Falso. Hajj Amin al-Husseini, mufti de Jerusalém, foi recebido por Hitler na Chancelaria do Reich, em Berlim, em 28 de novembro de 1941. O Museu Memorial do Holocausto dos EUA documenta que ele fez propaganda pró-Eixo e antissemita e ajudou a recrutar muçulmanos para a Waffen-SS. Não é invenção sionista: são arquivos.
O mufti de Jerusalém se encontrou mesmo com Hitler?
Sim. Hajj Amin al-Husseini foi recebido por Adolf Hitler na Chancelaria do Reich, em Berlim, em 28 de novembro de 1941. O ministro do Exterior Joachim von Ribbentrop estava presente.
A ata oficial da conversa foi registrada em alemão pelo diplomata e intérprete Paul Otto Schmidt. Ela está publicada na coleção Documents on German Foreign Policy, Série D, Volume XIII. O encontro também foi fotografado e filmado por cinejornais da época. A fotografia está no acervo do Yad Vashem e na enciclopédia do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.
Segundo a ata, o mufti disse a Hitler que os árabes eram "amigos naturais" da Alemanha porque tinham os mesmos inimigos: os britânicos, os judeus e os comunistas. Ele pediu apoio alemão contra os britânicos e contra o lar nacional judaico previsto no Mandato Britânico. Hitler respondeu que a Alemanha travava uma guerra intransigente contra os judeus. Prometeu, em caráter confidencial, que, quando as tropas alemãs chegassem ao sul do Cáucaso, o objetivo alemão na região seria a destruição do elemento judaico residente na esfera árabe sob proteção britânica.
Como o mufti colaborou com o nazismo?
O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos registra que al-Husseini colaborou com a Alemanha nazista e com a Itália fascista. A colaboração teve várias frentes:
- Propaganda. Ele transmitiu ao mundo árabe propaganda pró-Eixo, antibritânica e antissemita, por meio da rádio de ondas curtas de Zeesen, perto de Berlim. Em março de 1944, segundo transcrições do monitoramento do governo dos EUA, ele exortou os ouvintes: "Matai os judeus onde quer que os encontreis. Isso agrada a Deus, à história e à religião".
- Recrutamento militar. Ele ajudou a recrutar muçulmanos dos Bálcãs e do Leste Europeu para unidades alemãs, incluindo a Waffen-SS. Entre elas estava a 13ª Divisão de Montanha da SS, a Handschar.
- Laços com a SS. Ele manteve reuniões e correspondência com Heinrich Himmler, chefe da SS.
Ele viveu em Berlim de 1941 a 1945, sustentado pelo regime nazista. Em julho de 1945, o governo da Iugoslávia pediu sua inclusão na lista de criminosos de guerra das Nações Unidas, por seu papel na mobilização de tropas da SS nos Bálcãs.
O Yad Vashem descreve seu desprezo pelos judeus e sua colaboração intensa com os nazistas.
Isso é invenção sionista?
Não. A documentação não depende de Israel. Ela vem de três tipos de fonte:
- Arquivos do próprio Terceiro Reich. A ata alemã da reunião de 1941 é o registro central.
- Instituições fora de Israel. O Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos dedica artigos, fotografias e uma galeria ao tema. A emissora pública alemã BR, em sua checagem Faktenfuchs, trata a colaboração como fato.
- Agências internacionais. A Reuters noticiou a foto do encontro com Hitler.
Chamar isso de "propaganda sionista" é recusar um documento porque ele incomoda. A fonte primária é alemã, e o reconhecimento é internacional.
Então o mufti inventou o Holocausto?
Não. Aqui existe uma correção histórica real, e ela deve ser dita com honestidade.
Em 2015, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu associou o mufti à decisão nazista de exterminar os judeus. Historiadores israelenses contestaram essa ideia, entre eles Dina Porat, então historiadora-chefe do Yad Vashem. Porat afirmou que o extermínio dos judeus já era central na ideologia de Hitler muito antes do encontro, como registrou a Reuters. O próprio Yad Vashem afirma que o mufti não participou da decisão central da "Solução Final".
A ressalva é sobre a autoria do Holocausto, não sobre a colaboração. Quem diz "ele nunca colaborou" pega essa correção verdadeira e a transforma numa negação falsa. Colaboração: documentada. Autoria do Holocausto: não. Uma coisa não anula a outra.
Isso diz algo sobre os palestinos em geral?
Não. A responsabilidade é de Hajj Amin al-Husseini e de seu círculo político. Nenhum povo responde coletivamente pelos atos de um líder. Ninguém deve usar essa história para culpar palestinos, árabes ou muçulmanos em geral.
O que não se pode fazer é apagar o fato. Lembrar a colaboração de um líder com o nazismo é memória histórica do Holocausto. Negá-la com base em arquivos alemães e acervos de memoriais é distorcer essa memória.
Resposta pronta para copiar
Falso. O mufti Hajj Amin al-Husseini foi recebido por Hitler em Berlim em 28/11/1941. Há foto no Yad Vashem e ata alemã da reunião. O Museu do Holocausto dos EUA documenta propaganda nazista e recrutamento para a Waffen-SS. Ele não inventou o Holocausto, mas colaborou com o nazismo.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Duas perguntas diferentes, duas respostas diferentes.
1. O mufti colaborou com a Alemanha nazista? Sim. O registro inclui a reunião com Hitler em 28 de novembro de 1941 e a ata alemã de Paul Otto Schmidt (Documents on German Foreign Policy, Série D, Vol. XIII). Inclui também a propaganda em árabe pela rádio de Zeesen, o recrutamento de muçulmanos dos Bálcãs e do Leste Europeu para a Waffen-SS, o contato com Heinrich Himmler e a residência em Berlim de 1941 a 1945, sustentada pelo regime.
2. O mufti concebeu ou decidiu o Holocausto? Não. O Yad Vashem e a historiadora Dina Porat afirmam que a política de extermínio nazista já existia e estava em curso. A tese oposta, levantada por Netanyahu em 2015, foi corrigida por historiadores israelenses.
A frase "nunca colaborou; é invenção sionista" mistura as duas perguntas. Ela usa a correção sobre a segunda para negar a primeira. É essa troca que a torna falsa.
Por que a negação convence? Ela se apoia numa correção verdadeira e conhecida. Também explora a desconfiança contra tudo o que vem de Israel. Por isso vale mostrar que as provas centrais são alemãs e que instituições fora de Israel, como o museu dos EUA, a BR e a Reuters, as reconhecem.
- Não diga que o mufti "deu a Hitler a ideia" ou "convenceu Hitler" a fazer o Holocausto. O Yad Vashem e Dina Porat rejeitam essa tese.
- Não use a colaboração do mufti para culpar palestinos, árabes ou muçulmanos em geral. A responsabilidade é dele e de seu círculo.
- Não cite números, cartas ou frases atribuídas a ele sem indicar a fonte primária pública.
- Não apresente a correção de 2015 como prova de que a colaboração não existiu. Ela tratou só da autoria do Holocausto.
Perguntas frequentes
Quando o mufti de Jerusalém se encontrou com Hitler?
O mufti recrutou soldados para a SS?
O mufti foi o responsável pelo Holocausto?
- Yad Vashem: Haj Amin al-Husseini
- Yad Vashem: foto do encontro do mufti com Hitler
- Museu Memorial do Holocausto dos EUA: Hajj Amin al-Husayni, o mufti de Jerusalém
- Museu Memorial do Holocausto dos EUA: Hajj Amin al-Husayni, propagandista de guerra
- Museu Memorial do Holocausto dos EUA: foto do primeiro encontro com Hitler
- Museu Memorial do Holocausto dos EUA: galeria sobre Hajj Amin al-Husayni
- JCPA: Haj Amin al-Husseini, os nazistas e o Holocausto
- Hoover Institution: The Mufti and the Holocaust
- Reuters: Israel divulga foto do mufti com Hitler
- Reuters: a polêmica da fala de Netanyahu sobre o mufti em 2015
- BBC: reação à fala de Netanyahu em 2015
- BR Faktenfuchs: o mufti de Jerusalém não deu a ideia a Hitler




