JJOJuventude JudaicaOrganizada
Memorial no local do festival Nova, em Re'im
Início › Fatos › O que aconteceu em 7 de outubro de 2023?
Fatos, com fonte

O que aconteceu em 7 de outubro de 2023?

Leitura: 9 minFontes: 19
Foto: Memorial no local do festival Nova, em Re'im. שלמה רודד · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
🎧 Ouça esta página · 16 minA página inteira em áudio, para ouvir no caminho. Narração com vozes sintéticas.
Enviar por WhatsApp
Nesta página
Resposta curta

Em 7 de outubro de 2023, por volta das 6h30, terroristas do Hamas e de outros grupos invadiram o sul de Israel a partir de Gaza, sob uma barragem de milhares de foguetes. Eles atacaram kibutzim, cidades, bases militares e o festival Nova. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, a maioria civis, e 251 foram sequestradas para Gaza. Esse ataque deu início à guerra.

O que foi o ataque de 7 de outubro de 2023?

Foi o ataque mais mortal da história do grupo terrorista Hamas: uma invasão coordenada do sul de Israel a partir da Faixa de Gaza, por terra, mar e ar.

O ataque começou na manhã de um sábado que coincidia com o feriado judaico de Simchat Torah (Shemini Atzeret). Foi um dia depois do aniversário de 50 anos do início da Guerra do Yom Kippur, de 1973. O Hamas agiu por meio de seu braço armado, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Outros grupos terroristas participaram, como a Jihad Islâmica.

As estimativas sobre o número de atacantes variam. Uma ação judicial nos Estados Unidos fala em mais de 2.000 homens armados. Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), foram cerca de 3.000 terroristas.

Os alvos foram comunidades residenciais, cidades como Sderot e Ofakim, bases militares, estradas e o festival de música Nova. Todos esses lugares ficam dentro do território soberano de Israel.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel classifica o ataque como crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Em 8 de outubro de 2023, o gabinete israelense declarou oficialmente estado de guerra.

Como o ataque aconteceu ao longo do dia?

O ataque começou com uma barragem de foguetes por volta das 6h29 e 6h30. Em seguida, os terroristas romperam a cerca de Gaza em dezenas de pontos.

  • Foguetes: as estimativas variam entre cerca de 3.000 projéteis nas primeiras horas, segundo as FDI, e mais de 5.000, segundo o próprio Hamas.
  • Ruptura da fronteira: os atacantes usaram explosivos, escavadeiras, caminhões, motocicletas, barcos e parapentes motorizados.
  • Ataque aos sistemas de vigilância: drones lançaram granadas sobre torres de observação e metralhadoras remotas das FDI. Isso desativou o monitoramento da fronteira.
  • Invasões: os atacantes entraram em mais de 20 localidades, entre elas Be’eri, Kfar Aza, Nir Oz, Nahal Oz, Re’im, Holit, Kissufim, Sufa, Zikim, Magen, Mefalsim, Kerem Shalom e Alumim.
  • Primeira resistência: os primeiros a reagir foram moradores, equipes de segurança locais, policiais e soldados. Em vários lugares, as forças israelenses levaram horas para retomar o controle. Em algumas comunidades, os combates continuaram até 8 de outubro.

As FDI reconheceram que falharam em sua missão principal de proteger os civis naquele dia. Elas apresentaram investigações sobre essas falhas, como a do kibutz Be’eri, noticiada pela Reuters. Falhar em impedir um ataque é diferente de tê-lo planejado.

Quantas pessoas morreram em 7 de outubro e quem eram as vítimas?

Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, e a grande maioria era civil. O número inicial divulgado por Israel passava de 1.400. Ele foi revisado depois porque restos mortais tinham sido contados de forma incorreta e porque alguns corpos eram de atacantes.

As contagens de civis variam conforme o critério usado:

FonteTotal de mortosCivisOutros dados
AFP, com base em dados do governo israelense (citada pela Human Rights Watch)1.195815pelo menos 282 mulheres, 36 crianças e 79 estrangeiros
Instituto Nacional de Seguros de Israel (Bituach Leumi)cerca de 1.20077839 crianças e 70 estrangeiros entre os civis

Entre os mortos que não eram civis, uma das contagens registra 282 soldados, 57 policiais e 38 membros de equipes de segurança locais. Outros registros oficiais falam em mais de 350 soldados e policiais. Também houve pelo menos 130 idosos entre os mortos. Socorristas do Magen David Adom foram mortos enquanto tentavam resgatar feridos.

O número de feridos também varia. As estimativas vão de 3.000 a 5.500 feridos, e há registros de mais de 14.000 pessoas atendidas em hospitais. Cerca de 150.000 israelenses foram retirados de suas casas no sul do país.

E a alegação de que as vítimas eram “colonos”? Ela é falsa. Em 9 de outubro de 2023, o dirigente do Hamas Basem Naim afirmou que “Israeli settlers cannot be considered civilians”. A Comissão de Inquérito da ONU concluiu que essa definição não corresponde ao direito internacional humanitário. Be’eri, Kfar Aza, Nir Oz, Sderot, Ofakim e o local do Nova ficam dentro de Israel, nas Linhas de Armistício de 1949.

Havia vítimas de muitos países, entre eles Israel, Brasil, Argentina, Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Tailândia, Nepal e Filipinas. Muitos trabalhadores tailandeses e nepaleses estavam em comunidades agrícolas perto da fronteira.

O que aconteceu no festival Nova e nos kibutzim?

O festival Nova foi o local com mais mortes. Em kibutzim como Be’eri e Nir Oz, famílias foram atacadas dentro de casa.

Festival Nova (Supernova). A festa acontecia ao ar livre perto do kibutz Re’im, no deserto do Neguev, com cerca de 3.000 participantes. Muitos foram mortos quando tentavam fugir pelas estradas e por áreas abertas. As estimativas vão de 364 a 379 mortos. A BBC cita mais de 370. A diferença depende de como se contam o local, as rotas de fuga e os pontos próximos. Cerca de 40 pessoas foram sequestradas no festival, entre elas Noa Argamani e Avinatan Or, separados logo após o sequestro, segundo a BBC.

Be’eri, Nir Oz e Kfar Aza. Os atacantes iam de casa em casa. Mataram moradores, incendiaram casas com famílias dentro e atiraram contra os quartos protegidos (mamad). Em Be’eri e Nir Oz, cerca de 10% dos moradores foram mortos, e mais de um terço das casas foi destruído ou queimado. Em Nir Oz, cerca de 40 moradores foram mortos, segundo registros oficiais citados pelo Instituto Nacional de Seguros de Israel, e dezenas foram levados para Gaza. Kfar Aza sofreu uma invasão longa, com mortes, sequestros e casas incendiadas.

Nem todos os relatos que circularam nos primeiros dias foram confirmados depois. Isso não muda o que está documentado. A Reuters reconstruiu o ataque a Be’eri e registrou que moradores foram mortos dentro de suas casas.

Quantos reféns foram levados para Gaza e o que aconteceu com eles?

Os atacantes sequestraram 251 pessoas e as levaram para Gaza. Entre elas havia bebês, crianças, mulheres, idosos, sobreviventes do Holocausto, estrangeiros e soldados.

Pelo menos 35 crianças foram sequestradas, 10 delas com menos de 5 anos. O total de 251 inclui pessoas mortas em Israel cujos corpos foram levados para Gaza, segundo as FDI. Os reféns ficaram presos em túneis e em casas controladas pelo Hamas, por outros grupos e por clãs locais.

O que aconteceu com eles:

  • Outubro de 2023: o Hamas libertou 4 reféns civis. Em 30 de outubro, a soldada Ori Megidish foi resgatada viva pelas FDI.
  • 24 a 30 de novembro de 2023: durante uma trégua mediada por Catar, Egito e Estados Unidos, 105 reféns civis foram libertados (81 israelenses e 24 estrangeiros), em troca de prisioneiros palestinos e de mais ajuda humanitária.
  • Resgates militares: 8 reféns foram resgatados vivos. Entre eles estão Fernando Simon Marman e Louis Har, em Rafah, em 12 de fevereiro de 2024, e Farhan Qadi, em agosto de 2024.
  • Mortes: pelo menos 85 reféns morreram ou foram declarados mortos. Em agosto de 2024, seis foram executados num túnel em Rafah: Hersh Goldberg-Polin, Eden Yerushalmi, Ori Danino, Almog Sarusi, Alexander Lobanov e Carmel Gat.
  • Acordos posteriores: as negociações seguiram um plano em fases apoiado pela Resolução 2735 do Conselho de Segurança da ONU. Ao todo, 136 reféns voltaram vivos. Depois, as FDI anunciaram que todos os reféns tinham sido devolvidos da Faixa de Gaza a Israel.

Um dia após o ataque, o dirigente do Hamas Mahmoud Mardawi disse que os reféns seriam um “cartão estratégico”. Tomar reféns é proibido pelo direito internacional humanitário, pela 4ª Convenção de Genebra, art. 34.

Houve violência sexual em 7 de outubro?

Sim. A ONU encontrou “motivos razoáveis para acreditar” que houve estupro e estupro coletivo no ataque. Também encontrou informação “clara e convincente” de violência sexual contra reféns em Gaza.

A missão da representante especial da ONU Pramila Patten esteve em Israel de 29 de janeiro a 14 de fevereiro de 2024. A equipe ouviu testemunhas, reféns libertados e autoridades, visitou os locais do ataque, examinou mais de 5.000 imagens e cerca de 50 horas de vídeo. O relatório S/2024/217, de 4 de março de 2024, concluiu:

  • há motivos razoáveis para acreditar em estupro e estupro coletivo em pelo menos três locais: o festival Nova e arredores, a estrada 232 e o kibutz Re’im;
  • há informação clara e convincente de estupro, tortura sexualizada e tratamento cruel contra reféns (UN News; Reuters).

O que o relatório é e o que não é. Foi uma missão de coleta e verificação de informações, não uma investigação criminal. Ele não fez uma contagem total de vítimas. O mesmo relatório descartou algumas alegações que não se sustentaram, e essa cautela reforça suas conclusões. A Comissão de Inquérito da ONU corroborou o relatório. Em maio de 2024, o procurador do Tribunal Penal Internacional pediu mandados de prisão contra líderes do Hamas que citam estupro e violência sexual. São pedidos de mandado, não condenações.

Ex-reféns contaram publicamente o que sofreram no cativeiro. Amit Soussana relatou violência sexual. Rom Braslavski também relatou violência sexual em Gaza, segundo a Reuters.

Como se sabe que o ataque foi planejado e executado pelo Hamas?

Há documentos do Hamas capturados, vídeos gravados pelos próprios terroristas, testemunhas e perícia forense. O 7 de outubro está entre os fatos mais documentados da guerra.

  • Planejamento: as FDI apreenderam documentos, câmeras, telefones e equipamentos de comunicação. Entre eles há manuscritos assinados por Yahya Sinwar em 24 de agosto de 2022. Corpos de terroristas carregavam mapas de Be’eri, Kfar Aza e Nahal Oz e ordens para “matar o maior número de pessoas e fazer reféns”.
  • Vídeos: os atacantes filmaram as próprias ações com câmeras e celulares.
  • Perícia: foram feitos mais de 14.000 testes de DNA para identificar as vítimas.
  • Até críticos de Israel confirmam: a Human Rights Watch, organização que costuma acusar Israel, concluiu que houve crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Também concluiu que relativamente poucos civis morreram no fogo cruzado.

E a alegação de “armação” ou de que “Israel matou os próprios”? Ela é falsa. No caos daquele dia, houve casos pontuais de israelenses mortos por fogo israelense, como na casa da família Pessi Cohen, em Be’eri. As FDI investigaram esses casos. A Comissão de Inquérito da ONU alega que a chamada Diretiva Hannibal foi aplicada em pelo menos dois casos, com até 14 civis mortos. Isso é a conclusão de uma comissão, não uma condenação. A mesma comissão declarou não haver evidência de helicópteros atirando contra civis no Nova. Os casos pontuais não mudam quem matou a imensa maioria das vítimas.

O 7 de outubro foi “resistência”?

Não. Nenhuma causa autoriza matar famílias em casa, atirar em jovens numa festa ou sequestrar crianças. O direito internacional proíbe esses atos em qualquer guerra.

O direito dos povos à autodeterminação é reconhecido, e defender os direitos dos palestinos é legítimo. Mas o direito internacional humanitário proíbe, sem exceção, ataques deliberados contra civis (Protocolo I, art. 51) e a tomada de reféns.

Em janeiro de 2024, o Hamas divulgou um documento chamado “Our Narrative”. Nele, o grupo alega que mirou alvos militares (análise do INSS). Os números desmentem essa versão: a maioria dos mortos era civil. A Comissão de Inquérito da ONU e a Human Rights Watch, que fazem acusações contra Israel, também classificaram aquele dia como crimes de guerra.

A responsabilidade é do Hamas e dos grupos terroristas que atacaram, não de um povo. Foi esse ataque que começou a guerra. O 7 de outubro é lembrado como o dia em que mais judeus foram mortos num único dia desde o Holocausto.

Linha do tempo

  1. 2022Em 24 de agosto, Yahya Sinwar assina manuscritos de planejamento do ataque, depois apreendidos pelas FDI.
  2. 2023Em 7 de outubro, por volta das 6h30, o Hamas e outros grupos invadem o sul de Israel: cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados.
  3. 2023Em 8 de outubro, o gabinete de Israel declara oficialmente estado de guerra.
  4. 2023Em 30 de outubro, as FDI resgatam viva a soldada Ori Megidish.
  5. 2023De 24 a 30 de novembro, uma trégua permite a libertação de 105 reféns civis.
  6. 2024Em 12 de fevereiro, Fernando Simon Marman e Louis Har são resgatados em Rafah.
  7. 2024Em 4 de março, sai o relatório da ONU (missão Patten) sobre violência sexual em 7 de outubro.
  8. 2024Em maio, o procurador do TPI pede mandados de prisão contra líderes do Hamas.
  9. 2024Em agosto, seis reféns são executados num túnel em Rafah, e Farhan Qadi é resgatado vivo.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram em 7 de outubro de 2023?
Cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel. A contagem da AFP, com dados do governo israelense, registra 1.195 mortos, dos quais 815 eram civis. O Instituto Nacional de Seguros de Israel registra 778 civis mortos, entre eles 39 crianças. A diferença vem do critério usado para classificar policiais e equipes de segurança locais. O primeiro número, de mais de 1.400, foi revisado depois.
Quantos reféns o Hamas levou para Gaza?
O Hamas e outros grupos levaram 251 pessoas para Gaza, entre elas bebês, crianças, idosos, mulheres, soldados e estrangeiros. Alguns já estavam mortos quando seus corpos foram levados. Ao todo, 136 reféns voltaram vivos, por acordos, trocas e resgates. Pelo menos 85 morreram ou foram declarados mortos. Mais tarde, as FDI anunciaram o retorno de todos os reféns a Israel.
Por que o ataque aconteceu num feriado judaico?
O 7 de outubro de 2023 caiu num sábado que coincidia com o feriado judaico de Simchat Torah (Shemini Atzeret). Foi também um dia depois do aniversário de 50 anos do início da Guerra do Yom Kippur, de 1973. O ataque começou por volta das 6h30, com milhares de foguetes, enquanto terroristas rompiam a cerca de Gaza em dezenas de pontos.
A ONU confirmou a violência sexual em 7 de outubro?
Sim. O relatório da missão de Pramila Patten, de 4 de março de 2024, encontrou motivos razoáveis para acreditar em estupro e estupro coletivo no festival Nova, na estrada 232 e no kibutz Re’im. Encontrou também informação clara e convincente de violência sexual contra reféns. Foi uma missão de verificação, não uma investigação criminal.

Assista

Como o Hezbollah Assumiu o Controle do Líbano? Ascensão e Queda do Hezbollah no Líbano!Desempacotando

Documentário em português que traça a origem do Hezbollah como braço da República Islâmica do Irã, seu domínio sobre o Líbano e seu papel na guerra civil síria, com testemunhos de libaneses e sírios. Também mostra os ataques ao norte de Israel após o 7 de outubro e o enfraquecimento do grupo em 2024.

Adultos
Dois anos do 7 de Outubro l 14/10/2025Mosaico na TV

Reportagem sobre o ato de memória pelos dois anos do ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro, realizado pela comunidade judaica de São Paulo na Hebraica, com a inauguração de um memorial permanente às vítimas. Traz depoimentos sobre resiliência, a libertação dos últimos reféns vivos e o combate ao antissemitismo.

Adolescentes e adultos
Também em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema

Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).

Masada: The Making of a Myth (Part 2)Unpacking Israeli History · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Noam Weissman conta como a história de Massada, preservada apenas por Josefo, foi recuperada pelo movimento sionista, das expedições juvenis de Shmaryahu Gutman em 1942 às escavações de Yigael Yadin e ao juramento dos soldados das FDI. No fim, propõe que a memória do 7 de outubro, com as vítimas e os reféns que escolheram a vida, seja hoje uma lição tão central quanto a de Massada.

Adultos
Her Son Was Taken Hostage on October 7th | Shelley Shem Tov | USC Shoah FoundationUSC Shoah Foundation · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Testemunho gravado pela USC Shoah Foundation no Fórum das Famílias dos Reféns, em Tel Aviv, em novembro de 2023: Shelley Shem Tov conta como seu filho Omer, de 21 anos, foi sequestrado por terroristas do Hamas no festival Nova em 7 de outubro e descreve a angústia da família durante o cativeiro. Omer foi libertado em fevereiro de 2025.

Adolescentes e adultos

Todos os vídeos por tema →

Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.