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Hanucá, a festa das luzes

Em resumo

Hanucá é uma festa judaica de oito dias, conhecida como Festa das Luzes, que lembra a revolta dos macabeus e a rededicação do Segundo Templo de Jerusalém, em 164 a.C. Este plano foi pensado para o 1º ao 5º ano e ocupa duas aulas de 50 minutos. Nele a turma estuda a história, a chanukiá e o sevivon e conversa sobre valores como liberdade religiosa, coragem e respeito, sempre separando o que é fato histórico do que é tradição religiosa.

ParaEscolas · Professores · Famílias
Idade6 a 10 anos
ExtensãoFundamental I · 1 aula
TemaCultura judaica
FormatoPlano de aula
Situaçãodisponível

Qual é a história de Hanucá, contada para crianças?

Hanucá lembra o momento em que um grupo de judeus retomou Jerusalém e rededicou o Segundo Templo, em 164 a.C., depois de anos de perseguição religiosa. A palavra hebraica Hanucá significa “Dedicação”, e a festa faz parte da tradição do judaísmo.

A história, passo a passo:

  • No século II a.C., a Judeia estava sob o domínio do Império Selêucida, um reino de cultura helenística.
  • Em 175 a.C., Antíoco IV Epífanes subiu ao trono.
  • Em 167 a.C., ele publicou decretos que proibiam, sob pena de morte, o estudo da Torá, a observância do Sábado e a circuncisão. No dia 25 do mês hebraico de Kislev daquele ano, o Templo foi profanado com um altar dedicado a Zeus Olímpico.
  • A resistência começou no vilarejo de Modi'in, liderada pelo sacerdote Matatias, da família dos Hasmoneus, e por seus cinco filhos. Um deles, Judá Macabeu, comandou a revolta (segundo a tradição, Macabeu quer dizer “martelo”).
  • Depois de três anos de luta, os macabeus libertaram o Monte do Templo, e em 25 de Kislev de 164 a.C. o Templo foi limpo, purificado e rededicado.

As fontes da história. As principais fontes antigas são estas:

  • 1 Macabeus, composto por volta de 130 a 100 a.C., narra a purificação do Templo (1 Mac 4:52-59).
  • 2 Macabeus, escrito em grego no fim do século II a.C., conta que a festa de oito dias foi feita “à maneira de Sucot” (2 Mac 10:5-8).
  • O historiador Flávio Josefo, nas Antiguidades Judaicas (c. 93/94 d.C.), já chama a festa de “Festa das Luzes”.
  • O Talmud Babilônico (Shabbat 21b, compilado por volta de 500 d.C.) registra a tradição do milagre do azeite.

Fato, tradição e simplificação. Ajude a turma a separar três coisas:

  • Como fato histórico, houve uma revolta macabeia e o Templo foi rededicado no século II a.C.
  • Pela tradição religiosa registrada no Talmud, os macabeus acharam só uma pequena jarra de azeite puro, suficiente para um dia, e o azeite teria durado oito dias, o tempo de preparar azeite novo. Os livros dos Macabeus explicam os oito dias de outro jeito: a festa seguiu o modelo de Sucot, que não pôde ser celebrada no tempo certo durante a guerra.
  • Convém evitar a simplificação de que foi só “judeus contra gregos”, porque é imprecisa. O conflito envolveu o poder selêucida, disputas políticas e grupos judaicos com posições diferentes sobre a influência helenística. Para as crianças, basta dizer que houve uma disputa sobre quem governaria e se os judeus poderiam viver sua fé.

Quais habilidades da BNCC esta aula trabalha?

Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que este material desenvolve:

  • EF02ER05 (2º ano): Identificar, distinguir e respeitar símbolos religiosos de distintas manifestações, tradições e instituições religiosas. Na aula: Os alunos identificam e diferenciam símbolos de Hanucá, como a menorá de sete braços, a chanukiá de nove, o shamash e o sevivon, usando o quadro de símbolos e imagens.
  • EF03ER03 (3º ano): Identificar e respeitar práticas celebrativas (cerimônias, orações, festividades, peregrinações, entre outras) de diferentes tradições religiosas. Na aula: A turma conhece e respeita a festa de Hanucá e seu ritual de acender uma luz por noite, sem praticá-lo, na contação e na roda de conversa sobre diversidade.
  • EF05ER01 (5º ano): Identificar e respeitar acontecimentos sagrados de diferentes culturas e tradições religiosas como recurso para preservar a memória. Na aula: A aula apresenta a rededicação do Templo e a tradição do azeite como acontecimentos que a comunidade judaica preserva na memória, distinguindo fato histórico de tradição religiosa.
  • EF15AR05 (1º e 2º e 3º e 4º e 5º ano): Experimentar a criação em artes visuais de modo individual, coletivo e colaborativo, explorando diferentes espaços da escola e da comunidade. Na aula: As crianças criam em grupo a chanukiá coletiva “Oito luzes, oito atitudes” e o painel “Luzes da diversidade”, com desenhos e colagem no mural.

Texto oficial da BNCC (MEC, documento homologado), disponível em basenacionalcomum.mec.gov.br. A coordenação pedagógica da escola pode ajustar a escolha ao seu currículo.

Para quem é este plano, quanto tempo dura e o que ele desenvolve?

O plano é para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano, 6 a 10 anos) e ocupa duas aulas de 50 minutos.

Componentes envolvidos: História, Ensino Religioso, Arte e Matemática.

Objetivo geral: compreender o significado histórico e cultural de Hanucá e promover o respeito à diversidade cultural e religiosa.

Objetivos específicos:

1. Identificar os fatos básicos da origem de Hanucá, como a rededicação do Templo em 164 a.C. e os oito dias de festa. 2. Reconhecer os símbolos centrais (a chanukiá, o azeite, o sevivon e as comidas típicas). 3. Diferenciar fato histórico, tradição religiosa e opinião. 4. Refletir sobre liberdade religiosa, coragem, memória e cooperação.

Materiais:

  • cartolina, papéis coloridos, palitos de madeira, tesoura sem ponta e cola;
  • imagens da menorá do Templo, da chanukiá, de jarras de azeite e do sevivon;
  • velas elétricas ou de LED (nunca velas de chama com crianças);
  • tampinhas, fichas de papel ou sementes grandes para o jogo;
  • quadro e marcadores para a linha do tempo;
  • cartões da linha do tempo e oito círculos de papel por aluno.

Quais são os símbolos de Hanucá e por que a menorá tem sete braços?

O principal símbolo de Hanucá é a chanukiá, uma lâmpada de nove braços. Ela não se confunde com a menorá do antigo Templo, que tinha sete braços e pertencia ao Templo, enquanto a chanukiá foi criada para a festa, com uma luz para cada noite.

SímboloO que éO que lembra
Menorácandelabro de 7 braços do Temploo serviço no Templo de Jerusalém
Chanukiálâmpada de 8 luzes + 1 auxiliaros oito dias da festa
Shamasha nona luz, o “servidor”serve para acender as outras
Sevivon (dreidel)pião de quatro lados com letras hebraicasa frase sobre o milagre
Comidas fritaslatkes e sufganioto azeite da história

O ritual. A cada noite se acende uma luz a mais: uma na primeira noite, duas na segunda, e assim por diante até oito na última. Quem acende as demais é o shamash. Essa ordem crescente segue a regra da escola de Hillel, registrada no Talmud.

O sevivon. Em hebraico o pião se chama sevivon e, em iídiche, dreidel. Suas quatro letras, Nun, Guimel, Hei e Shin, formam Nes Gadol Hayah Sham: “Um grande milagre aconteceu lá”. Em Israel se usa uma variação da frase, porque a história aconteceu naquela terra.

Há uma explicação popular segundo a qual os judeus usavam o pião para disfarçar o estudo religioso durante as proibições. A história é conhecida, mas não tem certeza histórica, por isso apresente-a à turma como tradição.

Comidas. Muitas famílias preparam pratos fritos em óleo, como latkes (bolinhos de batata) e sufganiot (sonhos recheados), e os costumes variam entre comunidades, países e famílias.

Frase para as crianças: “Uma luz ajuda a acender outra sem perder a sua. A chanukiá lembra que bondade, conhecimento e esperança podem ser compartilhados.”

Como conduzir a aula passo a passo?

A sequência tem duas aulas: na primeira a turma conhece a história, e na segunda trabalha os símbolos com jogo e arte.

Aula 1: A história da luz e da coragem (50 min)

TempoEtapaO que fazer
10 minSensibilizaçãoMostre uma vela de LED apagada e outra acesa e pergunte: “O que a luz representa quando tudo está escuro?”. Conte que várias culturas têm festas de luz e apresente Hanucá como a Festa das Luzes da tradição judaica.
25 minContação da históriaConte a história com imagens e uma linha do tempo no quadro, em três partes: o desafio (Antíoco proíbe as práticas judaicas e profana o Templo), a coragem (Matatias e Judá Macabeu, em Modi'in) e a luz (a rededicação do Templo e a tradição do azeite). Marque no quadro o que é fato e o que é tradição.
15 minRoda de conversaPergunte: “O que significa poder ser quem somos?” e “Como podemos ser luz para os colegas?”.

Aula 2: Símbolos, jogos e arte (50 min)

TempoEtapaO que fazer
10 minSensibilizaçãoMostre uma vela de LED apagada e outra acesa e pergunte: “O que a luz representa quando tudo está escuro?”. Conte que várias culturas têm festas de luz e apresente Hanucá como a Festa das Luzes da tradição judaica.
25 minContação da históriaConte a história com imagens e uma linha do tempo no quadro, em três partes: o desafio (Antíoco proíbe as práticas judaicas e profana o Templo), a coragem (Matatias e Judá Macabeu, em Modi'in) e a luz (a rededicação do Templo e a tradição do azeite). Marque no quadro o que é fato e o que é tradição.
15 minRoda de conversaPergunte: “O que significa poder ser quem somos?” e “Como podemos ser luz para os colegas?”.

Que atividades os alunos podem fazer em cada idade?

Cada faixa etária tem uma atividade própria. Todas devem ser apresentadas à turma como atividades inspiradas nos símbolos de Hanucá, sem caráter de ritual religioso.

6 a 7 anos: “Oito luzes, oito atitudes”. Entregue oito círculos de papel para cada criança desenhar ou escrever uma atitude em cada um: ajudar, ouvir, dividir, respeitar, proteger, aprender, agradecer e acolher. Com eles, a turma monta uma chanukiá coletiva no mural.

7 a 8 anos: Linha do tempo. Distribua cartões para pôr em ordem:

1. Segundo Templo; 2. domínio selêucida; 3. revolta dos macabeus; 4. retomada de Jerusalém; 5. rededicação do Templo; 6. celebração de oito dias.

Inclua à parte um cartão com a frase “tradição do milagre do azeite”, que ajuda a mostrar a diferença entre acontecimento histórico e tradição religiosa.

8 a 9 anos: Jogo do sevivon. As crianças fazem piões de cartolina com um palito no centro. No jogo, em vez de comida ou apostas, use fichas com palavras como respeito, liberdade, memória e amizade; também dá para usar regras simples de soma e subtração conforme a letra sorteada. Depois, pergunte:

  • O que mudou quando alguém explicou as regras?
  • Como garantir que todos participem?
  • Um jogo é justo quando só uma pessoa conhece as regras?

9 a 10 anos: Fontes e versões. Leia três textos curtos, um histórico sobre a revolta, um sobre o milagre do azeite e um sobre a chanukiá. Em seguida, os alunos classificam frases em fato histórico, tradição religiosa ou interpretação/opinião.

Todas as idades: “Luzes da diversidade”. Cada criança desenha uma luz que represente algo importante para a convivência, e o painel recebe a frase: “Diferentes tradições fazem parte da sociedade; ninguém deve ser impedido de viver sua consciência e sua fé.”

Como avaliar a aprendizagem?

A avaliação é qualitativa e formativa, feita pela observação do processo, sem prova.

Observe se o aluno:

  • participa da contação e da roda de conversa sobre diversidade e respeito;
  • identifica a chanukiá, o shamash, o azeite e o sevivon e explica o que cada um lembra;
  • diferencia a menorá de sete braços da chanukiá de nove;
  • separa fato histórico de tradição religiosa (atividades da linha do tempo e das fontes);
  • coopera no jogo e na oficina.

Pergunta de saída sugerida: “Por que Hanucá dura oito dias?”. Uma boa resposta cita a tradição do azeite ou a explicação dos livros dos Macabeus, ligada a Sucot, e uma resposta excelente reconhece que existem as duas.

Quais cuidados tomar com temas sensíveis?

O cuidado principal é ensinar sobre uma tradição religiosa sem praticá-la em sala e sem cair em estereótipos.

  • Não chame Hanucá de “Natal judaico”, porque as duas festas têm origens e sentidos diferentes, e são praticadas de outro modo.
  • Evite generalizar: nem todos os judeus pronunciam, comem ou celebram da mesma forma.
  • Não proponha bênçãos nem orações como atividade obrigatória, já que a liberdade religiosa inclui o direito de não participar.
  • Não obrigue crianças judias a representar personagens ou a “explicar” sua religião para a turma.
  • Trate o milagre do azeite como tradição religiosa, e não como fato comprovado.
  • Use velas de LED e nunca use chama com crianças de 6 a 10 anos.
  • Verifique alergias e restrições antes de servir comida e, se preciso, ofereça uma versão assada. A comida não é “fantasia étnica”.
  • Use “judeus” para o povo e “judaísmo” para a religião.
  • Quando possível, convide uma pessoa ou instituição judaica para falar dos costumes.

Se surgirem comentários hostis sobre judeus, trate o caso como questão de respeito e de convivência. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião, com o mesmo objetivo desta aula: que cada criança aprenda a respeitar a fé e a identidade do outro.

Onde o professor pode saber mais?

Para preparar a aula, museus e instituições judaicas de referência oferecem textos e imagens confiáveis.

Perguntas frequentes

O Hanukkah é de qual religião?
Hanucá (também escrita Chanucá ou Hanukkah) é uma festa do judaísmo que dura oito dias e é conhecida como Festa das Luzes. Ela lembra a revolta dos macabeus e a rededicação do Segundo Templo de Jerusalém, em 164 a.C. As famílias judaicas celebram de formas variadas, conforme a comunidade, o país e os costumes de cada casa.
Onde a Bíblia fala sobre o Hanukkah?
A história de Hanucá está nos livros de 1 Macabeus e 2 Macabeus, que não fazem parte da Bíblia hebraica (Tanakh), mas integram as Bíblias católica e ortodoxa. O primeiro narra a purificação do Templo a partir de 25 de Kislev (1 Mac 4:52-59), e o segundo diz que a festa de oito dias foi feita “à maneira de Sucot” (2 Mac 10:5-8). O milagre do azeite só aparece depois, no Talmud (Shabbat 21b).
Por que a menorá tem 7 velas?
A menorá de sete braços era o candelabro do antigo Templo de Jerusalém. A lâmpada de Hanucá é outra, a chanukiá, que tem oito luzes (uma para cada noite da festa) e uma nona auxiliar, o shamash, usada para acender as demais. A cada noite se acende uma luz a mais, até completar oito.
Qual é o símbolo do Hanukkah?
O principal símbolo é a chanukiá, a lâmpada de nove braços acesa durante os oito dias. A festa tem ainda o sevivon (ou dreidel), pião de quatro lados com as letras Nun, Guimel, Hei e Shin, e as comidas fritas em óleo, como latkes e sufganiot, que lembram o azeite da história.

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