Falso. Israel devolveu todo o Sinai ao Egito pelo tratado de paz de 1979, cerca de 60 mil km², ou 91% do que obteve em 1967. Saiu do sul do Líbano em 2000, com linha certificada pela ONU. Em 2005, retirou soldados e civis de Gaza e desmontou 21 comunidades. Em 2007, o Hamas tomou Gaza.
Israel devolveu o Sinai ao Egito?
Sim, inteiro. Israel conquistou a Península do Sinai na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Depois dos Acordos de Camp David, de 1978, assinou com o Egito o Tratado de Paz de 26 de março de 1979. O primeiro-ministro Menachem Begin aceitou devolver toda a península em troca da paz com Anwar Sadat.
O Sinai tem cerca de 60 mil km². Segundo o governo de Israel, ele correspondia a 91% do território obtido na Guerra dos Seis Dias. A retirada terminou em 1982. Israel desmontou suas bases militares e todas as comunidades israelenses da região, incluindo a cidade de Yamit.
Houve ainda um último passo. Um tribunal internacional de arbitragem decidiu em setembro de 1988 uma disputa de fronteira sobre Taba. Israel cumpriu a decisão e entregou o enclave ao Egito em 1989.
Essa não foi a primeira vez. Israel já havia tomado o Sinai e Gaza na campanha de 1956 e saiu dos dois em 1957.
Israel saiu do Líbano e de Gaza?
Sim. Em 24 de maio de 2000, sob o primeiro-ministro Ehud Barak, Israel retirou suas forças da zona de segurança no sul do Líbano. A presença ali vinha desde 1982. A ONU certificou a linha de retirada e confirmou o cumprimento da Resolução 425 do Conselho de Segurança. O Líbano e o Hezbollah ainda contestam as Fazendas de Shebaa, uma pequena área de fronteira que a documentação internacional predominante tratava como síria.
Em agosto de 2005, sob o primeiro-ministro Ariel Sharon, Israel executou o Plano de Desengajamento. Retirou todos os soldados e civis da Faixa de Gaza e desmontou 21 comunidades israelenses. Cerca de 8.500 moradores deixaram suas casas. Israel também evacuou quatro comunidades no norte da Samaria: Homesh, Sa-Nur, Ganim e Kadim.
A administração local de Gaza ficou com a Autoridade Palestina. Em 2007, o grupo terrorista Hamas tomou o poder na faixa e a transformou em base de ataques contra Israel. Depois disso, Israel e o Egito impuseram restrições de circulação. O campo antagonista alega que esse controle externo mantém Gaza "ocupada". Mesmo quem pensa assim não pode negar a retirada física de todos os soldados e civis israelenses.
E Judeia e Samaria, Israel cedeu alguma parte?
Sim, cedeu partes, mas não o território inteiro. Pelos Acordos de Oslo, a partir de 1993, e pelo Acordo Interino de 28 de setembro de 1995, assinado por Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, Israel transferiu à Autoridade Palestina a administração das áreas A e B.
Israel deixou a administração militar direta dos principais centros urbanos palestinos, como Ramallah, Nablus, Jenin, Tulkarem, Qalqilya, Belém e Jericó. Pelo Protocolo de Hebron, de 1997, deixou também 80% de Hebron. Mais de 90% da população palestina da região passou ao autogoverno civil da Autoridade Palestina.
Israel mantém controle predominante na Área C, cerca de 60% do território. O governo israelense trata a região como território em disputa, cujo status final deve sair de negociação, e não de retirada unilateral. A maioria dos governos chama esses territórios de ocupados. Israel também já ofereceu mais. O primeiro-ministro Ehud Barak propôs sair de 97% da região e de 100% de Gaza num acordo final. A proposta não foi aceita pela liderança palestina.
Por que Israel não sai do restante sem acordo de paz?
Porque a experiência mostrou o custo. O Sinai foi devolvido em troca de um tratado com relações diplomáticas, garantias de segurança e liberdade de navegação. A paz com o Egito se manteve.
Gaza foi o oposto. Israel saiu sem acordo e sem reciprocidade. Em dois anos, o Hamas tomou o poder e passou a usar a faixa como base de ataques. O INSS, instituto israelense de estudos de segurança nacional, critica justamente esse ponto do plano de 2005: a retirada sem acordo.
Por isso a posição israelense é clara. Israel já fez concessões territoriais grandes. Sobre Judeia e Samaria, o status final deve ser negociado, com paz e garantias de segurança. Essa é a regra que Israel seguiu com o Egito e, em 1994, com a Jordânia. O tratado de 26 de outubro de 1994 fixou a fronteira definitiva, e Israel transferiu à Jordânia pequenas áreas em disputa no Vale de Arava.
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Falso. Israel devolveu todo o Sinai ao Egito pela paz de 1979, cerca de 60 mil km², ou 91% do que obteve em 1967. Saiu do sul do Líbano em 2000. Saiu de Gaza em 2005 e desmontou 21 comunidades. Em 2007, o Hamas tomou Gaza.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Linha do tempo das retiradas israelenses
- 1957: Israel sai do Sinai e de Gaza, que havia tomado na campanha de 1956.
- 1979: Tratado de Paz Israel-Egito, assinado em 26 de março. Israel aceita devolver todo o Sinai.
- 1982: Termina a retirada do Sinai. São 60 mil km² devolvidos, incluindo bases e comunidades israelenses como Yamit.
- 1989: Israel entrega Taba ao Egito e cumpre uma arbitragem internacional de setembro de 1988.
- 1993 a 1997: Acordos de Oslo. A Autoridade Palestina passa a administrar as áreas A e B de Judeia e Samaria. Pelo Protocolo de Hebron, de 1997, Israel deixa 80% de Hebron.
- 1994: Tratado de Paz Israel-Jordânia. Pequenas áreas no Vale de Arava passam ao controle jordaniano.
- 2000: Retirada do sul do Líbano em 24 de maio. A ONU certifica a linha de retirada. O Líbano e o Hezbollah ainda contestam as Fazendas de Shebaa.
- 2005: Plano de Desengajamento. Saem de Gaza todos os soldados e civis israelenses, com 21 comunidades desmontadas e cerca de 8.500 moradores retirados. Saem também quatro comunidades do norte da Samaria: Homesh, Sa-Nur, Ganim e Kadim.
- 2007: O grupo terrorista Hamas toma o poder em Gaza.
De onde vem a frase
A frase circula em comentários, vídeos curtos e cards, quase sempre num debate sobre Judeia e Samaria. Ela pega um ponto real, a ausência de acordo final sobre esse território, e o transforma em regra absoluta. Para isso, apaga o Sinai, o Líbano e Gaza. Vem junto da acusação de "expansionismo" e da ideia de que Israel não quer a paz. Os fatos dizem o contrário: as maiores retiradas de Israel foram feitas justamente em nome da paz.
Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lembrou que Israel deixou território ao sair do Líbano e de Gaza. O resultado, nos dois casos, foi o fortalecimento de grupos terroristas, o Hezbollah e o Hamas, na fronteira de Israel.
- Não diga que Israel "devolveu Judeia e Samaria". Israel transferiu a administração das áreas A e B, mas não o território inteiro.
- Não diga que Gaza foi "devolvida a um Estado". O correto é: Israel retirou todos os soldados e civis.
- Não omita a disputa sobre as Fazendas de Shebaa ao falar do Líbano.
- Não use a frase para generalizar palestinos ou árabes. O responsável pelo que Gaza virou é o Hamas, que tomou o poder em 2007.
- Não exagere números. Use os dados oficiais: 60 mil km², 91% do território de 1967, 21 comunidades e cerca de 8.500 moradores retirados de Gaza.
Perguntas frequentes
Israel devolveu o Sinai ao Egito?
Israel saiu de Gaza em 2005?
Israel saiu do Líbano?
- Governo de Israel: Camp David e a paz com o Egito
- MRE de Israel: a busca pela paz, Sinai e desengajamento de Gaza
- MRE de Israel: status jurídico do território
- Governo de Israel: Israel em mapas
- Governo de Israel: a campanha do Sinai de 1956
- MRE de Israel: história de Israel
- Discurso de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU
- INSS: marco estratégico na arena israelense-palestina




