Judeia e Samaria são as regiões montanhosas ao sul e ao norte de Jerusalém, a oeste do rio Jordão. Os nomes vêm do Reino de Judá e da cidade de Samaria, capital do antigo Reino de Israel. A Jordânia ocupou a área em 1948 e a anexou em 1950. Israel a controla desde 1967. Os Acordos de Oslo a dividiram em Áreas A, B e C.
Onde ficam Judeia e Samaria e qual a diferença entre elas?
Judeia é a parte sul do planalto central da Terra de Israel, em torno de Jerusalém. Samaria é a parte norte, entre a Judeia e a Galileia. As duas ficam a oeste do rio Jordão.
A diferença tem raízes antigas:
- Judeia corresponde ao território do Reino de Judá (o Reino do Sul), cuja capital era Jerusalém. Inclui cidades como Belém e Hebron, segundo a Britannica.
- Samaria corresponde ao centro do antigo Reino de Israel (o Reino do Norte). A Bíblia usa o nome tanto para a cidade-capital quanto para esse reino, separado de Judá após a morte de Salomão, segundo a Britannica.
Hoje, “Judeia e Samaria” (Yehuda ve-Shomron) é o nome oficial usado pelo governo e pela legislação de Israel. O Distrito de Judeia e Samaria foi estabelecido depois de 1967.
De onde vêm os nomes Judeia e Samaria e onde fica Samaria na Bíblia?
O nome Judeia vem de Judá, e Samaria vem da cidade fundada pelo rei Onri como capital do Reino de Israel.
- Judeia (Yehudah): deriva da tribo e do Reino de Judá. A própria palavra “judeu” vem de Judeia. Depois da destruição babilônica de 586 a.C. e do Édito de Ciro, em 538 a.C., a região seguiu sob o Império Persa como a província de Yehud Medinata. Nos períodos helenístico e romano, as formas Ioudaia e Iudaea viraram o nome oficial da província.
- Samaria (Shomron): a cidade foi fundada no século IX a.C. pelo rei Onri. O nome deriva de Shemer, antigo dono da colina comprada pelo rei, segundo o relato bíblico. Siquém, perto da atual Nablus, era um centro político importante da região.
A arqueologia confirma esse quadro. Os Ostracos de Samaria (c. 850–750 a.C.) são mais de 100 cacos de cerâmica escritos em paleo-hebraico. Eles foram achados no palácio real de Samaria e registram impostos pagos em vinho e azeite. Inscrições assírias de Sargão II registram que, após a conquista de 722 a.C., o Reino do Norte virou a província assíria de Samerina.
Como era a Judeia na época de Jesus?
No século I d.C., a Judeia era uma região sob domínio romano, distinta da Samaria, da Galileia e da Pereia. Fontes da época descrevem essa divisão com clareza.
- O historiador judeu-romano Flávio Josefo (Guerra dos Judeus, III.3.4-5) descreve em detalhe as fronteiras entre Judeia e Samaria nos reinados herodianos e sob a administração romana.
- O romano Plínio, o Velho (Naturalis Historia, V.15.70) separa a Samaria da Judeia. Ele descreve a Judeia como o território central, dividido em dez toparquias (distritos) em torno de Jerusalém.
- Belém, cidade de Davi, é ligada pelo Novo Testamento ao nascimento de Jesus e fica na Judeia histórica.
O nome da província durou até o século II. A Revolta de Bar Kochba foi derrotada em 135 d.C. Depois disso, o imperador Adriano rebatizou a província como punição. O novo nome apagava a referência aos judeus e à sua terra. A prova material mais antiga da troca é um diploma militar romano de 139 d.C. (CIL XVI, 87).
Por que Judeia e Samaria tiveram histórias separadas?
As duas regiões seguiram caminhos políticos diferentes desde a divisão do reino após Salomão. Os textos bíblicos e as fontes antigas mostram essa separação em várias etapas.
- Reinos separados: Samaria foi a capital do Reino de Israel, ao norte. Judá ficou ao sul, com capital em Jerusalém.
- Destinos diferentes: a Assíria conquistou o Reino do Norte em 722 a.C. Judá permaneceu independente por mais tempo, até a destruição babilônica de 586 a.C.
- Províncias paralelas: no período persa (séculos V e IV a.C.), Samaria e Judá (Yehud) eram administradas como províncias distintas. Os Papiros Aramaicos de Wadi Daliyeh, achados ao norte de Jericó, e os documentos de Elefantina citam governadores diferentes: Sanbalat em Samaria e Bagoas (Bagohi) em Judá.
- Centros religiosos próprios: a região de Samaria abriga o Monte Garizim, ligado ao templo samaritano. Jerusalém era o centro religioso da Judeia.
Esse histórico de governos e centros religiosos separados ajuda a entender por que, na época romana, as duas regiões ainda eram tratadas como áreas distintas.
Quais cidades bíblicas ficam em Judeia e Samaria?
Várias das cidades mais importantes da história judaica ficam em Judeia e Samaria. Elas aparecem nos textos bíblicos e em fontes acadêmicas como a Britannica.
| Cidade | Região | Por que importa |
|---|---|---|
| Hebron | Judeia | Ligada a Abraão, Isaac e Jacó; a tradição situa ali a Caverna dos Patriarcas |
| Belém | Judeia | Cidade do rei Davi; no Novo Testamento, local do nascimento de Jesus |
| Siquém (perto de Nablus) | Samaria | Ligada a Abraão, Jacó e Josué e à renovação da aliança |
| Siló (Shiloh) | Samaria | Centro religioso antes do Templo; ali ficaram o Tabernáculo e a Arca, segundo a Bíblia |
| Sebaste (antiga Samaria) | Samaria | Ruínas da capital do Reino de Israel |
A região também abriga parques nacionais e sítios arqueológicos dos períodos do Primeiro e do Segundo Templo, como Tel Shiloh, Garizim e Sebaste.
Por que a região passou a ter outro nome a partir de 1950?
O nome foi trocado pela Jordânia, que ocupou a área na Guerra de Independência de Israel, em 1948, e a anexou em 1950.
- O Mandato Britânico, aprovado pela Liga das Nações em 1922, terminou em 14 de maio de 1948, quando Israel declarou independência. A Legião Árabe da Jordânia invadiu a região.
- Durante o domínio jordaniano (1948–1967), toda a população judaica foi expulsa, inclusive as comunidades históricas de Hebron, de Gush Etzion e do Bairro Judaico de Jerusalém.
- Em 24 de abril de 1950, a Jordânia anexou formalmente a área e passou a chamá-la de “Margem Ocidental” do rio Jordão (al-Daffa al-Gharbiya), em contraste com a margem oriental. Na leitura israelense, a troca também serviu para apagar os nomes históricos judaicos. Esse é o nome que organismos internacionais ainda usam.
A anexação jordaniana foi reconhecida formalmente apenas pelo Reino Unido e pelo Paquistão, segundo registros reproduzidos pelas Nações Unidas. A anexação também foi rejeitada por Estados árabes e pela Liga Árabe.
Antes disso, “Judeia e Samaria” era o nome geográfico corrente. Há registro de que documentos da ONU usavam essa forma até a Resolução 181, de 29 de novembro de 1947.
Qual é a situação de Judeia e Samaria hoje?
Israel controla Judeia e Samaria desde a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967. Desde os Acordos de Oslo, a administração é dividida entre Israel e a Autoridade Palestina.
Em 1967, Israel assumiu a área em uma guerra de legítima defesa. Em 31 de julho de 1988, o rei Hussein renunciou formalmente às reivindicações da Jordânia sobre o território. O acordo de Oslo II, de 28 de setembro de 1995, criou três áreas provisórias até um acordo final:
| Área | Parte do território (aprox.) | Quem administra |
|---|---|---|
| A | 18% | Autoridade Palestina: controle civil e de segurança (Ramallah, Nablus, Jenin, Belém, Jericó, Tulkarem) |
| B | 22% | Autoridade Palestina no civil; Israel responde pela segurança e pelo combate ao terrorismo |
| C | 60% | Israel: controle civil e de segurança (comunidades israelenses, bases, estradas estratégicas e terras desabitadas) |
Cerca de 90% a 95% dos palestinos da região vivem sob administração civil da Autoridade Palestina, nas Áreas A e B. Oslo deixou sem solução as fronteiras, Jerusalém, os refugiados, as comunidades israelenses e a segurança.
Cerca de 500 mil israelenses vivem em Judeia e Samaria, segundo a Reuters. Dados da ONG Peace Now citados pela Reuters apontam cerca de 146 comunidades reconhecidas e cerca de 340 postos avançados em 2026.
A região é “ocupada” e as comunidades israelenses são ilegais?
Israel sustenta que Judeia e Samaria são territórios em disputa, cujo status final deve ser decidido em negociação direta. A ONU, a Corte Internacional de Justiça e a maioria dos governos têm outra leitura.
Os argumentos de Israel:
- Não havia soberano reconhecido antes de 1967. A anexação jordaniana não teve reconhecimento amplo. Juristas como Stephen Schwebel e Yehuda Blum argumentam que Israel preencheu um vácuo de soberania legítima.
- O Mandato de 1922 incentivava, no Artigo 6º, o “povoamento denso por judeus na terra”. O Artigo 80 da Carta da ONU, de 1945, preservou direitos anteriores ligados aos mandatos.
- A Convenção de Genebra. O artigo 49(6) da 4ª Convenção proíbe “transferir” a própria população. Segundo o Comentário da Cruz Vermelha de 1958, o artigo foi escrito contra deportações forçadas do tipo nazista. Quem vive hoje na região se mudou por vontade própria.
- Oslo. A liderança palestina aceitou deixar o tema das comunidades israelenses para a negociação final.
A acusação do outro lado. A Resolução 2334 do Conselho de Segurança, de 2016, afirma que os assentamentos “não têm validade legal”. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel observa que a resolução não cria, por si só, nova regra de direito internacional. O instituto também registra que essa leitura contrária a Israel é hoje majoritária entre organismos internacionais, o que não a transforma em regra vinculante.
Em 19 de julho de 2024, a CIJ emitiu um parecer consultivo pedido pela Assembleia Geral. O parecer concluiu, por 11 votos a 4, que a presença de Israel na região é ilegal. Um parecer consultivo não é condenação nem sentença: Israel não foi réu em processo algum, e a Reuters classificou o parecer como não vinculante. Os juízes Tomka, Abraham e Aurescu criticaram a omissão de Oslo e da segurança de Israel. A vice-presidente Julia Sebutinde disse que o parecer ignorou os direitos reconhecidos ao povo judeu pelo Mandato de 1922. Israel chamou o parecer de “fundamentalmente errado”. Em setembro de 2024, a Assembleia Geral aprovou uma resolução nesse sentido por 124 a 14, com 43 abstenções, segundo a ONU News. O parecer também não declarou ilegal o Estado de Israel, como mostra a checagem da Reuters.
Segurança. Israel saiu de Gaza em 2005. O grupo terrorista Hamas tomou o poder em 2007, e depois veio o ataque de 7 de outubro. Por isso Israel exige garantias antes de qualquer retirada.
A lei israelense também impõe limites. A Suprema Corte mandou desmontar construções em terra privada palestina, como em Amona e Migron, e anulou a Lei de Regularização em 2020, segundo o INSS. A violência de extremistas contra palestinos é crime e deve ser punida.
Debater a política de Israel nos territórios em disputa é legítimo. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo, pelo critério da IHRA, que a JJO adota.
Linha do tempo
- Séc. IX a.C.O rei Onri funda Samaria como capital do Reino de Israel.
- 722 a.C.A Assíria conquista o Reino do Norte, que vira a província de Samerina.
- 586 a.C.Os babilônios destroem Jerusalém, capital de Judá.
- 538 a.C.O Édito de Ciro; a região segue como a província persa de Yehud Medinata.
- 135 d.C.Derrota da Revolta de Bar Kochba; Adriano rebatiza a província da Judeia.
- 1922A Liga das Nações aprova o Mandato Britânico; o Artigo 6º incentiva o povoamento judaico.
- 1948Independência de Israel; a Jordânia invade a região e expulsa a população judaica.
- 1950A Jordânia anexa a área e muda seu nome; só Reino Unido e Paquistão reconhecem a anexação.
- 1967Guerra dos Seis Dias: Israel assume o controle de Judeia e Samaria.
- 1988O rei Hussein renuncia às reivindicações jordanianas sobre a região.
- 1995O acordo de Oslo II divide a região nas Áreas A, B e C.
- 2024A CIJ emite parecer consultivo, não vinculante; Israel o rejeita como “fundamentalmente errado”.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Judeia e Samaria?
Onde fica Samaria na Bíblia?
Como era a Judeia na época de Jesus?
Quem governa Judeia e Samaria hoje?
Assista
Debate promovido pela StandWithUs Brasil com os ativistas Bruno Bimbi e Márcio sobre a história do movimento LGBT e a situação dessas pessoas no Oriente Médio. O vídeo contrasta os direitos garantidos em Israel com a perseguição em países vizinhos, na Autoridade Palestina e sob o Hamas, e critica o viés anti-Israel do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
AdultosVídeo didático do canal Desempacotando que explica por que Israel construiu a barreira de segurança após a onda de atentados suicidas da Segunda Intifada, incluindo o massacre do Seder de Pessach no Park Hotel, e mostra a queda drástica do terrorismo vinda da Judeia e Samaria. Também apresenta o debate sobre o traçado da barreira e seus efeitos no cotidiano dos palestinos.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A advogada internacional Natasha Hausdorff, da UK Lawyers for Israel, explica o que o direito dos conflitos armados de fato diz sobre proporcionalidade, distinção, cerco, ajuda humanitária e 'punição coletiva' na guerra contra os terroristas do Hamas em Gaza. Ela também mostra como o uso de hospitais como base terrorista retira deles a proteção prevista no direito internacional.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A advogada Natasha Hausdorff, diretora jurídica da UKLFI, explica o status jurídico da Judeia e Samaria pelo princípio do uti possidetis juris, os Acordos de Oslo e por que considera equivocado aplicar o artigo 49(6) da Quarta Convenção de Genebra às comunidades judaicas na região.
Adultos- Britannica: What Does the Term Judea and Samaria Mean?
- Britannica: Samaria (região histórica)
- Britannica: Judaism – Mosaic religion
- Nações Unidas: registro sobre o reconhecimento da anexação jordaniana
- CIJ: página do parecer consultivo de 2024
- Reuters: CIJ emite parecer não vinculante; reação de Israel
- Reuters: checagem, o parecer não declarou Israel “nação ilegal”
- ONU News: resolução da Assembleia Geral, setembro de 2024
- Conselho de Segurança da ONU: Resolução 2334 (2016)
- CICV: 4ª Convenção de Genebra, artigo 49
- INSS: significado jurídico da Resolução 2334
- INSS: anulação da Lei de Regularização
- Reuters: gráfico sobre a população israelense em Judeia e Samaria
- Reuters: comunidades reconhecidas e postos avançados em 2026



