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Mito × Fato · História

A Declaração Balfour foi comprada pelos Rothschild?

FALSOAntissemitismo · critério IHRAA carta foi endereçada a Lionel Walter Rothschild.
Foto: Arquitetura de Israel. udi Steinwell · Public domain · Wikimedia Commons
🎧 Mito × Fato explicado · 5 minA explicação completa, em conversa. Narração com vozes sintéticas.
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Falso. A Declaração Balfour, de 2 de novembro de 1917, foi uma decisão do gabinete britânico, assinada por Arthur James Balfour "em nome do governo de Sua Majestade". Lionel Walter Rothschild apenas recebeu a carta, como liderança sionista, para levá-la à Federação Sionista. Nenhuma fonte registra pagamento ou compra.

O que diz a Declaração Balfour?

A Declaração Balfour é uma carta de 2 de novembro de 1917. O secretário de Relações Exteriores britânico, Arthur James Balfour, a assinou e a dirigiu a Lionel Walter Rothschild.

O texto central tem 67 palavras em inglês. Nele, o governo britânico declara ver "com favor" o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu. A carta inclui duas salvaguardas. A primeira protege os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes. A segunda protege os direitos e o estatuto político dos judeus em outros países.

Balfour escreve que transmite a declaração "em nome do governo de Sua Majestade". Ele também registra que a proposta foi submetida ao gabinete e aprovada por ele. O texto integral está no Avalon Project, da Universidade Yale.

Por que a carta foi endereçada a Lord Rothschild?

Rothschild era uma figura de destaque da comunidade judaica britânica e uma liderança da Federação Sionista Britânica. A Biblioteca Nacional de Israel registra esse papel e informa que ele encaminhou a declaração à Organização Sionista.

A própria carta explica a função dele. Balfour termina pedindo: "Ficaria grato se levasse esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista".

Ou seja, Rothschild foi o canal de entrega a um movimento político. Não foi parte de uma transação. Membros da família apoiaram causas judaicas e sionistas, e isso também é fato. Apoiar uma causa não é comprar uma decisão de governo.

Por que o governo britânico emitiu a declaração?

As atas do Gabinete de Guerra do primeiro-ministro David Lloyd George (registro CAB 23/24) mostram motivos estratégicos e de guerra:

  • Rússia: Londres queria que os judeus russos pressionassem o Governo Provisório a manter o país na guerra contra a Alemanha.
  • Estados Unidos: o país entrara na guerra em abril de 1917, e Londres buscava apoio da opinião pública e de lideranças americanas.
  • Alemanha: o Foreign Office temia que a Alemanha, aliada do Império Otomano, fizesse uma declaração semelhante antes.
  • Canal de Suez: o controle britânico da região protegeria o canal e a rota para a Índia.

Nenhum desses motivos envolve dinheiro de uma família. Todos dizem respeito aos interesses do Império Britânico.

Como foi redigida a Declaração Balfour?

O texto não saiu pronto das mãos de ninguém. Foram meses de debate no Gabinete de Guerra e vários rascunhos entre julho e novembro de 1917.

1. 18 de julho de 1917: o rascunho da Organização Sionista falava em "reconstituir" a terra como lar nacional do povo judeu. 2. Rascunhos intermediários (Milner e Amery): o governo britânico mudou o texto, atenuou compromissos e incluiu salvaguardas. 3. 2 de novembro de 1917: a versão final trouxe as cláusulas de proteção às comunidades não judaicas e aos judeus de outros países.

Se a declaração tivesse sido comprada, o comprador teria recebido o texto que pediu. O que aconteceu foi o contrário: o governo britânico reescreveu a proposta sionista segundo os próprios critérios.

Como a declaração entrou no direito internacional?

A carta de 1917 era uma declaração política britânica. Ela ganhou peso internacional depois.

  • Conferência de San Remo (24 e 25 de abril de 1920): as Principais Potências Aliadas adotaram a declaração.
  • Mandato Britânico da Liga das Nações (24 de julho de 1922): a Liga incorporou o texto da declaração e reconheceu a "conexão histórica do povo judeu" com a terra.

O lar nacional judaico foi reconhecido, portanto, por um processo diplomático entre Estados. Não foi um negócio privado.

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Falso. A Declaração Balfour (2/11/1917) foi aprovada pelo gabinete britânico e assinada por Balfour "em nome do governo de Sua Majestade". Rothschild só recebeu a carta para levá-la à Federação Sionista. Não há registro de pagamento. A tese repete um velho mito contra judeus.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

Por que a tese convence. Ela parte de fatos reais. A carta começa com "Dear Lord Rothschild". Membros da família apoiaram causas judaicas e sionistas. Judeus compraram terras de forma privada no período otomano e no Mandato Britânico. A teoria junta esses fatos e tira uma conclusão que eles não sustentam: "se a carta foi para um Rothschild, ele pagou".

Terra não é soberania. Comprar lotes é uma questão fundiária. Isso não equivale a comprar um território inteiro nem uma decisão diplomática britânica. A AAP FactCheck faz essa mesma distinção.

O que os checadores encontraram. A AAP FactCheck classificou como falsa a narrativa de que os Rothschild "criaram Israel". A checagem reconhece que membros da família participaram do movimento sionista. Também registra que Balfour assinou a declaração e a dirigiu a Rothschild por causa da posição dele na comunidade judaica britânica. A AFP Fact Check desmontou uma teoria vizinha, a de que os Rothschild controlariam a Reuters e a Associated Press. A Reuters integra a Thomson Reuters, cuja principal participação acionária pertence à Woodbridge, ligada à família Thomson. A AP é uma cooperativa jornalística sem fins lucrativos.

Um mito antigo com roupa nova. A frase vem junto com outras teorias: os Rothschild "criaram Israel", controlam a imprensa, compram governos. É a mesma ideia conspiratória do "banqueiro judeu" que manipula o mundo. Esse mito atribui a judeus um poder coletivo e oculto, e é antissemita. Muita gente compartilha o post sem conhecer essa origem. O caminho é mostrar o documento.

O que segue em debate. Historiadores discutem os objetivos britânicos, o sentido de "lar nacional" e as consequências da declaração no Mandato Britânico. Esse debate é legítimo e existe. Nenhum historiador sério discute uma suposta compra.

Se for responder, evite:
  • Não negue que a carta foi dirigida a Rothschild nem que a família apoiou o sionismo. São fatos, e negá-los enfraquece a resposta.
  • Não diga que a declaração "nunca foi contestada". Há debate histórico sobre os efeitos dela.
  • Não confunda compra de terras com compra de soberania.
  • Não chame de antissemita quem compartilhou o post. Explique que a tese repete um mito antissemita e mostre a carta.

Perguntas frequentes

Qual era o resumo da Declaração de Balfour?
Foi uma carta de 2 de novembro de 1917 em que o governo britânico declarou ver "com favor" um lar nacional para o povo judeu. Arthur James Balfour a assinou "em nome do governo de Sua Majestade" e a dirigiu a Lord Rothschild. O texto protegia os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas e os direitos dos judeus em outros países. Foi adotada em San Remo, em 1920, e incorporada ao Mandato Britânico da Liga das Nações, em 1922.
Por que o povo palestino é contra a declaração de Balfour?
A liderança palestina vê na declaração a origem de suas perdas e alega que ela ignorou a população árabe local. A carta, porém, incluiu de forma expressa uma salvaguarda para os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas. Os efeitos da declaração seguem em debate entre historiadores. Esse debate é legítimo. A tese de que ela foi "comprada" pelos Rothschild não tem base em nenhum documento.
Os Rothschild criaram Israel?
Não. A AAP FactCheck classificou essa narrativa como falsa. Membros da família apoiaram o sionismo, mas a Declaração Balfour foi uma decisão do gabinete britânico. Seu reconhecimento internacional veio de San Remo, em 1920, e do Mandato Britânico da Liga das Nações, em 1922.
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