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Theodor Herzl em 1900
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Theodor Herzl: o pai do sionismo político

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Foto: Theodor Herzl em 1900. Escritório de Imprensa do Governo de Israel (GPO) · Public domain · Wikimedia Commons
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Theodor Herzl (1860–1904) foi um jornalista e escritor judeu austro-húngaro. Ele transformou o antigo anseio de retorno à Terra de Israel em um movimento político organizado. Em 1896 publicou O Estado Judeu, em que propôs um Estado judaico garantido pelo direito público. Em 1897 organizou o Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, e foi o primeiro presidente da Organização Sionista. Morreu em 1904, aos 44 anos.

Quem foi Theodor Herzl e qual foi sua principal proposta?

Herzl foi o jornalista que propôs resolver a "questão judaica" com um Estado judeu reconhecido internacionalmente. Ele concluiu que a assimilação não protegeria os judeus do antissemitismo.

Nasceu em 2 de maio de 1860, em Pest, no Império Austro-Húngaro. Algumas fontes registram Budapeste. Vinha de uma família judaica assimilada. Formou-se em Direito, mas fez carreira como dramaturgo e jornalista. Foi correspondente em Paris e editor de folhetins do jornal Neue Freie Presse, de Viena. A Encyclopaedia Britannica o descreve como jornalista e ativista político austro-húngaro.

Sua proposta central está em Der Judenstaat (O Estado Judeu), publicado em Viena em 14 de fevereiro de 1896. O livro defendia que a questão judaica pedia uma solução política e diplomática, na arena internacional. Previa duas estruturas:

  • a Sociedade dos Judeus, órgão político representativo;
  • a Companhia Judaica, órgão financeiro e de execução.

O desejo de retorno à Terra de Israel e as ideias proto-sionistas já existiam antes dele. O papel próprio de Herzl foi dar a esse anseio forma de movimento internacional, com instituições diplomáticas, financeiras e representativas. Por isso ele é chamado de pai do sionismo político moderno.

Qual foi o papel do Caso Dreyfus na vida de Herzl?

O Caso Dreyfus mostrou a Herzl a força do antissemitismo político até na Europa Ocidental, mas não explica sozinho sua virada.

Em 1894, o capitão judeu Alfred Dreyfus foi condenado por traição na França. Depois, foi reabilitado. Como correspondente em Paris, Herzl acompanhou o julgamento e a degradação pública do oficial, entre 1894 e 1895. O Center for Jewish History registra o impacto do episódio.

O caso reforçou em Herzl duas conclusões. A primeira: a assimilação não protegeria os judeus. A segunda: o antissemitismo não era só um problema religioso ou social, mas uma questão nacional.

A ideia de que o caso o converteu ao sionismo de uma hora para outra é, porém, uma simplificação. Historiadores também apontam experiências anteriores de Herzl com o antissemitismo, com a assimilação e com o nacionalismo europeu.

O que aconteceu no Primeiro Congresso Sionista de 1897?

O Congresso de Basileia transformou as ideias de Herzl em um movimento organizado, com programa e instituição permanente.

Para preparar o encontro, Herzl fundou em 4 de junho de 1897 o semanário Die Welt, órgão oficial do movimento. O congresso estava previsto para Munique. A oposição de rabinos assimilacionistas alemães levou à mudança para a Suíça.

ItemDado
Data29 a 31 de agosto de 1897
LocalStadt-Casino, Basileia (Suíça)
Participantescerca de 200 delegados de 17 países
PresidênciaTheodor Herzl
Resultadofundação da Organização Sionista e aprovação do Programa de Basileia

O Programa de Basileia, redigido com Max Nordau, fixou o objetivo de criar um lar para o povo judeu na Terra de Israel, então sob domínio do Império Otomano, garantido pelo direito público. A fórmula era deliberadamente diplomática. Ainda não era um plano constitucional de Estado. Veja o material do Center for Israel Education e da Shapell Manuscript Foundation.

O que o sionismo defende?

O sionismo é o movimento de autodeterminação nacional do povo judeu. Defende que os judeus tenham um Estado próprio, soberano e seguro, na terra com a qual têm vínculo histórico.

Na formulação de Herzl, isso significava:

  • organização política dos judeus como povo, e não apenas como comunidade religiosa;
  • soberania obtida por acordos garantidos pelo direito internacional;
  • segurança coletiva diante do antissemitismo europeu.

O vínculo com a terra é muito anterior a Herzl. A presença judaica tem mais de 3 mil anos, documentada pela arqueologia. Houve comunidades judaicas contínuas em Jerusalém, Hebron, Safed e Tiberíades. O Mandato Britânico de 1922, da Liga das Nações, fala em "reconstituir" o lar nacional judaico.

Os textos de Herzl não equivalem a todos os programas sionistas posteriores. O movimento teve muitas correntes. O núcleo comum é o direito do povo judeu à autodeterminação. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, pela qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Quais são as frases mais famosas de Theodor Herzl?

A frase mais citada de Herzl está no diário que ele escreveu logo depois do Congresso de Basileia.

Diário, 3 de setembro de 1897:

> "Se eu tivesse que resumir o Congresso de Basileia em uma palavra — que guardarei de pronunciar publicamente — seria esta: Em Basileia, eu fundei o Estado Judeu. Se eu dissesse isso em voz alta hoje, seria recebido com risos universais. Talvez em cinco anos, certamente em cinquenta, todos o verão."

O Estado de Israel proclamou sua independência em 14 de maio de 1948. Isso ocorreu cerca de 50 anos e 8 meses depois dessa anotação.

Diário, 14 de fevereiro de 1896, dia da publicação de O Estado Judeu:

> "Este pacote de folhetos constitui a decisão em forma tangível. Minha vida pode agora tomar um novo rumo."

Os diários de Herzl são uma fonte primária importante. Neles, ele registrava suas percepções pessoais e os passos de sua diplomacia.

Theodor Herzl era ateu?

As fontes de referência não descrevem Herzl como ateu. Descrevem-no como filho de uma família judaica assimilada, distante da prática religiosa tradicional.

O ponto central é outro. Herzl via o antissemitismo como uma questão nacional, e não só religiosa. Por isso, sua solução era política: um Estado garantido pelo direito público, negociado com governos e construído com instituições próprias.

O sionismo político de Herzl, portanto, não dependia de uma posição religiosa. Ele reuniu judeus religiosos e não religiosos em torno do mesmo objetivo nacional.

Como foi a diplomacia de Herzl e o que foi o Plano Uganda?

Herzl buscou uma concessão internacional (charter) para o assentamento judaico autônomo, mas não conseguiu o acordo decisivo que procurava.

  • Guilherme II: encontrou o imperador alemão em Constantinopla e em Jerusalém, entre outubro e novembro de 1898.
  • Abdul Hamid II: reuniu-se com o sultão otomano em Istambul, em maio de 1901. A região estava sob domínio otomano.
  • Reino Unido: manteve contatos com autoridades britânicas.

Herzl também criou a base financeira do movimento. Em 1899 promoveu o Jewish Colonial Trust. Em 1901 promoveu o Fundo Nacional Judaico (Keren Kayemet LeIsrael, KKL), usado na compra de terras. Em 1902 publicou o romance utópico Altneuland.

Em 1903, o governo britânico ofereceu um território na África Oriental: o chamado Plano Uganda. Herzl levou a proposta ao 6º Congresso Sionista como alternativa temporária, diante dos perigos que os judeus enfrentavam na Europa. O plano gerou forte controvérsia e não foi adotado pelo movimento.

De que morreu Theodor Herzl e onde ele está enterrado?

Herzl morreu de problemas cardíacos em 3 de julho de 1904, aos 44 anos, em Edlach, na Áustria.

A causa costuma ser registrada como esclerose cardíaca ou insuficiência cardíaca. Fontes também apontam o desgaste causado por anos de trabalho incessante pelo movimento. O Center for Israel Education descreve seus últimos dias.

Foi sepultado primeiro em Viena. Em testamento, pediu que seus restos fossem levados à Terra de Israel quando fosse possível. Em 1949, depois da criação do Estado de Israel, seus restos foram transferidos para Jerusalém. O local passou a se chamar Monte Herzl (Jewish Virtual Library).

Herzl não fundou o Estado de Israel no sentido literal, pois morreu décadas antes de 1948. Ele fundou o movimento que tornou o Estado possível.

O sionismo de Herzl era colonialismo europeu?

Ativistas acusam o sionismo de ser um "projeto colonial" europeu. A acusação é enganosa: o sionismo é um movimento nacional de um povo com raízes na terra, e não o braço de uma metrópole.

A comparação parte de fatos reais. Herzl e muitos dos primeiros sionistas vinham da Europa, e falava-se em "colonização" agrícola. Mas a acusação omite o essencial:

  • Não havia metrópole. Os judeus fugiam de pogroms e, mais tarde, do Holocausto. Em grande parte, adquiriam terras por compra, com registro nos cartórios otomanos e do Mandato.
  • A Grã-Bretanha mudou de lado. O Livro Branco de 1939 limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos. Na década de 1940, forças judaicas lutaram contra a administração britânica.
  • A origem dos israelenses é diversa. Mais da metade dos judeus de Israel descende de judeus orientais, mizrahim e sefarditas.
  • Os sionistas aceitaram a partilha. O movimento aceitou o plano da Comissão Peel, em 1937, e a Resolução 181 da ONU, em 1947. A liderança árabe palestina e os Estados árabes rejeitaram as duas propostas.

O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel, distingue colonização agrícola de colonialismo. Quando o rótulo serve para negar o direito de Israel existir, ele nega aos judeus a autodeterminação. Pelo critério da IHRA, isso é antissemitismo.

Linha do tempo

  1. 1860Theodor Herzl nasce em 2 de maio, em Pest, no Império Austro-Húngaro.
  2. 1894O capitão Alfred Dreyfus é condenado por traição na França. Herzl acompanha o caso como correspondente em Paris.
  3. 1896Em 14 de fevereiro, Herzl publica em Viena Der Judenstaat (O Estado Judeu).
  4. 1897Herzl funda o semanário Die Welt em 4 de junho. De 29 a 31 de agosto, preside o Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, que cria a Organização Sionista.
  5. 1898Herzl encontra o imperador alemão Guilherme II em Constantinopla e em Jerusalém.
  6. 1899Herzl promove a criação do Jewish Colonial Trust.
  7. 1901Herzl se reúne com o sultão Abdul Hamid II em Istambul. Neste ano é criado o Fundo Nacional Judaico (KKL).
  8. 1902Herzl publica o romance utópico Altneuland.
  9. 1903O Reino Unido oferece um território na África Oriental (Plano Uganda), debatido no 6º Congresso Sionista e não adotado.
  10. 1904Herzl morre em 3 de julho, aos 44 anos, em Edlach, na Áustria.
  11. 1948Em 14 de maio, o Estado de Israel proclama sua independência.
  12. 1949Os restos de Herzl são levados de Viena para Jerusalém e sepultados no Monte Herzl.

Perguntas frequentes

De que morreu Theodor Herzl?
Herzl morreu de problemas cardíacos em 3 de julho de 1904, aos 44 anos, em Edlach, na Áustria. A causa costuma ser registrada como esclerose cardíaca ou insuficiência cardíaca, agravada pelo desgaste de anos de trabalho intenso pelo movimento sionista. Foi enterrado em Viena. Em 1949, seus restos foram levados para o Monte Herzl, em Jerusalém.
Quem foi Theodor Herzl e qual foi sua principal proposta?
Herzl foi um jornalista e escritor judeu austro-húngaro, considerado o pai do sionismo político moderno. Sua proposta, apresentada em O Estado Judeu (1896), era resolver a questão judaica com um Estado judeu garantido pelo direito internacional. Em 1897 organizou o Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, e se tornou o primeiro presidente da Organização Sionista.
Theodor Herzl fundou o Estado de Israel?
Não no sentido literal. Herzl morreu em 1904, e Israel proclamou sua independência em 14 de maio de 1948. Ele fundou o movimento político organizado que levou a esse resultado. Em seu diário de 1897, escreveu: "Em Basileia, eu fundei o Estado Judeu", e previu que, "certamente em cinquenta" anos, todos veriam isso.
Theodor Herzl inventou o sionismo?
Não. O desejo de retorno à Terra de Israel e as ideias proto-sionistas existiam antes dele, e o vínculo judaico com a terra tem mais de 3 mil anos. A contribuição de Herzl foi transformar esse anseio em um projeto político internacional, com congresso, organização permanente, jornal, instituições financeiras e diplomacia junto a governos europeus e ao Império Otomano.

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