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Os reféns de 7 de outubro: quem são e o que aconteceu com eles

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Foto: Praça dos Reféns, junto ao museu de Tel Aviv-Jaffa. זאב שטיין · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
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Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas e de outros grupos levaram 251 pessoas para Gaza. Eram de um bebê de 9 meses a idosos de 85 anos, israelenses e estrangeiros, e a maioria era civil. Parte foi libertada em trocas em 2023 e 2025. Oito foram resgatados pelas FDI e dezenas morreram. O acordo de outubro de 2025 previu a libertação dos 20 reféns vivos restantes.

Quantos reféns o Hamas fez em 7 de outubro?

O Hamas e outros grupos terroristas levaram 251 pessoas para a Faixa de Gaza em 7 de outubro de 2023, segundo a contagem israelense e o Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel. Algumas contagens falam em 251 a 252 pessoas.

O sequestro fez parte do maior ataque da história de Israel. Segundo as FDI, cerca de 3.000 terroristas invadiram o sul do país. Quase 3.000 foguetes foram disparados nas primeiras horas. Mais de 1.200 pessoas foram mortas.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel classifica o ataque como crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Foi esse ataque que começou a guerra.

A tomada de reféns é proibida pela Quarta Convenção de Genebra, artigo 34. É crime de guerra em qualquer circunstância, mesmo que os cativos sejam bem tratados. E eles não foram.

Quem eram os reféns levados para Gaza?

A grande maioria dos reféns era civil: cerca de 201 das 251 pessoas. As idades iam de um bebê de 9 meses a idosos de 85 anos.

Os números por grupo variam conforme a fonte. Uma contagem aponta 90 mulheres e 36 crianças e menores de idade. A Human Rights Watch, organização que costuma criticar Israel, registrou 39 crianças.

Os reféns incluíam:

  • Famílias dos kibutzim da fronteira, como Be'eri, Nir Oz, Nir Yitzhak e Kfar Aza. Só em Nir Oz foram levadas 72 pessoas: 35 mulheres, 14 crianças e 21 idosos com mais de 65 anos. Entre os idosos sequestrados havia sobreviventes do Holocausto.
  • Jovens do Festival Nova, a festa de música perto de Re'im. Dezenas foram capturados no local do massacre.
  • Membros das forças de segurança, incluindo jovens soldadas observadoras capturadas em bases na fronteira.
  • Estrangeiros e pessoas com dupla cidadania. Havia trabalhadores agrícolas da Tailândia e das Filipinas e estudantes de agronomia do Nepal e da Tanzânia. Havia também cidadãos com dupla nacionalidade, como norte-americanos, britânicos e russos.

Como os reféns foram tratados no cativeiro?

Os reféns ficaram isolados em túneis e em casas de civis em Gaza, com fome, sem cuidados médicos e sem nenhuma visita da Cruz Vermelha. O Hamas negou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha qualquer acesso.

Segundo as FDI, depoimentos mostraram reféns mantidos em túneis ou isolados em casas dentro de bairros densamente povoados. Em túneis sob áreas urbanas e hospitais, como Shifa e Nasser, as FDI encontraram celas e vestígios de DNA. Encontraram também pacotes de remédios lacrados com os nomes dos reféns, que nunca foram entregues a eles.

Médicos que receberam os libertados documentaram:

  • fome e desnutrição severa, com grande perda de massa muscular;
  • falta de higiene, com piolhos, escabiose e longos períodos sem banho. Segundo o Ministério da Saúde de Israel, roupas íntimas femininas chegavam a ser trocadas uma vez a cada seis meses;
  • ferimentos de tiro e estilhaços do dia do ataque mal tratados;
  • doenças crônicas agravadas, como diabetes, insuficiência cardíaca e hipertensão.

Reféns libertados no início de 2025, após mais de 400 dias de cativeiro, chegaram em estado físico e mental ainda pior.

Violência sexual. Em março de 2024, a representante especial da ONU Pramila Patten relatou informação "clara e convincente" de violência sexual contra reféns, no relatório S/2024/217. A Comissão de Inquérito da ONU chegou a conclusão semelhante. Ex-reféns como Amit Soussana, Aviva Siegel, Chen Goldstein-Almog e Agam Goldstein-Almog relataram agressões sexuais, ameaças de estupro sob a mira de armas e assédio constante.

Como os reféns foram libertados?

Os reféns saíram de Gaza de três formas: libertações unilaterais pontuais, trocas negociadas e resgates militares das FDI.

DataO que aconteceu
20 out. 2023Judith e Natalie Raanan, cidadãs americanas, são libertadas
23 out. 2023As idosas Yocheved Lifshitz e Nurit Cooper são libertadas
29 out. 2023A soldada Ori Megidish é resgatada pelas FDI
24 nov. a 30 nov. ou 1º dez. 2023Primeira trégua e troca, com mediação de Catar, Egito e EUA
12 fev. 2024Fernando Simon Marman e Louis Har são resgatados em Rafah
Jun. 2024Quatro reféns são resgatados vivos em Nuseirat
27 ago. 2024Qaid Farhan al-Qadi, beduíno israelense, é resgatado de um túnel
19 jan. 2025Entra em vigor o segundo acordo de cessar-fogo e troca
Out. 2025Novo acordo prevê a libertação dos 20 reféns vivos restantes

Novembro de 2023. Os números variam conforme a fonte. Uma contagem fala em 105 civis libertados: 81 israelenses, a maioria mães e crianças, e 24 estrangeiros. Outra fala em 110, com 24 a 29 trabalhadores estrangeiros, principalmente tailandeses. Em troca, Israel libertou 240 presos e detidos palestinos. Agam Goldstein-Almog saiu com a família em 26 de novembro, após 51 dias de cativeiro. Segundo as FDI, o Hamas havia assassinado o pai e a irmã dela. Homens em idade militar, soldados e muitos civis continuaram em Gaza.

Resgates. Em operações baseadas em inteligência, as FDI resgataram 8 reféns vivos.

Janeiro de 2025. Na primeira fase, o Hamas e outros grupos entregaram 25 reféns vivos e oito corpos. Em troca, Israel libertou cerca de 1.900 presos e detidos palestinos, segundo a BBC. Só em fevereiro de 2025, 369 presos foram libertados. Segundo a AP, 36 deles cumpriam prisão perpétua por ataques mortais. A segunda fase travou nas negociações.

Quantos reféns morreram?

Dezenas de reféns morreram, mas as contagens variam conforme a data e o critério. Alguns foram assassinados no próprio 7 de outubro e levados mortos para Gaza. Outros foram executados pelos captores. Outros morreram pelas condições do cativeiro ou em combates.

Uma estimativa aponta pelo menos 85 reféns mortos. Em outubro de 2025, a AP informou que Israel concluíra que pelo menos 25 dos 251 morreram em 7 de outubro ou no cativeiro. Na mesma época, a BBC registrou 48 pessoas ainda em Gaza, das quais 28 eram dadas como mortas.

As contagens mudam por um motivo concreto. Israel precisou separar quem morreu no ataque, quem morreu no cativeiro e quem tinha paradeiro desconhecido. Muitas vezes o Hamas não fornecia provas verificáveis.

Execuções em Rafah. No fim de agosto de 2024, as FDI encontraram num túnel em Rafah os corpos de seis jovens reféns: Hersh Goldberg-Polin, Carmel Gat, Eden Yerushalmi, Ori Danino, Alexander Lobanov e Almog Sarusi. As autópsias mostraram que eles foram executados a tiros, a curta distância, pouco antes da chegada das tropas.

Outros reféns também morreram em cativeiro, entre eles Avraham Munder, Sahar Baruch e Bipin Joshi. Em operações em Khan Yunis, Rafah e Cidade de Gaza, as FDI recuperaram dezenas de corpos de túneis e estruturas. Os corpos voltaram a Israel para que as famílias pudessem sepultá-los.

O Hamas ainda tem reféns?

Em outubro de 2025, o Hamas mantinha 20 reféns vivos e os corpos de 28 mortos, e um novo acordo previu a devolução de todos. Os dados são da Reuters e da BBC.

O Hamas publicou os nomes dos 20 reféns vivos a serem libertados.

A devolução dos corpos não foi cumprida por inteiro de início. A Reuters registrou que apenas parte dos corpos previstos foi entregue. Israel cobrou do Hamas o cumprimento da obrigação de devolver todos os reféns. Para as famílias, o fim do cativeiro só se completa quando o último corpo voltar para casa.

Por que o Hamas sequestrou civis?

O Hamas usou os reféns como moeda de troca para forçar Israel a libertar presos palestinos. No dia seguinte ao ataque, o dirigente do Hamas Mahmoud Mardawi disse que os reféns seriam um "cartão estratégico". Lideranças do grupo declararam que os sequestrados serviam de carta de barganha. É exatamente isso que define um refém.

O Hamas e seus apoiadores chamam o 7 de outubro de "resistência legítima". Num documento de janeiro de 2024, analisado pelo INSS, o grupo alega ter mirado alvos militares. Essa alegação é falsa:

  • Os sequestrados eram, em sua maioria, civis: bebês, crianças, idosos e jovens numa festa.
  • A Comissão de Inquérito da ONU rejeitou a tese de que os moradores das comunidades atacadas não eram civis.
  • Até a Human Rights Watch, crítica de Israel, chamou aquele dia de crime de guerra.

Nenhuma causa política autoriza atacar civis ou sequestrar famílias. A proibição vale em qualquer guerra, como prevê o Protocolo I, artigo 51.

Presos palestinos são "reféns" como os israelenses?

Não. Chamar presos palestinos de "reféns" é falso, porque eles estão sob o sistema legal de um Estado, e não sequestrados para chantagem. A frase circulou muito durante as trocas de 2025, às vezes junto com a alegação de que os reféns israelenses foram "bem tratados". Os fatos acima mostram o contrário.

Israel distingue quatro grupos de presos:

  • condenados;
  • acusados à espera de julgamento;
  • detidos administrativos;
  • detidos de Gaza durante a guerra.

Após uma troca em 2025, a Reuters contou mais de 9.100 presos, com cerca de 3.544 detidos administrativos. Desses presos, cerca de 250 tinham sido condenados ou acusados de ataques fatais. Havia ainda cerca de 1.700 detidos de Gaza sem decisão judicial. Esses números são atribuídos à Sociedade de Prisioneiros Palestinos e não são uma contagem oficial israelense.

Israel defende a detenção administrativa como medida preventiva, revisada por tribunais militares. Uma Comissão de Inquérito da ONU acusa Israel de maus-tratos a detidos. Israel rejeita a acusação de tortura sistemática e afirma que investiga denúncias específicas.

Críticos questionam a detenção sem acusação. Israel responde que é uma medida preventiva sob revisão judicial. Em qualquer caso, isso não apaga a diferença essencial. Refém é quem é capturado para forçar um governo a ceder, como fez o Hamas.

Linha do tempo

  1. 2023Em 7 de outubro, o Hamas e outros grupos matam mais de 1.200 pessoas em Israel e levam 251 reféns para Gaza.
  2. 2023Em outubro, quatro reféns civis são libertadas e a soldada Ori Megidish é resgatada pelas FDI.
  3. 2023Entre 24 de novembro e o início de dezembro, a primeira trégua liberta mulheres, crianças e estrangeiros em troca de 240 presos palestinos.
  4. 2024Em março, o relatório da ONU S/2024/217 relata informação clara e convincente de violência sexual contra reféns.
  5. 2024As FDI resgatam reféns em Rafah (fevereiro), Nuseirat (junho) e no sul de Gaza (agosto). No fim de agosto, seis reféns são encontrados executados em Rafah.
  6. 2025Em 19 de janeiro, entra em vigor um acordo: 25 reféns vivos e oito corpos são entregues em troca de cerca de 1.900 presos palestinos.
  7. 2025Em outubro, um novo acordo prevê a libertação dos 20 reféns vivos restantes e a devolução dos corpos, entregues de início só em parte.

Perguntas frequentes

Quantos reféns foram levados pelo Hamas?
Em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos terroristas levaram 251 pessoas para Gaza, segundo a contagem israelense. Algumas contagens falam em 251 a 252. A maioria era civil, com idades de 9 meses a 85 anos. Havia israelenses, estrangeiros e pessoas com dupla cidadania, além de membros das forças de segurança.
O Hamas ainda tem reféns?
Em outubro de 2025, o Hamas mantinha 20 reféns vivos e os corpos de 28 mortos, segundo a BBC e a Reuters. Um acordo daquele mês previu a libertação dos 20 vivos e a devolução de todos os corpos. A Reuters registrou que, de início, só parte dos corpos foi entregue, e Israel cobrou o cumprimento integral.
Quantos reféns morreram no cativeiro?
As contagens variam conforme a data e o critério. Em outubro de 2025, a BBC contou 28 mortos entre os 48 ainda em Gaza, sem contar os corpos já recuperados antes pelas FDI. Seis reféns foram executados num túnel em Rafah em agosto de 2024.
Por que a tomada de reféns é crime de guerra?
O artigo 34 da Quarta Convenção de Genebra proíbe a tomada de reféns em qualquer circunstância, mesmo que os cativos sejam bem tratados. O Hamas declarou que os sequestrados serviam de carta de barganha para libertar presos. Além disso, manteve os reféns em túneis, negou acesso à Cruz Vermelha e, segundo a ONU, houve violência sexual contra eles.

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