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Festas e vida judaica

Para crianças de 6 a 10 anos e seus professores: Podcast, apresentação, infográfico, guia de estudo, quiz e cartões sobre festas e vida judaica, para professores dos anos iniciais e famílias com crianças de 6 a 10 anos.

Para: professores dos anos iniciais e famílias com crianças de 6 a 10 anosPodcast: 6 minSlides: 10
Foto: Shofar. Fritz Cohen · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 6 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (6 min, 3,0 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, olá! Começa agora mais um episódio do Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi! Oi, criançada! Oi, professoras e professores!

Lia: Hoje o nosso tema é muito alegre: festas e vida judaica.

Davi: Festa? Adoro! Tem bolo?

Lia: Às vezes tem, Davi. Mas tem muito mais coisa. Tem luz, tem música, tem perguntas e tem família reunida.

Davi: E por que é importante a gente conhecer essas festas?

Lia: Porque cada festa conta uma história. E conhecer a história do outro ajuda a gente a respeitar as diferenças. Na sua sala, cada família tem seus dias especiais, não é?

Davi: É verdade! Lá em casa, o aniversário da vovó é sagrado. Ninguém falta!

Lia: Pois é. As comunidades judaicas também têm seus dias especiais. Vamos conhecer alguns?

Davi: Vamos! Por onde a gente começa?

Lia: Pela festa que acontece toda semana: o Shabat.

Davi: Toda semana? Que sorte!

Lia: O Shabat é o dia de descanso. Começa na sexta-feira, um pouquinho antes do pôr do sol. E termina no sábado à noite, quando aparecem mais ou menos três estrelas no céu.

Davi: Que bonito! Então dá para brincar de contar estrelas no fim do Shabat?

Lia: Dá sim! O Shabat dura umas 25 horas. Na sexta à noite, a família acende pelo menos duas velas. Depois tem o Kidush, que é uma bênção feita com vinho ou suco de uva.

Davi: E tem pão?

Lia: Tem! Dois pães trançados, chamados chalá.

Davi: Trançados como trança de cabelo?

Lia: Isso mesmo! E no sábado à noite tem a Havdalá. Usa uma vela trançada, com mais de um pavio, e especiarias cheirosas. Ela marca a separação entre o dia especial e os dias comuns.

Davi: Gostei. Um dia inteiro para descansar, comer junto e conversar.

Lia: Um pensador chamado Achad Ha'am disse uma frase famosa: "Mais do que os judeus guardaram o Shabat, o Shabat guardou os judeus".

Davi: Ou seja, o Shabat ajudou o povo judeu a continuar unido!

Lia: Exatamente. Agora vamos para o segundo bloco: o Ano-Novo judaico.

Davi: Ano-Novo? Mas não é em janeiro?

Lia: Não. O calendário judaico é diferente. Por isso as datas das festas mudam no calendário que a gente usa na escola. O Ano-Novo judaico se chama Rosh Hashaná. Quer dizer "cabeça do ano".

Davi: Cabeça do ano! Que nome engraçado.

Lia: Nessa festa, as pessoas ouvem o shofar. É um chifre de carneiro que faz um som forte. Ele é um chamado para pensar nas próprias atitudes.

Davi: Tipo um despertador!

Lia: Boa comparação! E tem uma comida muito doce: maçã com mel.

Davi: Hum! Por que maçã com mel?

Lia: É o desejo de um ano doce. E tem a romã, que tem muitas sementes. Elas lembram o desejo de fazer muitas boas ações.

Davi: E depois do Ano-Novo?

Lia: Dez dias depois vem o Yom Kipur, o Dia do Perdão. É um dia sério, calmo, de oração e reflexão. É o dia de pedir desculpas e consertar os erros.

Davi: Pedir desculpas às vezes é difícil, né?

Lia: É. Mas faz bem. Ah, nesse dia, os adultos que podem fazem jejum. Crianças não precisam.

Davi: Agora, terceiro bloco. Tem festa com luzinhas?

Lia: Tem! É Hanucá, a festa das luzes. Dura oito noites e cai entre o fim de novembro e dezembro.

Davi: O que ela lembra?

Lia: Hanucá lembra a reinauguração do Templo de Jerusalém pelos macabeus, há muito tempo. A palavra Hanucá quer dizer "dedicação" ou "inauguração".

Davi: E as luzes?

Lia: Usa-se um candelabro de nove braços, a hanukiá. Oito luzes são para os oito dias. A nona se chama shamash, que quer dizer "ajudante". Ela acende as outras.

Davi: Uma luz que ajuda as outras! Que lindo.

Lia: A cada noite, acende-se uma luz a mais. Na primeira, uma. Na última, oito.

Davi: E o que as crianças fazem?

Lia: Brincam com o sevivon, um pião de quatro lados com letras hebraicas. Também ganham moedas, muitas vezes de chocolate.

Davi: Chocolate! Agora sim!

Lia: E comem coisas fritas, como latkes, bolinhos de batata, e sufganiot, sonhos recheados.

Davi: Hanucá é o Natal dos judeus?

Lia: Não, Davi. As duas datas caem em dezembro, mas Hanucá tem história e sentido próprios.

Davi: Entendi. Último bloco!

Lia: Vamos falar de Pessach. Ela lembra a saída da escravidão no Egito. É a festa da liberdade.

Davi: Como se comemora?

Lia: Com o sêder, um jantar especial em família. Tem um livro que guia a noite, a Hagadá. E come-se a matzá, um pão sem fermento.

Davi: Sem fermento? Por quê?

Lia: Na tradição judaica, as pessoas saíram com tanta pressa que a massa não teve tempo de crescer.

Davi: E as crianças participam?

Lia: Muito! As crianças fazem perguntas. E muitas famílias escondem um pedaço de matzá, o afikoman, para as crianças procurarem.

Davi: Uma caça ao tesouro no jantar!

Lia: Isso. E perguntar é um jeito ótimo de aprender.

Davi: Lia, e tem mais festas?

Lia: Tem. Sucot, com uma cabana decorada, a sucá, que fala de gratidão. E Purim, com fantasias e alimentos para os amigos e para quem precisa.

Davi: E toda família judaica celebra igual?

Lia: Não. Cada família e cada comunidade vive as festas de um jeito. E está tudo bem ser diferente.

Davi: Então vamos resumir?

Lia: Vamos! Primeira ideia: o Shabat é o descanso de toda semana, com velas, chalá e família.

Davi: Segunda ideia: cada festa lembra uma história e um valor, como perdão, luz, liberdade e gratidão.

Lia: Terceira ideia: as famílias celebram de jeitos diferentes, e conhecer o outro é o primeiro passo para o respeito.

Davi: Professores, que tal fazer com a turma um mural com um símbolo de cada festa?

Lia: Ótima ideia! Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Davi: Tchau, pessoal! Até a próxima!

Apresentação pronta para usar

10 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

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Infográfico

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Infográfico: Festas e vida judaica

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Guia de estudo

Para professores dos anos iniciais e famílias com crianças de 6 a 10 anos

Objetivos

Ao final do estudo, a criança deve ser capaz de:

  • Nomear sete celebrações judaicas (Shabat, Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucot, Hanucá, Purim e Pessach) e um símbolo de cada uma.
  • Explicar que o Shabat é semanal e que as outras festas são anuais.
  • Entender que as datas seguem o calendário judaico e por isso “andam” no calendário civil.
  • Reconhecer os valores ligados às festas: descanso, memória, perdão, gratidão, solidariedade e liberdade.
  • Perceber que não existe uma única maneira de ser judeu. Famílias ortodoxas, conservadoras, reformistas e seculares celebram de jeitos diferentes.
  • Usar a fórmula “na tradição judaica...” para descrever crenças sem apresentá-las como verdade para todos.
  • Respeitar a diversidade religiosa da turma, sem colocar uma religião acima de outra.

Conceitos-chave

Calendário judaico

O calendário judaico é lunissolar, por isso as datas mudam a cada ano no calendário civil. Todo dia judaico começa ao pôr do sol da véspera.

As sete celebrações

Celebração Ideia central para crianças Símbolos e costumes
Shabat Descanso semanal. Começa na sexta-feira, pouco antes do pôr do sol, e termina no sábado à noite, quando aparecem cerca de três estrelas. Dura cerca de 25 horas. Duas velas, Kidush com vinho ou suco de uva, dois pães chalá, refeição em família, Havdalá
Rosh Hashaná Ano-Novo judaico (“cabeça do ano”), tempo de refletir sobre as próprias atitudes Shofar (chifre de carneiro), maçã com mel, romã
Yom Kipur Dia do Perdão: pedir perdão e reparar erros. É o dia mais solene do ano judaico, não um dia de diversão. Orações, reflexão, jejum apenas para adultos que podem fazê-lo
Sucot Na tradição judaica, lembra a moradia dos israelitas no deserto depois da saída do Egito. Tempo de gratidão. Sucá (cabana decorada), quatro espécies vegetais
Hanucá Festa das Luzes, de oito dias. Lembra a revolta dos Macabeus e a reinauguração do Templo de Jerusalém, no século II a.C. Hanukiá de nove braços, sevivon (pião), moedas de chocolate, alimentos fritos em óleo
Purim Na tradição judaica, lembra a salvação dos judeus narrada no Livro de Ester. Tempo de alegria e solidariedade. Leitura da Meguilá, fantasias, alimentos para amigos, doações
Pessach Na tradição judaica, lembra a saída da escravidão no Egito. Tempo de valorizar a liberdade. Seder com perguntas das crianças, matzá, prato com alimentos simbólicos

Tradição e história

É importante separar “a tradição judaica ensina” de “a pesquisa histórica demonstra”. Dois exemplos ajudam:

  • Hanucá. O fato histórico é a revolta dos Macabeus e a reconsagração do Templo. O milagre do óleo que durou oito dias é uma tradição de fé, registrada mais tarde no Talmude.
  • Pessach. A saída do Egito é o fundamento da tradição religiosa judaica, e pesquisadores estudam essa narrativa de maneiras diferentes.

Muitas formas de celebrar

Algumas famílias guardam o Shabat de forma rigorosa, sem usar eletricidade nem veículos. Outras fazem escolhas pessoais, como manter o jantar de sexta-feira, as velas ou o Kidush. Todas compartilham a ideia do sétimo dia como um tempo especial.

Linha do tempo

O ano judaico (datas no calendário hebraico)

Data hebraica Celebração Em 2026
1º e 2 de Tishrei Rosh Hashaná 12 e 13 de setembro (começa ao pôr do sol de 11 de setembro). Abre o ano judaico 5787.
De 1º a 10 de Tishrei Dez Dias de Arrependimento —
10 de Tishrei Yom Kipur 21 de setembro (começa ao pôr do sol de 20 de setembro)
A partir de 25 de kislev, por oito dias Hanucá Do pôr do sol de 4 de dezembro ao anoitecer de 12 de dezembro
A partir de 15 de Nisan Pessach Cai entre março e abril. Dura 7 dias em Israel e 8 na diáspora, pelo costume tradicional.
Toda semana Shabat De sexta-feira à noite até sábado à noite

A história de Hanucá

  • 167–160 a.C.: Revolta dos Macabeus contra o domínio selêucida, liderada primeiro por Matatias e depois por seu filho Judá Macabeu.
  • Cerca de 164 a.C., em 25 de kislev: reconsagração do Templo de Jerusalém, com oito dias de festa.

5 perguntas para discussão

  1. Por que será que tantas famílias e tradições têm um dia de descanso? Como é o dia de descanso na sua casa?
  2. No Seder de Pessach, as crianças fazem perguntas. Por que perguntar é tão importante para aprender?
  3. No Yom Kipur, as pessoas pedem perdão e tentam reparar seus erros. Pedir perdão é fácil ou difícil? Por quê?
  4. Em Purim, as pessoas dão alimentos aos amigos e fazem doações a quem precisa. Como podemos ajudar alguém na nossa escola?
  5. Duas famílias da mesma religião podem celebrar de jeitos diferentes? Isso é um problema?

Cuidados para professores e famílias

  • Atividades culturais, não religiosas. Nenhuma criança deve ser levada a rezar, jejuar, acender velas como rito ou aderir a uma crença.
  • Jejum. Crianças nunca devem ser incentivadas a jejuar. Diga apenas que, no Yom Kipur, jejuam adultos que podem fazê-lo.
  • Ninguém representa um povo. Não peça a um aluno judeu que “represente” o judaísmo nem que exponha a prática da família.
  • Foco no tema. O assunto é cultura e religião. Se surgir uma pergunta sobre o Oriente Médio, acolha com calma e lembre que nenhuma criança responde por governos ou grupos. Depois, volte ao foco.
  • Estereótipos e piadas. Estereótipos ou piadas sobre judeus devem ser tratados como discriminação. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Nenhuma fala que generalize ou desumanize judeus, árabes, palestinos ou muçulmanos deve passar sem resposta.
  • Imagens. Use só imagens de objetos, festas e famílias.

Glossário curto

  • Chalá: pão trançado do Shabat. Usam-se dois, lembrando a porção dupla de maná.
  • Hanukiá: candelabro de nove braços de Hanucá, com oito luzes e o shamash.
  • Havdalá: “separação”. Ritual que encerra o Shabat, com vinho, especiarias e uma vela trançada.
  • Kidush: “santificação”. Bênção sobre o vinho ou suco de uva que declara o dia sagrado.
  • Matzá: pão sem fermento comido em Pessach, chamado de “pão da aflição”.
  • Meguilá: rolo com o Livro de Ester, lido em Purim.
  • Seder: “ordem”. Refeição ritual de Pessach, guiada pela Hagadá.
  • Sevivon: pião de quatro lados de Hanucá, também chamado dreidel.
  • Shamash: “servente”. A luz da hanukiá que acende as outras.
  • Shofar: chifre de carneiro tocado em Rosh Hashaná.
  • Sucá: cabana decorada usada em Sucot.
  • Teshuvá: arrependimento, a palavra-chave do Yom Kipur.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Quando começa o Shabat?

O Shabat começa na sexta-feira, pouco antes do pôr do sol, com o acendimento das velas. Termina no sábado à noite, quando aparecem cerca de três estrelas. Ao todo, dura cerca de 25 horas.

2. Quantos braços tem a hanukiá, o candelabro de Hanucá?

A hanukiá tem nove braços. Oito luzes lembram os oito dias da festa, e a nona luz, o shamash (“servente”), é usada para acender as outras.

3. Que alimento é comido em Rosh Hashaná pelo desejo de um ano doce?

A maçã mergulhada no mel expressa o desejo de um ano doce. A romã, com suas muitas sementes, também aparece na mesa da festa.

4. O que é a matzá, comida em Pessach?

A matzá é um pão sem fermento, feito só de farinha e água. Na tradição judaica, ela lembra que os israelitas saíram do Egito com tanta pressa que a massa não teve tempo de crescer.

5. Qual é o símbolo principal de Sucot?

Em Sucot, as famílias usam a sucá, uma cabana decorada. Na tradição judaica, ela lembra a moradia dos israelitas no deserto depois da saída do Egito. A festa também é um tempo de gratidão.

6. Em Purim, que costumes as famílias judaicas costumam ter?

Purim é uma festa de alegria e solidariedade. Na tradição judaica, lembra a salvação dos judeus narrada no Livro de Ester, lido na Meguilá.

7. No Yom Kipur, o Dia do Perdão, quem jejua?

No Yom Kipur jejuam os adultos que podem fazê-lo. A tradição prevê exceções religiosas e médicas, e crianças pequenas não devem ser incentivadas a jejuar. O dia é dedicado a pedir perdão e reparar erros.

8. O que é o shofar?

O shofar é um chifre de carneiro. Em Rosh Hashaná, seu toque chama a comunidade à reflexão e ao arrependimento.

9. No Seder de Pessach, o que as crianças fazem para participar?

No Seder, as crianças fazem as “quatro perguntas” (Ma Nishtaná). Muitas famílias também escondem o afikoman, um pedaço da matzá, para as crianças procurarem. Assim os mais novos ficam atentos à história.

10. Hanucá é o “Natal dos judeus”?

Hanucá não é uma versão judaica do Natal. As duas festas costumam cair em dezembro, mas Hanucá lembra a revolta dos Macabeus e a reconsagração do Templo de Jerusalém, no século II a.C.

Cartões de estudo

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