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Judeia e Samaria: história, nome e situação hoje

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Foto: Sítio arqueológico da antiga Siló. זאב שטיין · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
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Judeia e Samaria são as regiões montanhosas ao sul e ao norte de Jerusalém, a oeste do rio Jordão. Os nomes vêm do Reino de Judá e da cidade de Samaria, capital do antigo Reino de Israel. A Jordânia ocupou a área em 1948 e a anexou em 1950. Israel a controla desde 1967. Os Acordos de Oslo a dividiram em Áreas A, B e C.

Onde ficam Judeia e Samaria e qual a diferença entre elas?

Judeia é a parte sul do planalto central da Terra de Israel, em torno de Jerusalém. Samaria é a parte norte, entre a Judeia e a Galileia. As duas ficam a oeste do rio Jordão.

A diferença tem raízes antigas:

  • Judeia corresponde ao território do Reino de Judá (o Reino do Sul), cuja capital era Jerusalém. Inclui cidades como Belém e Hebron, segundo a Britannica.
  • Samaria corresponde ao centro do antigo Reino de Israel (o Reino do Norte). A Bíblia usa o nome tanto para a cidade-capital quanto para esse reino, separado de Judá após a morte de Salomão, segundo a Britannica.

Hoje, “Judeia e Samaria” (Yehuda ve-Shomron) é o nome oficial usado pelo governo e pela legislação de Israel. O Distrito de Judeia e Samaria foi estabelecido depois de 1967.

De onde vêm os nomes Judeia e Samaria e onde fica Samaria na Bíblia?

O nome Judeia vem de Judá, e Samaria vem da cidade fundada pelo rei Onri como capital do Reino de Israel.

  • Judeia (Yehudah): deriva da tribo e do Reino de Judá. A própria palavra “judeu” vem de Judeia. Depois da destruição babilônica de 586 a.C. e do Édito de Ciro, em 538 a.C., a região seguiu sob o Império Persa como a província de Yehud Medinata. Nos períodos helenístico e romano, as formas Ioudaia e Iudaea viraram o nome oficial da província.
  • Samaria (Shomron): a cidade foi fundada no século IX a.C. pelo rei Onri. O nome deriva de Shemer, antigo dono da colina comprada pelo rei, segundo o relato bíblico. Siquém, perto da atual Nablus, era um centro político importante da região.

A arqueologia confirma esse quadro. Os Ostracos de Samaria (c. 850–750 a.C.) são mais de 100 cacos de cerâmica escritos em paleo-hebraico. Eles foram achados no palácio real de Samaria e registram impostos pagos em vinho e azeite. Inscrições assírias de Sargão II registram que, após a conquista de 722 a.C., o Reino do Norte virou a província assíria de Samerina.

Como era a Judeia na época de Jesus?

No século I d.C., a Judeia era uma região sob domínio romano, distinta da Samaria, da Galileia e da Pereia. Fontes da época descrevem essa divisão com clareza.

  • O historiador judeu-romano Flávio Josefo (Guerra dos Judeus, III.3.4-5) descreve em detalhe as fronteiras entre Judeia e Samaria nos reinados herodianos e sob a administração romana.
  • O romano Plínio, o Velho (Naturalis Historia, V.15.70) separa a Samaria da Judeia. Ele descreve a Judeia como o território central, dividido em dez toparquias (distritos) em torno de Jerusalém.
  • Belém, cidade de Davi, é ligada pelo Novo Testamento ao nascimento de Jesus e fica na Judeia histórica.

O nome da província durou até o século II. A Revolta de Bar Kochba foi derrotada em 135 d.C. Depois disso, o imperador Adriano rebatizou a província como punição. O novo nome apagava a referência aos judeus e à sua terra. A prova material mais antiga da troca é um diploma militar romano de 139 d.C. (CIL XVI, 87).

Por que Judeia e Samaria tiveram histórias separadas?

As duas regiões seguiram caminhos políticos diferentes desde a divisão do reino após Salomão. Os textos bíblicos e as fontes antigas mostram essa separação em várias etapas.

  • Reinos separados: Samaria foi a capital do Reino de Israel, ao norte. Judá ficou ao sul, com capital em Jerusalém.
  • Destinos diferentes: a Assíria conquistou o Reino do Norte em 722 a.C. Judá permaneceu independente por mais tempo, até a destruição babilônica de 586 a.C.
  • Províncias paralelas: no período persa (séculos V e IV a.C.), Samaria e Judá (Yehud) eram administradas como províncias distintas. Os Papiros Aramaicos de Wadi Daliyeh, achados ao norte de Jericó, e os documentos de Elefantina citam governadores diferentes: Sanbalat em Samaria e Bagoas (Bagohi) em Judá.
  • Centros religiosos próprios: a região de Samaria abriga o Monte Garizim, ligado ao templo samaritano. Jerusalém era o centro religioso da Judeia.

Esse histórico de governos e centros religiosos separados ajuda a entender por que, na época romana, as duas regiões ainda eram tratadas como áreas distintas.

Quais cidades bíblicas ficam em Judeia e Samaria?

Várias das cidades mais importantes da história judaica ficam em Judeia e Samaria. Elas aparecem nos textos bíblicos e em fontes acadêmicas como a Britannica.

CidadeRegiãoPor que importa
HebronJudeiaLigada a Abraão, Isaac e Jacó; a tradição situa ali a Caverna dos Patriarcas
BelémJudeiaCidade do rei Davi; no Novo Testamento, local do nascimento de Jesus
Siquém (perto de Nablus)SamariaLigada a Abraão, Jacó e Josué e à renovação da aliança
Siló (Shiloh)SamariaCentro religioso antes do Templo; ali ficaram o Tabernáculo e a Arca, segundo a Bíblia
Sebaste (antiga Samaria)SamariaRuínas da capital do Reino de Israel

A região também abriga parques nacionais e sítios arqueológicos dos períodos do Primeiro e do Segundo Templo, como Tel Shiloh, Garizim e Sebaste.

Por que a região passou a ter outro nome a partir de 1950?

O nome foi trocado pela Jordânia, que ocupou a área na Guerra de Independência de Israel, em 1948, e a anexou em 1950.

  • O Mandato Britânico, aprovado pela Liga das Nações em 1922, terminou em 14 de maio de 1948, quando Israel declarou independência. A Legião Árabe da Jordânia invadiu a região.
  • Durante o domínio jordaniano (1948–1967), toda a população judaica foi expulsa, inclusive as comunidades históricas de Hebron, de Gush Etzion e do Bairro Judaico de Jerusalém.
  • Em 24 de abril de 1950, a Jordânia anexou formalmente a área e passou a chamá-la de “Margem Ocidental” do rio Jordão (al-Daffa al-Gharbiya), em contraste com a margem oriental. Na leitura israelense, a troca também serviu para apagar os nomes históricos judaicos. Esse é o nome que organismos internacionais ainda usam.

A anexação jordaniana foi reconhecida formalmente apenas pelo Reino Unido e pelo Paquistão, segundo registros reproduzidos pelas Nações Unidas. A anexação também foi rejeitada por Estados árabes e pela Liga Árabe.

Antes disso, “Judeia e Samaria” era o nome geográfico corrente. Há registro de que documentos da ONU usavam essa forma até a Resolução 181, de 29 de novembro de 1947.

Qual é a situação de Judeia e Samaria hoje?

Israel controla Judeia e Samaria desde a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967. Desde os Acordos de Oslo, a administração é dividida entre Israel e a Autoridade Palestina.

Em 1967, Israel assumiu a área em uma guerra de legítima defesa. Em 31 de julho de 1988, o rei Hussein renunciou formalmente às reivindicações da Jordânia sobre o território. O acordo de Oslo II, de 28 de setembro de 1995, criou três áreas provisórias até um acordo final:

ÁreaParte do território (aprox.)Quem administra
A18%Autoridade Palestina: controle civil e de segurança (Ramallah, Nablus, Jenin, Belém, Jericó, Tulkarem)
B22%Autoridade Palestina no civil; Israel responde pela segurança e pelo combate ao terrorismo
C60%Israel: controle civil e de segurança (comunidades israelenses, bases, estradas estratégicas e terras desabitadas)

Cerca de 90% a 95% dos palestinos da região vivem sob administração civil da Autoridade Palestina, nas Áreas A e B. Oslo deixou sem solução as fronteiras, Jerusalém, os refugiados, as comunidades israelenses e a segurança.

Cerca de 500 mil israelenses vivem em Judeia e Samaria, segundo a Reuters. Dados da ONG Peace Now citados pela Reuters apontam cerca de 146 comunidades reconhecidas e cerca de 340 postos avançados em 2026.

A região é “ocupada” e as comunidades israelenses são ilegais?

Israel sustenta que Judeia e Samaria são territórios em disputa, cujo status final deve ser decidido em negociação direta. A ONU, a Corte Internacional de Justiça e a maioria dos governos têm outra leitura.

Os argumentos de Israel:

  • Não havia soberano reconhecido antes de 1967. A anexação jordaniana não teve reconhecimento amplo. Juristas como Stephen Schwebel e Yehuda Blum argumentam que Israel preencheu um vácuo de soberania legítima.
  • O Mandato de 1922 incentivava, no Artigo 6º, o “povoamento denso por judeus na terra”. O Artigo 80 da Carta da ONU, de 1945, preservou direitos anteriores ligados aos mandatos.
  • A Convenção de Genebra. O artigo 49(6) da 4ª Convenção proíbe “transferir” a própria população. Segundo o Comentário da Cruz Vermelha de 1958, o artigo foi escrito contra deportações forçadas do tipo nazista. Quem vive hoje na região se mudou por vontade própria.
  • Oslo. A liderança palestina aceitou deixar o tema das comunidades israelenses para a negociação final.

A acusação do outro lado. A Resolução 2334 do Conselho de Segurança, de 2016, afirma que os assentamentos “não têm validade legal”. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel observa que a resolução não cria, por si só, nova regra de direito internacional. O instituto também registra que essa leitura contrária a Israel é hoje majoritária entre organismos internacionais, o que não a transforma em regra vinculante.

Em 19 de julho de 2024, a CIJ emitiu um parecer consultivo pedido pela Assembleia Geral. O parecer concluiu, por 11 votos a 4, que a presença de Israel na região é ilegal. Um parecer consultivo não é condenação nem sentença: Israel não foi réu em processo algum, e a Reuters classificou o parecer como não vinculante. Os juízes Tomka, Abraham e Aurescu criticaram a omissão de Oslo e da segurança de Israel. A vice-presidente Julia Sebutinde disse que o parecer ignorou os direitos reconhecidos ao povo judeu pelo Mandato de 1922. Israel chamou o parecer de “fundamentalmente errado”. Em setembro de 2024, a Assembleia Geral aprovou uma resolução nesse sentido por 124 a 14, com 43 abstenções, segundo a ONU News. O parecer também não declarou ilegal o Estado de Israel, como mostra a checagem da Reuters.

Segurança. Israel saiu de Gaza em 2005. O grupo terrorista Hamas tomou o poder em 2007, e depois veio o ataque de 7 de outubro. Por isso Israel exige garantias antes de qualquer retirada.

A lei israelense também impõe limites. A Suprema Corte mandou desmontar construções em terra privada palestina, como em Amona e Migron, e anulou a Lei de Regularização em 2020, segundo o INSS. A violência de extremistas contra palestinos é crime e deve ser punida.

Debater a política de Israel nos territórios em disputa é legítimo. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo, pelo critério da IHRA, que a JJO adota.

Linha do tempo

  1. Séc. IX a.C.O rei Onri funda Samaria como capital do Reino de Israel.
  2. 722 a.C.A Assíria conquista o Reino do Norte, que vira a província de Samerina.
  3. 586 a.C.Os babilônios destroem Jerusalém, capital de Judá.
  4. 538 a.C.O Édito de Ciro; a região segue como a província persa de Yehud Medinata.
  5. 135 d.C.Derrota da Revolta de Bar Kochba; Adriano rebatiza a província da Judeia.
  6. 1922A Liga das Nações aprova o Mandato Britânico; o Artigo 6º incentiva o povoamento judaico.
  7. 1948Independência de Israel; a Jordânia invade a região e expulsa a população judaica.
  8. 1950A Jordânia anexa a área e muda seu nome; só Reino Unido e Paquistão reconhecem a anexação.
  9. 1967Guerra dos Seis Dias: Israel assume o controle de Judeia e Samaria.
  10. 1988O rei Hussein renuncia às reivindicações jordanianas sobre a região.
  11. 1995O acordo de Oslo II divide a região nas Áreas A, B e C.
  12. 2024A CIJ emite parecer consultivo, não vinculante; Israel o rejeita como “fundamentalmente errado”.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre Judeia e Samaria?
A Judeia é a região montanhosa ao sul, em torno de Jerusalém, herdeira do antigo Reino de Judá. A Samaria fica ao norte, entre a Judeia e a Galileia, e foi o centro do Reino de Israel, com capital na cidade de Samaria. No período persa, as duas eram províncias distintas, com governadores próprios. Na época romana, Josefo e Plínio ainda as descreviam como regiões separadas.
Onde fica Samaria na Bíblia?
Na Bíblia, Samaria é a cidade fundada pelo rei Onri no século IX a.C. como capital do Reino de Israel, ao norte de Judá. O nome também designa todo esse reino e a região central entre a Galileia e a Judeia. Siquém, perto da atual Nablus, e Siló ficam ali. A Assíria conquistou o reino em 722 a.C.
Como era a Judeia na época de Jesus?
No século I d.C., a Judeia era uma região sob domínio romano, distinta da Samaria, da Galileia e da Pereia. Plínio, o Velho, a descreve dividida em dez toparquias em torno de Jerusalém. Flávio Josefo detalha suas fronteiras sob os herodianos e os romanos. Belém, ligada ao nascimento de Jesus no Novo Testamento, fica na Judeia histórica.
Quem governa Judeia e Samaria hoje?
Israel controla a região desde 1967. Pelo acordo de Oslo II, de 1995, a Autoridade Palestina administra a Área A (cerca de 18%) e a parte civil da Área B (cerca de 22%). Israel administra a Área C (cerca de 60%). Cerca de 90% a 95% dos palestinos vivem sob administração civil da Autoridade Palestina. O status final depende de negociação.

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