JJOJuventude JudaicaOrganizada
Arquitetura de Israel
Início › Mitos › História
Mito × Fato · História

O Mandato Britânico foi criado só para "entregar a Palestina aos sionistas"?

ENGANOSOA frase parte de um fato real e o distorce.
Foto: Arquitetura de Israel. udi Steinwell · Public domain · Wikimedia Commons
Nesta página
Resposta curta

Enganoso. O Mandato da Liga das Nações, de 24 de julho de 1922, reconheceu a conexão histórica do povo judeu e o lar nacional judaico. Mas também protegia os direitos de não judeus. A Grã-Bretanha separou 78% do território para criar a Transjordânia e, em 1939, limitou a imigração judaica a 75.000 pessoas em cinco anos.

O que o Mandato Britânico de fato reconheceu?

O Conselho da Liga das Nações aprovou o Mandato em 24 de julho de 1922, depois da Conferência de San Remo, de 1920. O texto incorporou a Declaração Balfour, de 2 de novembro de 1917.

O Mandato reconheceu a conexão histórica do povo judeu com a terra. Também encarregou a Grã-Bretanha de criar condições para o lar nacional judaico.

Isso é um marco: pela primeira vez, a comunidade internacional reconheceu em documento jurídico o vínculo do povo judeu com sua terra ancestral. O governo de Israel e os materiais do Ministério da Educação de Israel apresentam esse reconhecimento como base do direito internacional que sustenta o Estado judeu. Com razão.

Mas reconhecer um direito não é "entregar" um território.

O Mandato prometia um Estado judeu sobre todo o território?

Não. O texto impunha uma dupla obrigação. A potência mandatária devia favorecer o lar nacional judaico. E devia garantir que nada prejudicasse os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.

O Mandato também não prometia um Estado judeu imediato. O Livro Branco de Churchill, de 1922, declarou que nunca foi intenção britânica converter todo o território num Estado judeu.

E houve o corte territorial. Em 1921–1922, com base no Artigo 25 do Mandato, a Grã-Bretanha separou 78% do território original, a leste do rio Jordão. Ali criou o Emirado da Transjordânia, hoje Jordânia. Nessa área, vetou o assentamento judaico.

Um instrumento criado "só" para os sionistas não começaria tirando deles quase quatro quintos do território.

O que foram os Livros Brancos de 1930 e 1939?

Foram documentos de política britânica que restringiram o lar nacional judaico.

  • Livro Branco de Passfield (1930): limitou a imigração judaica e a compra de terras por judeus.
  • Livro Branco de 1939: fixou no máximo 75.000 imigrantes judeus em cinco anos. Depois disso, a imigração dependeria da concordância árabe, o que na prática dava um veto. O documento também propôs um Estado independente em dez anos, com participação árabe e judaica, e não um Estado judeu.
  • Regras de terras de 1940: proibiram ou restringiram a venda de terras a judeus em 95% da área a oeste do Jordão. Ficou livre só uma faixa de 5% na planície costeira.

O Livro Branco de 1939 saiu na véspera do Holocausto. As portas se fecharam justamente quando os judeus da Europa mais precisavam de refúgio.

Como terminou o Mandato Britânico?

Com ruptura, não com "entrega".

A Marinha Real fez um bloqueio naval na costa. Interceptou navios de imigração clandestina, a chamada Aliyah Bet, e deportou sobreviventes do Holocausto para campos de detenção em Chipre.

O Yishuv, a comunidade judaica local, passou a ver a Grã-Bretanha como uma potência que violava suas obrigações perante a Liga das Nações. Entre 1945 e 1947, grupos judeus clandestinos atacaram alvos britânicos para encerrar o Mandato, como no atentado ao Hotel King David, em 1946.

Em fevereiro de 1947, Londres devolveu a questão à ONU. Em novembro de 1947, a Grã-Bretanha se absteve na votação da Resolução 181, a partilha. Em maio de 1948, retirou suas tropas sem apoiar nem facilitar a criação de Israel.

Resposta pronta para copiar

Enganoso. O Mandato de 1922 reconheceu o lar nacional judaico, mas protegia direitos de não judeus. Os britânicos tiraram 78% do território para a Transjordânia, limitaram a imigração judaica a 75.000 em 1939, às vésperas do Holocausto, e se abstiveram na partilha.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

Como a frase circula. Ela aparece em posts, vídeos e comentários sobre a história do conflito. Junta a Declaração Balfour, San Remo e o Mandato como se fossem uma só "entrega" colonial. Muitas vezes vem junto de "o povo nativo nunca foi consultado".

Por que convence. Parte de fatos reais. O Mandato incorporou a Declaração Balfour, mandou favorecer um lar nacional para o povo judeu e reconheceu sua conexão histórica com a terra. O "só" passa despercebido e transforma reconhecimento internacional em "entrega".

O que a frase apaga.

1. O Mandato era um instrumento da Liga das Nações, não um título de propriedade. 2. Havia uma dupla obrigação, com proteção expressa aos direitos civis e religiosos dos não judeus. 3. O Livro Branco de Churchill, de 1922, negou a intenção de transformar todo o território num Estado judeu. 4. A Grã-Bretanha separou 78% do território para criar a Transjordânia e vetou ali o assentamento judaico. 5. Os Livros Brancos de 1930 e 1939 restringiram a imigração e a compra de terras. O de 1939 limitou a imigração a 75.000 judeus em cinco anos, às vésperas do Holocausto. 6. As regras de 1940 proibiram ou restringiram a venda de terras a judeus em 95% da área a oeste do Jordão. 7. Sobreviventes do Holocausto foram deportados para campos em Chipre. 8. Em 1947, Londres devolveu a questão à ONU, se absteve na Resolução 181 e saiu em 1948 sem apoiar a criação de Israel.

O ponto central. O Mandato deu reconhecimento internacional legítimo ao lar nacional judaico. Isso não equivale a soberania automática, nem a uma política britânica de favorecimento. Na prática, a potência mandatária recuou de seus compromissos e entrou em choque aberto com o movimento nacional judaico. Israel nasceu apesar da Grã-Bretanha, não por concessão dela.

Se for responder, evite:
  • Não diga que o Mandato não tinha relação com o sionismo. Tinha, e esse reconhecimento é legítimo.
  • Não diga que o Mandato deu soberania automática aos judeus sobre todo o território. Ele não deu.
  • Não negue a existência nem a presença dos árabes palestinos. A população árabe era maioria na época.
  • Não use números de imigração ou de terras além dos documentados: 78%, 75.000 em cinco anos, 95%.
  • Não trate a frase como antissemitismo por si só. O problema dela é a distorção histórica.

Perguntas frequentes

O que foi o Mandato Britânico?
Foi um instrumento da Liga das Nações, aprovado em 24 de julho de 1922. Encarregou a Grã-Bretanha de administrar o território e de criar condições para o lar nacional judaico, reconhecendo a conexão histórica do povo judeu com a terra. Também a obrigava a proteger os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas. Terminou com a retirada britânica, em 1948.
O que foi o Livro Branco?
Foi uma série de documentos de política britânica. O de Churchill, de 1922, negou a intenção de criar um Estado judeu em todo o território. O de Passfield, de 1930, limitou imigração e compra de terras. O de 1939 fixou no máximo 75.000 imigrantes judeus em cinco anos e condicionou o resto à concordância árabe, às vésperas do Holocausto.
A Grã-Bretanha apoiou a criação de Israel?
Não. Em fevereiro de 1947, devolveu a questão à ONU. Em novembro de 1947, se absteve na votação da Resolução 181. Em maio de 1948, retirou suas tropas sem apoiar nem facilitar a criação do Estado de Israel.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.