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Vista panorâmica colorida da Cidade Velha de Jerusalém no fim do século 19
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Jerusalém, capital de Israel: história e fatos

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Foto: Vista panorâmica colorida da Cidade Velha de Jerusalém no fim do século 19. Félix Bonfils · Public domain · Wikimedia Commons
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Jerusalém é a capital de Israel. A Lei Básica de 1980 a define como sede do presidente, do Knesset, do governo e da Suprema Corte. A cidade foi capital do reino de Davi por volta de 1000 a.C. e abrigou os dois Templos judaicos. Israel a declarou capital em 1949 e a unificou em 1967. A maior parte da comunidade internacional não reconhece a soberania israelense sobre Jerusalém Oriental.

Qual a capital de Israel, Jerusalém ou Tel Aviv?

A capital de Israel é Jerusalém, e não Tel Aviv. É o que diz a lei israelense, e é ali que o Estado funciona.

A Lei Básica: Jerusalém, Capital de Israel, aprovada pelo Knesset em 30 de julho de 1980, afirma: “Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel”. A mesma lei define a cidade como sede de quatro instituições:

  • a Presidência do Estado;
  • o Knesset (o Parlamento);
  • o governo;
  • a Suprema Corte.

Essas instituições funcionam de fato em Jerusalém. Os Estados Unidos reconheceram isso ao inaugurar sua embaixada na cidade em maio de 2018. Segundo o Departamento de Estado, a decisão reconheceu Jerusalém como capital de Israel e sede do seu governo.

A confusão com Tel Aviv vem da política internacional. A maior parte da comunidade internacional não reconhece a soberania israelense sobre toda a cidade, sobretudo sobre Jerusalém Oriental. Isso, porém, não muda onde o governo de Israel está.

Quando Jerusalém virou capital de Israel?

Jerusalém foi declarada capital do Estado de Israel em 13 de dezembro de 1949. Mas a cidade já era a capital do povo judeu cerca de três mil anos antes.

O caminho moderno passou por estas etapas:

AnoO que aconteceu
1947A Resolução 181 da ONU propõe a partilha e um regime internacional para Jerusalém (corpus separatum). A liderança judaica aceita. Os Estados árabes e a liderança árabe local rejeitam e iniciam a guerra.
1948A Legião Árabe da Transjordânia toma Jerusalém Oriental e a Cidade Velha. Israel fica com Jerusalém Ocidental.
1949O plano de internacionalização fracassa. David Ben-Gurion declara Jerusalém capital e transfere para lá o Knesset, a Suprema Corte e os ministérios.
1967Na Guerra dos Seis Dias, Israel é atacado pelas forças jordanianas em 5 de junho e passa a controlar a cidade inteira.
1980O Knesset aprova a Lei Básica que define Jerusalém “completa e unida” como capital.

Israel chama os fatos de 1967 de reunificação. Depois de 19 anos de divisão, a Cidade Velha e o Muro Ocidental voltaram a estar ao alcance dos judeus. O estudo histórico do Knesset registra que, desde então, Israel administra a cidade unificada e a considera sua capital.

Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou em 1995 o Jerusalem Embassy Act, que pedia o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. A embaixada americana mudou-se para a cidade em 2018.

Como se chamava Jerusalém antes?

O nome Jerusalém é antigo e aparece nas próprias fontes judaicas da Antiguidade. Algumas partes da cidade têm nomes próprios ligados a essa história.

  • Cidade de Davi: é o núcleo mais antigo, onde, pelo relato bíblico, o rei Davi instalou a capital do reino unificado por volta de 1000 a.C.
  • Monte Moriá (Monte do Templo): é o local onde Salomão, filho de Davi, construiu o Primeiro Templo.
  • “Jerusalém Sagrada”: essa legenda em hebraico aparece nas moedas de prata cunhadas pela Primeira Revolta Judaica (66–70 d.C.).
  • Haram al-Sharif: é o nome muçulmano do complexo do Monte do Templo, onde hoje ficam o Domo da Rocha e a Mesquita de al-Aqsa.

A arqueologia confirma a importância da cidade. Um estudo publicado na revista PNAS em 2024 usou 103 datações por radiocarbono feitas na Cidade de Davi. O estudo mostrou ocupação contínua e expressiva entre os séculos XII e X a.C. Também mostrou uma expansão monumental já no século IX a.C.

Jerusalém guarda a maior coleção de inscrições do período do Primeiro Templo em todo o Levante. Entre elas estão selos do rei Ezequias e do rei Acaz. Há também os amuletos de prata de Ketef Hinnom, com a Bênção Sacerdotal, o texto bíblico em hebraico mais antigo já encontrado.

A cidade também teve fases cananeia, helenística, romana, bizantina, islâmica, cruzada, mameluca, otomana, britânica e jordaniana. A ligação judaica, porém, é a única que atravessa todas essas fases.

Por que a cidade de Jerusalém foi destruída?

Jerusalém foi destruída por impérios que conquistaram o reino judeu: pela Babilônia em 586 a.C. e por Roma em 70 d.C. As duas destruições derrubaram os dois Templos.

  • Primeira destruição (586 a.C.): a Crônica Babilônica registra que Nabucodonosor II tomou Jerusalém em 597 a.C. e deportou o rei Joaquim. Em 586 a.C., a cidade e o Primeiro Templo foram incendiados. Na Cidade de Davi e no Ophel, a arqueologia encontrou uma camada de cinzas, madeira queimada e pontas de flechas desse incêndio. Os tabletes de Al-Yahudu, escritos em acádio, registram a vida dos exilados judeus na Babilônia.
  • Reconstrução: depois do Édito de Ciro, em 538 a.C., os judeus voltaram e ergueram o Segundo Templo. No século II a.C., os Hasmoneus restauraram a independência judaica. No século I a.C., Herodes ampliou o Monte do Templo.
  • Segunda destruição (70 d.C.): durante a Primeira Guerra Judaico-Romana, as legiões de Tito cercaram e destruíram a cidade e o Segundo Templo. O historiador Flávio Josefo narrou o cerco. O Arco de Tito, em Roma, mostra a Menorá levada como saque.

Há ainda uma destruição moderna. Em maio de 1948, a Jordânia capturou o Bairro Judaico da Cidade Velha. Segundo o Knesset, os defensores foram feitos prisioneiros e várias sinagogas foram demolidas. A população judaica saiu da Cidade Velha. As circunstâncias variaram: houve rendição, prisão, evacuação e deslocamento.

Os judeus eram maioria em Jerusalém antes do Estado de Israel?

Sim. Os judeus já eram o maior grupo de Jerusalém no século XIX, antes do sionismo político moderno. As fontes divergem sobre a data exata.

  • Presença contínua: mesmo depois de Roma e das conquistas bizantina, islâmica, cruzada e otomana, uma comunidade judaica permaneceu na cidade.
  • Censos de Sir Moses Montefiore: os levantamentos de 1839, 1849, 1855, 1866 e 1875 registraram o crescimento da população judaica.
  • Registros consulares: dados do consulado prussiano de 1845 e relatórios britânicos de 1863 indicam que os judeus se tornaram o maior grupo religioso em meados do século. Segundo esses registros, em 1875 eles já eram maioria absoluta.
  • Ministério da Educação de Israel: o material oficial afirma que, no fim do século XIX, os judeus formavam a maior comunidade da cidade. Outra estimativa oficial fala em cerca de 35 mil judeus numa população de cerca de 70 mil.

As datas e os números variam conforme o censo usado. A conclusão, porém, se mantém: a maioria judaica em Jerusalém antecede o Estado de Israel.

A qual país pertence Jerusalém e quem manda nela hoje?

Israel governa Jerusalém inteira desde junho de 1967 e a considera sua capital unida. A maior parte da comunidade internacional não reconhece essa soberania sobre Jerusalém Oriental.

Entre 1948 e 1967, a cidade ficou dividida. A Jordânia controlava Jerusalém Oriental, com a Cidade Velha, o Muro Ocidental e o Monte do Templo. Nesse período, a Jordânia descumpriu o Artigo 8 do Acordo de Armistício de 1949 e negou aos judeus acesso ao Muro e ao cemitério do Monte das Oliveiras.

Em 1967, o Knesset aprovou a Lei de Proteção dos Locais Sagrados. A lei garantiu acesso e culto a judeus, cristãos e muçulmanos. O Departamento de Estado dos EUA registra que o acesso pode ser limitado por razões de segurança e ordem pública.

No Monte do Templo, vale um arranjo conhecido como status quo:

  • Israel cuida da segurança e do acesso;
  • o Waqf islâmico, ligado à Jordânia, administra os assuntos religiosos;
  • não muçulmanos podem visitar, mas na prática oficial não podem rezar no recinto;
  • Israel reconhece o “papel especial” da Jordânia no local.

Esse arranjo é descrito pelo Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel. Os judeus rezam no Muro Ocidental, o remanescente do muro de contenção do complexo do Segundo Templo, ampliado por Herodes.

Em 19 de julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer em que considera Jerusalém Oriental “território ocupado”. Trata-se de um parecer consultivo, sem valor de sentença, e não de uma condenação. Israel mantém a posição de que Jerusalém unida é sua capital.

E a reivindicação palestina sobre Jerusalém?

A liderança palestina e muitos Estados alegam que Jerusalém Oriental é uma área ocupada e anexada por Israel. Israel rejeita essa leitura e vê a cidade como sua capital indivisa.

O contexto ajuda a entender a disputa. Em 1947, a ONU propôs um regime internacional para Jerusalém. A liderança judaica aceitou, e os Estados árabes recusaram e foram à guerra. Foi essa guerra que dividiu a cidade e deixou a Cidade Velha sob domínio jordaniano até 1967.

O status quo no Monte do Templo é objeto de disputa recorrente entre Israel, Jordânia, a Autoridade Palestina e grupos religiosos. Visitas de ministros israelenses ao local também geram críticas, inclusive dentro de Israel, e o governo israelense reafirma o compromisso com o status quo.

Outra coisa é negar o vínculo judaico com Jerusalém. Essa negação é falsa. A arqueologia, os autores gregos e romanos e o Arco de Tito confirmam o vínculo. Eruditos muçulmanos clássicos, como al-Tabari, al-Idrisi e Mujir al-Din, também o registraram. O guia oficial do Supremo Conselho Muçulmano, de 1924, dizia sobre o Monte: “Its identity with the site of Solomon's Temple is beyond dispute”.

Para os muçulmanos, o local é o Haram al-Sharif, terceiro mais sagrado do islã. O reconhecimento dos dois vínculos não se exclui. Pelo critério da IHRA, que a JJO adota, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

  1. c. 1000 a.C.O rei Davi faz de Jerusalém a capital do reino unificado; Salomão constrói o Primeiro Templo.
  2. 701 a.C.Diante do cerco assírio de Senaqueribe, a cidade ergue a Muralha Larga, com cerca de 7 a 8 metros de largura.
  3. 586 a.C.A Babilônia destrói Jerusalém e o Primeiro Templo.
  4. 538 a.C.O Édito de Ciro permite o retorno dos judeus e a reconstrução do Templo.
  5. 70 d.C.As legiões romanas de Tito destroem a cidade e o Segundo Templo.
  6. 1875Segundo censos e registros da época, os judeus já são maioria absoluta em Jerusalém.
  7. 1947A Resolução 181 da ONU propõe a internacionalização de Jerusalém; os judeus aceitam, os Estados árabes rejeitam.
  8. 1948A Jordânia toma a Cidade Velha, expulsa os judeus do Bairro Judaico e demole sinagogas.
  9. 1949Ben-Gurion declara Jerusalém capital de Israel e transfere para lá o Knesset, a Suprema Corte e os ministérios.
  10. 1967Na Guerra dos Seis Dias, Israel unifica a cidade e aprova a Lei de Proteção dos Locais Sagrados.
  11. 1980O Knesset aprova a Lei Básica: Jerusalém, Capital de Israel.
  12. 2018Os Estados Unidos inauguram sua embaixada em Jerusalém.

Perguntas frequentes

Qual a capital de Israel, Jerusalém ou Tel Aviv?
A capital de Israel é Jerusalém. A Lei Básica de 1980 define a cidade como capital e como sede da Presidência, do Knesset, do governo e da Suprema Corte, que de fato funcionam ali. Os Estados Unidos mudaram sua embaixada para Jerusalém em 2018. A confusão com Tel Aviv vem do fato de que muitos países não reconhecem a soberania israelense sobre Jerusalém Oriental.
Quando Jerusalém virou capital de Israel?
Jerusalém foi declarada capital de Israel em 13 de dezembro de 1949 por David Ben-Gurion, que transferiu para a cidade o Knesset, a Suprema Corte e os ministérios. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, Israel unificou a cidade. Em 30 de julho de 1980, o Knesset aprovou a lei que diz: “Jerusalém, completa e unida, é a capital de Israel”.
Por que a cidade de Jerusalém foi destruída?
Jerusalém foi destruída por impérios conquistadores. Em 586 a.C., os babilônios de Nabucodonosor II incendiaram a cidade e o Primeiro Templo, o que a arqueologia confirma com camadas de cinzas. Em 70 d.C., durante a Primeira Guerra Judaico-Romana, as legiões de Tito destruíram o Segundo Templo. O Arco de Tito, em Roma, mostra a Menorá levada como saque.
Quem manda em Jerusalém hoje?
Israel governa Jerusalém inteira desde junho de 1967 e a considera sua capital. No Monte do Templo, Israel cuida da segurança, e o Waqf islâmico, ligado à Jordânia, administra os assuntos religiosos. A maior parte da comunidade internacional não reconhece a soberania israelense sobre Jerusalém Oriental. Um parecer consultivo da CIJ, de 2024, classificou Jerusalém Oriental como território ocupado, mas não tem valor de sentença, e Israel mantém que Jerusalém unida é sua capital.

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