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Hanukiá acesa na entrada de uma yeshivá em Jerusalém
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O que é Hanucá, a festa das luzes?

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Foto: Hanukiá acesa na entrada de uma yeshivá em Jerusalém. Government Press Office (GPO), Israel · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Hanucá é a festa judaica das luzes, celebrada por oito dias a partir de 25 de kislev, entre o fim de novembro e dezembro. Ela lembra a revolta dos Macabeus contra o domínio selêucida, no século II a.C., e a reconsagração do Templo de Jerusalém, por volta de 164 a.C. A cada noite, acende-se mais uma luz na hanukiá, o candelabro de nove braços.

O que é Hanucá e o que significa o nome?

Hanucá (חנוכה) é uma festa judaica de oito dias que celebra a reconsagração do Segundo Templo de Jerusalém e a vitória dos Macabeus. Ela também é chamada de Festa das Luzes (Chag HaUrim).

O nome vem de uma raiz hebraica que significa “dedicação” ou “inauguração”. A palavra se refere à nova dedicação do altar do Templo, depois que ele foi purificado.

A festa reúne três ideias:

  • a libertação da perseguição religiosa;
  • a vitória dos Hasmoneus, a família de Judá Macabeu, contra o domínio selêucida;
  • a purificação e a nova dedicação do Templo.

No Brasil, o nome aparece com várias grafias: Hanucá, Chanucá, Hanukkah ou Chanukah. Todas se referem à mesma festa.

Qual é a história de Hanucá?

Hanucá lembra a revolta de judeus da Judeia contra o Império Selêucida, no século II a.C., e a retomada do Templo de Jerusalém.

Depois das conquistas de Alexandre, o Grande, em 332 a.C., a Terra de Israel passou ao controle do Império Selêucida por volta de 198 a.C. O rei Antíoco IV Epifânio baixou decretos que proibiam o estudo da Torá e práticas centrais do judaísmo, como o Shabat, a circuncisão e a santificação da Lua Nova (Rosh Chodesh). O Templo foi profanado com tropas e ritos pagãos.

A reação foi a Revolta dos Macabeus (167–160 a.C.). Ela foi liderada primeiro pelo sacerdote Matatias (Matityahu) e depois por seu filho Judá Macabeu (Yehuda HaMakabi). Segundo a Encyclopaedia Britannica, a revolta ocorreu num contexto de conflitos políticos, religiosos e culturais na Judeia helenística.

As forças judaicas retomaram Jerusalém, purificaram o santuário e reconstruíram o altar. Segundo o livro de 1 Macabeus, a nova consagração ocorreu em 25 de kislev e a celebração durou oito dias.

A data costuma ser situada em 164 a.C. Algumas cronologias apresentam uma diferença de um ano, em parte por divergências entre calendários antigos.

Para o povo judeu, Hanucá é a memória de uma luta pelo direito de viver a própria fé e a própria identidade na sua terra.

Hanucá está na Bíblia? Quais são as fontes antigas?

O relato mais antigo de Hanucá está nos livros de 1 e 2 Macabeus, do século II a.C. A tradição do milagre do óleo aparece mais tarde, no Talmude. As fontes se formaram em períodos diferentes e destacam aspectos diferentes da festa.

FonteÉpocaO que registra
1 Macabeusséculo II a.C.Reconsagração do altar em 25 de kislev e oito dias de festa (cap. 4)
2 Macabeusséculo II a.C.Os oito dias compensaram o Sucot que não pôde ser celebrado durante os combates (10:9)
Flávio Josefo, Antiguidades Judaicasséculo I d.C.O povo chamava a festa de “Luzes” (Phota)
Mishná, Bava Kama 6:6c. 200 d.C.Menciona a “lâmpada de Hanucá”, sinal de que o costume doméstico já era difundido
Talmude Babilônico, Shabat 21bc. 500 d.C.Milagre do óleo e regra de acendimento

Os livros dos Macabeus enfatizam a vitória militar e a restauração do culto. O Talmude enfatiza o milagre do óleo. Segundo o Museu Judaico de Berlim, as duas camadas formaram, juntas, a memória da festa.

O milagre do óleo. Segundo o Talmude, os Macabeus encontraram no Templo um único jarro (pach shemen) de azeite puro, selado pelo Sumo Sacerdote. Ele bastava para manter a menorá acesa por um dia, mas durou oito dias, o tempo necessário para preparar novo azeite ritualmente puro. A tradição judaica apresenta esse fato como milagre. Trata-se de uma tradição de fé, distinta do relato histórico da revolta e da reconsagração.

Como é o ritual de Hanucá?

O centro do ritual é acender as luzes da hanukiá ao anoitecer, uma a mais a cada noite, com bênçãos e cânticos.

  • Acendimento: uma luz na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante, até oito na última noite.
  • A regra de Hillel: o Talmude (Shabat 21b) registra um debate entre duas escolas. A de Shammai queria começar com oito luzes e diminuir uma por noite. A de Hillel decidiu acrescentar uma luz a cada noite, porque “aumenta-se em santidade” (ma'alin bakodesh). É o costume seguido até hoje.
  • Divulgar o milagre: o princípio religioso é o Pirsumei Nisa, a “publicação do milagre”. Por isso, muitas famílias colocam a hanukiá na janela ou perto da porta.
  • Cânticos: em muitas comunidades, canta-se Ma'oz Tzur depois do acendimento.
  • Orações: nos oito dias, recita-se o Hallel completo na oração da manhã. Inclui-se a prece de gratidão Al HaNissim (“Sobre os milagres”) na Amidá e na bênção após as refeições (Birkat HaMazon).
  • Brincadeiras: as crianças jogam o sevivon (dreidel), um pião de quatro lados. Ele traz as letras hebraicas Nun, Guimel, Hei e Shin ou Pei, iniciais de “Um grande milagre aconteceu lá” (ou “aqui”, em Israel). Elas também recebem moedas (gelt), muitas vezes de chocolate, ou pequenos presentes.

Qual é o símbolo de Hanucá? Por que a menorá tem sete braços e a hanukiá nove?

O símbolo de Hanucá é a hanukiá, um candelabro de nove braços. Ela é diferente da menorá do Templo, que tinha sete braços.

A hanukiá (chanukiá ou hanukkiah) se divide assim:

  • oito luzes, uma para cada dia da festa;
  • uma nona luz, o shamash (“servente” ou “auxiliar”), usada para acender as outras.

A menorá de sete braços era o candelabro do Templo de Jerusalém. A hanukiá é um objeto litúrgico posterior, criado para a celebração de Hanucá. O número de braços acompanha os oito dias do milagre do óleo, mais o shamash.

No dia a dia, muita gente chama a hanukiá de “menorá de Hanucá”. O nome é comum, mas são dois objetos diferentes. O Leo Baeck Institute e as coleções especiais da biblioteca do College of William & Mary guardam exemplos históricos de objetos e documentos ligados à festa.

O que se come em Hanucá?

Em Hanucá, é costume comer alimentos fritos em óleo, em memória do milagre do azeite.

  • Latkes: bolinhos ou panquecas, tradicionalmente de batata, fritos em óleo. São ligados sobretudo às comunidades judaicas da Europa Oriental.
  • Sufganiot (sufganiyot): sonhos ou rosquinhas fritas, recheados com geleia ou creme. São muito populares em Israel.
  • Sfenj: bolinhos fritos, também consumidos na festa.

A ligação entre comida frita e óleo é uma tradição culinária e simbólica. Ela não faz parte do relato histórico da revolta. Os pratos preferidos também mudam conforme o país, a comunidade e a época, como mostra o Museu Judaico de Londres.

Quando é Hanucá em 2026?

Em 2026, Hanucá começa ao pôr do sol de 4 de dezembro e termina ao anoitecer de 12 de dezembro.

A regra é fixa no calendário hebraico. A festa começa ao pôr do sol de 25 de kislev e dura oito dias. Ela termina em 2 ou 3 de tevet, conforme a duração do mês de kislev naquele ano.

O calendário judaico é lunissolar. Por isso, a data muda a cada ano no calendário gregoriano, mas sempre cai entre o fim de novembro e dezembro. Alguns calendários indicam o início pelo dia civil seguinte, já que o dia judaico começa ao anoitecer. Daí podem surgir pequenas diferenças nas datas publicadas. A ficha de 2026 do Tanenbaum Center traz um resumo para escolas e empresas.

Hanucá é o “Natal dos judeus”? Qual religião comemora?

Não. Hanucá é uma festa judaica, celebrada por judeus, com origem e significado próprios. Não é uma versão judaica do Natal.

A confusão vem do calendário: as duas datas costumam cair em dezembro. Mas Hanucá lembra um episódio do século II a.C., a revolta dos Macabeus e a reconsagração do Templo de Jerusalém.

O costume de dar muitos presentes é recente e varia de lugar para lugar. A rabina Dalia Marx conta que um jovem taxista nos Estados Unidos reclamou que crianças judias ganhavam “oito presentes”. Ela respondeu que, em Jerusalém, onde cresceu, o costume era receber moedas de chocolate. O episódio mostra como a festa ganhou formas diferentes em cada comunidade.

O sentido central continua o mesmo em toda parte: acender luzes, agradecer e lembrar a liberdade de praticar o judaísmo.

Linha do tempo

  1. 332 a.C.Alexandre, o Grande, conquista a região.
  2. c. 198 a.C.A Terra de Israel passa ao controle do Império Selêucida.
  3. 167 a.C.Começa a Revolta dos Macabeus, liderada por Matatias e depois por Judá Macabeu, contra os decretos de Antíoco IV.
  4. 164 a.C.Jerusalém é retomada. O Templo é purificado e o altar, reconsagrado em 25 de kislev (algumas cronologias indicam uma diferença de um ano).
  5. 160 a.C.Fim da fase principal da revolta macabeia.
  6. Século I d.C.Flávio Josefo registra que o povo chamava a festa de “Luzes”.
  7. c. 200 d.C.A Mishná menciona a “lâmpada de Hanucá”.
  8. c. 500 d.C.O Talmude Babilônico registra o milagre do óleo e a regra de Hillel para o acendimento.
  9. 2026Hanucá vai do pôr do sol de 4 de dezembro ao anoitecer de 12 de dezembro.

Perguntas frequentes

Como se chama o Natal dos judeus?
Não existe um “Natal dos judeus”. A festa que costuma ser confundida com o Natal é Hanucá, a festa das luzes. As duas caem em dezembro, mas Hanucá tem origem própria: lembra a revolta dos Macabeus no século II a.C. e a reconsagração do Templo de Jerusalém. É celebrada por oito dias, com o acendimento de luzes na hanukiá.
Qual é o símbolo do Hanukkah?
O principal símbolo é a hanukiá, um candelabro de nove braços. Oito luzes representam os oito dias da festa. A nona, chamada shamash (“servente”), serve para acender as demais. Outros símbolos populares são o sevivon (dreidel), um pião de quatro lados com letras hebraicas, e os alimentos fritos em óleo, como latkes e sufganiot.
Por que a menorá tem 7 velas e a de Hanucá tem 9?
A menorá de sete braços era o candelabro do Templo de Jerusalém. A hanukiá, usada em Hanucá, é um objeto posterior, criado para a festa. Ela tem oito luzes, uma para cada dia em que, segundo o Talmude, o óleo do Templo durou, e mais uma luz auxiliar, o shamash, que acende as outras.
Quando será a festa de Hanukkah?
Em 2026, Hanucá começa ao pôr do sol de 4 de dezembro e termina ao anoitecer de 12 de dezembro. A festa sempre começa em 25 de kislev do calendário hebraico e dura oito dias. Como esse calendário é lunissolar, a data gregoriana muda a cada ano, mas sempre cai entre o fim de novembro e dezembro.

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