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O que é o Shabat?

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Foto: Mesa de Shabat com velas e chalá. Crzrussian · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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O Shabat é o dia semanal de descanso e santidade do judaísmo. Começa na sexta-feira, pouco antes do pôr do sol, e termina no sábado à noite, quando surgem as primeiras estrelas. Ao todo, dura cerca de 25 horas. Tem origem na Bíblia (Gênesis 2 e os Dez Mandamentos) e reúne velas, Kidush, chalá, oração, estudo, convivência familiar e a pausa nas atividades de trabalho.

O que é o Shabat na Bíblia?

Na Bíblia, o Shabat é o sétimo dia, aquele em que Deus cessou a obra da Criação, abençoou o dia e o santificou. O mandamento de guardá-lo aparece nos Dez Mandamentos.

Os textos principais são três:

  • Gênesis 2:1–3: Deus conclui a criação em seis dias e cessa a atividade no sétimo. Daí vem a ideia de Menuhá: paz, descanso e plenitude.
  • Êxodo 20:8–11: ordena lembrar (Zachor) o Shabat e santificá-lo, em memória da Criação.
  • Deuteronômio 5:12–15: ordena guardar (Shamor) o Shabat. Liga o descanso à libertação da escravidão no Egito e exige que servos, estrangeiros e animais também descansem.

Êxodo 20:10 e 35:2 proíbem o trabalho no sétimo dia. Êxodo 35:3 menciona também a proibição de acender fogo.

A Bíblia estabelece o princípio: o sétimo dia é um tempo de cessar o trabalho e de santidade. As listas detalhadas do que pode e do que não pode ser feito vieram depois. Elas foram desenvolvidas pela tradição rabínica, no Talmud e na halachá, a lei religiosa judaica. Por isso, as regras práticas de hoje não aparecem prontas em um único trecho bíblico.

O Rabino Abraham Joshua Heschel, na obra The Sabbath (1951), chamou o Shabat de um "palácio no tempo". Para ele, o judaísmo santifica momentos no tempo, e não apenas lugares no espaço. Já o pensador Achad Ha'am resumiu o papel do dia na história judaica: "Mais do que os judeus guardaram o Shabat, o Shabat guardou os judeus". Veja também a definição da Encyclopaedia Britannica.

Como funciona o Shabat?

O Shabat começa na sexta-feira, pouco antes do pôr do sol, e termina no sábado à noite, depois do anoitecer. Ele não começa à meia-noite. O fim costuma ser marcado pela visibilidade de cerca de três estrelas, e o dia dura aproximadamente 25 horas.

O horário muda conforme:

  • a cidade e a estação do ano;
  • o costume religioso local;
  • o critério usado para definir o fim do dia.

Por isso, não existe um horário único. Cada comunidade publica seus próprios horários de acendimento das velas e de encerramento.

O dia combina descanso, oração na sinagoga, refeições festivas, estudo e convivência. Maimônides, no Mishneh Torah (Hilchot Shabbat 30), explica que a observância inclui dois preceitos positivos: Kavod (honrar o dia) e Oneg Shabat (ter prazer nele). Ou seja, o Shabat não se resume a uma lista de proibições. É também um dia de alegria, boa mesa e família. Saiba mais no guia do Chabad sobre o Shabat.

Quais são os rituais do Shabat?

Os rituais principais do Shabat são o acendimento das velas, o Kidush, as bênçãos sobre a chalá, as refeições festivas e a Havdalá, que encerra o dia.

RitualQuandoO que é
Velas (Nerot Shabat)Sexta-feira, antes do pôr do solAcendem-se ao menos duas velas e recita-se a bênção
KidushSexta à noite e sábado de manhãSantificação do dia sobre uma taça de vinho ou suco de uva
Chalá (Lechem Mishneh)Nas refeiçõesDois pães trançados, com a bênção Hamotzi
Cânticos e bênçãosSexta à noiteShalom Aleichem, Eshet Chayil e bênção dos filhos
HavdaláSábado à noite, após o fim do ShabatVinho, especiarias e vela trançada para separar o sagrado do comum

Velas. São acesas antes do início do Shabat, porque acender fogo depois disso é proibido pela halachá tradicional. Em muitas comunidades, quem acende são as mulheres e as meninas. As duas velas costumam ser associadas a Zachor e Shamor, e a bênção é recitada com os olhos cobertos (Chabad Brasil).

Kidush. A palavra significa "santificação". É a proclamação, em voz alta, de que o dia é sagrado. A tradição rabínica liga o Kidush ao mandamento bíblico de "lembrar" o Shabat. O formato litúrgico atual foi desenvolvido depois.

Chalá. Os dois pães lembram a porção dupla de maná que, segundo Êxodo 16, os israelitas recebiam antes do Shabat. A forma trançada é um costume histórico e cultural, e não uma exigência bíblica.

Havdalá. Significa "separação". O ritual usa uma taça de vinho, especiarias aromáticas (besamim) e uma vela trançada com mais de um pavio. A vela só é acesa depois do fim do Shabat (Morasha; Chabad Brasil).

O que não se pode fazer no Shabat?

No Shabat, a lei judaica tradicional proíbe a melachá: atos de criação e de transformação do mundo material, organizados em 39 categorias. A proibição não se limita ao emprego nem ao esforço físico.

Os sábios da Mishná (Tratado Shabat 7:2) codificaram as 39 categorias primárias de trabalho (Avot Melachót). Elas derivam das atividades necessárias para construir o Tabernáculo (Mishkan) no deserto. Entre os exemplos tradicionais estão:

  • acender, apagar ou produzir fogo;
  • cozinhar e assar;
  • escrever, apagar ou imprimir;
  • construir, reparar ou montar;
  • costurar, tecer, dar nós e rasgar;
  • semear, arar, colher e moer;
  • transportar objetos entre o domínio público e o privado;
  • operar aparelhos elétricos e telefones, segundo as interpretações ortodoxas.

O critério não é o cansaço. Uma ação simples pode ser proibida. Uma tarefa cansativa pode não entrar nas categorias.

Os rabinos também criaram normas adicionais para proteger o espírito do dia. Exemplos são o Muktzeh, que proíbe manusear objetos sem uso no Shabat, e a proibição de atividades comerciais.

A vida vem primeiro. Pelo princípio de Pikuach Nefesh, salvar uma vida humana supera praticamente todas as proibições do Shabat. Esse princípio se baseia em Levítico 18:5 e no Talmud Babilônico (Yoma 85b). O atendimento médico de emergência é, portanto, obrigatório.

Quem pratica o Shabat?

O Shabat é praticado por judeus do mundo inteiro, de diferentes correntes e graus de observância. Cada corrente o vive de um jeito.

  • Ortodoxos: costumam observar as restrições tradicionais de forma abrangente.
  • Conservadores (masorti): têm interpretações próprias sobre eletricidade, deslocamento e tecnologia.
  • Reformistas: adotam versões adaptadas dos rituais e das restrições, com ênfase no serviço religioso e no sentido do dia (Reform Judaism).
  • Judeus não religiosos: muitos mantêm o jantar de sexta-feira, as velas ou o Kidush como parte da identidade e da vida familiar.

Não existe uma prática única aceita por todas as correntes. O que todas compartilham é a ideia do sétimo dia como tempo separado e sagrado. Para uma visão acadêmica dessa diversidade, veja o Pluralism Project.

Como é o Shabat em Israel?

Em Israel, o Shabat é ao mesmo tempo uma prática religiosa, um elemento central da identidade judaica e um período que afeta a vida pública. Transporte, comércio e serviços mudam de ritmo.

A experiência varia de um lugar para outro:

  • em bairros ultraortodoxos, a observância pública tende a ser mais rigorosa;
  • em áreas seculares e em cidades como Tel Aviv, mais restaurantes, opções de lazer e alguns serviços funcionam.

Os horários de entrada e de saída são calculados por cidade. Alguns costumes locais adotam uma margem maior antes do pôr do sol para acender as velas, como acontece em Jerusalém e em Haifa. O Shabat é vivido por ortodoxos, masortim, reformistas e também por israelenses não religiosos.

Como é o Shabat no Brasil?

No Brasil, o Shabat é observado pelas comunidades judaicas de diferentes correntes, sobretudo em cidades com vida comunitária organizada. Entre elas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

A prática depende de vários fatores:

  • a corrente da sinagoga;
  • o grau de observância da família;
  • a existência de minian (quórum de oração) e de refeições comunitárias;
  • o horário local do pôr do sol, que muda conforme a cidade e a estação;
  • a rotina de trabalho, de escola e de deslocamento.

Em uma família observante, o dia inclui velas, serviço na sinagoga na sexta à noite, Kidush, chalá, refeições festivas, estudo, oração e Havdalá.

Ao contrário de Israel, o Shabat não organiza o funcionamento do país no Brasil. Aqui ele é sobretudo uma observância comunitária e familiar.

Perguntas frequentes

A que horas começa e termina o Shabat?
O Shabat começa na sexta-feira, pouco antes do pôr do sol, com o acendimento das velas. Termina no sábado à noite, depois do anoitecer, quando se veem cerca de três estrelas. O horário exato muda conforme a cidade, a estação do ano e o costume local. Por isso, cada comunidade publica a sua própria tabela semanal.
Pode usar celular no Shabat?
Segundo as interpretações ortodoxas, não. Operar aparelhos elétricos, telefones e certos sistemas eletrônicos entra nas categorias de trabalho proibido, ligadas a acender fogo, escrever e criar. As correntes conservadora e reformista têm interpretações diferentes sobre eletricidade e tecnologia. Em uma emergência que envolva risco de vida, o princípio de Pikuach Nefesh permite e até obriga o uso.
Por que se comem duas chalás no Shabat?
Os dois pães, chamados de Lechem Mishneh, lembram a porção dupla de maná que, segundo Êxodo 16, os israelitas recebiam no deserto antes do Shabat. Assim, ninguém precisava recolher alimento no dia de descanso. Antes da refeição, recita-se a bênção Hamotzi sobre os pães. A forma trançada é um costume cultural posterior, e não uma exigência bíblica.
O que é a Havdalá?
Havdalá significa "separação". É a cerimônia que encerra o Shabat no sábado à noite e marca a passagem do tempo sagrado para os dias comuns da semana. Usa uma taça de vinho ou suco de uva, especiarias aromáticas e uma vela trançada com mais de um pavio. A vela só é acesa depois do fim do Shabat.

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