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Israel e o Oriente Médio contemporâneo

Em resumo

Este plano de aula para o Ensino Médio apresenta Israel no Oriente Médio contemporâneo em quatro aulas de 50 minutos. O percurso começa no Mandato Britânico de 1922 e na Resolução 181 da ONU, de 1947, passa pelas guerras de 1948 a 2006 e pelos tratados com Egito e Jordânia, Oslo e Acordos de Abraão, e termina no Hamas e no Irã. Ao longo das aulas, os alunos trabalham com fontes primárias e aprendem a separar fato de alegação.

ParaEscolas · Professores
Idade15 a 17 anos
ExtensãoEnsino Médio · 3 aulas
TemaOriente Médio
FormatoPlano de aula
Situaçãodisponível

Para quem é esta aula, quanto tempo dura e o que é preciso?

A aula foi pensada para o Ensino Médio, nas disciplinas de História e Geografia, e também pode ser usada em cursos introdutórios de Relações Internacionais e Ciência Política.

  • Duração: 4 aulas de 50 minutos, que também funcionam em 2 blocos duplos.
  • Materiais: projetor ou mapas impressos de 1947, 1949 e 1967; trechos impressos das fontes primárias, como a Resolução 181 da ONU, a Declaração de Independência de Israel, os acordos de armistício de 1949, os tratados de paz entre Egito e Israel e entre Jordânia e Israel, os Acordos de Oslo e a Declaração dos Acordos de Abraão; uma ficha de análise de fontes para cada grupo (o modelo está mais abaixo).
  • Pré-requisito: noções básicas de Primeira e Segunda Guerra Mundial e da criação da ONU.

Quais habilidades da BNCC esta aula trabalha?

Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que este material desenvolve:

  • EM13CHS101 (1ª a 3ª série): Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. Na aula: Os alunos leem fontes primárias, como a Resolução 181, a Declaração de Independência e os acordos de paz. Com a ficha, identificam autoria, data e finalidade e distinguem fato, alegação, disputa e opinião.
  • EM13CHS204 (1ª a 3ª série): Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas. Na aula: A turma compara os mapas de 1947, 1949 e 1967. Distingue proposta, linha de armistício e fronteira de fato, e analisa o papel de impérios, Estados e da ONU na formação territorial.
  • EM13CHS603 (1ª a 3ª série): Analisar a formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas e de exercício da cidadania, aplicando conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.). Na aula: A Aula 1 reconstitui a passagem do Mandato Britânico ao Estado de Israel. Mobiliza conceitos de Estado, soberania e autodeterminação e diferencia tratado, armistício, reconhecimento e normalização.
  • EM13CHS604 (1ª a 3ª série): Discutir o papel dos organismos internacionais no contexto mundial, com vistas à elaboração de uma visão crítica sobre seus limites e suas formas de atuação nos países, considerando os aspectos positivos e negativos dessa atuação para as populações locais. Na aula: Os alunos analisam a atuação da ONU por meio das Resoluções 181, 242 e 1701 e da força retirada em 1967. Também discutem os limites dos acordos internacionais no debate com papéis.
  • EM13CHS103 (1ª a 3ª série): Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros). Na aula: Na dissertação somativa sobre a passagem da diplomacia bilateral aos Acordos de Abraão, o aluno compõe argumentos citando pelo menos duas fontes primárias datadas.

Texto oficial da BNCC (MEC, documento homologado), disponível em basenacionalcomum.mec.gov.br. A coordenação pedagógica da escola pode ajustar a escolha ao seu currículo.

Quais são os objetivos e as competências da BNCC trabalhadas?

O objetivo central é que o aluno explique, com datas e documentos, como Israel nasceu e como se relaciona com seus vizinhos, distinguindo fato documentado de alegação política.

Objetivos específicos:

1. Reconstituir a passagem do Mandato Britânico (de 1922, da Liga das Nações) ao Estado de Israel e às linhas de armistício de 1949. 2. Identificar as principais guerras entre 1948 e 2006 e quem as iniciou. 3. Comparar o modelo "terra por paz" (Egito, Oslo) com o modelo de normalização regional (Acordos de Abraão). 4. Diferenciar tratado de paz, armistício, reconhecimento diplomático e normalização. 5. Ler fontes primárias e identificar autoria, data, finalidade e vocabulário.

Como entender o Oriente Médio e qual é o resumo da sua geografia para esta aula?

Para entender o Oriente Médio, a primeira coisa é saber que a região não se resume a uma guerra religiosa. Os conflitos envolvem território, nacionalismo, segurança, alianças internacionais e disputas internas.

Na aula, a geografia pode ser trabalhada a partir de alguns pontos-chave:

  • Israel e seus vizinhos imediatos: Egito, Jordânia, Síria e Líbano. Os quatro assinaram armistícios com Israel em 1949.
  • Gaza, Judeia e Samaria, Jerusalém Oriental e Colinas de Golã: áreas que passaram ao controle israelense em 1967. Depois disso, o controle de cada uma variou.
  • Península do Sinai: ficou sob controle israelense em 1967 e foi devolvida ao Egito com o tratado de 1979. A retirada terminou em 25 de abril de 1982.
  • Passagens marítimas: o Canal de Suez, o Golfo de Suez, o Estreito de Tirã e o Golfo de Aqaba. O fechamento de Tirã a navios israelenses pesou nas guerras de 1956 e 1967. O tratado com o Egito garantiu a livre navegação israelense nessas águas.
  • Água: os rios Jordão e Yarmouk e os aquíferos de Wadi Araba fazem parte do tratado entre Israel e Jordânia de 1994.
  • Irã: não é um Estado árabe. É uma república de maioria persa e predominantemente xiita.

Dica didática: explique que um mapa pode mostrar coisas muito diferentes. Pode ser uma proposta (1947), uma linha de armistício (1949), uma fronteira de fato ou uma reivindicação.

Quais são os principais conflitos geopolíticos no Oriente Médio envolvendo Israel?

Os principais conflitos são as guerras árabe-israelenses, os confrontos com grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah e a disputa estratégica com o regime do Irã.

AnoConflitoO que aconteceu
1947 a 1949Guerra de IndependênciaNo dia seguinte à votação da ONU, que a liderança árabe rejeitou, começaram os ataques árabes contra a população judaica e teve início a guerra civil. Em 15 de maio de 1948, um dia depois da Declaração de Independência, os exércitos de Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o recém-criado Estado de Israel.
1956Campanha do SinaiIsrael reagiu ao bloqueio egípcio de Tirã e às incursões de fedayeen vindas de Gaza, em coordenação com França e Reino Unido.
1967Guerra dos Seis DiasO Egito fechou Tirã, expulsou a força da ONU e mobilizou tropas no Sinai. Israel atacou preventivamente.
1973Guerra do Yom KipurEgito e Síria lançaram um ataque surpresa no dia mais sagrado do calendário judaico.
1982Guerra do LíbanoIsrael entrou no sul do Líbano para neutralizar as bases da OLP.
1987 e 2000IntifadasA Segunda Intifada foi marcada por uma onda de atentados suicidas.
2006Segunda Guerra do LíbanoO Hezbollah sequestrou e matou soldados israelenses na fronteira. A guerra durou 34 dias e terminou com a Resolução 1701 da ONU.
2023Guerra contra o HamasO Hamas atacou Israel em 7 de outubro e sequestrou reféns.

Hamas: o grupo terrorista islamista surgiu durante a Primeira Intifada. Controla a Faixa de Gaza desde 2007, depois de um conflito interno com o Fatah. Estados Unidos e União Europeia o classificam como organização terrorista. Em 7 de outubro de 2023, atacou civis israelenses e levou reféns. A guerra começou com esse ataque. Israel respondeu com operações militares em larga escala em Gaza para resgatar os reféns e desmontar a capacidade militar do Hamas. O grupo terrorista opera a partir de áreas civis e usa a população como escudo.

Irã: o regime iraniano apoia grupos armados hostis a Israel, entre eles o Hezbollah no Líbano e organizações palestinas. Israel e seus aliados afirmam que o programa nuclear iraniano e esse apoio ameaçam a segurança regional. O Irã alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Como é a geopolítica no Oriente Médio hoje: da guerra aos acordos de paz?

A geopolítica da região mudou muito. Israel passou de estar cercado por Estados em guerra a ter tratados de paz com Egito e Jordânia e acordos de normalização com vários países árabes.

AcordoFato principalLimite
Egito e Israel (1978 a 1979)Sadat discursou no Knesset em novembro de 1977. Seguiram-se Camp David, de 5 a 17 de setembro de 1978, e o tratado de 26 de março de 1979. O Egito foi o primeiro Estado árabe a fazer paz formal com Israel, e Israel devolveu o Sinai.Não resolveu a questão palestina.
Oslo (1993 a 1995)Pelas cartas de 9 de setembro de 1993, a OLP reconheceu o direito de Israel existir e renunciou ao terrorismo. Israel reconheceu a OLP como representante dos palestinos. Oslo II criou as Áreas A, B e C em Judeia e Samaria. A Área C, sob controle israelense, cobre cerca de 60% do território.Fronteiras, Jerusalém, refugiados, assentamentos e segurança ficaram para o status final, que nunca foi acordado.
Jordânia e Israel (1994)Declaração de Washington em 25 de julho e tratado em Wadi Araba em 26 de outubro. O tratado trouxe relações plenas e acordos sobre fronteira e água, e reconheceu o papel especial da Jordânia nos santuários muçulmanos de Jerusalém.As relações seguem sujeitas a tensões.
Acordos de Abraão (desde 2020)Assinados com Emirados Árabes Unidos e Bahrein em 15 de setembro de 2020. Sudão e Marrocos aderiram em outubro e dezembro. A normalização aconteceu sem exigir antes a solução do conflito com os palestinos.Normalização entre Estados não equivale à solução do conflito com os palestinos.

Em 2021, Israel passou a integrar a área do Comando Central dos EUA (CENTCOM). A mudança facilitou a coordenação de defesa regional diante de ameaças como o Irã. Em 2005, Israel também retirou todas as suas comunidades civis e forças militares do interior de Gaza, de forma unilateral. Dois anos depois, o Hamas tomou o controle da Faixa.

Como conduzir a aula passo a passo?

A sequência abaixo divide o conteúdo em quatro aulas de 50 minutos. Cada aula combina exposição, leitura de fonte e discussão.

Aula 1: Do Mandato ao Estado (1917 a 1949)

  • 10 min: vocabulário (sionismo, Mandato, autodeterminação, armistício, refugiado). Explique que Nakba é o termo que os palestinos usam para lembrar o deslocamento de 1948.
  • 15 min: linha do tempo. Declaração Balfour (2 de novembro de 1917), San Remo (abril de 1920), Mandato aprovado em 24 de julho de 1922, Grande Revolta Árabe (1936 a 1939), Comissão Peel (1937), Livro Branco de 1939 com teto de 75.000 imigrantes judeus em cinco anos.
  • 15 min: leitura da Resolução 181. Foi aprovada por 33 votos a 13, com 10 abstenções, e previa um Estado judeu (cerca de 55% do território), um Estado árabe (cerca de 42%) e um regime especial para Jerusalém. A liderança judaica aceitou o plano. A liderança árabe e os Estados árabes o rejeitaram.
  • 10 min: Declaração de Independência (14 de maio de 1948), invasão árabe e armistícios de 1949. Lembre também o deslocamento de comunidades judaicas de países árabes.

Aula 2: Guerras (1956 a 2006)

  • 20 min: exposição com a tabela de conflitos. Destaque quem iniciou cada guerra.
  • 15 min: leitura da Resolução 242 (22 de novembro de 1967), que estabeleceu o princípio de "terra por paz".
  • 15 min: comparação dos mapas de 1947, 1949 e 1967.

Aula 3: Paz e normalização

  • 30 min: oficina com quatro grupos, um para cada acordo (Egito, Jordânia, Oslo, Abraão). Cada grupo identifica os signatários, as obrigações assumidas e o tratamento da questão palestina.
  • 20 min: cada grupo apresenta o seu acordo à turma.

Aula 4: Hamas, Irã e debate

  • 15 min: Hamas desde 2007, o ataque de 7 de outubro de 2023 e os reféns. O Irã e sua rede de grupos armados.
  • 25 min: debate com papéis definidos (ONU, governo israelense, organização palestina, Egito, Jordânia, EUA, Irã, sociedade civil). Deixe claro que representar uma posição não significa concordar com ela.
  • 10 min: síntese e orientação da avaliação.

Que atividade e que avaliação propor aos alunos?

A atividade principal é uma ficha que obriga o aluno a classificar cada afirmação antes de opinar.

CategoriaPergunta orientadoraExemplo
Fato documentadoHá documento primário ou consenso robusto?A ONU aprovou a Resolução 181 em 29 de novembro de 1947.
AlegaçãoQuem afirma isso e com que interesse?O regime iraniano diz que seu programa nuclear é pacífico.
DisputaEm que ponto as fontes divergem?Causas do êxodo palestino de 1948.
InterpretaçãoQue explicação histórica é proposta?O peso do imperialismo britânico e da perseguição aos judeus na Europa.
Opinião normativaO que alguém defende que deveria ocorrer?Dois Estados, negociação direta entre as partes, sanções ao programa nuclear iraniano.

Para cada afirmação, o aluno responde a três perguntas: qual é a fonte?, qual é a data? e a frase descreve um fato, uma interpretação ou uma posição política?

Avaliação:

  • Formativa: participação nos grupos e preenchimento da ficha.
  • Somativa: dissertação individual respondendo à pergunta Como a passagem da diplomacia bilateral (Egito, Jordânia) para os Acordos de Abraão mudou a segurança e a cooperação no Oriente Médio? O texto deve citar pelo menos duas fontes primárias, com data.

Que cuidados tomar com temas sensíveis e onde saber mais?

O cuidado central é não confundir povos com governos ou grupos armados e não deixar que o debate vire hostilidade contra judeus, árabes ou muçulmanos.

  • Não exija que o aluno adote uma solução política.
  • Não equipare judeus ao governo de Israel nem palestinos ao Hamas.
  • Não atribua a todos os muçulmanos, árabes, israelenses ou judeus a responsabilidade por ações de governos e organizações.
  • Ensine o Holocausto como genocídio específico, com vítimas concretas e contexto próprio.
  • Não negue o Holocausto, o antissemitismo nem o sofrimento de civis.
  • Diferencie crítica a um governo de hostilidade a um povo. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, pela qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Evite imagens chocantes sem finalidade pedagógica, sobretudo diante de alunos afetados por guerras recentes.

O Yad Vashem recomenda ligar o ensino do Holocausto à análise do antissemitismo contemporâneo e observa que, no conflito entre israelenses e palestinos, religião e cultura são dimensões importantes, mas não a causa única.

Para saber mais:

Perguntas frequentes

Como entender o Oriente Médio?
Comece pela história documentada, deixando os slogans de lado. Estude o fim do Império Otomano, o Mandato Britânico de 1922, a Resolução 181 de 1947 e a independência de Israel em 1948, e depois passe às guerras e aos acordos de paz. A região não se explica só pela religião, porque território, nacionalismo, segurança e alianças internacionais também pesam.
Quais são os principais conflitos geopolíticos no Oriente Médio?
Envolvendo Israel, os principais são as guerras árabe-israelenses de 1948, 1956, 1967 e 1973, as guerras no Líbano em 1982 e 2006, as Intifadas e a guerra iniciada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Também pesa a disputa estratégica com o regime do Irã, que apoia grupos armados como o Hezbollah.
Como é a geopolítica no Oriente Médio hoje?
Israel tem tratados de paz com Egito (1979) e Jordânia (1994), e desde 2020 os Acordos de Abraão normalizaram suas relações com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Em 2021, Israel passou à área do Comando Central dos EUA. A principal ameaça apontada por Israel e seus aliados é o regime iraniano e sua rede de grupos armados.
Qual a diferença entre armistício, tratado de paz e normalização?
O armistício encerra os combates sem estabelecer paz definitiva, como aconteceu em 1949. O tratado de paz põe fim formal ao estado de guerra, caso dos acordos assinados com Egito e Jordânia. Já a normalização estabelece relações diplomáticas e comerciais entre Estados que não estavam em guerra direta, como nos Acordos de Abraão.

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