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Memorial às vítimas de atentado a ônibus
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Mito × Fato · História

A partilha de 1947 deu 56% da terra para um terço da população?

SEM CONTEXTOA aritmética é real.
Foto: Memorial às vítimas de atentado a ônibus. Gilabrand at English Wikipedia · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
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Sem contexto. Os números existem: a Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, propôs um Estado judeu em cerca de 56% do território, e os judeus eram um terço da população. Mas era uma recomendação de fronteiras, não entrega de propriedades. Grande parte da área era o deserto do Negev. Os judeus aceitaram, e os líderes árabes rejeitaram.

Os números da frase estão corretos?

Sim. A Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, de 29 de novembro de 1947, recomendou um Estado judeu em cerca de 56% do território do Mandato Britânico e um Estado árabe em cerca de 43%. Jerusalém ficaria sob regime internacional.

Os judeus eram 608 mil numa população total de 1,845 milhão, cerca de 33%. A própria ONU resume o plano dizendo que destinava 56% do território a 32% da população.

Negar esses números seria um erro. O problema está no que a frase esconde.

A ONU entregou terras dos árabes aos judeus?

Não. A Resolução 181 era uma recomendação da Assembleia Geral. Ela desenhava fronteiras para dois Estados. Não confiscava terras nem transferia propriedades privadas de árabes para judeus.

Território estatal proposto não é o mesmo que terra privada. Dizer que os judeus "receberam 56% das propriedades" confunde duas coisas diferentes.

As fronteiras também não foram traçadas só com base em quem era dono de cada terreno. A comissão da ONU considerou continuidade territorial, viabilidade e a necessidade de absorver imigrantes judeus. Entre eles estavam sobreviventes do Holocausto retidos em campos de refugiados na Europa.

Por que 56% do território não significa 56% da terra útil?

Porque grande parte da área destinada ao Estado judeu era o deserto do Negev, uma região árida e pouco povoada. Por isso, a comparação entre 56% do território e um terço da população não mede terra cultivável, densidade nem valor econômico.

O Estado árabe recebia as áreas densamente povoadas por árabes, entre elas a maior parte das terras agrícolas dos vales e colinas do interior, na Judeia, na Samaria e na Galileia. O Estado judeu ficava com faixas costeiras, pântanos drenados e desenvolvidos por pioneiros judeus ao longo de décadas, e o deserto do sul. A área judaica ainda era formada por três partes pouco conectadas entre si.

Quem viveria no Estado judeu proposto?

Segundo a documentação da ONU, a população prevista era esta:

| Área proposta | Judeus | Árabes e outros | Total | |---|---:|---:|---:| | Estado judeu | 498 mil | 407 mil | 905 mil | | Estado árabe | 10 mil | 725 mil | 735 mil | | Jerusalém internacional | 100 mil | 105 mil | 205 mil | | Total | 608 mil | 1,237 milhão | 1,845 milhão |

O Estado judeu teria uma maioria judaica estreita. Os árabes seriam cerca de 45% da sua população. A liderança judaica aceitou esse Estado com essa minoria. O Estado árabe teria 725 mil árabes e cerca de 10 mil judeus.

Por que o plano de partilha nunca foi aplicado?

A Assembleia Geral aprovou a resolução por 33 votos a 13, com 10 abstenções. A liderança judaica aceitou o plano como base para um Estado. A liderança árabe palestina e os Estados árabes o rejeitaram.

A Guerra de Independência de Israel, em 1948, impediu a aplicação das fronteiras previstas. As linhas que existiram depois da guerra foram diferentes do mapa da ONU.

Culpar a partilha pelo conflito sem mencionar essa rejeição é contar só metade da história. Se não surgiu um Estado árabe ao lado do Estado judeu em 1948, foi porque a liderança árabe recusou a proposta.

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Os números existem, mas a ONU só recomendou fronteiras. Não deu propriedades a ninguém. Grande parte da área era o deserto do Negev, e o Estado judeu teria 407 mil árabes. Os judeus aceitaram o plano. Os líderes árabes rejeitaram o plano, e a guerra que se seguiu impediu sua aplicação.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase circula em posts e cards sobre a origem do conflito, muitas vezes com mapas lado a lado. A mensagem é que a ONU teria "roubado" a terra dos árabes e entregue a maior parte a uma minoria judaica.

O ponto de partida é verdadeiro. A Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, propôs um Estado judeu em cerca de 56% do território do Mandato Britânico, um Estado árabe em cerca de 43% e Jerusalém sob regime internacional. Os judeus eram 608 mil de 1,845 milhão de habitantes.

O que muda o quadro:

1. Era recomendação, não transferência. A Assembleia Geral propôs fronteiras para dois Estados. Não confiscou terras nem distribuiu propriedades privadas. 2. O Negev pesava na conta. Boa parte da área judaica era deserto árido e pouco povoado. As regiões mais férteis e povoadas por árabes ficavam no Estado árabe. 3. O Estado judeu teria quase metade de árabes. Seriam 498 mil judeus e 407 mil árabes e outros. A liderança judaica aceitou esse Estado assim mesmo. 4. As fronteiras olhavam para o futuro. A comissão da ONU considerou a necessidade de absorver imigrantes judeus, entre eles sobreviventes do Holocausto. 5. A rejeição árabe impediu o plano. Aprovado por 33 votos a 13, com 10 abstenções, o plano foi rejeitado pela liderança árabe palestina e pelos Estados árabes. A guerra de 1948 enterrou o mapa.

A frase isola um número e apaga a escolha feita em 1947: um lado aceitou dividir, o outro recusou.

Se for responder, evite:
  • Não negue os 56% nem o terço da população. Os números são da ONU.
  • Não chame a resolução de "decisão" ou "lei". Era uma recomendação da Assembleia Geral.
  • Não diga que a rejeição árabe foi a causa única da guerra. Diga que foi o fato que impediu o plano.
  • Não diga que "não havia ninguém lá" nem desmereça os árabes da época. O próprio plano previa 407 mil árabes no Estado judeu.
  • Não confunda o mapa de 1947 com as fronteiras que existiram depois de 1948.

Perguntas frequentes

O que foi o plano de partilha da ONU em 1947?
Foi a Resolução 181 da Assembleia Geral, de 29 de novembro de 1947. Ela recomendou dividir o território do Mandato Britânico em um Estado judeu, com cerca de 56% da área, e um Estado árabe, com cerca de 43%. Jerusalém ficaria sob regime internacional. Foi aprovada por 33 votos a 13, com 10 abstenções.
Qual foi a resolução da ONU para a partilha em 1947?
A Resolução 181 da Assembleia Geral. Era uma recomendação, não uma lei nem uma transferência de propriedades. A liderança judaica a aceitou. A liderança árabe palestina e os Estados árabes a rejeitaram, e a guerra de 1948 impediu sua aplicação.
Qual foi a proposta da ONU para a partilha do Mandato Britânico?
Dois Estados e uma Jerusalém internacional. O Estado judeu teria 498 mil judeus e 407 mil árabes e incluiria o deserto do Negev. O Estado árabe teria 725 mil árabes e cerca de 10 mil judeus e ficaria com as áreas mais povoadas por árabes.
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