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1948: a Guerra de Independência de Israel

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Foto: Voluntários do Palmach vindos da França na batalha do Neguev. Autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons
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A Guerra de Independência de Israel durou de novembro de 1947 a julho de 1949. Começou quando a liderança árabe rejeitou a partilha da ONU (Resolução 181) e atacou comunidades judaicas. Em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel. No dia seguinte, Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram. Israel sobreviveu. Os armistícios de 1949 encerraram os combates.

Por que Israel foi criado em 1948?

Israel foi criado em 1948 porque o Mandato Britânico chegou ao fim e o povo judeu exerceu o direito à autodeterminação reconhecido pela comunidade internacional. A data é o ponto de chegada de um processo de meio século, e não uma decisão tomada do nada.

  • 1897: nasce o movimento sionista organizado.
  • 2 de novembro de 1917: a Declaração Balfour reconhece o lar nacional judaico.
  • Abril de 1920: a Conferência de San Remo define a entidade territorial.
  • 1922: a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico. O preâmbulo reconhece a “conexão histórica do povo judeu” com a terra.
  • Julho de 1937: a Comissão Peel já propõe dois Estados.
  • 29 de novembro de 1947: a Assembleia Geral da ONU aprova a Resolução 181.

Em 1947, cerca de 600 mil judeus viviam no território, segundo o relatório da UNSCOP. Eles já tinham cidades, universidades e instituições próprias: Tel Aviv (1909), o Technion (1912), a Universidade Hebraica (1918) e a Haganá (1920).

O Holocausto foi a causa? Ele pesou na votação de 1947. Depois da guerra, centenas de milhares de sobreviventes judeus viviam em campos de deslocados, segundo o Museu do Holocausto dos EUA. Mas a ideia de que “a Europa pagou com terra árabe” é enganosa. Em 17 de maio de 1939, o Livro Branco britânico limitou a imigração judaica e proibiu judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato. A presença judaica anterior se construiu em grande parte com compra registrada de terras: até maio de 1948, eram cerca de 2 milhões de dunams.

A Resolução 181 foi uma recomendação e previa dois Estados. Ela foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. O Estado judeu ficaria com cerca de 56% do território e o Estado árabe com cerca de 43%. Jerusalém teria regime internacional (corpus separatum), e os dois Estados formariam uma união econômica. A liderança judaica aceitou o plano, apesar das críticas às fronteiras e à situação de Jerusalém. O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram a partilha e anunciaram que se oporiam a ela pelas armas.

Como se chamava o território de Israel antes de 1948?

Antes de 1948, o território era administrado pelo Mandato Britânico, aprovado pela Liga das Nações em 1922. Antes disso, entre 1516 e 1917, fazia parte do Império Otomano. Nenhum Estado soberano, nem judeu nem árabe, existia ali.

  • 1516 a 1917: a região era otomana e se dividia em distritos como Beirute, Nablus, Acre e o Sanjak Independente de Jerusalém. Os moradores eram súditos otomanos.
  • 1922 a 1948: vigorou o Mandato Britânico. O território tinha nome oficial, passaporte, moeda e selos, mas não era um Estado independente.
  • 1923: pelo Tratado de Lausanne, a Turquia renunciou a esses territórios. Nenhuma soberania foi transferida a um Estado árabe local, porque esse Estado não existia.

Circula na internet um mapa “antes e depois” que mostra a região como um país soberano em 1946. Esse mapa confunde território com Estado. Isso não nega a existência de uma sociedade árabe palestina, com cidades, jornais e vida política. Os palestinos existem como povo. O que é falso é a ideia de um “país roubado”.

O que aconteceu no território do Mandato Britânico entre 1947 e 1948?

Entre a votação da ONU e maio de 1948, houve uma guerra civil: milícias árabes atacaram bairros judaicos, comboios e comunidades isoladas, e as forças judaicas reagiram. Esta foi a primeira das duas fases da Guerra de Independência.

Os combates começaram em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação. Do lado árabe, lutaram milícias locais, voluntários de países vizinhos e o Exército de Libertação Árabe. Do lado judeu, lutaram a Haganá, o Palmach, o Irgun e o Lehi. A administração britânica estava de saída e não aplicou o plano de partilha. Estradas, cidades mistas e rotas de abastecimento viraram campo de batalha. Jerusalém ficou sob cerco.

Quem começou? O próprio lado árabe respondeu a essa pergunta na ONU. Em 16 de abril de 1948, Jamal Husseini, representante do Alto Comitê Árabe, disse ao Conselho de Segurança: “O representante da Agência Judaica disse ontem que eles não eram os atacantes, que os árabes começaram a luta. Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar.”

O Plano Dalet. Em março de 1948, diante do cerco a Jerusalém e da ameaça de invasão regional, a Haganá adotou o Plano Dalet. Era uma diretriz militar para controlar rotas de suprimento, proteger comunidades judaicas isoladas e assumir posições na área destinada ao Estado judeu. Alguns autores o descrevem como um plano de expulsão. O historiador Benny Morris o trata como um plano essencialmente militar, mas reconhece que sua aplicação resultou na remoção de populações árabes de certas áreas.

Quem proclamou a independência de Israel e em que dia?

David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel em Tel Aviv, em 14 de maio de 1948, poucas horas antes do fim do Mandato Britânico. Essa é a data da independência de Israel.

A Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel se apoia em três bases:

  • a conexão histórica do povo judeu com a terra;
  • o direito à autodeterminação;
  • a Resolução 181 da ONU.

O texto prometeu igualdade civil e liberdade religiosa. Também fez um apelo direto aos árabes que viviam no novo Estado para que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.

Os Estados Unidos e a União Soviética reconheceram Israel imediatamente. O Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA descreve esse momento.

Como foi a invasão árabe de 15 de maio de 1948?

Na noite de 14 para 15 de maio de 1948, os exércitos regulares de cinco países árabes entraram no território para impedir a existência do novo Estado. Essa invasão abriu a segunda fase da guerra.

PaísAtuação principal
Transjordânia (depois Jordânia)Legião Árabe, a força árabe mais organizada; tomou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental
EgitoSul e região costeira, incluindo Gaza
SíriaNorte e nordeste
IraqueRegião central
LíbanoParticipação mais limitada

Em 15 de maio, a Liga Árabe comunicou ao Conselho de Segurança da ONU que suas tropas estavam entrando no território para “restabelecer a ordem”. O secretário-geral da Liga, Azzam Pasha, já havia deixado clara a intenção em declaração anterior à invasão: “Esta será uma guerra de extermínio e um massacre monumental que será comentado como os massacres mongóis e as Cruzadas.”

Em 29 de maio de 1948, o embaixador soviético Andrei Gromyko disse no Conselho de Segurança: “Esta não é a primeira vez que os Estados árabes, que organizaram a invasão da Palestina, ignoraram uma decisão do Conselho de Segurança ou da Assembleia Geral.”Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →

No mesmo dia, a ONU decretou um embargo internacional de armas. As recém-criadas Forças de Defesa de Israel (FDI) se rearmaram com material do bloco soviético, comprado via Tchecoslováquia, e conseguiram repelir as ofensivas.

A guerra também envolveu forças palestinas, voluntários árabes e rivalidades entre os próprios governos árabes. Mesmo assim, o fato central está documentado em fontes israelenses e internacionais: Israel foi invadido no dia seguinte ao seu nascimento.

Quem venceu a guerra árabe-israelense de 1948?

Israel venceu: sobreviveu à invasão e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato, uma área maior do que a prevista na partilha. Esse resultado veio de uma guerra defensiva, e não da anexação de um país.

O custo foi alto. Israel perdeu cerca de 6 mil pessoas, entre soldados e civis, o equivalente a 1% da população judaica da época.

Sob mediação do diplomata da ONU Ralph Bunche, Israel assinou armistícios em Rodes com cada vizinho que o havia invadido:

Data (1949)País
24 de fevereiroEgito
23 de marçoLíbano
3 de abrilJordânia
20 de julhoSíria

O Iraque não assinou acordo próprio. Suas forças foram retiradas ou incluídas nas disposições da frente jordaniana.

As linhas de cessar-fogo ficaram conhecidas como Linhas do Armistício de 1949, ou “Linha Verde”. Não eram fronteiras internacionais definitivas. Os próprios acordos diziam que não deveriam ser lidos como solução política ou territorial permanente.

Jerusalém ficou dividida entre Israel e Jordânia. A Jordânia anexou a Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental em 1950. O Egito manteve Gaza sob administração militar. Nenhum dos dois criou ali um Estado palestino. A linha do tempo 1947–1949 dos Arquivos do Ministério da Defesa de Israel detalha as etapas.

O que aconteceu com os refugiados árabes e judeus depois de 1948?

A guerra deslocou centenas de milhares de árabes palestinos. Nos anos seguintes, um número semelhante de judeus deixou países árabes ou foi expulso deles. Os dois fatos fazem parte da mesma história.

Refugiados árabes palestinos. As estimativas variam:

  • a AP fala em cerca de 700 mil;
  • o governo de Israel, em Israel: Quest for Peace, fala em aproximadamente 720 mil;
  • o INSS registra que o número exato não é conhecido.

Os palestinos chamam esse deslocamento de Nakba. Houve fatos graves e documentados, inclusive por historiadores israelenses: o massacre de Deir Yassin (abril de 1948), a expulsão de Lida e Ramle (julho de 1948), aldeias destruídas e a decisão de não permitir o retorno em massa.

Foi uma limpeza étnica planejada? Essa é a acusação de Ilan Pappé e de organizações palestinas. A pesquisa de arquivo mais completa não a sustenta. Em The Birth of the Palestinian Refugee Problem Revisited, Benny Morris não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema “nasceu da guerra, não de um plano”. O êxodo teve várias causas:

  • fuga dos combates e medo;
  • saída precoce das elites urbanas de Haifa, Jaffa e Jerusalém, entre novembro de 1947 e março de 1948;
  • colapso da liderança palestina;
  • instruções de autoridades árabes em alguns lugares;
  • expulsões locais.

Khaled al-Azm, primeiro-ministro da Síria em 1948-1949, escreveu: “fomos nós mesmos que os instigamos a sair”. O historiador Efraim Karsh atribui às decisões árabes um peso maior do que Morris. Não se encontrou, porém, uma ordem árabe geral para toda a população sair. Nenhuma causa isolada explica tudo.

A Resolução 194 da Assembleia Geral, de dezembro de 1948, tratou do retorno e da compensação. Ela é uma recomendação, não uma decisão vinculante, e sua interpretação continua disputada.

Judeus dos países árabes. Cerca de 800 mil judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles, segundo o governo de Israel. Incluindo o Irã, as estimativas vão de 800 mil a 1 milhão. Muitos enfrentaram perseguição, prisões e confisco de bens. Israel absorveu a maioria deles.

Reconhecer a dor palestina não exige tratar a existência de Israel como crime. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA: negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Qual foi o papel do Brasil e de Oswaldo Aranha?

O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidia a Assembleia Geral da ONU quando a partilha foi votada, em 29 de novembro de 1947. Esse é o principal elo do Brasil com o nascimento de Israel.

Como presidente da sessão, Aranha conduziu os trabalhos e anunciou o resultado. Sua atuação é lembrada no Brasil e em Israel. Alguns autores dizem que ele ajudou a adiar a votação, o que teria aumentado as chances de aprovação.

O resultado, porém, foi uma decisão de muitos países: 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. Não há base para dizer que Aranha decidiu a partilha sozinho. Os Arquivos do Ministério da Defesa de Israel mantêm uma exposição sobre a votação de 29 de novembro de 1947.

Linha do tempo

  1. 1897Nasce o movimento sionista organizado.
  2. 1917Em 2 de novembro, a Declaração Balfour reconhece o lar nacional judaico. Termina o domínio otomano (1516-1917).
  3. 1920A Conferência de San Remo define a entidade territorial.
  4. 1922A Liga das Nações aprova o Mandato Britânico, que prevê um lar nacional judeu.
  5. 1937A Comissão Peel propõe dois Estados.
  6. 1939O Livro Branco britânico, de 17 de maio, restringe a imigração judaica e a compra de terras por judeus.
  7. 1947Em 29 de novembro, a ONU aprova a Resolução 181. A liderança judaica aceita, a liderança árabe rejeita. A guerra civil começa em 30 de novembro.
  8. 1948Em 14 de maio, Ben-Gurion proclama o Estado de Israel. Em 15 de maio, cinco exércitos árabes invadem. Em 29 de maio, a ONU decreta embargo de armas. Em dezembro, a Assembleia Geral aprova a Resolução 194.
  9. 1949Armistícios com Egito (24/2), Líbano (23/3), Jordânia (3/4) e Síria (20/7), sob mediação de Ralph Bunche.
  10. 1950A Jordânia anexa a Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental. O Egito mantém Gaza sob administração militar.

Perguntas frequentes

Que dia é a independência de Israel?
Israel declarou independência em 14 de maio de 1948. Nesse dia, em Tel Aviv, David Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado, poucas horas antes do fim do Mandato Britânico. O texto invocou a conexão histórica judaica com a terra, o direito à autodeterminação e a Resolução 181 da ONU. Estados Unidos e União Soviética reconheceram Israel imediatamente.
Quem venceu a guerra árabe-israelense de 1948?
Israel venceu. Invadido por Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque em 15 de maio de 1948, o país sobreviveu e terminou a guerra com cerca de 77% do território do Mandato. Perdeu cerca de 6 mil pessoas, 1% da população judaica da época. Os armistícios de 1949 encerraram os combates, mas não foram acordos de paz definitivos.
Quem começou a guerra de 1948?
A guerra começou depois que a liderança árabe rejeitou a Resolução 181 da ONU, em novembro de 1947. Milícias árabes atacaram comunidades judaicas no dia seguinte à votação. Em abril de 1948, Jamal Husseini, do Alto Comitê Árabe, admitiu na ONU que os árabes começaram a luta. Em 15 de maio de 1948, cinco exércitos árabes invadiram Israel.
O que aconteceu em 1948 no Brasil em relação a Israel?
O principal papel do Brasil veio pouco antes. Em 29 de novembro de 1947, o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidia a Assembleia Geral da ONU que aprovou a partilha, por 33 votos a 13, com 10 abstenções. Aranha conduziu a sessão e anunciou o resultado. A aprovação, porém, foi uma decisão multilateral, e não obra de uma só pessoa.

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