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Míssil balístico iraquiano em desfile militar de 1990
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O Irã e seus aliados: Hezbollah, houthis e milícias contra Israel

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Foto: Míssil balístico iraquiano em desfile militar de 1990. Autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons
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O Irã lidera o chamado “eixo da resistência”, rede de grupos armados que inclui o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, a Jihad Islâmica, os houthis, no Iêmen, e milícias no Iraque e na Síria. Por meio da Força Quds, da Guarda Revolucionária, Teerã financia, arma, treina e coordena esses grupos, que atacaram Israel após 7 de outubro de 2023. Em 2024, o próprio Irã atacou Israel diretamente duas vezes.

Quem faz parte do “eixo da resistência”?

O “eixo da resistência” é a rede de aliados armados do regime iraniano: Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, os houthis no Iêmen e milícias no Iraque e na Síria.

Não é uma organização única com comando público unificado. É um conjunto de parceiros que Teerã sustenta com dinheiro, armas, treinamento e tecnologia. O nome foi escolhido pelo próprio regime. A palavra “resistência” faz parecer reação o que, na prática, é uma estratégia.

O principal instrumento dessa estratégia é a Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica. Ela foi criada em 1990 com a missão declarada de “exportar a revolução”. A doutrina iraniana, chamada de “defesa avançada”, busca três objetivos:

  • afastar os conflitos do território do próprio Irã;
  • criar dissuasão contra adversários sem guerra aberta;
  • pressionar Israel e os interesses ocidentais com margem para negar a autoria.

Israel descreve essa rede como uma guerra por procuração. O grau de controle iraniano varia de grupo para grupo. O Hezbollah é o aliado mais integrado. As milícias iraquianas e os houthis conservam mais autonomia. Mas o financiamento, as armas e a coordenação estão documentados, segundo a Reuters e o Departamento de Estado dos EUA.

Qual a origem do Hezbollah e por que o Irã o apoia?

O Hezbollah foi fundado em 1982 no Líbano, com apoio direto do Irã, e se tornou a peça central da estratégia iraniana contra Israel.

O grupo surgiu durante a operação israelense no Líbano, lançada contra a OLP, que atacava o norte de Israel a partir do território libanês. Cerca de mil instrutores da Guarda Revolucionária iraniana ajudaram a formá-lo. No manifesto de 1985, o Hezbollah declarou lealdade ao aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

O Irã apoia o Hezbollah porque o grupo é sua principal força de dissuasão na fronteira de Israel. Há estimativas diferentes sobre o valor:

  • o Departamento de Estado dos EUA fala em centenas de milhões de dólares por ano;
  • outras estimativas chegam a cerca de US$ 700 milhões por ano.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) estimam o arsenal do grupo em mais de 120 mil mísseis e foguetes, além de drones, mísseis antinavio e defesa aérea. É uma estimativa, não uma contagem exata.

O Hezbollah combateu Israel no sul do Líbano até a retirada israelense, em 2000. Em 12 de julho de 2006, um ataque do grupo através da fronteira desencadeou a Guerra do Líbano, de 34 dias, na qual disparou mais de 4.000 foguetes contra o norte de Israel.

Quem o Hezbollah apoia e o Hezbollah é só um partido?

O Hezbollah apoia o regime iraniano e os demais membros do eixo. Ele não é só um partido: é uma milícia armada que age fora do comando do Estado libanês.

Na rede iraniana, o Hezbollah funciona como braço instrutor e agente de expansão:

  • por meio da Unidade 3800, treinou milícias xiitas no Iraque e os houthis no Iêmen;
  • a partir de 2012–2013, interveio na guerra civil da Síria para garantir a sobrevivência do regime de Bashar al-Assad e proteger o corredor de suprimentos entre Teerã e Beirute;
  • em maio de 2021, montou com o Irã, o Hamas e a Jihad Islâmica uma “sala de guerra conjunta” em Beirute para coordenar inteligência e lançamentos de mísseis contra Israel.

É verdade que o grupo tem deputados no Líbano desde 1992 e presta serviços sociais. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel descreve o Hezbollah como partido, rede social, milícia e organização terrorista ao mesmo tempo. A própria liderança rejeita a separação. Em 2000, Naim Qassem falou em “uma única liderança, com uma única administração”.

Israel, EUA, Reino Unido, Argentina, Paraguai e Alemanha listam a organização inteira como terrorista. A União Europeia lista o “braço militar”. O Brasil não lista o grupo.

Muitos libaneses criticam o Hezbollah por arrastar o país para guerras. A crítica aqui é à organização e a seus atos, não a libaneses, xiitas ou muçulmanos.

O que o eixo fez contra Israel depois de 7 de outubro de 2023?

Depois do massacre de 7 de outubro de 2023, os aliados do Irã abriram várias frentes contra Israel. Naquele dia, os terroristas do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram cerca de 250 reféns.

Hezbollah (Líbano). Em 8 de outubro de 2023, um dia depois do ataque do Hamas, o grupo abriu fogo contra o norte de Israel com mísseis, foguetes e drones, em apoio ao Hamas. Israel reagiu. Em 30 de julho de 2024, eliminou Fu'ad Shukr em Beirute. Em 17 e 18 de setembro de 2024, milhares de pagers e walkie-talkies explodiram nas fileiras do grupo. Em 27 de setembro de 2024, um ataque aéreo eliminou o secretário-geral Hassan Nasrallah. Em 27 de novembro de 2024, Israel e o Hezbollah aceitaram um cessar-fogo. Segundo estimativas israelenses, o grupo perdeu cerca de 5.000 combatentes e cerca de 80% de seus mísseis de curto alcance.

Houthis (Iêmen). O movimento Ansar Allah tomou a capital Sanaa em 2014 e o porto de Hodeidah em 2015. Seu lema, adotado em 2001, inclui “Morte a Israel” e “Maldição aos judeus”. Em 19 de outubro de 2023, os houthis lançaram os primeiros mísseis de cruzeiro e drones contra Israel. Em 31 de outubro, dispararam um míssil balístico contra Eilat. A partir de novembro de 2023, com o sequestro do navio Galaxy Leader, passaram a atacar a navegação comercial no Mar Vermelho. Em 19 de julho de 2024, um drone houthi voou mais de 2.600 km e atingiu um prédio em Tel Aviv, matando um civil. No dia seguinte, Israel atacou o porto de Hodeidah.

Milícias do Iraque e da Síria. Grupos como Kata'ib Hezbollah, Asa'ib Ahl al-Haq e Harakat Hezbollah al-Nujaba formaram, em outubro de 2023, a plataforma “Resistência Islâmica no Iraque”. Em 2 de novembro de 2023, ela reivindicou o primeiro ataque a Israel. Em 2 de outubro de 2024, um drone dessas milícias matou dois soldados israelenses nas Colinas de Golã. Elas também atacaram bases americanas. A Casa Branca disse que o Irã estava “ativamente facilitando” parte desses ataques, segundo a Reuters.

Segundo documentos internos apreendidos, Ismail Haniyeh, Yahya Sinwar, Hassan Nasrallah e o comandante iraniano Saeed Izadi se reuniram em 2021 e 2022 para acertar detalhes da invasão de 7 de outubro.

O Irã atacou Israel diretamente?

Sim. Em 2024, o Irã atacou Israel a partir do próprio território duas vezes, com centenas de mísseis e drones.

DataAtaqueJustificativa de Teerã
13 para 14 de abril de 2024Mais de 300 drones e mísseis: cerca de 170 drones, 30 mísseis de cruzeiro e 120 balísticosAtaque de 1º de abril ao anexo consular iraniano em Damasco, atribuído a Israel
1º de outubro de 2024Mais de 180 mísseis balísticos, segundo a BBC; cerca de 200, segundo autoridades iranianasMortes de Ismail Haniyeh, em Teerã, e Hassan Nasrallah, em Beirute

Em abril, a maior parte dos projéteis foi interceptada por Israel, Estados Unidos, Reino Unido e Jordânia. Houve danos limitados, inclusive em uma instalação militar, segundo a BBC e a Reuters. Os números variam conforme o critério: lançados, interceptados ou que entraram no espaço aéreo israelense.

Em outubro, o ataque foi maior e mais complexo, segundo a Reuters. Alguns mísseis atingiram áreas em Israel. Em 26 de outubro de 2024, Israel respondeu com ataques de precisão contra defesas aéreas e fábricas de mísseis no Irã.

O Irã chama esses ataques de legítima defesa. Israel os trata como agressão direta. O governo de Israel lembra que esses ataques vieram depois de décadas de hostilidade do regime e do apoio iraniano aos grupos que atacam Israel.

O eixo apenas se defende de Israel e dos EUA?

Não. A alegação de que o Irã e seus aliados “só se defendem” circula na mídia estatal iraniana, mas contradiz os fatos.

Israel apresenta como medidas preventivas contra fábricas de mísseis e infraestrutura militar as ações que conduziu com os EUA contra o Irã em junho de 2025 e em 28 de fevereiro de 2026. Muitos governos criticaram esses ataques. Em março de 2026, as FDI relataram novas interceptações de drones iranianos.

Mas a ameaça veio antes:

  • a Força Quds existe desde 1990 para “exportar a revolução”;
  • o Irã repassa até US$ 100 milhões por ano a Hamas e Jihad Islâmica, segundo o Departamento de Estado dos EUA;
  • os aliados do Irã atacaram civis israelenses, bases americanas, aeroportos civis na Arábia Saudita e nos Emirados e navios no Mar Vermelho;
  • o Hamas, aliado do eixo, começou a guerra atual em 7 de outubro de 2023.

Líderes iranianos e integrantes da Guarda Revolucionária fizeram repetidas declarações defendendo o fim do Estado de Israel. Há controvérsia sobre a tradução de algumas frases, como a atribuída ao ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad. Mas a defesa pública da eliminação de Israel está documentada em muitas falas. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo pelo critério da IHRA, que a JJO adota.

Os próprios iranianos, sobretudo mulheres e minorias, sofrem com esse regime. A crítica é ao regime e aos grupos que ele financia, nunca a um povo ou a uma religião.

Quem tem mais poder, o Irã ou Israel?

Os confrontos de 2024 mostraram que Israel conseguiu deter os ataques diretos do Irã e degradar seus aliados, mas o regime iraniano segue como ameaça por causa dos mísseis e do programa nuclear.

Em abril de 2024, a maior parte dos drones e mísseis iranianos foi interceptada. A BBC avaliou que a crise mostrou o quanto o ataque iraniano fracassou. Em outubro, Israel atingiu defesas aéreas e fábricas de mísseis em solo iraniano. No Líbano, o Hezbollah perdeu seu líder e boa parte do arsenal de curto alcance.

O programa nuclear é o centro da preocupação israelense:

  • o Irã acumula urânio enriquecido acima dos limites previstos no acordo nuclear de 2015 (JCPOA), que os EUA deixaram em 2018;
  • Teerã afirma que o programa é civil e invoca o Tratado de Não Proliferação Nuclear;
  • Israel, EUA e outros governos afirmam que o programa permite reduzir rapidamente o tempo para produzir material de uso militar.

Não é correto dizer que o Irã já tem uma bomba. A questão é a capacidade de chegar perto dela. A Agência Internacional de Energia Atômica é a principal referência técnica para avaliar estoques e níveis de enriquecimento.

O Brasil é um aliado do Irã?

O Brasil não faz parte do “eixo da resistência”, formado por grupos armados do Oriente Médio. Mas o terrorismo ligado ao Irã já atingiu a América do Sul.

Em Buenos Aires, aconteceram os dois maiores atentados do eixo fora do Oriente Médio:

  • 17 de março de 1992: um atentado destruiu a embaixada de Israel. Morreram 29 pessoas.
  • 18 de julho de 1994: uma explosão destruiu a sede da AMIA, a Associação Mutual Israelita Argentina. Morreram 85 pessoas.

Argentina e Israel atribuem os dois ataques ao Irã e ao Hezbollah, segundo a Reuters. Em abril de 2024, a Cámara Federal de Casación concluiu que o Irã ordenou e o Hezbollah executou os atentados, segundo La Nación. O Irã nega. Os principais acusados nunca foram julgados presencialmente, porque estão fora do alcance da Justiça argentina.

Argentina e Paraguai, vizinhos do Brasil, listam o Hezbollah como organização terrorista. O Brasil não lista. Um centro comunitário judaico não ameaçava ninguém: o caso AMIA mostra que o antissemitismo do eixo também mira judeus fora de Israel.

Linha do tempo

  1. 1982Fundação do Hezbollah no Líbano, com apoio e instrutores da Guarda Revolucionária iraniana.
  2. 1990Criação da Força Quds, com a missão declarada de “exportar a revolução”.
  3. 1992Atentado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires mata 29 pessoas.
  4. 1994Atentado contra a AMIA, em Buenos Aires, mata 85 pessoas.
  5. 2006Ataque do Hezbollah na fronteira desencadeia a Guerra do Líbano, de 34 dias.
  6. 2014Houthis tomam a capital do Iêmen, Sanaa.
  7. 2021Irã, Hezbollah, Hamas e Jihad Islâmica montam “sala de guerra conjunta” em Beirute.
  8. 2023Hamas ataca Israel em 7 de outubro; Hezbollah, houthis e milícias iraquianas abrem novas frentes.
  9. 2024Irã ataca Israel diretamente em abril e outubro; Nasrallah é eliminado; cessar-fogo no Líbano em novembro.
  10. 2025Em junho, Israel ataca alvos militares no Irã, em operação que apresenta como preventiva.
  11. 2026Em 28 de fevereiro, Israel e EUA atacam o Irã.

Perguntas frequentes

Quais são os aliados do Irã?
Os principais aliados do regime iraniano formam o chamado “eixo da resistência”: o Hezbollah, no Líbano; o Hamas e a Jihad Islâmica, em Gaza; os houthis, no Iêmen; e milícias xiitas no Iraque e na Síria, como Kata'ib Hezbollah e Asa'ib Ahl al-Haq. A Força Quds, da Guarda Revolucionária, financia, arma, treina e coordena esses grupos, que atacaram Israel depois de 7 de outubro de 2023.
Qual a origem do Hezbollah?
O Hezbollah foi fundado em 1982 no Líbano, durante a invasão israelense do sul do país, com apoio direto do Irã. Cerca de mil instrutores da Guarda Revolucionária ajudaram a formá-lo. Em 1985, seu manifesto declarou lealdade ao aiatolá Khomeini. Desde 1992 o grupo disputa eleições, mas mantém uma milícia armada fora do comando do Estado libanês.
Quem o Hezbollah apoia?
O Hezbollah apoia o regime iraniano e os demais membros do eixo. Treinou milícias no Iraque e os houthis no Iêmen. A partir de 2012–2013, lutou na Síria para manter o regime de Bashar al-Assad. Em 2021, coordenou com Irã, Hamas e Jihad Islâmica uma sala de guerra em Beirute. Em 8 de outubro de 2023, abriu fogo contra Israel em apoio ao Hamas.
O Brasil é um aliado do Irã?
O Brasil não integra o “eixo da resistência”, que reúne grupos armados do Oriente Médio. Ao contrário de Argentina e Paraguai, porém, o Brasil não lista o Hezbollah como organização terrorista. Na vizinha Buenos Aires, a Justiça argentina concluiu em 2024 que o Irã ordenou e o Hezbollah executou os atentados de 1992 e 1994, que mataram 29 e 85 pessoas.

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