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As intifadas: o que foram a primeira e a segunda intifada

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Foto: Memorial às vítimas de atentado a ônibus. Gilabrand at English Wikipedia · CC BY 3.0 · Wikimedia Commons
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As intifadas foram dois levantes palestinos contra Israel. A Primeira Intifada (1987–1993) começou em Gaza com greves, protestos, pedras e coquetéis molotov, e viu o nascimento do Hamas. Terminou no contexto dos Acordos de Oslo. A Segunda Intifada (2000–2005) foi uma campanha armada de atentados suicidas contra civis. Matou mais de 1.000 israelenses e levou Israel a lançar operações militares e a construir a barreira de segurança.

Como aconteceu a Primeira Intifada?

A Primeira Intifada começou em dezembro de 1987, em Gaza e na Judeia e Samaria. Ela se espalhou como uma revolta popular. Intifada é uma palavra árabe que significa "sublevação" ou "revolta".

O estopim veio em 8 de dezembro de 1987. Um acidente entre um caminhão militar israelense e veículos civis em Gaza matou quatro palestinos e provocou protestos.

No começo, o movimento era descentralizado. Os métodos incluíam:

  • greves gerais e boicotes;
  • desobediência civil e recusa de pagar impostos;
  • manifestações de rua;
  • arremesso de pedras e coquetéis molotov contra soldados israelenses.

Com o tempo, a violência armada cresceu. A visão israelense lembra o que costuma ficar fora da narrativa de "revolta popular": houve ataques contra soldados e civis, organizações armadas tiveram papel ativo e palestinos acusados de colaborar com Israel foram alvo de violência.

Como o Hamas surgiu durante a Primeira Intifada?

O Hamas nasceu dentro da Primeira Intifada, em dezembro de 1987. Ele saiu da rede assistencial da Irmandade Muçulmana em Gaza, liderada pelo xeque Ahmed Yassin.

O nome é a sigla de Movimento de Resistência Islâmica. Em agosto de 1988, o grupo publicou sua Carta de Fundação, que consagra a jihad armada. A Jihad Islâmica também atuou no período, com incitação e ações armadas.

Esse ponto é central para entender o que veio depois. O mesmo grupo terrorista que surgiu em 1987 seria o principal autor de atentados suicidas na Segunda Intifada e, décadas depois, do ataque de 7 de outubro de 2023.

Qual foi o motivo da Segunda Intifada?

A Segunda Intifada começou no fim de setembro de 2000, logo após o fracasso das negociações de paz de Camp David, em julho daquele ano. As fontes divergem sobre o dia exato. Algumas indicam 28 de setembro de 2000. O Ministério da Defesa de Israel registra o início em 29 de setembro de 2000, com distúrbios na Judeia e Samaria e em Gaza, seguidos de atentados suicidas.

O gatilho mais citado é a visita de Ariel Sharon, então líder da oposição em Israel, ao Monte do Templo, em Jerusalém, com escolta policial. Os muçulmanos chamam o local de Haram al-Sharif ou Esplanada das Mesquitas. A liderança palestina apresentou a visita como provocação. Por isso, os palestinos chamam o levante de "Intifada de al-Aqsa".

Fontes israelenses e parte da literatura acadêmica fazem outra leitura. Para elas, a visita foi um gatilho, não a causa. O fator decisivo foi a escolha de grupos palestinos pela luta armada e pelos atentados suicidas, depois do colapso de uma negociação de paz. Um judeu visitar o lugar mais sagrado do judaísmo não explica nem justifica uma campanha de bombas em ônibus e restaurantes.

Quais foram os principais atentados da Segunda Intifada?

A marca da Segunda Intifada foi uma campanha sustentada de atentados suicidas contra ônibus, restaurantes, cafés, casas noturnas, hotéis e centros comerciais. O Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, descreve uma série de ataques em locais lotados que matou centenas de israelenses e feriu milhares.

Os grupos responsáveis foram:

  • Hamas: cerca de 40% dos ataques suicidas entre 2000 e 2005, com 54 atentados;
  • Jihad Islâmica: dezenas de atentados, como no cruzamento de Megiddo (junho de 2002) e no restaurante Maxim, em Haifa (outubro de 2003);
  • Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, milícia ligada ao Fatah: passaram a usar mulheres em missões suicidas, como Wafa Idris, em janeiro de 2002;
  • FPLP e FDLP: facções de esquerda que também fizeram atentados e emboscadas.
DataLocalMortosFeridos
1º/6/2001Discoteca Dolphinarium, Tel Aviv21, a maioria adolescentesmais de 100
9/8/2001Pizzaria Sbarro, Jerusalém15 ou 16, conforme a contagemmais de 100
27/3/2002Park Hotel, Netanya, no jantar de Pessach30mais de 140 (160, segundo o Ministério da Defesa)

No caso do Sbarro, algumas fontes chegam a 16 mortos porque incluem uma vítima que morreu depois. O número de 15 aparece em várias fontes da época, como a JTA e o JNS.

Quantas pessoas morreram nas intifadas?

Na Segunda Intifada, morreram mais de 1.000 israelenses, em sua maioria civis. Os números variam conforme o período contado:

Os dois números incluem civis e membros das forças de segurança. Do lado palestino, as estimativas ficam entre 3.000 e 3.300 mortos no mesmo período. Essas mortes ocorreram durante uma guerra iniciada pela campanha de atentados.

Na Primeira Intifada, os números são menos uniformes e dependem do critério de contagem. Uma coisa é certa: o número de israelenses mortos foi muito menor que na Segunda Intifada, que não teve uma campanha de atentados suicidas contra civis na mesma escala.

Por que Israel construiu a barreira de segurança?

Israel construiu a barreira para impedir a entrada de homens-bomba em suas cidades. A obra começou em 2002, no auge da Segunda Intifada. Ela combina trechos de cerca, sensores, valas, estradas de patrulha e postos de controle. Em áreas urbanas densas, sobretudo em torno de Jerusalém, há trechos de concreto.

O governo israelense apresenta a barreira como medida antiterrorista, e não como fronteira política. O documento oficial Saving Lives: Israel's Anti-Terrorist Fence, de janeiro de 2004, atribui a queda dos atentados a dois fatores: a barreira e as operações antiterroristas.

O traçado não segue em boa parte a Linha Verde de 1949 e entra na Judeia e Samaria. Israel explica que o objetivo é proteger centros populacionais e áreas vulneráveis. Palestinos e organizações internacionais acusam a barreira de fragmentar o território e dificultar a circulação.

Em 2004, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo que considerou ilegal a construção fora da Linha Verde. Um parecer consultivo não é condenação nem decisão de mérito. Israel rejeitou o parecer, argumentando que a ameaça terrorista justificava a medida e que o traçado pode mudar em negociações futuras.

Como as intifadas terminaram e o que mudou?

A Primeira Intifada terminou na via diplomática. A OLP e o governo de Israel abriram negociações diretas, que levaram aos Acordos de Oslo (1993) e à criação da Autoridade Palestina (1994), com poderes de administração sobre partes da Judeia e Samaria e de Gaza.

A Segunda Intifada declinou entre 2004 e 2005, depois de uma resposta firme de Israel:

  • Operação Escudo Defensivo (março de 2002), lançada logo após o massacre do Park Hotel, para desmontar oficinas de bombas e redes terroristas na Judeia e Samaria;
  • eliminação de líderes terroristas, como os fundadores do Hamas Ahmed Yassin e Abdel Aziz al-Rantisi, em 2004;
  • a barreira de segurança, prisões, inteligência e postos de controle.

Mudanças políticas também pesaram: a morte de Yasser Arafat (novembro de 2004), a eleição de Mahmoud Abbas, a trégua de Sharm el-Sheikh e a retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza em 2005. Segundo o Jerusalem Post, citando as FDI, a barreira foi um dos fatores-chave para que os atentados suicidas praticamente cessassem.

Quando começou a guerra atual entre Israel e o Hamas?

A guerra atual começou em 7 de outubro de 2023. Nesse dia, terroristas do Hamas e de outros grupos invadiram Israel, assassinaram mais de 1.200 pessoas e levaram 251 reféns, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel.

O conflito entre israelenses e palestinos é muito mais antigo, e as intifadas fazem parte dessa história. Mas quem conta essa história inteira precisa incluir alguns fatos:

  • as recusas da liderança palestina a propostas de paz, como a de 2000, que antecedeu a Segunda Intifada;
  • a retirada israelense de Gaza em 2005;
  • o golpe do Hamas em Gaza em 2007.

O contexto explica, mas não justifica. Nenhum contexto autoriza matar civis ou tomar reféns.

Linha do tempo

  1. 1987Em 8 de dezembro, um acidente com um caminhão militar em Gaza deflagra a Primeira Intifada. O Hamas é fundado no mesmo mês.
  2. 1988Em agosto, o Hamas publica sua Carta de Fundação, que consagra a jihad armada.
  3. 1993Acordos de Oslo entre Israel e a OLP. Fim da Primeira Intifada.
  4. 1994Criação da Autoridade Palestina.
  5. 2000Fracassa a cúpula de Camp David, em julho. No fim de setembro, após a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, começa a Segunda Intifada.
  6. 2001Atentados na discoteca Dolphinarium (21 mortos) e na pizzaria Sbarro (15 ou 16 mortos).
  7. 2002Massacre do Park Hotel no Pessach (30 mortos). Israel lança a Operação Escudo Defensivo e começa a construir a barreira de segurança.
  8. 2004Parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre a barreira. Mortes de Ahmed Yassin, Abdel Aziz al-Rantisi e Yasser Arafat.
  9. 2005Trégua de Sharm el-Sheikh e retirada de Israel da Faixa de Gaza. Fim da Segunda Intifada.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre a Primeira e a Segunda Intifada?
A Primeira Intifada (1987–1993) começou como revolta popular, com greves, boicotes, pedras e coquetéis molotov, e terminou nos Acordos de Oslo. A Segunda Intifada (2000–2005) foi predominantemente armada. Seu método central foram atentados suicidas contra civis em ônibus, restaurantes e hotéis. Ela matou mais de 1.000 israelenses, número muito maior que o da primeira.
Qual foi o motivo da Segunda Intifada?
O gatilho mais citado é a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, no fim de setembro de 2000, logo após o fracasso das negociações de Camp David. Fontes israelenses e parte dos acadêmicos veem a visita como gatilho, não como causa: o fator decisivo foi a decisão de grupos palestinos de adotar a luta armada e os atentados suicidas.
Quem fez os atentados suicidas da Segunda Intifada?
Os autores foram vários grupos terroristas. O Hamas fez cerca de 40% dos ataques suicidas entre 2000 e 2005, incluindo os da Dolphinarium e do Park Hotel. A Jihad Islâmica, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, ligadas ao Fatah, e facções de esquerda, como FPLP e FDLP, também realizaram atentados e emboscadas.
Como aconteceu a Primeira Intifada?
A Primeira Intifada começou em 8 de dezembro de 1987, quando um acidente entre um caminhão militar israelense e veículos civis em Gaza matou quatro palestinos. Os protestos se espalharam por Gaza e pela Judeia e Samaria, com greves, desobediência civil e confrontos. A violência armada cresceu com o tempo. O Hamas nasceu nesse período.

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