Sucot (Festa das Cabanas, a partir de 15 de tishrei) e Shavuot (Festa das Semanas, em 6 de sivan) são, com Pessach, as três festas bíblicas de peregrinação. Sucot lembra as cabanas do deserto e a colheita. Shavuot marca as primícias e, na tradição rabínica, a entrega da Torá no Sinai. Purim, em 14 de adar, celebra a salvação dos judeus da Pérsia, narrada no Livro de Ester.
O que é Sucot e como se chama a Festa dos Tabernáculos em hebraico?
Sucot é a Festa das Cabanas, ou dos Tabernáculos. Em hebraico, chama-se Chag HaSucot. A Torá também a chama de Chag HaAsif, a Festa do Recolhimento, porque marca o fim da colheita de outono.
A festa começa em 15 de tishrei, em geral entre setembro e outubro. Em Israel, dura sete dias. Segundo o Centro Cultural de Israel (Nativ), logo depois vem Shemini Atzeret, que em Israel coincide com Simchat Torá. Na diáspora, Simchat Torá é celebrada tradicionalmente no dia seguinte.
A festa tem duas dimensões:
- Agrícola: o recolhimento dos grãos e frutos antes das chuvas.
- Histórica: a lembrança dos 40 anos de peregrinação pelo deserto após a saída do Egito, quando os israelitas viveram em habitações temporárias.
Principais costumes:
- A sucá: cabana temporária com teto de material vegetal (schach), através do qual se possa ver o céu. Nela se fazem as refeições. Muitas pessoas também dormem nela.
- As quatro espécies (Arba'at HaMinim): o lulav (ramo de palmeira), o etrog (cidra), o hadas (murta) e a aravá (salgueiro). Elas são abençoadas e agitadas juntas durante as orações de Hallel.
- Ushpizin: tradição cabalística de convidar simbolicamente, a cada noite, sete guias espirituais para a sucá.
As fontes primárias estão em Levítico 23:33–43, que ordena habitar em cabanas e tomar as quatro espécies, e em Deuteronômio 16:13–15, que prescreve sete dias de alegria comunitária. Deuteronômio 31:10–13 institui o Hakhel, a leitura pública da Torá pelo rei, a cada sete anos, durante Sucot. O Ministério da Educação de Israel mantém material didático sobre a festa.
Quais são as 3 festas mais importantes dos judeus?
As três festas bíblicas de peregrinação, as Shalosh Regalim, são Pessach, Shavuot e Sucot. Na época do Templo de Jerusalém, eram as ocasiões em que o povo subia à cidade para levar oferendas.
Cada uma une um momento agrícola a uma memória histórica ou teológica:
| Festa | Data hebraica | Dimensão agrícola | Dimensão histórica ou teológica |
|---|---|---|---|
| Pessach | primavera em Israel | início da contagem do Omer | saída do Egito |
| Shavuot | 6 de sivan | colheita do trigo e primícias | entrega da Torá no Sinai (tradição rabínica) |
| Sucot | 15 de tishrei | recolhimento da colheita | cabanas no deserto |
Além das três festas de peregrinação, o calendário judaico tem os Yamim Noraim, os Dias Temíveis: Rosh Hashaná e Yom Kipur. Purim, por sua vez, não é uma das festas da Torá. Foi fixada no período posterior ao exílio da Babilônia, a partir do Livro de Ester.
O que é Shavuot e o que se comemora nessa festa?
Shavuot é a Festa das Semanas. Celebra as primeiras colheitas e, na tradição rabínica, a entrega da Torá no monte Sinai. O nome vem da contagem de sete semanas, a Sefirat HaOmer, que começa em Pessach.
A data é 6 de sivan, em geral entre maio e junho. Em Israel, a festa dura um dia. Na diáspora, dura dois: 6 e 7 de sivan. Shavuot é a única festa bíblica sem data fixa no texto da Torá. O dia resulta da contagem de 50 dias a partir do segundo dia de Pessach.
Dimensões da festa:
- Agrícola: a Torá a chama de Chag HaKatzir, a festa da colheita do trigo, e de Yom HaBikkurim, o dia da oferta dos primeiros frutos no Templo (Levítico 23:15–21).
- Teológica: os rabinos a chamam de Z'man Matan Torateinu, "o tempo da outorga da nossa Torá". O relato da chegada ao Sinai no terceiro mês está em Êxodo 19:1–16. O Talmud Babilônico (Shabat 86b e Pessachim 68b) registra o debate dos sábios sobre se a Torá foi dada no 6º ou no 7º dia de sivan.
Costumes de Shavuot:
- Tikun Leil Shavuot: estudo de textos sagrados durante toda a primeira noite.
- Leitura do Livro de Rute: por causa do cenário de colheita, do exemplo de conversão e da ligação com a linhagem do rei Davi.
- Alimentos lácteos: queijos e doces de leite, em referência à Torá comparada a "leite e mel".
- Flores e plantas: sinagogas e casas são decoradas para lembrar o florescimento do Sinai.
Qual é o significado da festa de Purim?
Purim celebra a reversão de um decreto de extermínio contra os judeus do Império Persa, narrada no Livro de Ester. Segundo a Enciclopédia do Holocausto do Museu do Holocausto dos EUA, o antagonista é Hamã, alto funcionário do rei Assuero (Ahashverosh). A trama é frustrada pela rainha Ester e por Mordecai (Mordechai, ou Mardoqueu).
O nome vem de pur, "sorte". Hamã lançou sortes para escolher o dia do extermínio (Ester 3:7). O livro relata a reviravolta e institui Purim como dias de banquete, alegria, envio de presentes e caridade (Ester 9:20–32).
A mensagem central é a sobrevivência de um povo ameaçado de destruição por ódio. Por isso a festa ganhou um sentido especial ao longo da história judaica. Não por acaso, ela é descrita pelo museu dedicado à memória do Holocausto.
As quatro obrigações rituais (mitzvot) de Purim:
1. Ouvir a Meguilá: a leitura cantada do Rolo de Ester, à noite e de manhã. 2. Seudat Purim: uma refeição festiva durante o dia. 3. Mishloach manot: enviar pelo menos duas porções de alimentos prontos a pelo menos um amigo ou vizinho. 4. Matanot la'evyonim: dar caridade ou refeições a pelo menos duas pessoas pobres.
Costumes populares: usar fantasias e máscaras, fazer barulho com matracas (ra'ashanim) sempre que o nome de Hamã é lido e comer hamantaschen, doces triangulares recheados.
A festa de Purim ainda existe?
Sim. Purim é celebrado todos os anos por comunidades judaicas em Israel e no mundo, inclusive no Brasil. A leitura pública da Meguilá, a refeição festiva, o envio de alimentos, as doações aos necessitados e as fantasias continuam sendo os seus marcos.
A data principal é 14 de adar, em geral entre fevereiro e março. Em cidades que tinham muros na época de Josué, como Jerusalém, a celebração ocorre em 15 de adar, chamado Shushan Purim. Nos anos bissextos do calendário judaico, que têm um mês extra, Purim cai em Adar II.
As regras para a leitura da Meguilá foram fixadas na Mishná e no Talmud, no tratado Meguilá. Códigos posteriores, como o Kitzur Shulchan Arukh (142:5), detalham a ordem das obrigações e pedem alegria com responsabilidade ética.
O que são Simchat Torá e Tu BiShvat?
Simchat Torá encerra e reinicia a leitura anual da Torá. Tu BiShvat é o "ano-novo das árvores". Nenhuma das duas aparece na Bíblia como festa autônoma com esse formato.
Simchat Torá significa "alegria da Torá". Nesse dia, a comunidade termina a leitura do último trecho da Torá e começa de novo pelo primeiro. Os rolos são retirados da arca e levados em procissões ao redor da bimá, as hakafot, com cantos e danças. O Museu do Holocausto dos EUA guarda registros visuais dessas celebrações em seu acervo. O Talmud Babilônico (Meguilá 31a) codifica as leituras de Shemini Atzeret. Os códigos haláchicos, como o Tur e o Shulchan Arukh, descrevem a evolução da festa, que se firmou na Idade Média.
Tu BiShvat cai em 15 de shvat. Era originalmente uma data de referência para cálculos agrícolas e religiosos sobre as árvores e os frutos. Hoje inclui:
- comer frutas, sobretudo as associadas à Terra de Israel;
- o sêder de Tu BiShvat, refeição ritual criada mais tarde em círculos cabalísticos;
- o plantio de árvores e atividades de educação ambiental.
O movimento sionista e a arborização de Israel deram à data um novo peso, ligado ao vínculo do povo judeu com a sua terra. Fontes oficiais israelenses, como o Centro Cultural de Israel e o Ministério da Saúde de Israel, descrevem esses costumes.
O que nessas festas é fato histórico e o que é tradição religiosa?
Os textos e os costumes são fatos documentados. Alguns eventos que as festas lembram pertencem ao campo da fé e da interpretação. Separar as duas coisas não diminui o valor religioso nem cultural das datas.
| Festa | Fato documentado | Tradição ou interpretação |
|---|---|---|
| Sucot | As prescrições estão na Torá (Levítico e Deuteronômio) | A ligação material das cabanas com o deserto não tem comprovação arqueológica direta |
| Shavuot | A ligação com a colheita e as primícias é bíblica | A data exata da revelação no Sinai é tradição rabínica, não data verificável |
| Purim | O Livro de Ester é o texto central, e os costumes são milenares | A confirmação persa independente do episódio, situado no século V a.C., é limitada e discutida por historiadores |
| Simchat Torá | O ciclo anual de leitura e as danças com os rolos estão documentados | A festa com esse nome se desenvolveu na Idade Média |
| Tu BiShvat | 15 de shvat como marco agrícola é rabínico | A ênfase ambiental é uma reelaboração moderna |
Essas festas organizam o ano judaico há gerações. Elas ligam a memória do povo judeu, o estudo da Torá e o ciclo agrícola da Terra de Israel.
Perguntas frequentes
Como se chama a Festa dos Tabernáculos em hebraico?
A festa de Purim ainda existe?
Quando é a festa de Shavuot?
Quando é a festa de Purim?
Assista
Reportagem do programa Comunidade na TV sobre Chanuká, a festa das luzes, que explica o acendimento da chanukiá e a vitória dos macabeus e mostra famílias judaicas cariocas e a grande celebração pública na praia de Copacabana.
CriançasUm rabino explica, passo a passo, as 15 etapas do Seder de Pessach, os símbolos da keará, os quatro copos de vinho e o sentido de contar aos filhos a saída do Egito. É um guia prático e acessível para famílias e para quem quer conhecer a celebração.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Judy Schachter, nascida em 1936 em Košice, relembra a vida judaica na Eslováquia antes da guerra, as restrições impostas pelo regime de Tiso, as deportações, o período escondida e a reconstrução da vida no Canadá. Ela também apresenta fotos de família e alerta para o retorno do antissemitismo.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Vídeo do Yad Vashem que mostra a diversidade e a vitalidade da vida judaica na Europa antes do Holocausto, com relatos e fotos de arquivo: escola, festas como Chanucá e Pessach, sonhos de jovens. Lembra que compreender a Shoá exige conhecer não só como as vítimas morreram, mas como viveram.
Adolescentes e adultos- Sukkot – Centro Cultural de Israel (Nativ, Gabinete do Primeiro-Ministro)
- Sucot – Ministério da Educação de Israel
- Sukkoth – Centro Cultural de Israel (Nativ)
- Purim – Enciclopédia do Holocausto, Museu do Holocausto dos EUA
- Acervo do Museu do Holocausto dos EUA – celebração de Simchat Torá
- Acervo do Museu do Holocausto dos EUA – leitura da Torá
- Festas judaicas – Centro Cultural de Israel (Nativ)
- Healthy Celebration – Ministério da Saúde de Israel
- Ciclo do ano: festas e dias especiais – Ministério da Educação de Israel

