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U Nu e David Ben-Gurion em Sde Boker
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Os ingleses prometeram a "Palestina" aos árabes nas cartas McMahon-Hussein e depois traíram?

ENGANOSOA correspondência existiu, e a Grã-Bretanha ofereceu apoio à independência árabe.
Foto: U Nu e David Ben-Gurion em Sde Boker. Paul Goldman · Public domain · Wikimedia Commons
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Enganoso. As cartas McMahon-Hussein, de 1915-1916, ofereceram apoio à independência árabe com reservas, mas não citam pelo nome o território do futuro Mandato Britânico. McMahon excluiu as áreas a oeste de Damasco, Homs, Hama e Alepo e, em 1937, disse que não quis incluir a região. Faisal, filho de Hussein, firmou acordo com Weizmann em 1919.

O que foi a correspondência McMahon-Hussein?

Entre julho de 1915 e março de 1916, Hussein bin Ali, xerife de Meca, e Henry McMahon, alto comissário britânico no Egito, trocaram cartas. Era a Primeira Guerra Mundial. A Grã-Bretanha queria uma revolta árabe contra o Império Otomano.

Em troca, McMahon aceitou reconhecer a independência árabe em uma área ampla, mas com reservas territoriais. Os ingleses de fato fizeram compromissos com os árabes. A questão é o que esses compromissos cobriam.

As cartas prometiam a região a oeste do Jordão aos árabes?

Não de forma clara. O território que depois formaria o Mandato Britânico não é citado pelo nome em nenhuma carta. A Jewish Virtual Library observa que a correspondência "conspicuamente" deixa de mencioná-lo.

Na carta de 24 de outubro de 1915, a mais importante do conjunto, McMahon excluiu as áreas "a oeste dos distritos de Damasco, Homs, Hama e Alepo". Segundo ele, essas áreas não podiam ser consideradas puramente árabes.

Em 1922, o Livro Branco de Churchill afirmou que essa reserva cobria o vilaiete de Beirute e o sanjaque independente de Jerusalém. Toda a região a oeste do Jordão ficava, portanto, fora da promessa.

O que o próprio McMahon disse depois?

Em 1937, McMahon declarou que não teve a intenção de incluir a região na área do futuro Estado árabe independente. Ele disse acreditar que Hussein entendera isso na época.

Em 1939, um comitê britânico reexaminou as cartas. O relatório registrou a leitura dos representantes árabes, que alegavam que o sentido gramatical do texto incluía a região. O comitê reconheceu imprecisões de tradução, mas manteve a conclusão britânica: a região estava excluída.

Como os líderes árabes da época trataram a região?

Em 3 de janeiro de 1919, o emir Faisal, filho de Hussein e chefe da delegação árabe na Conferência de Paz de Paris, assinou o Acordo Faisal-Weizmann com Chaim Weizmann, líder sionista. O acordo tratava a região como entidade distinta do futuro reino árabe.

O filho do homem que teria recebido a "promessa" negociou, portanto, com o movimento sionista o futuro dessa terra como questão à parte.

Houve contradição na política britânica?

Houve, e isso não se nega. A Grã-Bretanha assumiu compromissos sobrepostos com os árabes (1915-1916), com a França no Acordo Sykes-Picot (1916) e com o movimento sionista na Declaração Balfour (1917).

Mas política contraditória não equivale a uma promessa clara da região aos árabes. A Declaração Balfour apoiou um lar nacional para o povo judeu e resguardou expressamente os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas. Em 1920, a conferência de San Remo atribuiu o Mandato à Grã-Bretanha, e a Liga das Nações o aprovou em 1922.

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As cartas de 1915-1916 não citam a região pelo nome. McMahon excluiu as áreas a oeste de Damasco, Homs, Hama e Alepo. Em 1937, negou ter incluído a região. Em 1919, Faisal, filho de Hussein, assinou acordo com Weizmann. Houve política contraditória, não promessa clara.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase "os ingleses prometeram a Palestina aos árabes e depois traíram" circula em posts e vídeos de história. Ela é usada para dizer que a presença judaica na região nasceu de uma traição. O argumento parte de fatos reais, mas os distorce.Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →

O que é verdade. A correspondência existiu. Entre julho de 1915 e março de 1916, McMahon e Hussein trocaram cartas. A Grã-Bretanha ofereceu apoio à independência árabe em área ampla, com reservas, em troca da revolta contra os otomanos.

O que a frase distorce. As cartas não nomeiam a região. A carta de 24 de outubro de 1915 exclui as áreas a oeste dos distritos de Damasco, Homs, Hama e Alepo. O governo britânico sustentou de forma consistente que essa reserva cobria a região a oeste do Jordão:

  • 1922: o Livro Branco de Churchill afirmou que a reserva cobria o vilaiete de Beirute e o sanjaque independente de Jerusalém.
  • 1937: McMahon declarou que não quis incluir a região e que acreditava que Hussein entendera isso.
  • 1939: um comitê britânico registrou a leitura árabe e admitiu imprecisões de tradução. Mesmo assim, manteve a conclusão de que a região estava excluída.

O que a frase omite. Em 3 de janeiro de 1919, Faisal, filho de Hussein, assinou o Acordo Faisal-Weizmann. O acordo tratava a região como entidade distinta do reino árabe. A Declaração Balfour, de 1917, resguardou os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.

Conclusão. A Grã-Bretanha teve uma política contraditória no Oriente Médio, e os árabes leram as cartas de outro modo. Transformar uma redação ambígua e cheia de reservas em promessa inequívoca e "traição" consumada é enganoso. O direito do povo judeu à sua terra também não depende de cartas trocadas entre um diplomata britânico e o xerife de Meca.

Se for responder, evite:
  • Não diga que os britânicos nunca prometeram nada aos árabes. Eles prometeram apoio à independência em área ampla.
  • Não negue que houve uma leitura árabe diferente. O próprio comitê britânico de 1939 a registrou.
  • Não negue a contradição da política britânica entre McMahon-Hussein, Sykes-Picot e Balfour.
  • Não use o tema para atacar árabes ou palestinos. O alvo é a frase, não o povo.
  • Não cite como fonte neutra sites militantes nem enciclopédias abertas.

Perguntas frequentes

O que foi a correspondência McMahon-Hussein?
Foi uma troca de cartas entre julho de 1915 e março de 1916. Henry McMahon, alto comissário britânico no Egito, escreveu a Hussein bin Ali, xerife de Meca. A Grã-Bretanha ofereceu apoio à independência árabe, com reservas territoriais, em troca de uma revolta contra o Império Otomano.
A carta de McMahon de 24 de outubro de 1915 incluía Jerusalém?
Segundo o governo britânico, não. A carta excluiu as áreas a oeste dos distritos de Damasco, Homs, Hama e Alepo. Em 1922, o Livro Branco de Churchill afirmou que isso cobria o sanjaque independente de Jerusalém e o vilaiete de Beirute. Em 1937, McMahon confirmou que não quis incluir a região.
O que foi o Acordo Faisal-Weizmann?
Foi um acordo assinado em 3 de janeiro de 1919 pelo emir Faisal, filho de Hussein, e pelo líder sionista Chaim Weizmann. O acordo tratava a região como entidade distinta do futuro reino árabe.
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