primeiro censo britânico registrou cerca de 757 mil habitantes: cerca de 78% muçulmanos, 11% judeus e 9% cristãos. Em 1947, o Comitê Especial da ONU (UNSCOP) estimou cerca de 1,2 milhão de árabes e cerca de 600 mil judeus, segundo o relatório A/364. Ao longo de todos esses séculos, comunidades judaicas continuaram vivendo em Jerusalém, Hebron, Safed e Tiberíades.
Qual era o nome de Israel na Bíblia?
Na Bíblia, a terra se chama Canaã antes da chegada dos israelitas. Depois ela passa a ser Terra de Israel (Eretz Israel), dividida nos reinos de Israel (ao norte) e Judá (ao sul).
Outros nomes ligados à terra:
- Judá e, mais tarde, Judeia. A palavra “judeu” vem daí.
- Sião, nome poético de Jerusalém. Ele deu origem ao termo “sionismo”.
- Yehud Medinata, nome da província persa para onde voltaram os exilados depois do édito de Ciro, em 538 a.C.
A arqueologia confirma vários desses nomes. A Estela de Merneptah, inscrição egípcia, cita um povo chamado “Israel” estabelecido em Canaã. As datações variam: c. 1209 a.C. ou 1208/1207 a.C. A Estela de Tel Dan, do século IX a.C., cita o “Rei de Israel” e a “Casa de Davi”. O Prisma de Taylor, assírio, descreve o cerco de Jerusalém em 701 a.C. Nele, o rei Ezequias de Judá aparece preso “como um passarinho na gaiola”.
O que é mais antigo: Israel ou o nome “Palestina”?
O nome Israel é muito mais antigo. Ele aparece por volta de 1209 a.C. na Estela de Merneptah, como nome de um povo que vivia na terra. O nome romano da província surgiu muitos séculos depois, como castigo imposto aos judeus.
Em 135 d.C., Roma derrotou a revolta de Bar Kokhba. O imperador Adriano então refundou Jerusalém como a colônia pagã Aelia Capitolina e renomeou a província da Judeia como Syria Palaestina. Um diploma militar romano de 139 d.C. está entre os registros materiais desse novo nome oficial. O termo latino voltou a nomear oficialmente a região no Mandato Britânico de 1922.
Dois pontos ajudam a entender a pergunta:
- Nunca houve ali um Estado árabe independente, nem sob os otomanos nem sob o Mandato Britânico.
- Os palestinos também têm raízes na região. Um estudo de DNA antigo publicado na revista Cell em 2020 mostra que judeus e árabes atuais do Levante carregam ancestralidade local da Idade do Bronze.
São dois povos com laços reais com a mesma terra. Chamar os judeus de “invasores” apaga a origem de um povo na própria terra.
Qual é a história do povo de Israel?
O povo judeu nasceu na Terra de Israel. Perdeu a soberania duas vezes, sobreviveu a séculos de dispersão e voltou a ser independente em 1948. Ao longo de todo esse tempo, manteve o vínculo com a terra nas orações, no calendário e nas festas.
| Período | O que aconteceu |
|---|---|
| c. 1000–930 a.C. | Reinados de Davi e Salomão e o Primeiro Templo, segundo a tradição bíblica. A extensão desses reinos é debatida pelos historiadores. |
| 722 a.C. | A Assíria conquista o Reino de Israel |
| 586 a.C. | A Babilônia destrói Jerusalém e o Primeiro Templo; parte do povo é exilada |
| 538–515 a.C. | Retorno autorizado por Ciro e reconstrução do Templo |
| 167–164 a.C. | Revolta dos Macabeus; o Templo é purificado, fato lembrado na festa de Hanucá |
| 70 d.C. | Roma destrói o Segundo Templo, cena registrada no Arco de Tito |
| 73/74 d.C. | Queda de Masada |
| 132–135 d.C. | Revolta de Bar Kokhba e renomeação romana da província |
No exílio da Babilônia, a identidade judaica se manteve. Mais de 200 tabletes cuneiformes da aldeia de Al-Yahudu (“Cidade dos Judeus”), datados entre 572 e 477 a.C., registram a vida dos exilados.
Depois de 70 d.C., o judaísmo rabínico se reorganizou em Yavneh. Por volta de 200 d.C., Rabbi Judá, o Patriarca, codificou a Mishná na Galileia. A presença judaica na terra continuou sob os domínios bizantino, islâmico, cruzado e otomano, apesar de massacres e expulsões. O tamanho dessa presença variou muito, mas ela nunca desapareceu. As sinagogas antigas de Sepphoris, Huqoq, Bet She’arim e Rehov comprovam essa continuidade.
Como surgiu o sionismo?
O sionismo é o movimento de autodeterminação nacional do povo judeu. No fim do século XIX, os pogroms e o antissemitismo na Europa transformaram o antigo desejo de retorno em um projeto político.
- 1881–1882: uma onda de pogroms atinge o Império Russo. O médico Leon Pinsker publica Autoemancipação! e defende um centro nacional judaico autônomo.
- 1884: a Conferência de Kattowice consolida as sociedades Hovevei Zion (“Amantes de Sion”), que financiaram as primeiras aldeias agrícolas.
- 1896: Theodor Herzl publica O Estado Judeu. O caso Dreyfus, na França, pesou na sua decisão.
- 29 a 31 de agosto de 1897: cerca de 200 delegados se reúnem em Basileia, na Suíça, no Primeiro Congresso Sionista. O congresso funda a Organização Sionista Mundial.
- 2 de novembro de 1917: a Declaração Balfour expressa o apoio britânico a um “lar nacional para o povo judeu”. O texto também protege os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.
- 1922: o Mandato Britânico, aprovado pela Liga das Nações, fala em “reconstituir” o lar nacional judaico (Avalon Project, Yale).
No período do Mandato, a comunidade judaica (Yishuv) fundou Tel Aviv (1909), o kibutz Degania (1910) e a Haganá (1920). Também criou o Technion e a Universidade Hebraica de Jerusalém.
O sionismo não foi um projeto colonial. Não havia metrópole por trás dele. Os judeus fugiam de perseguições, e a própria Grã-Bretanha mudou de lado. O Livro Branco de 1939 limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos, justamente quando o nazismo avançava na Europa.
Quem fundou o Estado de Israel?
David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel em 14 de maio de 1948, no Museu de Tel Aviv, no dia em que terminou o Mandato Britânico. Theodor Herzl é considerado o fundador do sionismo político. Pouco mais de cinquenta anos antes, em 1897, ele escreveu no diário: “Em Basileia, fundei o Estado Judeu”.
O caminho até 1948:
- Holocausto (1933–1945): o nazismo assassinou cerca de seis milhões de judeus. O Holocausto reforçou a busca por um refúgio, mas não criou o sionismo, que já existia antes.
- Aliyá Bet: no pós-guerra, sobreviventes tentaram chegar à terra em navios como o Exodus 1947. Os britânicos internaram mais de 52 mil refugiados em campos em Chipre.
- 29 de novembro de 1947: a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181, que recomendava a partilha em um Estado judeu e um Estado árabe. A sessão foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha (Nativ, governo de Israel). A liderança judaica aceitou o plano. A liderança árabe palestina e os Estados árabes o rejeitaram.
- 15 de maio de 1948: um dia após a independência, exércitos de países árabes vizinhos entraram na guerra.
- 5 de julho de 1950: o Knesset aprovou a Lei do Retorno, que garante a todo judeu o direito de imigrar para Israel e obter cidadania.
Os Estados Unidos e a União Soviética reconheceram Israel logo após a proclamação.
Os israelenses são judeus ou árabes?
“Israelense” é quem tem a cidadania do Estado de Israel. “Judeu” é quem pertence ao povo judeu. Israel foi criado como o lar nacional do povo judeu, e a Lei do Retorno, de 1950, abre a cidadania a judeus de todo o mundo.
Os judeus de Israel não formam um bloco europeu. Mais da metade deles descende de judeus orientais (mizrahim) e sefarditas. Muitos vieram de países árabes e do Irã depois da fuga e da expulsão de comunidades judaicas desses países, a partir de 1948 (bpb, Alemanha).
A genética confirma a origem comum. O estudo publicado na Cell em 2020 mostra ancestralidade local da Idade do Bronze tanto em judeus quanto em árabes do Levante. As comunidades judaicas da diáspora também compartilham uma assinatura genômica do Oriente Médio.
O DNA, porém, não é título de propriedade. O direito de Israel existir se apoia na história, na autodeterminação e no reconhecimento internacional. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, pela qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
O que aconteceu com Israel depois de 1948?
Depois de 1948, Israel lutou por sua sobrevivência em várias guerras. Também assinou acordos de paz com vizinhos árabes e, em 7 de outubro de 2023, sofreu o maior ataque terrorista de sua história.
Guerra de Independência (1948–1949). Israel enfrentou os exércitos de Egito, Síria, Transjordânia, Líbano e Iraque. Em 1949, assinou armistícios com Egito, Jordânia, Síria e Líbano. Essas linhas de armistício não eram fronteiras definitivas. Durante a guerra, que começou depois da rejeição árabe à partilha, cerca de 700 mil palestinos se deslocaram. Os palestinos chamam esse deslocamento de Nakba. Nas décadas seguintes, centenas de milhares de judeus deixaram países árabes e muçulmanos ou foram expulsos deles.
| Ano | Fato |
|---|---|
| 1967 | Guerra dos Seis Dias: Israel passa a controlar Judeia e Samaria, Jerusalém Oriental, Gaza, Sinai e Colinas de Golã |
| 1973 | Egito e Síria atacam Israel no Yom Kippur |
| 1979 | Tratado de paz com o Egito, o primeiro com um Estado árabe; Israel devolve o Sinai |
| 1993 | Acordos de Oslo: reconhecimento mútuo com a OLP e criação da Autoridade Palestina |
| 1994 | Tratado de paz com a Jordânia |
| 2005 | Israel retira de Gaza as comunidades israelenses e as forças militares permanentes |
| 2007 | O Hamas toma o controle de Gaza depois de conflito com o Fatah |
| 2020 | Acordos de Abraão com Emirados Árabes Unidos e Bahrein; depois, Marrocos e Sudão |
| 2023 | Ataque do Hamas em 7 de outubro |
O status de Judeia e Samaria e de Jerusalém Oriental continua em disputa. Israel anexou Jerusalém Oriental e o Golã, mas a maior parte da comunidade internacional não reconhece essas medidas. Sobre Gaza, Israel afirma ter encerrado o controle direto em 2005, quando retirou todas as comunidades israelenses e as forças militares permanentes. Autoridades palestinas e diversos organismos alegam que o controle continuou. Israel responde que deixou de governar o território e que, depois disso, Gaza passou ao domínio do Hamas.
Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas e de outros grupos atacaram Israel a partir de Gaza. Eles mataram cerca de 1.200 pessoas, em sua maioria civis, e sequestraram mais de 200 reféns. Foi esse ataque que deu início à guerra. A guerra causou muitas vítimas e deslocados entre os civis palestinos. Israel afirma que o Hamas opera em meio à população civil e a usa como escudo, e que o grupo mantém reféns em Gaza. Os números de vítimas variam conforme a fonte.
Linha do tempo
- c. 1209 a.C.A Estela de Merneptah traz a menção extrabíblica mais antiga a “Israel” (algumas datações indicam 1208/1207 a.C.).
- Século IX a.C.A Estela de Tel Dan cita a “Casa de Davi”.
- 722 a.C.A Assíria destrói o Reino de Israel.
- 586 a.C.A Babilônia destrói Jerusalém e o Primeiro Templo.
- 538–515 a.C.Retorno dos exilados e reconstrução do Templo.
- 164 a.C.Os Macabeus purificam o Templo, fato lembrado na festa de Hanucá.
- 70 d.C.Roma destrói o Segundo Templo.
- 135 d.C.Adriano renomeia a Judeia como Syria Palaestina.
- 1897Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, liderado por Theodor Herzl.
- 1917Declaração Balfour.
- 1922Mandato Britânico aprovado pela Liga das Nações.
- 1939Livro Branco britânico limita a imigração judaica.
- 1947Resolução 181 da ONU recomenda a partilha; os judeus aceitam e a liderança árabe rejeita.
- 1948Ben-Gurion proclama o Estado de Israel em 14 de maio.
- 1950O Knesset aprova a Lei do Retorno.
- 1979Tratado de paz com o Egito.
- 1994Tratado de paz com a Jordânia.
- 2020Acordos de Abraão.
- 2023Ataque do Hamas em 7 de outubro.
Perguntas frequentes
O que tinha antes de Israel?
A terra estava vazia quando os sionistas chegaram?
Os judeus são invasores na Terra de Israel?
Qual foi o papel do Brasil na criação de Israel?
Assista
Explica a história real da família de banqueiros judeus Rothschild e como o panfleto difamatório de 1846 sobre Waterloo deu origem a uma das teorias da conspiração antissemitas mais difundidas, que sobrevive hoje nas redes sociais.
Adolescentes e adultosVídeo animado que narra os cerca de 150 anos finais do período do Primeiro Templo: a queda do Reino de Israel diante da Assíria, a origem das dez tribos perdidas e o exílio de Judá na Babilônia. Termina explicando o jejum de Tishá BeAv e sua memória na vida judaica.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Noam Weissman conta como a história de Massada, preservada apenas por Josefo, foi recuperada pelo movimento sionista, das expedições juvenis de Shmaryahu Gutman em 1942 às escavações de Yigael Yadin e ao juramento dos soldados das FDI. No fim, propõe que a memória do 7 de outubro, com as vítimas e os reféns que escolheram a vida, seja hoje uma lição tão central quanto a de Massada.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Painel do Yad Vashem com os historiadores Iael Nidam-Orvieto, Sergio Della Pergola e Simonetta Della Seta sobre a batida nazista contra os judeus de Roma em 16 de outubro de 1943, o 'Sábado Negro', que levou mais de mil pessoas a Auschwitz, das quais só 16 voltaram. O debate aborda também a história milenar da comunidade judaica romana, as leis antissemitas fascistas de 1938 e o papel de Mussolini e dos italianos na perseguição.
Educadores- Mandato Britânico de 1922, Liga das Nações (Avalon Project, Yale)
- Livro Branco britânico de 1939 (Avalon Project, Yale)
- Relatório do Comitê Especial da ONU (UNSCOP), A/364, 1947
- Governo de Israel: Facts about Israel – History
- Governo de Israel: Israel in Maps
- Governo de Israel: The Quest for Peace
- Ministério das Relações Exteriores de Israel: Acordos
- Nativ: 29 de novembro de 1947 e a partilha da ONU
- Nativ: Declaração Balfour
- Ministério da Defesa de Israel: museus e história
- Agranat-Tamir et al., The Genomic History of the Bronze Age Southern Levant, Cell, 2020
- Diana Muir, A Land Without a People for a People Without a Land (Berman Jewish Policy Archive)
- INSS: sionismo, colonização e colonialismo
- bpb (Alemanha): fuga e expulsão de judeus dos países árabes
- BBC: cronologia do conflito
- Yad Vashem: a existência judaica após o Holocausto
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