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U Nu e David Ben-Gurion em Sde Boker
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“Os judeus nunca foram maioria em Jerusalém”: a frase é falsa

FALSOA frase contradiz os registros históricos e as estatísticas oficiais.
Foto: U Nu e David Ben-Gurion em Sde Boker. Paul Goldman · Public domain · Wikimedia Commons
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Falso. Registros consulares britânicos já apontavam maioria judaica em Jerusalém em 1863, antes do sionismo político. No censo do Mandato Britânico de 1922, os judeus eram 54,3% da cidade. No fim de 2023, o Bureau Central de Estatísticas de Israel registrou 60,5% de “judeus e outros” e 39,5% de árabes.

Desde quando os judeus são maioria em Jerusalém?

Os registros do período otomano respondem à pergunta.

  • 1845: o consulado da Prússia apontava os judeus como o maior grupo religioso de Jerusalém. Eram o maior grupo, mas não necessariamente a maioria absoluta.
  • 1863: segundo registros consulares britânicos, os judeus passaram a ser maioria absoluta da cidade.
  • 1914: às vésperas da Primeira Guerra Mundial, viviam em Jerusalém cerca de 45.000 judeus, numa população de 65.000 habitantes.

Isso aconteceu antes de Theodor Herzl, antes do Primeiro Congresso Sionista e antes da Declaração Balfour. A maioria judaica em Jerusalém não é produto do sionismo político nem do Mandato Britânico. Ela já existia quando a cidade estava sob o Império Otomano.

O que dizem os censos do Mandato Britânico e de Israel?

Os censos oficiais confirmam a maioria judaica em diferentes épocas.

  • 1922: o primeiro censo do Mandato Britânico registrou 33.971 judeus em Jerusalém, ou 54,3% da população.
  • 1967: após a reunificação da cidade, o censo contou 195.700 judeus num total de 263.309 habitantes.
  • 2019: segundo o INSS, “judeus e outros” eram 61,9% da cidade.
  • 2020: a proporção era de 61,5%, segundo o mesmo instituto.
  • 2023: o Bureau Central de Estatísticas de Israel registrou cerca de 995,1 mil habitantes, com 60,5% de “judeus e outros” e 39,5% de árabes.

A estatística oficial israelense usa a categoria “judeus e outros”. Ela reúne os judeus e pessoas classificadas junto com eles pelo sistema estatístico. Por isso os números recentes aparecem com essa expressão.

Por que a frase parece verdadeira para muita gente?

A frase se apoia em confusões reais.

  • Jerusalém Oriental não é a cidade inteira. A parte oriental tem maioria árabe. Isso é verdade e não muda o total do município.
  • O período jordaniano. Entre 1949 e 1967, a parte oriental da cidade, incluindo a Cidade Velha, ficou sob controle jordaniano. Nesse período, não havia moradores judeus ali. Os moradores judeus da Cidade Velha foram expulsos na guerra, e o controle jordaniano impediu seu retorno. Essa ausência forçada não é um retrato da história da cidade.
  • Os limites mudaram. A cidade murada, a Jerusalém otomana, a cidade dividida e o município ampliado depois de 1967 são recortes diferentes. Comparar um com outro gera números diferentes.
  • Maior grupo não é maioria absoluta. Nos anos 1840, os judeus eram o maior grupo. A maioria absoluta aparece nos registros britânicos a partir de 1863.

Nenhuma dessas confusões sustenta a palavra “nunca”.

A proporção judaica em Jerusalém está diminuindo?

Sim. Segundo o INSS, instituto israelense de pesquisa em segurança nacional, a maioria judaica na cidade caiu de cerca de 74% para cerca de 60% em 55 anos. Os números do Bureau Central de Estatísticas de Israel mostram a mesma tendência: 61,9% em 2019, 61,5% em 2020 e 60,5% em 2023.

A queda é um fato documentado. Mas uma maioria que diminui continua sendo maioria. O dado reforça que os judeus são maioria hoje e foram maioria antes, com proporção ainda maior.

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Falso. Em 1863, registros consulares britânicos já mostravam maioria judaica em Jerusalém, antes do sionismo político. Em 1922, o censo do Mandato Britânico contou 54,3% de judeus. Em 2023, Israel registrou 60,5% de “judeus e outros”.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase “os judeus nunca foram maioria em Jerusalém” circula em posts, vídeos curtos e comentários. Ela sugere que Jerusalém sempre foi uma cidade árabe e que a presença judaica seria recente ou artificial. Costuma vir junto da negação do vínculo judaico com a cidade e com o Monte do Templo.

Os registros dizem o contrário. A linha do tempo é clara:

| Ano | Dado | Fonte | |---|---|---| | 1845 | Judeus são o maior grupo religioso | Registros consulares prussianos | | 1863 | Judeus passam a ser maioria absoluta | Registros consulares britânicos | | 1914 | Cerca de 45.000 judeus em 65.000 habitantes | Registros históricos | | 1922 | 33.971 judeus, 54,3% | Censo do Mandato Britânico | | 1967 | 195.700 judeus em 263.309 habitantes | Censo após a reunificação | | 2023 | 60,5% de “judeus e outros”, 39,5% de árabes | Bureau Central de Estatísticas de Israel |

A maioria judaica em Jerusalém é anterior a Herzl, ao Primeiro Congresso Sionista e à Declaração Balfour. Ela surgiu sob o Império Otomano, antes de qualquer projeto político moderno de Estado judeu.

Há fatos que a frase usa e que devem ser ditos com precisão. Jerusalém Oriental tem maioria árabe. A proporção judaica no município vem caindo. Entre 1949 e 1967, a parte oriental da cidade ficou sob controle jordaniano, sem moradores judeus. Os limites municipais mudaram várias vezes. Nada disso apaga dois séculos de registros.

Israel considera Jerusalém sua capital unificada. Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental. Essa disputa política não altera os números demográficos. A cidade tem moradores judeus e árabes, e ambos fazem parte da sua história. O que a frase tenta apagar é a continuidade judaica em Jerusalém, e os registros a confirmam.

Se for responder, evite:
  • Não diga que os judeus foram maioria “sempre” ou “em todos os anos”. Nos anos 1840 eram o maior grupo, não necessariamente a maioria absoluta.
  • Não transforme “judeus e outros” em “judeus” sem explicar a categoria oficial.
  • Não negue que Jerusalém Oriental tem maioria árabe.
  • Não use a demografia para desqualificar os moradores árabes ou negar a presença deles na cidade.
  • Não cite números de anos ou recortes que não aparecem nas fontes.

Perguntas frequentes

Qual é a população atual de Jerusalém?
No fim de 2023, o Bureau Central de Estatísticas de Israel registrou cerca de 995,1 mil habitantes em Jerusalém. Desse total, 60,5% eram “judeus e outros” e 39,5% eram árabes.
De quem era o território de Israel antes de 1948?
Até a Primeira Guerra Mundial, a região fazia parte do Império Otomano. Depois, ficou sob o Mandato Britânico, de 1922, da Liga das Nações, até a independência de Israel em 1948. Já sob os otomanos, registros consulares britânicos apontavam maioria judaica em Jerusalém em 1863.
Jerusalém Oriental tem maioria árabe?
Sim. A parte oriental da cidade tem maioria árabe. No município inteiro, porém, a maioria é de “judeus e outros”: 60,5% no fim de 2023, segundo o Bureau Central de Estatísticas de Israel.
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