As intifadas foram dois levantes palestinos contra Israel. A Primeira Intifada (1987–1993) começou em Gaza com greves, protestos, pedras e coquetéis molotov, e viu o nascimento do Hamas. Terminou no contexto dos Acordos de Oslo. A Segunda Intifada (2000–2005) foi uma campanha armada de atentados suicidas contra civis. Matou mais de 1.000 israelenses e levou Israel a lançar operações militares e a construir a barreira de segurança.
Como aconteceu a Primeira Intifada?
A Primeira Intifada começou em dezembro de 1987, em Gaza e na Judeia e Samaria. Ela se espalhou como uma revolta popular. Intifada é uma palavra árabe que significa "sublevação" ou "revolta".
O estopim veio em 8 de dezembro de 1987. Um acidente entre um caminhão militar israelense e veículos civis em Gaza matou quatro palestinos e provocou protestos.
No começo, o movimento era descentralizado. Os métodos incluíam:
- greves gerais e boicotes;
- desobediência civil e recusa de pagar impostos;
- manifestações de rua;
- arremesso de pedras e coquetéis molotov contra soldados israelenses.
Com o tempo, a violência armada cresceu. A visão israelense lembra o que costuma ficar fora da narrativa de "revolta popular": houve ataques contra soldados e civis, organizações armadas tiveram papel ativo e palestinos acusados de colaborar com Israel foram alvo de violência.
Como o Hamas surgiu durante a Primeira Intifada?
O Hamas nasceu dentro da Primeira Intifada, em dezembro de 1987. Ele saiu da rede assistencial da Irmandade Muçulmana em Gaza, liderada pelo xeque Ahmed Yassin.
O nome é a sigla de Movimento de Resistência Islâmica. Em agosto de 1988, o grupo publicou sua Carta de Fundação, que consagra a jihad armada. A Jihad Islâmica também atuou no período, com incitação e ações armadas.
Esse ponto é central para entender o que veio depois. O mesmo grupo terrorista que surgiu em 1987 seria o principal autor de atentados suicidas na Segunda Intifada e, décadas depois, do ataque de 7 de outubro de 2023.
Qual foi o motivo da Segunda Intifada?
A Segunda Intifada começou no fim de setembro de 2000, logo após o fracasso das negociações de paz de Camp David, em julho daquele ano. As fontes divergem sobre o dia exato. Algumas indicam 28 de setembro de 2000. O Ministério da Defesa de Israel registra o início em 29 de setembro de 2000, com distúrbios na Judeia e Samaria e em Gaza, seguidos de atentados suicidas.
O gatilho mais citado é a visita de Ariel Sharon, então líder da oposição em Israel, ao Monte do Templo, em Jerusalém, com escolta policial. Os muçulmanos chamam o local de Haram al-Sharif ou Esplanada das Mesquitas. A liderança palestina apresentou a visita como provocação. Por isso, os palestinos chamam o levante de "Intifada de al-Aqsa".
Fontes israelenses e parte da literatura acadêmica fazem outra leitura. Para elas, a visita foi um gatilho, não a causa. O fator decisivo foi a escolha de grupos palestinos pela luta armada e pelos atentados suicidas, depois do colapso de uma negociação de paz. Um judeu visitar o lugar mais sagrado do judaísmo não explica nem justifica uma campanha de bombas em ônibus e restaurantes.
Quais foram os principais atentados da Segunda Intifada?
A marca da Segunda Intifada foi uma campanha sustentada de atentados suicidas contra ônibus, restaurantes, cafés, casas noturnas, hotéis e centros comerciais. O Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, descreve uma série de ataques em locais lotados que matou centenas de israelenses e feriu milhares.
Os grupos responsáveis foram:
- Hamas: cerca de 40% dos ataques suicidas entre 2000 e 2005, com 54 atentados;
- Jihad Islâmica: dezenas de atentados, como no cruzamento de Megiddo (junho de 2002) e no restaurante Maxim, em Haifa (outubro de 2003);
- Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, milícia ligada ao Fatah: passaram a usar mulheres em missões suicidas, como Wafa Idris, em janeiro de 2002;
- FPLP e FDLP: facções de esquerda que também fizeram atentados e emboscadas.
| Data | Local | Mortos | Feridos |
|---|---|---|---|
| 1º/6/2001 | Discoteca Dolphinarium, Tel Aviv | 21, a maioria adolescentes | mais de 100 |
| 9/8/2001 | Pizzaria Sbarro, Jerusalém | 15 ou 16, conforme a contagem | mais de 100 |
| 27/3/2002 | Park Hotel, Netanya, no jantar de Pessach | 30 | mais de 140 (160, segundo o Ministério da Defesa) |
No caso do Sbarro, algumas fontes chegam a 16 mortos porque incluem uma vítima que morreu depois. O número de 15 aparece em várias fontes da época, como a JTA e o JNS.
Quantas pessoas morreram nas intifadas?
Na Segunda Intifada, morreram mais de 1.000 israelenses, em sua maioria civis. Os números variam conforme o período contado:
- uma publicação oficial do governo de Israel estima 1.100 israelenses mortos e cerca de 8.000 feridos em ataques terroristas entre 2000 e 2005;
- o arquivo do Ministério da Defesa de Israel registra 900 mortos e mais de 7.000 feridos até o fim de 2003.
Os dois números incluem civis e membros das forças de segurança. Do lado palestino, as estimativas ficam entre 3.000 e 3.300 mortos no mesmo período. Essas mortes ocorreram durante uma guerra iniciada pela campanha de atentados.
Na Primeira Intifada, os números são menos uniformes e dependem do critério de contagem. Uma coisa é certa: o número de israelenses mortos foi muito menor que na Segunda Intifada, que não teve uma campanha de atentados suicidas contra civis na mesma escala.
Por que Israel construiu a barreira de segurança?
Israel construiu a barreira para impedir a entrada de homens-bomba em suas cidades. A obra começou em 2002, no auge da Segunda Intifada. Ela combina trechos de cerca, sensores, valas, estradas de patrulha e postos de controle. Em áreas urbanas densas, sobretudo em torno de Jerusalém, há trechos de concreto.
O governo israelense apresenta a barreira como medida antiterrorista, e não como fronteira política. O documento oficial Saving Lives: Israel's Anti-Terrorist Fence, de janeiro de 2004, atribui a queda dos atentados a dois fatores: a barreira e as operações antiterroristas.
O traçado não segue em boa parte a Linha Verde de 1949 e entra na Judeia e Samaria. Israel explica que o objetivo é proteger centros populacionais e áreas vulneráveis. Palestinos e organizações internacionais acusam a barreira de fragmentar o território e dificultar a circulação.
Em 2004, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo que considerou ilegal a construção fora da Linha Verde. Um parecer consultivo não é condenação nem decisão de mérito. Israel rejeitou o parecer, argumentando que a ameaça terrorista justificava a medida e que o traçado pode mudar em negociações futuras.
Como as intifadas terminaram e o que mudou?
A Primeira Intifada terminou na via diplomática. A OLP e o governo de Israel abriram negociações diretas, que levaram aos Acordos de Oslo (1993) e à criação da Autoridade Palestina (1994), com poderes de administração sobre partes da Judeia e Samaria e de Gaza.
A Segunda Intifada declinou entre 2004 e 2005, depois de uma resposta firme de Israel:
- Operação Escudo Defensivo (março de 2002), lançada logo após o massacre do Park Hotel, para desmontar oficinas de bombas e redes terroristas na Judeia e Samaria;
- eliminação de líderes terroristas, como os fundadores do Hamas Ahmed Yassin e Abdel Aziz al-Rantisi, em 2004;
- a barreira de segurança, prisões, inteligência e postos de controle.
Mudanças políticas também pesaram: a morte de Yasser Arafat (novembro de 2004), a eleição de Mahmoud Abbas, a trégua de Sharm el-Sheikh e a retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza em 2005. Segundo o Jerusalem Post, citando as FDI, a barreira foi um dos fatores-chave para que os atentados suicidas praticamente cessassem.
Quando começou a guerra atual entre Israel e o Hamas?
A guerra atual começou em 7 de outubro de 2023. Nesse dia, terroristas do Hamas e de outros grupos invadiram Israel, assassinaram mais de 1.200 pessoas e levaram 251 reféns, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel.
O conflito entre israelenses e palestinos é muito mais antigo, e as intifadas fazem parte dessa história. Mas quem conta essa história inteira precisa incluir alguns fatos:
- as recusas da liderança palestina a propostas de paz, como a de 2000, que antecedeu a Segunda Intifada;
- a retirada israelense de Gaza em 2005;
- o golpe do Hamas em Gaza em 2007.
O contexto explica, mas não justifica. Nenhum contexto autoriza matar civis ou tomar reféns.
Linha do tempo
- 1987Em 8 de dezembro, um acidente com um caminhão militar em Gaza deflagra a Primeira Intifada. O Hamas é fundado no mesmo mês.
- 1988Em agosto, o Hamas publica sua Carta de Fundação, que consagra a jihad armada.
- 1993Acordos de Oslo entre Israel e a OLP. Fim da Primeira Intifada.
- 1994Criação da Autoridade Palestina.
- 2000Fracassa a cúpula de Camp David, em julho. No fim de setembro, após a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, começa a Segunda Intifada.
- 2001Atentados na discoteca Dolphinarium (21 mortos) e na pizzaria Sbarro (15 ou 16 mortos).
- 2002Massacre do Park Hotel no Pessach (30 mortos). Israel lança a Operação Escudo Defensivo e começa a construir a barreira de segurança.
- 2004Parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre a barreira. Mortes de Ahmed Yassin, Abdel Aziz al-Rantisi e Yasser Arafat.
- 2005Trégua de Sharm el-Sheikh e retirada de Israel da Faixa de Gaza. Fim da Segunda Intifada.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre a Primeira e a Segunda Intifada?
Qual foi o motivo da Segunda Intifada?
Quem fez os atentados suicidas da Segunda Intifada?
Como aconteceu a Primeira Intifada?
Assista
Áudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.
Explica quem são os drusos, sua história no Golã, na Galileia, na Síria e no Líbano, e por que Israel interveio em 2025 para protegê-los no sul da Síria. Inclui o ataque do Hezbollah em Majdal Shams, que matou 11 crianças drusas.
Adolescentes e adultosDesmonta a teoria de que os judeus asquenazes descenderiam dos cazares, com argumentos de história, linguística e genética, e mostra como esse mito é usado por supremacistas e antissionistas para negar a identidade judaica e o vínculo com a Terra de Israel.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Documentário do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos que traça a história do antissemitismo europeu, desde a acusação de deicídio e os libelos medievais até os Protocolos dos Sábios de Sião, o antissemitismo racial e o Holocausto. Excelente introdução para entender como mentiras repetidas por séculos prepararam o genocídio de seis milhões de judeus.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Aula do Yad Vashem que mostra como, na Europa cristã medieval, a ambivalência herdada de Agostinho virou hostilidade aberta, com cruzadas, libelo de sangue, acusação de envenenar poços e expulsões em massa. Explica a origem de estereótipos antissemitas que sobrevivem até hoje.
Adultos- Governo de Israel: Facts About Israel – Quest for Peace
- Ministério da Defesa de Israel: linha do tempo 2000–2005
- Shin Bet: organizações terroristas
- Governo de Israel: Saving Lives – Israel's Anti-Terrorist Fence (jan. 2004)
- Ministério das Relações Exteriores de Israel: aspectos factuais e jurídicos do conflito com o Hamas
- Jerusalem Post: The Second Intifada, a defining event that reshaped the nation
- JTA: 20 anos atrás, um atentado suicida abalou Israel
- JNS: o atentado ao Sbarro e suas consequências


