Yitzhak Rabin (1922–1995) foi chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Depois foi primeiro-ministro em dois períodos, 1974–1977 e 1992–1995. Liderou os Acordos de Oslo com a OLP (1993) e a paz com a Jordânia (1994). Recebeu o Nobel da Paz de 1994. O extremista judeu Yigal Amir o assassinou em 4 de novembro de 1995.
Quem foi Yitzhak Rabin?
Yitzhak Rabin foi um militar e político israelense que comandou as Forças de Defesa de Israel (FDI) em 1967 e, décadas depois, conduziu como primeiro-ministro as principais iniciativas de paz dos anos 1990.
Nasceu em 1922 e morreu em 1995. Sua trajetória acompanha a do próprio Estado de Israel. Primeiro veio a defesa do país em guerra. Depois veio a tentativa de transformar a força militar em acordos duradouros, sem abrir mão da segurança.
- Militar: foi o sétimo chefe do Estado-Maior das FDI, nomeado em 1964.
- Primeiro-ministro: governou de 1974 a 1977 e de 1992 a 1995.
- Diplomata: assinou os Acordos de Oslo com a OLP e o tratado de paz com a Jordânia.
- Nobel da Paz de 1994: dividiu o prêmio com Shimon Peres e Yasser Arafat.
O Centro Yitzhak Rabin e os arquivos do Ministério da Defesa de Israel reúnem documentos sobre sua vida e sua obra.
Qual foi o papel de Rabin na Guerra dos Seis Dias?
Rabin era o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967.
Sob seu comando militar, Israel assumiu o controle de:
- Península do Sinai;
- Faixa de Gaza;
- Judeia e Samaria;
- Jerusalém Oriental;
- Colinas de Golã.
A guerra marcou o pensamento de Rabin sobre segurança. Ele concluiu que Israel não podia voltar às linhas de armistício anteriores a 4 de junho de 1967, que considerava vulneráveis. Essa visão se alinhava ao conceito de fronteiras defensáveis formulado por Yigal Allon.
O Centro Yitzhak Rabin e a Biblioteca Nacional de Israel guardam registros desse período. Para o contexto geral da guerra, veja o Escritório do Historiador dos EUA e a Resolução 242 da ONU, que consagrou a fórmula "terra por paz".
O que Yitzhak Rabin defendia?
Rabin defendia a paz negociada com os vizinhos de Israel, desde que ela viesse com garantias firmes de segurança para o Estado judeu.
O Comitê Nobel descreveu Rabin como alguém que abandonou o uso da força em favor da negociação. A fórmula resume sua virada política nos anos 1990. Ela não significa que Rabin tenha deixado de defender a segurança militar de Israel.
A prova está no seu último grande discurso sobre o tema. Em 5 de outubro de 1995, no Knesset, ele defendeu a ratificação do Acordo Oslo II e expôs sua visão do arranjo final com os palestinos:
- Sem volta às linhas de 1967: as fronteiras permanentes de Israel não retornariam às linhas anteriores à Guerra dos Seis Dias.
- Vale do Jordão: a fronteira de segurança de Israel ficaria no Vale do Jordão.
- Jerusalém unificada: a cidade permaneceria unida sob soberania israelense.
- "Menos do que um Estado": a entidade palestina autônoma ao lado de Israel seria less than a state.
Para Rabin, a paz e a segurança eram partes do mesmo projeto. Uma não existia sem a outra.
O que foram os Acordos de Oslo assinados por Rabin?
Os Acordos de Oslo foram uma série de acordos entre Israel e a OLP que estabeleceram o reconhecimento mútuo e um autogoverno palestino transitório. Não foram um tratado de paz definitivo.
Rabin voltou ao poder em junho de 1992, à frente do Partido Trabalhista (Ha'Avoda). As negociações formais em Washington, abertas após a Conferência de Madri de 1991, estavam paralisadas. Em 19 de janeiro de 1993, o Knesset revogou a lei de 1986 que proibia contatos com a OLP. Em maio de 1993, Rabin autorizou e formalizou o canal secreto em Oslo, na Noruega.
| Data | Acordo | O que estabeleceu |
|---|---|---|
| 9 set. 1993 | Cartas de Reconhecimento Mútuo | Arafat reconheceu o direito de Israel existir em paz e segurança e renunciou ao terrorismo. Rabin reconheceu a OLP como representante do povo palestino no processo de paz |
| 13 set. 1993 | Declaração de Princípios (Oslo I) | Autogoverno palestino transitório de até cinco anos, a Autoridade Palestina. Questões centrais adiadas |
| 4 mai. 1994 | Acordo Gaza-Jericó (Cairo) | Início da retirada israelense de Gaza e de Jericó e transferência das primeiras competências civis |
| 28 set. 1995 | Acordo Interino (Oslo II) | Divisão de Judeia e Samaria em Áreas A, B e C, com graus diferentes de controle palestino e israelense |
A Declaração de Princípios foi assinada nos jardins da Casa Branca por Shimon Peres e Mahmoud Abbas. Estavam presentes Rabin, Arafat e o presidente Bill Clinton. O aperto de mão entre Rabin e Arafat virou a imagem do evento.
Oslo deixou para negociações posteriores as questões mais difíceis: Jerusalém, refugiados, comunidades israelenses em Judeia e Samaria, fronteiras e segurança. Veja o resumo do Escritório do Historiador dos EUA.
Como foi a paz de Rabin com a Jordânia?
Rabin assinou um tratado de paz completo com a Jordânia em 26 de outubro de 1994. Até hoje, esse tratado é um dos pilares da segurança regional de Israel.
O caminho teve duas etapas:
- 25 de julho de 1994: Rabin e o rei Hussein assinaram a Declaração de Washington. Ela encerrou formalmente 46 anos de estado de beligerância entre os dois países.
- 26 de outubro de 1994: no posto de fronteira de Wadi Araba, Rabin e o primeiro-ministro jordaniano Abdul-Salam Majali assinaram o Tratado de Paz Israel-Jordânia.
Em dezembro de 1994, Rabin recebeu o Nobel da Paz, ao lado de Shimon Peres e Yasser Arafat. O prêmio reconheceu os esforços de paz no Oriente Médio.
Yitzhak Rabin era de direita ou de esquerda?
Rabin liderava o Partido Trabalhista (Ha'Avoda), mas suas posições de segurança não cabem num rótulo simples.
Ele foi eleito em 1992 à frente do Partido Trabalhista. Como primeiro-ministro, aceitou negociar com a OLP e entregou partes do território ao autogoverno palestino. Seus opositores à direita o criticavam por essas concessões.
Ao mesmo tempo, Rabin era um general que defendia:
- fronteiras defensáveis, sem retorno às linhas de 1967;
- controle de segurança israelense no Vale do Jordão;
- Jerusalém unificada sob soberania israelense;
- uma entidade palestina "menos do que um Estado".
Na prática, Rabin combinava a busca da paz com uma visão firme de segurança. Essa combinação explica por que ele é lembrado por israelenses de diferentes campos políticos.
O que aconteceu com Rabin e quem o assassinou?
Rabin foi assassinado a tiros em 4 de novembro de 1995, em Tel Aviv, por Yigal Amir, um extremista judeu contrário aos Acordos de Oslo e às concessões territoriais.
O crime aconteceu no fim de um grande comício em apoio ao processo de paz, na Praça dos Reis de Israel. Um mês antes, Rabin havia defendido Oslo II no Knesset.
O assassinato de um primeiro-ministro por um extremista do próprio povo foi um trauma nacional para Israel. O episódio mostra que a violência política contra a democracia israelense também pode vir de dentro, e que ela precisa ser rejeitada sem ambiguidade.
A Britannica e os Arquivos Nacionais dos EUA registram a data e as circunstâncias do crime.
O fracasso de Oslo prova que "Israel nunca quis a paz"?
Não. A trajetória de Rabin desmente a acusação de que "Israel nunca quis paz".
O debate sobre o fracasso de Oslo continua, mas o registro das iniciativas israelenses é claro. Mas os fatos sobre as iniciativas israelenses estão documentados:
- Israel devolveu todo o Sinai ao Egito (1978–1979).
- Rabin reconheceu a OLP, assinou Oslo e criou as bases da Autoridade Palestina (1993–1995).
- Israel firmou a paz com a Jordânia (1994).
- Em 2000, Ehud Barak aceitou os Parâmetros de Clinton. Arafat não assinou.
- Em 2008, Ehud Olmert propôs um Estado equivalente a 100% de Judeia e Samaria e Gaza, com trocas de território. Abbas não assinou o mapa.
- Em 2005, Israel saiu de Gaza. O Hamas tomou o território em 2007 e o transformou em base de foguetes.
Negociadores palestinos alegam que as propostas não garantiam soberania plena. Isso não apaga um fato: as ofertas vieram de Israel. Também não autoriza generalizar contra os palestinos como povo. Cada recusa tem autor: Arafat em 2000, Abbas em 2008, o Hamas sempre.
A análise do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel, sobre Annapolis e a posição oficial do Ministério das Relações Exteriores de Israel detalham essas negociações.
Linha do tempo
- 1922Nasce Yitzhak Rabin.
- 1964Torna-se o sétimo chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel.
- 1967Comanda as FDI na Guerra dos Seis Dias, em junho.
- 1974–1977Primeiro mandato como primeiro-ministro de Israel.
- 1992É eleito primeiro-ministro em junho, à frente do Partido Trabalhista.
- 1993Em janeiro, o Knesset revoga a proibição de contatos com a OLP. Em setembro, ocorrem as cartas de reconhecimento mútuo e a assinatura de Oslo I em Washington.
- 1994Acordo Gaza-Jericó (maio), Declaração de Washington (julho), tratado de paz com a Jordânia (26 de outubro) e Nobel da Paz (dezembro).
- 1995Oslo II (28 de setembro), discurso no Knesset (5 de outubro) e assassinato em Tel Aviv por Yigal Amir (4 de novembro).
Perguntas frequentes
Quem assassinou Yitzhak Rabin?
O que Yitzhak Rabin defendia?
Yitzhak Rabin era de direita ou de esquerda?
Por que Rabin ganhou o Nobel da Paz?
Assista
Mesa do Museu Judaico de São Paulo sobre a presença judaica marroquina na Amazônia desde o início do século XIX, com o fotógrafo Felipe Goifman, o médico e chazan Isaac Dahan e o rabino Moysés Elmescany. Apoiados em arquivos, cemitérios e responsa de rabinos do Marrocos, eles relatam histórias das comunidades de Belém e Manaus e debatem os desafios atuais da vida judaica na região.
EducadoresExplica o Massacre de Hebron de 1929, quando 67 judeus foram assassinados após a incitação do mufti Amin al-Husseini com boatos falsos sobre o Monte do Templo, e mostra como o episódio levou ao fortalecimento da Haganá, sem esquecer os vizinhos árabes que salvaram centenas de judeus. Relaciona a propaganda de 1929 à desinformação atual nas redes.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Noam Weissman conta como a história de Massada, preservada apenas por Josefo, foi recuperada pelo movimento sionista, das expedições juvenis de Shmaryahu Gutman em 1942 às escavações de Yigael Yadin e ao juramento dos soldados das FDI. No fim, propõe que a memória do 7 de outubro, com as vítimas e os reféns que escolheram a vida, seja hoje uma lição tão central quanto a de Massada.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Painel do Yad Vashem com os historiadores Iael Nidam-Orvieto, Sergio Della Pergola e Simonetta Della Seta sobre a batida nazista contra os judeus de Roma em 16 de outubro de 1943, o 'Sábado Negro', que levou mais de mil pessoas a Auschwitz, das quais só 16 voltaram. O debate aborda também a história milenar da comunidade judaica romana, as leis antissemitas fascistas de 1938 e o papel de Mussolini e dos italianos na perseguição.
Educadores- Centro Yitzhak Rabin – Yitzhak Rabin and his work
- Centro Yitzhak Rabin – 1967
- Arquivos do Ministério da Defesa de Israel – Yitzhak Rabin
- Biblioteca Nacional de Israel – fontes primárias
- Prêmio Nobel – Yitzhak Rabin, fatos
- Prêmio Nobel – Yitzhak Rabin, resumo
- Britannica – Yitzhak Rabin
- Arquivos Nacionais dos EUA – Yitzhak Rabin
- Escritório do Historiador dos EUA – Acordos de Oslo
- Escritório do Historiador dos EUA – Guerra de 1967
- Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU
- Escritório do Historiador dos EUA – Camp David
- INSS – Annapolis
- Ministério das Relações Exteriores de Israel – Israel's Quest for Peace


