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Sinagoga Kahal Zur Israel, em Recife, Pernambuco
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Mito × Fato · Conspirações e desinformação

A foto do bebê queimado divulgada por Israel foi feita com IA?

FALSOA acusação se apoia num único print do detector automático “AI or Not”.
Foto: Sinagoga Kahal Zur Israel, em Recife, Pernambuco. A. Júnior · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
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Falso. A acusação nasceu de um print do detector automático “AI or Not”, que errou. A própria empresa corrigiu o resultado como falso positivo, e o perito Hany Farid, de Berkeley, não encontrou nenhum sinal de IA na foto publicada por Israel após o massacre do Hamas em 7 de outubro de 2023.

De onde veio a acusação de que a foto seria IA?

Em outubro de 2023, depois do massacre cometido pelo Hamas em 7 de outubro, a conta do governo de Israel e a conta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu publicaram a foto de um bebê queimado. O objetivo era documentar as atrocidades do ataque.

Usuários do X submeteram a imagem ao detector automático “AI or Not”. A ferramenta classificou a foto como “gerada por IA”. A captura de tela desse resultado circulou em massa.

Influenciadores como Jackson Hinkle usaram o print para acusar Israel e o comentarista Ben Shapiro de espalhar uma “imagem falsa”. A NewsGuard, organização que monitora desinformação, registrou essa publicação como uma alegação falsa. Ela observou que não há evidência de que a foto, compartilhada primeiro pelo governo israelense, tenha sido gerada por IA.

A confusão cresceu porque circulou também outra imagem de um corpo carbonizado. Especialistas identificaram essa segunda imagem como produzida ou alterada por IA. Ela não é a foto publicada por Israel, mas muita gente misturou os dois casos.

O que a empresa do “AI or Not” disse depois?

A própria empresa voltou atrás. Ela tratou o resultado como falso positivo, provavelmente ligado à compressão do arquivo e às áreas borradas da imagem. A empresa afirmou que não podia sustentar a conclusão de que a foto era artificial.

O INSS (Institute for National Security Studies), instituto israelense de estudos de segurança, registrou o episódio num estudo sobre deep fakes e guerra. Segundo o instituto, a empresa “emitiu um esclarecimento, afirmando que a imagem era genuína”, e o X removeu o aviso de que a autenticidade estava em disputa.

O INSS também apontou o dano que ficou. A correção chegou depois que o print já tinha corrido o mundo. O erro do software prejudicou a diplomacia pública de Israel e serviu de argumento para quem nega que o massacre de 7 de outubro tenha acontecido.

O que diz a perícia independente sobre a foto?

Hany Farid, professor da Escola de Informação da Universidade da Califórnia em Berkeley, é uma das principais referências em perícia de imagens digitais. Ele examinou a foto e disse ao site 404 Media que a imagem “não mostra nenhum sinal de ter sido criada por IA”.

Farid citou três pontos:

  • a consistência estrutural da imagem;
  • as sombras fisicamente corretas;
  • a ausência dos artefatos típicos de modelos generativos.

Por isso, segundo Farid, nada indica que a foto tenha sido gerada por IA, nem mesmo em parte. Outros classificadores também apontaram a imagem como real.

A checagem do jornal francês Libération, na seção CheckNews, chegou à mesma conclusão: não existe prova de que a foto tenha sido gerada por IA. O texto destacou a correção feita pela própria ferramenta.

A foto é uma montagem feita sobre a imagem de um cachorro?

Não. Uma versão derivada da acusação dizia que a foto do bebê seria uma montagem sobre a imagem de um cachorro resgatado.

A organização de checagem Provereno investigou essa versão e encontrou o contrário. A imagem do cachorro é que era a montagem, fabricada para desacreditar o registro real. A foto do bebê é a original.

Por que um print de detector não prova nada?

Detectores automáticos de IA não autenticam imagens com certeza. O próprio INSS lembra esse limite. Compressão, recortes e áreas borradas podem enganar o algoritmo, como aconteceu nesse caso.

A guerra de fato teve muitas imagens falsas criadas com IA, inclusive de crianças. A agência AP documentou esse fenômeno. Isso torna plausível, para muita gente, a ideia de que “tudo pode ser IA”.

Um resultado de aplicativo, porém, não substitui a análise de um perito. Neste caso, a própria ferramenta reconheceu o erro. Usar um falso positivo corrigido para chamar de falsa a foto de uma vítima do Hamas é desinformação.

Resposta pronta para copiar

Falso. O detector “AI or Not” deu falso positivo e a própria empresa corrigiu. O perito Hany Farid (Berkeley) não viu nenhum sinal de IA na foto. Print de aplicativo não é perícia. O massacre do Hamas em 7 de outubro não vira “fake” por causa de um erro de software.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

O caso em três passos

1. O print. Em outubro de 2023, depois do massacre do Hamas em 7 de outubro, a conta do governo de Israel e a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu publicaram a foto de um bebê queimado. Usuários passaram a imagem pelo detector “AI or Not”, que a classificou como “gerada por IA”. O print viralizou e foi usado por influenciadores como Jackson Hinkle para acusar Israel e o comentarista Ben Shapiro de divulgar uma imagem falsa.

2. A correção. A empresa do “AI or Not” tratou o resultado como falso positivo, provavelmente causado pela compressão e pelas áreas borradas da imagem. Segundo o INSS, instituto israelense de estudos de segurança, a empresa esclareceu que a imagem é genuína. O X retirou o aviso de conteúdo contestado.

3. O perito. Hany Farid, de Berkeley, examinou o arquivo e disse que a foto “não mostra nenhum sinal de ter sido criada por IA”. Ele citou a consistência estrutural, as sombras corretas e a ausência de artefatos. Outros classificadores também apontaram a imagem como real. A checagem do Libération concluiu que não há prova de geração por IA.

A versão do cachorro

A alegação de que a foto seria montagem sobre a imagem de um cachorro foi checada pela Provereno. A montagem era a imagem do cachorro.

O que a perícia confirma e o que não confirma

A perícia técnica atesta que a imagem é uma fotografia, não um produto de IA. Ela não identifica sozinha a vítima nem confirma todos os detalhes da legenda. Mas a acusação que circula é outra: a de que Israel teria fabricado a foto com IA. Essa acusação é falsa.

Por que isso importa

O INSS registrou o episódio como exemplo de como uma informação errada causa dano mesmo depois de corrigida. O print continuou circulando entre pessoas que negam o massacre de 7 de outubro. Duvidar de imagens em tempo de guerra é saudável. Usar um erro de software já corrigido para negar uma atrocidade do Hamas não é.

Se for responder, evite:
  • Não republique a foto do bebê. Use só texto ou uma imagem desfocada.
  • Não diga que a foto prova sozinha a identidade da vítima, o local ou todos os detalhes da legenda. Ela foi atestada como imagem real, não como dossiê completo.
  • Não misture a autenticidade desta foto com números não confirmados do início da guerra. São questões diferentes.
  • Não confunda esta foto com a imagem de um homem carregando crianças nos escombros, checada pela AFP. É outro caso.
  • Não confunda esta foto com a outra imagem de corpo carbonizado que de fato foi produzida ou alterada por IA.
  • Não acuse de má-fé quem compartilhou o print sem saber da correção. Responda com os fatos.
  • Não generalize palestinos ou muçulmanos. O alvo da resposta é a desinformação e o Hamas, autor do massacre.

Perguntas frequentes

O detector “AI or Not” confirmou que a foto era falsa?
Não. A ferramenta deu um resultado inicial de “gerada por IA”, mas a própria empresa tratou esse resultado como falso positivo, provavelmente ligado à compressão e às áreas borradas da imagem. Segundo o INSS, a empresa esclareceu que a imagem é genuína, e o X retirou o aviso de conteúdo contestado.
Algum especialista encontrou sinais de IA na foto?
Não. O perito Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que a foto não mostra nenhum sinal de IA. Ele citou a consistência estrutural, as sombras corretas e a ausência de artefatos típicos. Outros classificadores também apontaram a imagem como real.
A foto do bebê foi feita a partir da imagem de um cachorro?
Não. A checagem da Provereno mostrou o inverso: a imagem do cachorro é que era a montagem. A foto do bebê é o registro original.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.