Falso. Cerca de 80% dos judeus de Israel nasceram no próprio país, segundo o Escritório Central de Estatísticas de Israel, e o país tem 2,114 milhões de cidadãos árabes. “Colono” pressupõe uma metrópole estrangeira, e os israelenses não têm nenhuma. Negar ao povo judeu o direito a um Estado é antissemitismo pelo critério da IHRA.
Quem são, de fato, os israelenses?
Israel tinha cerca de 10,094 milhões de habitantes em 2025, segundo o Escritório Central de Estatísticas de Israel. Desse total, 7,732 milhões são judeus e “outros” e 2,114 milhões são árabes, entre muçulmanos, cristãos e drusos.
Cerca de 80% dos judeus residentes em Israel nasceram no próprio país. Há famílias no território há várias gerações.
Grande parte dos judeus israelenses descende de judeus perseguidos e expulsos de países do Oriente Médio e do Norte da África, como Iraque, Egito, Iêmen e Marrocos. Essas famílias não vieram da Europa. A imagem de um país de recém-chegados europeus não corresponde à demografia real.
Por que o rótulo de “colono” não se aplica a quem nasceu em Israel?
Um colono é alguém que ocupa uma terra em nome de uma metrópole estrangeira. Os israelenses nascidos no país não têm metrópole. Não agem em nome de nenhuma potência. Nasceram em sua própria terra.
O povo judeu tem vínculo histórico com a Terra de Israel. Esse vínculo foi reconhecido no Mandato Britânico de 1922, da Liga das Nações.
A leitura que chama Israel de “projeto colonial de assentamento” (settler colonialism) circula na academia e em meios militantes. Historiadores como Yoav Gelber e Derek Penslar a consideram uma analogia que não funciona, uma distorção. Mesmo quem adota essa leitura não demonstra que cada israelense seja pessoalmente um “colono”, nem que ninguém tenha direito de viver ali.
A frase também apaga os cidadãos árabes de Israel?
Sim. Israel tem 2,114 milhões de cidadãos árabes. Muitos descendem de árabes palestinos que permaneceram no país após a Guerra de Independência de Israel, em 1948. Eles têm cidadania, voto e representação no Knesset.
A Declaração de Independência de Israel, de 1948, assegura “completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo”.
Dizer que “quem nasceu em Israel é colono” ignora, portanto, uma parte enorme da própria população do país.
O debate sobre Judeia e Samaria justifica a frase?
Não. A frase mistura três coisas diferentes: nacionalidade, origem familiar e a disputa sobre Judeia e Samaria.
Judeia e Samaria são territórios em disputa, que a maioria dos governos chama de ocupados. Israel e institutos como o Jerusalem Center for Public Affairs (JCPA) sustentam que os judeus têm direitos históricos e jurídicos ali. O INSS, instituto israelense de estudos de segurança nacional, distingue a situação dos cidadãos dentro de Israel da situação nesses territórios.
Mesmo quem critica as comunidades israelenses em Judeia e Samaria não pode concluir que nenhum nascido em Israel tem direito à terra. Esse salto não tem base jurídica.
Quando a frase se torna antissemitismo?
O Artigo 15 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. Negar a milhões de pessoas nascidas em um país o direito de viver nele contraria esse princípio.
A frase costuma vir acompanhada do slogan “Palestina livre”, no sentido de um território sem israelenses. Quando serve para negar ao povo judeu o direito a um Estado, é antissemitismo pelo critério da IHRA.Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →
Criticar uma política do governo israelense é legítimo. Dizer que milhões de pessoas nascidas no país não têm direito à terra não é.
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Nascer em Israel não faz de ninguém colono. Cerca de 80% dos judeus israelenses nasceram no país, e Israel tem 2,114 milhões de cidadãos árabes. Colono pressupõe metrópole estrangeira, e os israelenses não têm nenhuma. Negar aos judeus um Estado é antissemitismo, pela IHRA.Até 280 caracteres, para responder nas redes
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O que a frase afirma. Em posts, comentários e faixas de protesto, muitas vezes com o slogan “Palestina livre”, circula a ideia de que todo israelense, até o nascido no país, seria um “colono” sem direito de viver ali.
Por que ela convence. Usa um vocabulário anticolonial que soa progressista. Apoia-se num fato real: muitos israelenses descendem de imigrantes. E se aproveita de quem não conhece a demografia de Israel.
O que os dados mostram. Segundo o Escritório Central de Estatísticas de Israel, o país tinha cerca de 10,094 milhões de habitantes em 2025: 7,732 milhões de judeus e “outros” e 2,114 milhões de árabes. Cerca de 80% dos judeus residentes nasceram no próprio país. Muitos descendem de judeus expulsos do Iraque, do Egito, do Iêmen e do Marrocos.
Por que o conceito não se encaixa. “Colono” pressupõe uma metrópole estrangeira. Os israelenses não têm metrópole. O vínculo judaico com a Terra de Israel foi reconhecido pelo Mandato Britânico de 1922, da Liga das Nações. Historiadores como Yoav Gelber e Derek Penslar contestam a analogia colonial.
O salto jurídico. Mesmo a crítica às comunidades israelenses em Judeia e Samaria não leva à conclusão de que nenhum nascido em Israel tem direito à terra. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, no Artigo 15, protege todos contra a privação arbitrária da nacionalidade.
O limite. Quando a frase serve para negar ao povo judeu o direito a um Estado, é antissemitismo pelo critério da IHRA.
- Não responda que os palestinos não existem nem chame árabes de “invasores”.
- Não generalize árabes, palestinos ou muçulmanos. A crítica é à frase, não a um povo.
- Não arredonde nem troque os números: use os 80% do Escritório Central de Estatísticas de Israel e os 2,114 milhões de cidadãos árabes.
- Não confunda a disputa sobre Judeia e Samaria com o direito de quem nasceu em Israel de viver no país.
Perguntas frequentes
Os israelenses são judeus ou árabes?
Quem nasceu em Israel é árabe?
O povo palestino é árabe?
- Escritório Central de Estatísticas de Israel: população de Israel em 2025
- Jerusalem Institute for Israel Studies: anuário estatístico, dados populacionais 2025
- INSS: análise sobre a Lei de Regularização
- JCPA: os direitos jurídicos de Israel em relação às comunidades em Judeia e Samaria
- Times of Israel: panorama demográfico de Israel em 2025




