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capa do Palestine Post, jornal judaico de Jerusalém, de 16 de maio de 1948
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Nunca existiu um país chamado “Palestina”

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Foto: capa do Palestine Post, jornal judaico de Jerusalém, de 16 de maio de 1948. The Palestine Post · domínio público
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Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designou uma região já citada por Heródoto, depois províncias romanas e bizantinas e um distrito militar dos califados. No fim do período otomano, a área estava dividida principalmente entre o Mutasarrifado de Jerusalém e os sanjaks de Nablus e Acre. De 1920 a 1948 foi o Mandato Britânico, cujas moedas traziam em hebraico a sigla de Eretz Israel. O “Estado da Palestina” proclamado em 1988 é um ato político posterior, de status jurídico debatido. Havia, e há, um povo palestino.

De onde vem o nome “Palestina” e o que Roma fez com ele?

O nome é antigo e chegou a Roma pronto. A ocorrência grega mais antiga amplamente reconhecida está em Heródoto, Histórias 7.89, obra do século V a.C. Ele escreve que a faixa costeira da Síria “até o Egito” era chamada Palaistinē. Era uma designação geográfica ampla. Não designava um Estado nem uma unidade administrativa formal.

A maioria dos especialistas liga o termo aos filisteus, povo da planície costeira de Gaza, Ascalão, Asdode, Ecrom e Gate. A cadeia exata de transmissão do nome, porém, não está demonstrada por uma única fonte primária.

No século I, a província romana se chamava Judeia (Iudaea), nome ligado ao povo judeu. A moeda de Vespasiano do ano 71 diz isso com todas as letras: IUDAEA CAPTA, “Judeia conquistada”.

Depois da revolta de Bar Kokhba, de 132 a 135, inscrições e moedas romanas passam a registrar o nome Syria Palaestina. A mudança é associada ao imperador Adriano. Aqui cabe uma ressalva honesta: nenhum documento romano preservado registra o motivo da troca. A leitura de que Adriano quis apagar o vínculo judaico com a terra é uma interpretação influente e plausível, mas não está escrita numa ordem imperial. O argumento desta página não depende dela. Com ou sem intenção punitiva, Syria Palaestina era o nome de uma província de um império.

No período bizantino, a região foi dividida em Palaestina Prima, Palaestina Secunda e Palaestina Tertia. Uma lei de 23 de março de 409 é o registro mais antigo que menciona explicitamente as três. Eram, de novo, províncias imperiais.

Sestércio de Vespasiano, do ano 71, com a inscrição IUDAEA CAPTA, “Judeia conquistada”. A própria Roma chamava a terra de Judeia antes da troca de nome.
Sestércio de Vespasiano, do ano 71, com a inscrição IUDAEA CAPTA, “Judeia conquistada”. A própria Roma chamava a terra de Judeia antes da troca de nome.Imagem: CNG coins. · CC BY-SA 2.5
Mapa do atlas de Spruner e Menke, do século 19, com as províncias romanas Syria Phoenice e Syria Palaestina, do ano 70 até Diocleciano. Mostra o nome como divisão de um império.
Mapa do atlas de Spruner e Menke, do século 19, com as províncias romanas Syria Phoenice e Syria Palaestina, do ano 70 até Diocleciano. Mostra o nome como divisão de um império.Imagem: Menke, Th. Spruner von Merz, Karl Stulpnagel, F. von · Public domain
“Origins of the Word Palestine”StandWithUs · em inglês

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A StandWithUs, em inglês, conta a origem da palavra a partir dos filisteus, a renomeação romana da Judeia e o uso do nome no Mandato.

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“How did Palestine get its Name? (Documentary)”History Leaks · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Documentário do History Leaks, em inglês, sobre a origem do nome, dos filisteus a Adriano, e sobre um Império Otomano sem província com esse nome.

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A região virou um país sob os impérios que vieram depois?

Não com esse nome. A região passou de um império a outro. No período cruzado, integrou o Reino de Jerusalém, com capital em Jerusalém. Nenhum desses governos foi um Estado soberano chamado “Palestina”.

  • Califados árabes (a partir do século VII): depois da conquista muçulmana, a área foi organizada em distritos militares. Um deles era o Jund Filastin, com capital em Ramla, cidade fundada no início do século VIII. Foi uma unidade administrativa real, com limites variáveis. Era um distrito militar dos califados.
  • Cruzados: a região integrou o Reino de Jerusalém, dividido em senhorios e condados, como o Condado de Jafa e Ascalão e o Senhorio da Galileia. O reino não se chamava “Palestina”.
  • Mamelucos: o sultanato, com capital no Cairo, administrava a área por distritos ligados a Damasco, Gaza, Nablus, Safed e Jerusalém.
  • Otomanos (1516 a 1917): os moradores eram súditos otomanos. A administração mudou ao longo dos séculos, com vínculos a centros como Damasco, Sidon, Acre e, mais tarde, Beirute. No fim do período, a região estava dividida principalmente assim:
Fim do período otomanoSubordinação
Jerusalém, Jafa, Gaza, HebronMutasarrifado de Jerusalém, ligado direto a Constantinopla desde 1872
NablusVilayet de Beirute, desde 1888
Acre e GalileiaVilayet de Beirute, desde 1888
Leste do JordãoVilayet da Síria, com sede em Damasco

O mapa da Comissão Peel, de 1937, reproduz essa divisão e não mostra nenhuma unidade chamada “Palestina”. Para ser exato: em 1872 houve uma tentativa otomana de reunir os distritos em torno de Jerusalém, desfeita pouco depois. O nome Filastin continuou em uso geográfico e religioso. Um nome em uso é uma coisa. Um Estado é outra. A história oficial publicada pelo governo de Israel resume esse percurso.

Mapa n.º 1 do relatório da Comissão Peel, de 1937, com as divisões turcas anteriores à guerra: Vilayet de Beirute, sanjaks de Acre e Nablus e Sanjak Independente de Jerusalém. Nenhuma unidade se chama “Palestina”.
Mapa n.º 1 do relatório da Comissão Peel, de 1937, com as divisões turcas anteriores à guerra: Vilayet de Beirute, sanjaks de Acre e Nablus e Sanjak Independente de Jerusalém. Nenhuma unidade se chama “Palestina”.Imagem: British War Office, 1937 · Public domain
“NUNCA houve um PAÍS CHAMADO PALESTINA... - RODRIGO SILVA - KRITIKÊ PODCAST #Nº280”Kritikê Podcast

No Kritikê Podcast, o arqueólogo Rodrigo Silva explica a sucessão de impérios na região até 1948 e por que nunca houve um país com esse nome.

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A Evolução dos Mapas no Oriente Médio: Narrativas e Realidades em DisputaDesempacotando

O canal Desempacotando percorre a evolução dos mapas do Oriente Médio, dos sanjaks otomanos às promessas britânicas, à OLP de 1964, à declaração de 1988 e a Oslo.

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Como líderes árabes descreviam a região entre 1919 e 1964?

As posições variaram conforme o momento e o ator. Em 1919, líderes reunidos em Jerusalém defenderam a integração à Síria. A partir de dezembro de 1920, o movimento árabe local passou a pedir um governo palestino próprio. Em 1956, Shukeiri ainda falava em Síria do Sul, e em 1964 a OLP declarava não exercer soberania sobre os territórios que mencionava. Os registros mais sólidos vêm de atas e resoluções árabes.

1919. Em janeiro e fevereiro de 1919, o Primeiro Congresso Árabe Palestino reuniu em Jerusalém as associações muçulmano-cristãs. A resolução, em tradução publicada pelo historiador Y. Porath, diz: “We consider Palestine as part of Arab Syria as it has never been separated from it at any time” (“Consideramos a “Palestina” parte da Síria árabe, pois nunca foi separada dela em momento algum”). O texto pede que “our district Southern Syria or Palestine” (“nosso distrito, Síria do Sul ou “Palestina””) não seja separado do governo sírio árabe independente. Em Jerusalém circulava o jornal Suriya al-Janubiyya, “Síria do Sul”, entre 8 de setembro de 1919 e 11 de junho de 1920. Em Damasco, o Congresso Geral Sírio defendia uma Síria unificada e, em março de 1920, proclamou Faisal rei. Em julho de 1920 a França derrotou Faisal em Maysalun e o projeto ruiu.

Esses documentos não negam a existência dos árabes palestinos. Mostram que, naquele momento, seus líderes se viam dentro de um horizonte sírio. A imprensa árabe local já falara em “nação palestina” em 1914, e o Terceiro Congresso Árabe Palestino, em Haifa, em dezembro de 1920, passou a pedir um governo próprio. O nacionalismo palestino ganhou forma ali, sob o Mandato.

1946. O historiador Philip Hitti, de Princeton, disse ao Comitê Anglo-Americano de Inquérito em Washington, em 11 de janeiro de 1946: “There is no such thing as 'Palestine' in history, absolutely not” (“Não existe isso de “Palestina” na história, absolutamente não”). A ata está nos Central Zionist Archives, e a redação varia um pouco entre transcrições. Hitti falava de entidade política. Ele não negava o uso geográfico do nome. Veja a análise do CAMERA.

1956. Ahmad Shukeiri, então representante da Arábia Saudita na ONU e depois primeiro presidente da OLP, declarou no Conselho de Segurança, em 31 de maio de 1956: “It is common knowledge that Palestine is nothing but southern Syria” (“É de conhecimento geral que a “Palestina” não passa da Síria do Sul”). Ata S/PV.724, parágrafo 44 (registro).

1964. O artigo 24 da Carta Nacional da OLP, que criou a OLP, afirmava: “This Organization does not exercise any territorial sovereignty over the West Bank in the Hashemite Kingdom of Jordan, on the Gaza Strip or in the Himmah Area” (“Esta Organização não exerce nenhuma soberania territorial sobre a margem ocidental [do Jordão] no Reino Hachemita da Jordânia, na Faixa de Gaza ou na área de Himmah”). O texto não fala em Síria. Registra que a OLP não exercia soberania sobre essas áreas.

Página de assinaturas do Acordo Faisal-Weizmann, de 3 de janeiro de 1919, com a ressalva de Faisal traduzida por T. E. Lawrence. Em 1919, o interlocutor árabe era Faisal, que liderava o projeto de uma Síria unificada.
Página de assinaturas do Acordo Faisal-Weizmann, de 3 de janeiro de 1919, com a ressalva de Faisal traduzida por T. E. Lawrence. Em 1919, o interlocutor árabe era Faisal, que liderava o projeto de uma Síria unificada.Imagem: Faisal bin Hussein and Chaim Weizmann · Public domain

O que disseram líderes e intelectuais árabes, nos documentos

“It is common knowledge that Palestine is nothing but southern Syria.”

“É de conhecimento geral que a “Palestina” não passa da Síria do Sul.”

Ahmad Shukeiri, Representante da Arábia Saudita na ONU; depois primeiro presidente da OLP. 31 de maio de 1956, Conselho de Segurança da ONU. Ata oficial do Conselho de Segurança S/PV.724, parágrafo 44

“There is no such thing as 'Palestine' in history, absolutely not.”

“Não existe isso de “Palestina” na história, absolutamente não.”

Philip Hitti, Historiador árabe-americano, professor da Universidade de Princeton. 11 de janeiro de 1946, Comitê Anglo-Americano de Inquérito, Washington. Ata da audiência, Central Zionist Archives, V/9960/g, pp. 10-11. A redação varia um pouco entre transcrições.

“We consider Palestine as part of Arab Syria as it has never been separated from it at any time. (...) We desire that our district Southern Syria or Palestine should not be separated from the Independent Arab Syrian Government”

“Consideramos a “Palestina” parte da Síria árabe, pois nunca foi separada dela em momento algum. (...) Desejamos que nosso distrito, Síria do Sul ou “Palestina”, não seja separado do Governo Árabe Sírio Independente.”

Primeiro Congresso Árabe Palestino (Congresso das Associações Muçulmano-Cristãs), Delegados das associações muçulmano-cristãs da região. Janeiro e fevereiro de 1919, Jerusalém. Resolução do congresso, em tradução publicada por Y. Porath, The Emergence of the Palestinian-Arab National Movement, 1918-1929, pp. 81-82. No mesmo período circulava em Jerusalém o jornal árabe Suriya al-Janubiyya (“Síria do Sul”), de 1919 a 1920.

“This Organization does not exercise any territorial sovereignty over the West Bank in the Hashemite Kingdom of Jordan, on the Gaza Strip or in the Himmah Area.”

“Esta Organização não exerce nenhuma soberania territorial sobre a margem ocidental [do Jordão] no Reino Hachemita da Jordânia, na Faixa de Gaza ou na área de Himmah.”

Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Carta Nacional da OLP, adotada pelo primeiro Congresso Nacional Palestino. 28 de maio a 2 de junho de 1964, Jerusalém. Carta Nacional da OLP de 1964, artigo 24 (removido na revisão de 1968)

O que foi o Mandato Britânico e por que ele não era um país?

Foi uma administração britânica autorizada pela Liga das Nações, de 1920 a 1948. A soberania não estava nas mãos dos moradores.

  • 2 de novembro de 1917: a Declaração Balfour. O texto do Mandato incorporou seus termos e comprometeu a administração com o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu.
  • 1920: na Conferência de San Remo, as potências aliadas definiram a entidade territorial com o nome de “Palestina” e entregaram o Mandato ao Reino Unido.
  • 24 de julho de 1922: o Conselho da Liga aprovou o Mandato Britânico, confirmado em 16 de setembro de 1922. Entrou em vigor em setembro de 1923. O tema foi debatido na Câmara dos Lordes britânica em 1922.
  • 1923: no Tratado de Lausanne, a Turquia renunciou aos territórios fora de suas novas fronteiras. Nenhuma soberania passou a um Estado palestino, porque ele não existia.

O próprio texto do Mandato mostra por que não havia um país:

  • O artigo 1 dava à potência mandatária plenos poderes de legislação e administração.
  • A autoridade máxima era o Alto Comissário britânico, nomeado pela Coroa. Não havia presidente, rei ou parlamento soberano local.
  • A Grã-Bretanha representava o território perante outros países e celebrava os acordos internacionais.
  • O artigo 25 permitiu separar a Transjordânia, que virou um emirado sob a dinastia hachemita.
  • O artigo 7 exigiu uma lei de nacionalidade. A ordem de cidadania de 1925 valia para judeus e árabes residentes.

O Mandato também não criou de imediato um Estado judeu nem um Estado árabe. Os relatórios enviados à Liga estão nos arquivos da Liga das Nações em Genebra.

Original da Declaração Balfour, carta de Arthur Balfour a Lord Rothschild de 2 de novembro de 1917. Seus termos entraram no texto do Mandato aprovado pela Liga das Nações.
Original da Declaração Balfour, carta de Arthur Balfour a Lord Rothschild de 2 de novembro de 1917. Seus termos entraram no texto do Mandato aprovado pela Liga das Nações.Imagem: United Kingdom Government signed by Arthur Balfour · Public domain
Capa do documento do Mandato para a “Palestina” e a Transjordânia apresentado ao Parlamento britânico em dezembro de 1922. É o instrumento de uma administração estrangeira autorizada pela Liga.
Capa do documento do Mandato para a “Palestina” e a Transjordânia apresentado ao Parlamento britânico em dezembro de 1922. É o instrumento de uma administração estrangeira autorizada pela Liga.Imagem: British government · Public domain
Ata do Conselho da Liga das Nações de 19 a 24 de julho de 1922, que aprovou os mandatos para a “Palestina” e para a Síria. O território passou a ser administrado pelo Reino Unido sob supervisão internacional.
Ata do Conselho da Liga das Nações de 19 a 24 de julho de 1922, que aprovou os mandatos para a “Palestina” e para a Síria. O território passou a ser administrado pelo Reino Unido sob supervisão internacional.Imagem: League of Nations · Public domain

O que mostram as moedas, os selos e o passaporte do Mandato?

Mostram uma administração britânica trilíngue, que servia a judeus e árabes e escrevia em hebraico a sigla de Eretz Israel.

O artigo 22 do Mandato fez do inglês, do árabe e do hebraico as línguas oficiais. Toda inscrição em árabe em selos e dinheiro devia ser repetida em hebraico, e vice-versa. A liderança judaica pediu que o nome hebraico do país fosse Eretz Yisrael, “Terra de Israel”. Os britânicos mantiveram a transliteração e acrescentaram a sigla entre parênteses: פלשתינה (א״י).

  • Moedas: a legislação de 1927 criou a libra palestina e a Palestine Currency Board, sediada em Londres. A moeda de 2 mils de 1927 traz 'PALESTINE', o nome em árabe e, em hebraico, a sigla א״י. Veja as coleções do B'nai B'rith e do Museu Judaico da Suíça.
  • Cédulas: a nota de 1 libra de 1939 segue o mesmo padrão em três línguas.
  • Selos: o selo de 4 mils de 1927 repete a fórmula פלשתינה (א״י).
  • Passaporte: o documento de 1935 de Yehuda Goldberg, judeu e operário de concreto de Petah Tikva, diz em hebraico “Governo da Palestina (Eretz Israel)”.

O nome oficial do território era 'Palestine'. A sigla não mudou esse nome jurídico. O ponto decisivo é outro fato: esses objetos eram emitidos pela administração do Mandato, para todos os moradores. Golda Meir contou em 1970 que, de 1921 a 1948, teve passaporte “palestino” do Mandato, como todos, judeus e árabes. Um passaporte de judeu de Petah Tikva, com a sigla de Eretz Israel, não prova a existência de um país árabe.

Moeda de 2 mils de 1927 com 'PALESTINE' em inglês, o nome em árabe e, em hebraico, פלשתינה (א״י). A sigla de Eretz Israel aparece na mesma peça usada como “prova” de um Estado árabe.
Moeda de 2 mils de 1927 com 'PALESTINE' em inglês, o nome em árabe e, em hebraico, פלשתינה (א״י). A sigla de Eretz Israel aparece na mesma peça usada como “prova” de um Estado árabe.Imagem: A Franzén · Public domain
Selo de 4 mils de 1927 do Mandato, com o nome nas três línguas oficiais e a fórmula hebraica פלשתינה (א״י). Selo postal mostra uma administração, sem provar soberania.
Selo de 4 mils de 1927 do Mandato, com o nome nas três línguas oficiais e a fórmula hebraica פלשתינה (א״י). Selo postal mostra uma administração, sem provar soberania.Imagem: Stamp by Fred Taylor for United Kingdom Government · Public domain
Nota de 1 libra palestina de 1939, moeda do Mandato, com textos em inglês, árabe e hebraico. A emissão cabia à autoridade monetária britânica.
Nota de 1 libra palestina de 1939, moeda do Mandato, com textos em inglês, árabe e hebraico. A emissão cabia à autoridade monetária britânica.Imagem: cgb · Public domain
Passaporte do Mandato emitido em 1935 para Yehuda Goldberg, judeu, operário de concreto de Petah Tikva. O documento “palestino” da época pertencia também aos judeus.
Passaporte do Mandato emitido em 1935 para Yehuda Goldberg, judeu, operário de concreto de Petah Tikva. O documento “palestino” da época pertencia também aos judeus.Imagem: Government of Mandatory Palestine · Public domain
Contracapa do mesmo passaporte, com “Governo da Palestina” em árabe e, em hebraico, “ממשלת פלשתינה (א״י)”, “Governo da Palestina (Eretz Israel)”. A autoridade emissora era a administração britânica.
Contracapa do mesmo passaporte, com “Governo da Palestina” em árabe e, em hebraico, “ממשלת פלשתינה (א״י)”, “Governo da Palestina (Eretz Israel)”. A autoridade emissora era a administração britânica.Imagem: Government of Mandatory Palestine · Public domain
“Golda Meir, 1970: Palestinian Passport, British Mandate”ThamesTv · em inglês

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Em entrevista à Thames TV em 1970, Golda Meir conta que, de 1921 a 1948, teve passaporte “palestino” do Mandato, como todos os moradores, judeus e árabes.

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Por que os judeus eram os “palestinos” da época?

Porque, no Mandato, “palestino” designava o morador do território, e as instituições judaicas usavam o nome oficial em inglês.

  • The Palestine Post: jornal judaico em inglês fundado em Jerusalém por Gershon Agron. A primeira edição saiu em 2 de dezembro de 1932. Em 1º de fevereiro de 1948, um carro-bomba atingiu a redação. Em 16 de maio de 1948, a capa anunciou: 'STATE OF ISRAEL IS BORN'. Em 1950, o jornal virou The Jerusalem Post. A Biblioteca Nacional de Israel guarda 5.264 edições digitalizadas.
  • A orquestra: fundada em 1936 pelo violinista Bronisław Huberman com músicos judeus refugiados do nazismo. Arturo Toscanini regeu o concerto inaugural em dezembro de 1936. O programa de 15 de dezembro de 1947 traz o nome Palestine Philharmonic Orchestra. Em 1948, ela virou a Filarmônica de Israel.
  • Anglo-Palestine Bank: criado em 1902 como Anglo-Palestine Company pelo movimento sionista, ganhou esse nome em 1930 e virou o Bank Leumi le-Israel em 1951.
  • Outras: a Palestine Electric Corporation, de Pinhas Rutenberg, e a Palestine Land Development Company, de compra de terras, ligada à Organização Sionista Mundial.

Uma nuance honesta: o Palestine Regiment do Exército britânico, criado em 1942, tinha batalhões judeus e árabes. Isso confirma o sentido territorial da palavra. Ela não indicava uma identidade nacional comum. Para o tema desta página, o dado central é simples: o rótulo de “palestino” cabia a judeus e árabes porque nomeava uma administração.

Prédio do Anglo-Palestine Bank em Tel Aviv, em 1926. Era o banco do movimento sionista e virou o Bank Leumi de Israel.
Prédio do Anglo-Palestine Bank em Tel Aviv, em 1926. Era o banco do movimento sionista e virou o Bank Leumi de Israel.Imagem: Unknown authorUnknown author · Public domain
Programa de concerto da Palestine Philharmonic Orchestra em Tel Aviv, 15 de dezembro de 1947. A orquestra judaica fundada com músicos refugiados virou a Filarmônica de Israel. Crédito: Etan J. Tal, CC BY-SA 3.0.
Programa de concerto da Palestine Philharmonic Orchestra em Tel Aviv, 15 de dezembro de 1947. A orquestra judaica fundada com músicos refugiados virou a Filarmônica de Israel. Crédito: Etan J. Tal, CC BY-SA 3.0.Imagem: Etan J. Tal · CC BY-SA 3.0
Redação do Palestine Post, jornal judaico de Jerusalém, depois do carro-bomba de 1º de fevereiro de 1948. O alvo do ataque era um jornal judaico que levava o nome do território.
Redação do Palestine Post, jornal judaico de Jerusalém, depois do carro-bomba de 1º de fevereiro de 1948. O alvo do ataque era um jornal judaico que levava o nome do território.Imagem: Unknown authorUnknown author · Public domain
Capa do Palestine Post de 16 de maio de 1948: 'STATE OF ISRAEL IS BORN'. O jornal judaico passou a se chamar The Jerusalem Post em 1950.
Capa do Palestine Post de 16 de maio de 1948: 'STATE OF ISRAEL IS BORN'. O jornal judaico passou a se chamar The Jerusalem Post em 1950.Imagem: The Palestine Post · Public domain

O que aconteceu entre 1947 e 1967?

A ONU propôs dois Estados novos. Os judeus aceitaram e os árabes recusaram. Depois, Jordânia e Egito controlaram as áreas árabes por 19 anos e não criaram um Estado palestino.

  • 29 de novembro de 1947: a Assembleia Geral aprovou a Resolução 181) por 33 votos a 13, com 10 abstenções. O texto fala em um 'Arab State', um 'Jewish State' e Jerusalém sob regime internacional. Cerca de 56% do território a oeste do Jordão iriam ao Estado judeu e 43% ao Estado árabe. Era uma recomendação, que propunha criar dois Estados. Ninguém dividia um país existente.
  • A resposta: a Agência Judaica aceitou. O Alto Comitê Árabe e os Estados árabes rejeitaram e partiram para a guerra. O relatório do mediador da ONU, Folke Bernadotte (S/1025, 16 de setembro de 1948), registra a aceitação judaica e a rejeição árabe.
  • 14 de maio de 1948: Israel declarou a independência. No dia seguinte, segundo o Ministério da Defesa de Israel, Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque entraram em guerra. Israel terminou com cerca de 77% do território a oeste do Jordão. As linhas de armistício de 1949 eram militares e não fixavam fronteiras. Ver também o Departamento de Estado dos EUA.
  • 24 de abril de 1950: o Parlamento jordaniano aprovou a união das duas margens do Jordão, isto é, a anexação da Judeia e Samaria, com Jerusalém Oriental. A medida não obteve reconhecimento internacional amplo.
  • Gaza: ficou sob administração militar egípcia. O “Governo de Toda a Palestina”, proclamado em 1948, viveu sob tutela do Egito, que o dissolveu em 1959.
  • 1964: a OLP nasceu declarando, no artigo 24 de sua Carta, que não exercia soberania sobre Judeia e Samaria, sob a Jordânia, nem sobre Gaza. Em 1968, depois da guerra de 1967, a Carta foi revista e o artigo saiu do texto.
Mapa da ONU do plano de partilha de 29 de novembro de 1947, com um 'Arab State', um 'Jewish State' e Jerusalém sob regime internacional. A ONU propôs criar dois Estados novos, sem dividir um país existente.
Mapa da ONU do plano de partilha de 29 de novembro de 1947, com um 'Arab State', um 'Jewish State' e Jerusalém sob regime internacional. A ONU propôs criar dois Estados novos, sem dividir um país existente.Imagem: United Nations · Public domain
“Afinal, Israel roubou terras na Palestina?”StandWithUs Brasil

A StandWithUs Brasil responde se Israel roubou terras, com o nome romano, o mapa de 1946, as terras compradas, a Transjordânia em 1922 e os anos de Jordânia e Egito sem Estado palestino.

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A declaração de 1988 e os reconhecimentos mudam essa história?

Não mudam o passado. São atos políticos posteriores, e o próprio status jurídico atual é debatido.

  • 15 de novembro de 1988: em Argel, o Conselho Nacional Palestino proclamou o que chamou de “Estado da Palestina”. A declaração invocou a Resolução 181 de 1947, o mesmo plano que a liderança árabe havia rejeitado. A liderança da OLP estava no exílio e não controlava o território. Em 15 de dezembro de 1988, a Resolução 43/177 apenas tomou conhecimento da proclamação e trocou a designação usada na ONU (Anuário da ONU de 1988).
  • 1º de dezembro de 2010: o presidente Lula enviou carta a Mahmoud Abbas reconhecendo um Estado palestino nas fronteiras de 1967. O Itamaraty divulgou a decisão em 3 de dezembro (Ministério das Relações Exteriores).
  • 29 de novembro de 2012: a Resolução 67/19 foi aprovada por 138 votos a 9, com 41 abstenções, e deu o status de “Estado observador não membro”. A entidade não se tornou membro da ONU, e a Assembleia Geral não tem poder de criar Estados.

Nenhum desses atos afirma que houve um país antes de 1948. O direito internacional usa como referência a Convenção de Montevidéu, de 1933: população permanente, território definido, governo e capacidade de relações com outros Estados. Há juristas que consideram os critérios preenchidos e há quem os considere só parcialmente cumpridos.

A posição de Israel: falta controle governamental efetivo, com Gaza dominada pelo grupo terrorista Hamas e a Autoridade Palestina limitada a partes da Judeia e Samaria. Os Acordos de Oslo, de 1993, e o Acordo Interino de 1995 exigem que fronteiras e status final saiam de negociação direta, e atos unilaterais violam esse compromisso. Em 18 de julho de 2024, o Knesset aprovou por 68 votos a 9 uma resolução contra a criação de um Estado palestino a oeste do Jordão.

“PALESTINA É UM ESTADO? | Professor HOC”Professor HOC

O Professor HOC explica em menos de um minuto os requisitos de um Estado (território, governo, soberania) e por que a entidade palestina não os cumpre.

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Como a propaganda usa a ideia de um país que teria sido roubado?

Com mapas e objetos tirados de contexto. O efeito visual sugere um Estado árabe que encolheu. Os documentos contam outra história.

Os mapas que “encolhem”. A série mais comum tem quatro quadros: 1946, a partilha de 1947, as linhas de 1949 a 1967 e o presente. O truque está em pintar com a mesma cor coisas diferentes:

  • 1946: o quadro pinta o território do Mandato Britânico como se fosse um Estado. Mistura também terra privada árabe com terras públicas do Mandato, como grande parte do Neguev. Propriedade privada de terra não é soberania.
  • 1947: apresenta uma recomendação da ONU, que criaria dois Estados novos, como se cortasse um país existente. Omite que os árabes a recusaram.
  • 1949 a 1967: pinta Judeia e Samaria e Gaza como se fossem um Estado palestino. Nesse período, a Jordânia anexou a Judeia e Samaria, com Jerusalém Oriental, e o Egito administrou Gaza, sem anexá-la.
  • Hoje: ignora que a autonomia palestina nasceu com Oslo, em 1993, e cresceu a partir dali.

Esses mapas também omitem que Israel não existia como Estado antes de 1948. Nenhum dos dois Estados existia. O Mandato era uma administração britânica.

As moedas como “prova”. Imagens de moedas e selos com 'PALESTINE' e o nome em árabe circulam como evidência de um Estado árabe. Esses mesmos objetos trazem em hebraico a sigla de Eretz Israel. Moeda e selo provam uma administração. Colônias, protetorados e territórios mandatados também tinham os seus.

Nada disso nega a perda e o sofrimento de árabes palestinos na guerra de 1948. A guerra veio da rejeição árabe à partilha. A premissa de que existia um país árabe a ser tomado continua falsa.

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“O mapa da Palestina está realmente encolhendo?”Desempacotando · abre no YouTube

O canal Desempacotando checa o meme do mapa que “encolhe” e mostra a falsa equivalência entre terra privada, terra pública do Mandato e soberania.

Linha do tempo

  1. Século V a.C.Heródoto usa Palaistinē para a faixa costeira da Síria até o Egito, como nome geográfico.
  2. 71Moeda de Vespasiano com IUDAEA CAPTA: Roma chama a terra de Judeia.
  3. 132-135Revolta de Bar Kokhba. Depois dela, inscrições e moedas romanas registram Syria Palaestina, mudança associada a Adriano.
  4. Século VIIApós a conquista muçulmana, os califados criam o Jund Filastin, distrito militar com capital depois em Ramla.
  5. 1516-1917Domínio otomano. Desde 1872 há o Mutasarrifado de Jerusalém; desde 1888, Nablus e Acre ficam no Vilayet de Beirute.
  6. 1917Declaração Balfour, em 2 de novembro, apoia um lar nacional para o povo judeu.
  7. 1919O Primeiro Congresso Árabe Palestino, em Jerusalém, declara a região parte da Síria árabe.
  8. 1920Conferência de San Remo define a entidade do Mandato. Em julho, a França derruba o reino de Faisal em Damasco.
  9. 1922Em 24 de julho, a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico.
  10. 1927Moedas e selos do Mandato saem com o nome em três línguas e a sigla hebraica א״י, de Eretz Israel.
  11. 1946Philip Hitti diz ao Comitê Anglo-Americano que não existe “Palestina” na história.
  12. 1947Em 29 de novembro, a Resolução 181 recomenda um Estado árabe e um Estado judeu. Os judeus aceitam; os árabes rejeitam.
  13. 1948Em 14 de maio, Israel declara a independência. No dia seguinte, cinco exércitos árabes atacam.
  14. 1950Em 24 de abril, a Jordânia anexa a Judeia e Samaria. O Egito mantém Gaza sob administração militar.
  15. 1964A Carta da OLP, artigo 24, declara que a organização não exerce soberania sobre Judeia e Samaria nem sobre Gaza.
  16. 1988Em 15 de novembro, o Conselho Nacional Palestino faz em Argel uma declaração de independência.
  17. 2010Em 1º de dezembro, o Brasil reconhece um Estado palestino nas fronteiras de 1967.
  18. 2012Em 29 de novembro, a Resolução 67/19 dá o status de Estado observador não membro, sem adesão plena à ONU.

Perguntas frequentes

Isso quer dizer que os palestinos não existem?
Não. Havia, e há, um povo palestino. Árabes viviam na região sob os otomanos e sob o Mandato, e a imprensa árabe local já falava em “nação palestina” em 1914. Esta página trata de outra questão: se existiu, antes de 1948, um Estado soberano com esse nome. Povo, identidade nacional e Estado são categorias diferentes, e os documentos mostram que esse Estado não existiu.
Jesus era palestino?
Depende do sentido. Como nome geográfico, “Palestina” é anterior a Jesus: Heródoto já o usava no século V a.C. No tempo de Jesus, porém, as moedas e a administração romanas chamavam a província de Judeia, nome ligado ao povo judeu. Syria Palaestina só virou nome de província depois da revolta de Bar Kokhba, entre 132 e 135. A identidade nacional palestina moderna não deve ser projetada sobre Jesus.
As moedas e o passaporte com 'Palestine' não provam que havia um país?
Provam que existia uma administração com esse nome: o Mandato Britânico. Moedas, selos e passaportes eram emitidos pelo governo britânico do Mandato, valiam para judeus e árabes e traziam em hebraico a sigla א״י, de Eretz Israel. Colônias, protetorados e territórios mandatados também tinham moeda própria. Moeda e selo não provam soberania.
O reconhecimento do Brasil e o status na ONU mudam essa história?
Não mudam o passado. O Brasil reconheceu um Estado palestino nas fronteiras de 1967 em dezembro de 2010, e a ONU deu o status de Estado observador não membro em 29 de novembro de 2012. São decisões políticas posteriores, e o status jurídico atual é debatido entre juristas. Nenhuma afirma que houve um país antes de 1948, e a resolução de 2012 não tornou a entidade membro da ONU.
Adriano trocou o nome da Judeia para apagar os judeus?
Nenhum documento romano preservado diz isso. Inscrições e moedas mostram que, depois da revolta de Bar Kokhba, a província passou a se chamar Syria Palaestina, mudança associada a Adriano. A intenção de apagar o vínculo judaico é uma interpretação plausível e influente, sem ordem imperial que a confirme. O nome em si era antigo: Heródoto já o usava no século V a.C.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Encontrou um erro? Peça uma correção. Veja também a checagem “A Palestina era um país antes de 1948”.