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IA a favor da verdade: como usar o ChatGPT e outras IAs sem cair em desinformação sobre Israel

Foto: Ícones de aplicativos de redes sociais na tela de um smartphone. mikemacmarketing · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Em resumo

A inteligência artificial ajuda a estudar, organizar ideias e checar informações, mas erra, inventa fontes e, segundo um estudo da ADL de 2025, mostra viés contra judeus e contra Israel. Use a IA como ponto de partida, nunca como fonte: peça as fontes, abra e confira cada uma, e escreva a resposta final com a sua voz.

Comece pelo seu perfil

Por que desconfiar: a IA também tem viés

ChatGPT, Gemini, Copilot, Claude e outras ferramentas aprendem com o que existe na internet, inclusive com a desinformação. Em março de 2025, a ADL, organização americana que combate o antissemitismo desde 1913, publicou o estudo Generating Hate. Cada um dos quatro modelos avaliados recebeu 8.600 perguntas, num total de 34.400 respostas analisadas. O que o estudo encontrou:

  • Os quatro modelos avaliados (GPT, Claude, Gemini e Llama) mostraram viés mensurável contra judeus e contra Israel, em graus diferentes.
  • GPT e Claude mostraram viés significativo contra Israel, sobretudo nas perguntas sobre a guerra entre Israel e o Hamas, em que tiveram dificuldade de dar respostas consistentes e baseadas em fatos.
  • As IAs se recusaram a responder perguntas sobre Israel com mais frequência do que sobre outros temas.
  • Os modelos tiveram dificuldade para rejeitar com clareza estereótipos e teorias da conspiração antissemitas.

As ferramentas mudam a cada versão, e algumas podem ter melhorado desde então. O cuidado continua valendo para qualquer uma. E a IA também é usada para fabricar desinformação em escala: veja como a mentira se espalha.

Onde a IA costuma errar sobre Israel

Números sem dono

Repete totais de mortos atribuídos ao Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, sem dizer quem contou, com qual método e se o número separa combatentes de civis.

Veja: Números sem verificação · Os números de Gaza

Fontes e citações inventadas

Cita artigos, relatórios, links e até frases de líderes que não existem, ou que existem mas não dizem aquilo. Abra cada link antes de usar.

Veja: A frase de Ben-Gurion que foi cortada

Palavras que já trazem o veredito

Apresenta "genocídio" ou "apartheid" como se fossem fatos descritos, e não acusações que precisam de prova.

Veja: Palavras invertidas

Equivalência falsa

Põe o massacre de 7 de outubro e a resposta de Israel no mesmo plano, ou chama terror de "resistência".

Veja: O 7 de outubro · Negação do 7 de outubro

Informação velha ou recusa

Cada modelo aprendeu até uma data e pode não conhecer correções feitas depois. E, quando o tema é Israel, às vezes simplesmente se recusa a responder, deixando o espaço para outras fontes.

Veja: O caso do hospital al-Ahli

Imagens falsas e falsas acusações de IA

As próprias IAs fabricam fotos e vídeos realistas. E o inverso também acontece: chamar de "feita com IA" uma imagem verdadeira do 7 de outubro é uma forma de negar o massacre.

Veja: As imagens do 7 de outubro foram feitas com IA? · A foto do bebê queimado

Exemplo comentado: o hospital al-Ahli

Um caso real, passo a passo, para ver como a checagem com IA funciona na prática.

  1. A frase que circula

    "Israel bombardeou um hospital em Gaza e matou 500 pessoas." Foi a manchete do mundo na noite de 17 de outubro de 2023.

  2. O prompt

    Cole a instrução de base e depois o prompt "Checar uma afirmação", com a frase entre aspas. Se a ferramenta tiver busca na web, ative.

  3. O que observar na resposta

    Ela diz que o número veio do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, e que foi anunciado na mesma noite, antes de qualquer perícia? Menciona as avaliações dos EUA, do Reino Unido, da França e do Canadá? Cita as correções da BBC e do New York Times? Se a resposta trata "500 mortos por Israel" como fato, ela falhou: volte com o prompt "Desconfiar da própria IA".

  4. O que a checagem mostra

    Os prédios ficaram de pé. Os governos dos EUA, do Reino Unido, da França e do Canadá avaliaram que um foguete lançado de Gaza provavelmente causou a explosão. A BBC e o New York Times corrigiram a cobertura, e o número de 500 mortos nunca foi comprovado.

Exemplo ilustrativo: a resposta de cada ferramenta muda de uma versão para outra e até de um dia para outro. O que importa é saber o que conferir. O caso completo, com as fontes, está em O hospital al-Ahli: a explosão que o mundo atribuiu a Israel.

Prompts prontos para copiar

Prompt é a instrução que você escreve para a IA. Os modelos abaixo funcionam em qualquer ferramenta. Como usar:

  1. Cole primeiro a instrução de base. Ela obriga a IA a mostrar as fontes e a admitir quando não sabe.
  2. Escolha o prompt, copie e troque o que está entre colchetes.
  3. Se a ferramenta tiver busca na web, ative.
  4. Abra e confira as fontes antes de usar qualquer coisa.

Instrução de base

Cole no começo de qualquer conversa.

Atue como um checador de fatos profissional e rigoroso. Responda em português do Brasil e siga estas regras:
1. Separe fatos verificáveis de opiniões e de interpretações.
2. Para cada fato, indique a fonte primária (documento oficial, órgão público, tribunal, agência de notícias ou pesquisa acadêmica) com autor, data e link.
3. Se você tiver busca na web, use-a e diga que usou. Se não tiver, avise que suas informações podem estar desatualizadas.
4. Nunca invente fontes, citações ou links. Se não encontrar, escreva "não encontrei fonte".
5. Em números de vítimas, diga quem contou, com qual método, em que data e se o número separa combatentes de civis.
6. Não trate como descrição neutra palavras que já são acusações, como "genocídio" e "apartheid": diga quem fez a acusação e com que base.
7. Para definir antissemitismo, use a definição de trabalho da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance) e seus exemplos.
8. Termine com a lista do que eu ainda preciso conferir por conta própria.

Checar antes de acreditar

Entender um tema do zero

Para estudar um assunto antes de opinar.

Quero entender [escreva o tema] em linguagem simples, para alguém de 15 anos. Explique o contexto histórico em até 300 palavras, com as datas principais. Depois, separe em duas listas: o que é consenso entre historiadores e o que é disputado, dizendo quem disputa e com que argumento. Indique três fontes primárias para eu ler.

Checar uma afirmação

Quando chega uma frase pronta no grupo ou no feed.

Recebi esta afirmação: "[cole aqui]". Faça a checagem em quatro partes. 1) Origem: quem publicou primeiro, onde e quando. 2) Provas: o que sustenta a afirmação e o que a contradiz, com fontes primárias. 3) Correções: algum veículo, governo ou agência de checagem já corrigiu ou desmentiu? 4) Padrão: a afirmação repete alguma acusação antiga contra judeus? No fim, entregue uma tabela com as colunas: afirmação | fonte primária | situação (confirmado, falso, enganoso ou sem prova).

Checar um número

Para totais de mortos, feridos, refugiados ou crianças.

Este número circula sobre a guerra em Gaza: "[cole aqui]". Responda: quem produziu o número? Com qual método (registros de hospital, comunicados, estimativa)? Em que data? Ele separa combatentes de civis? Houve revisão posterior, por exemplo pela ONU, e qual foi a mudança? Mostre as fontes com data e diga o que continua sem confirmação.

Checar uma frase atribuída a alguém

Para "citações" de líderes que circulam sem origem.

Esta frase circula atribuída a [nome da pessoa]: "[cole aqui]". Ela foi mesmo dita ou escrita? Procure a fonte original: livro com página, discurso com data e local, entrevista com veículo e data. Se a frase existir, mostre o trecho completo e o contexto em que foi dita. Se a fonte for de segunda mão, diga quem citou e de onde tirou. Se não encontrar a origem, diga isso claramente.

Checar uma imagem ou um vídeo

Antes de compartilhar uma foto ou um vídeo forte.

Uma imagem circula como se fosse de [lugar e data]. Ela mostra: [descreva o que aparece, ou anexe a imagem se a ferramenta permitir]. Quais sinais indicam que ela pode ser de outro lugar, de outra data ou gerada por IA? Quais passos de busca reversa eu devo seguir no Google Lens, no TinEye e no InVID-WeVerify? Não conclua sem prova: diga o que eu preciso verificar e o que cada resultado significaria.

Conferir uma tradução

Para falas em árabe ou hebraico que chegam já traduzidas.

Traduza o texto abaixo, que está em [árabe ou hebraico], de duas formas: primeiro palavra por palavra, depois em português natural. Aponte expressões com mais de um sentido, termos religiosos ou políticos e o que se perde na tradução. Depois compare com esta tradução que está circulando: "[cole aqui]". Diga se ela é fiel, se suaviza ou se exagera, e em quais trechos. Texto original: "[cole aqui]"

Montar uma linha do tempo

Para entender a ordem real dos fatos.

Monte uma linha do tempo de [escreva o fato], com data, hora quando houver, o que aconteceu e a fonte de cada linha. Marque com um aviso o que foi anunciado antes de qualquer verificação e o que foi corrigido ou desmentido depois.

Reconhecer o antissemitismo

Crítica ou antissemitismo?

Para separar crítica legítima de preconceito.

Analise o texto abaixo com a definição de trabalho de antissemitismo da IHRA e seus exemplos. Diga se ele critica uma política do governo de Israel, como se critica qualquer país, ou se usa estereótipos sobre judeus, nega o direito de Israel existir, compara Israel aos nazistas, cobra de Israel o que não cobra de nenhum outro país ou culpa os judeus em geral pelo que faz o governo israelense. Aponte os trechos exatos e explique cada um. Texto: "[cole aqui]"

Identificar códigos e palavras disfarçadas

Quando uma publicação parece normal mas soa estranha.

Analise esta publicação: "[cole aqui]". Ela usa códigos, símbolos ou palavras disfarçadas para atacar judeus? Por exemplo: "sionista" usado como xingamento para qualquer judeu, parênteses triplos em volta de nomes, números, emojis, grafias trocadas para burlar filtros ou memes conhecidos. Explique cada código encontrado, de onde ele vem e por que é ofensivo. Se não houver código, diga isso.

Ensinar e conversar

Preparar uma aula

Para professores e educadores.

Sou professor(a) do [ano ou série]. Monte um plano de aula de 50 minutos sobre [escreva o tema], com objetivo, abertura de 5 minutos, atividade em grupo, fontes primárias adequadas à idade e uma pergunta de reflexão. Inclua uma atividade em que os alunos chequem uma afirmação real usando busca reversa ou fonte primária. Use fontes verificáveis e evite qualquer linguagem que incite ódio contra um povo.

Preparar uma fala

Para igrejas, grupos de jovens e universidades.

Vou falar por [tempo] minutos para [descreva o grupo] sobre [escreva o tema]. Ajude-me a organizar três ideias principais, um exemplo histórico com fonte, uma história humana que o público lembre e uma pergunta para o final. Tom respeitoso e firme, sem ataques a pessoas. Liste também as três perguntas difíceis que o público pode fazer e como responder a cada uma com fatos.

Conversar com o seu filho

Quando a criança ou o adolescente viu algo nas redes.

Meu filho de [idade] anos viu este conteúdo no [TikTok, Instagram ou YouTube]: [descreva o que ele viu]. Ele está [assustado, confuso ou repetindo o que viu]. Ajude-me a preparar uma conversa curta e acolhedora: como começar, que perguntas fazer, que fatos simples explicar para a idade dele e como ensiná-lo a desconfiar de vídeos que provocam raiva. Sem assustar e sem ensinar ódio a ninguém.

Responder e publicar

Rascunho de resposta a um comentário

Quando vale a pena responder.

Alguém publicou isto: "[cole aqui]". Quero responder com calma, para quem está lendo, não para vencer a discussão. 1) Identifique a afirmação central. 2) Encontre um fato com fonte confiável que a corrija. 3) Escreva duas versões de rascunho: uma de até 280 caracteres e outra de até 80 palavras, educadas, sem insultos, sem repetir a acusação e com a fonte. Eu vou reescrever com as minhas palavras antes de publicar.

Revisar um post, vídeo ou matéria

Para criadores de conteúdo e jornalistas.

Vou publicar [um post, um vídeo ou uma matéria] sobre [escreva o tema]. Revise o rascunho abaixo como um editor exigente: aponte afirmações sem fonte, números sem origem, citações sem referência, palavras que já trazem um veredito, imagens que precisam de checagem de origem e o contexto que está faltando. Não mude o meu estilo: sugira correções pontuais. Rascunho: "[cole aqui]"
Imprensa →

Desconfiar da própria IA

Sempre, no fim de qualquer conversa.

Agora faça o papel de um checador cético e revise a sua resposta anterior. Quais afirmações você não consegue sustentar com uma fonte verificável? Algum link ou citação que você indicou pode não existir ou não dizer aquilo? Você usou alguma palavra que já traz um veredito? Liste tudo o que eu preciso conferir antes de usar.

Regras de ouro

  1. A IA não é fonte. Cite o documento, a agência ou a página que ela indicou, e só depois de abrir e conferir.
  2. Leia e reescreva. Nunca publique um texto de IA sem revisar. Escreva com a sua voz: é ela que convence.
  3. Uma pessoa, uma conta. Não crie perfis falsos nem use IA para publicar em série. Campanhas assim já foram identificadas e derrubadas pelas próprias empresas de IA, e destroem a credibilidade de quem as usa.
  4. Não fabrique imagens. Nem "só para ilustrar". Uma imagem gerada por IA, mesmo bem-intencionada, vira prova falsa e serve a quem nega o 7 de outubro.
  5. Proteja os dados. Não cole nas ferramentas de IA dados pessoais, seus ou de outras pessoas, nem prints com nomes e rostos.
  6. Ameaça não se discute. Diante de ameaça, incitação ou assédio, não responda: guarde a prova e denuncie.
  7. Na dúvida, não publique. Um erro seu vira argumento contra todos.

Como reconhecer imagem e vídeo feitos por IA

  • Mãos, dentes, orelhas e letras (em placas, camisetas e documentos) deformados ou ilegíveis.
  • Luz e sombras que não combinam; pele lisa demais; fundo borrado sem motivo.
  • Em vídeo: lábios fora de sincronia com o áudio, piscadas estranhas, voz sem respiração.
  • Ninguém sabe quem filmou ou fotografou, nem onde a imagem apareceu primeiro.

Atenção: esses sinais ajudam, mas não bastam, e as ferramentas melhoram rápido. O que decide é a origem: quem publicou primeiro, onde e quando. O roteiro Como checar antes de compartilhar mostra o passo a passo, e o quiz Real ou montado? ajuda a treinar o olhar com casos reais.

Perguntas frequentes

Posso confiar no que a IA responde?

Como ponto de partida, sim; como fonte final, não. A IA pode errar, misturar informações e inventar referências com aparência de verdade. Use o que ela disser para encontrar as fontes primárias e confie nelas, depois de abrir e ler.

A IA é contra Israel?

Um estudo da ADL publicado em março de 2025 avaliou o GPT, o Claude, o Gemini e o Llama e encontrou viés contra judeus e contra Israel nos quatro, em graus diferentes. As ferramentas mudam a cada versão, mas o cuidado vale para qualquer uma: peça fontes e confira.

Qual IA devo usar?

A JJO não recomenda marcas. Prefira ferramentas que mostram as fontes e que fazem busca na web, e compare a resposta de mais de uma quando o tema for sensível.

Posso usar a IA para escrever respostas nas redes?

Para organizar ideias e encontrar fontes, sim. O texto publicado deve ser seu, revisado, com fonte, e nunca publicado em série ou por perfis falsos.

A IA guarda o que eu escrevo?

Muitas ferramentas podem guardar as conversas e usá-las para melhorar o sistema, conforme as regras de cada empresa. Por isso, não cole dados pessoais, seus ou de outras pessoas.

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