Enganoso. Os EUA vetaram muitas resoluções críticas a Israel, mas não vetam tudo. Em 2016 se abstiveram e a Resolução 2334 passou por 14 votos. O Conselho também aprovou as resoluções 242, 478, 2712 e 2728. O veto derruba só um texto. Em 2024, os próprios EUA sancionaram israelenses. Vetos recentes rejeitaram textos que ignoravam o Hamas e os reféns.
Como funciona o poder de veto no Conselho de Segurança?
O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros. Cinco são permanentes: EUA, Rússia, China, França e Reino Unido.
Uma resolução precisa de pelo menos 9 votos a favor e de nenhum veto de um membro permanente. O veto derruba só aquele projeto, naquela votação. Ele não apaga o tema da pauta e não vale para outros órgãos.
Por isso, quem diz que o veto torna um país “intocável” confunde uma regra de votação com imunidade.
Os EUA vetam mesmo resoluções sobre Israel?
Sim, e isso é público. Uma contagem citada em debate da Assembleia Geral da ONU em 2024 aponta 45 vetos. Outra análise registra 89 vetos americanos desde 1945, dos quais 45 contra resoluções críticas a Israel até dezembro de 2023.
Alguns exemplos:
- Fevereiro de 2011: veto a um texto sobre as comunidades israelenses em Judeia e Samaria.
- Outubro de 2023: veto a um texto sobre Gaza que teve 12 votos a favor. Rússia e Reino Unido se abstiveram.
- Dezembro de 2023: veto a uma proposta de cessar-fogo com 13 votos a favor.
- Junho de 2025: veto a uma resolução sobre Gaza com 14 votos a favor.
Negar esses vetos seria errado. O erro da frase está em transformar “com frequência” em “sempre”.
O Conselho de Segurança já aprovou resoluções sobre Israel sem veto americano?
Muitas vezes. Alguns exemplos:
- Resolução 242 (1967): aprovada por unanimidade após a Guerra dos Seis Dias.
- Resolução 478 (1980): declarou “nula e sem efeito” a Lei de Jerusalém aprovada pelo Knesset. Os EUA se abstiveram, e o texto passou.
- Resolução 2334 (dezembro de 2016): sob o governo Barack Obama, os EUA se abstiveram. O texto, sobre as comunidades israelenses em Judeia e Samaria e em Jerusalém Oriental, foi aprovado por 14 votos.
- Resoluções 2712 e 2728 (2023–2024): aprovadas durante a guerra iniciada pelo Hamas, com exigências humanitárias, de pausas ou cessar-fogo e de libertação dos reféns.
Entre 1987 e 1992, o Conselho também aprovou sem veto as resoluções 605, 607, 608, 672, 681, 694, 726 e 799, críticas à atuação das forças de segurança israelenses. A ideia de que os EUA “vetam tudo” não resiste ao registro de votações.
O veto impede que Israel sofra consequências?
Não. O veto vale só no Conselho de Segurança. Fora dele, outros órgãos e governos agem livremente:
- A Assembleia Geral aprovou, em 1982, a Resolução 37/123A, que pedia aos Estados que cortassem assistência militar, econômica e comercial a Israel.
- O Conselho de Direitos Humanos aprovou a Resolução 31/36 (2016), que criou uma lista de empresas com negócios nas comunidades israelenses, e a Resolução 55/28 (abril de 2024), que pede embargo de armas a Israel.
- Os próprios EUA, em 11 de julho e 28 de agosto de 2024, sancionaram, pela Ordem Executiva 14115, indivíduos e entidades israelenses que Washington acusou de violência na Judeia e Samaria.
Ou seja: Israel enfrenta pressão diplomática, política e econômica o tempo todo. Dizer que “nunca é punido” não se sustenta diante do registro.
Por que os EUA vetam algumas resoluções sobre Israel?
Os vetos têm motivos declarados nas atas da ONU.
- Outubro de 2023: os EUA rejeitaram um texto que não reconhecia o direito de autodefesa de Israel após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro. A embaixadora americana afirmou, ao mesmo tempo, que civis, jornalistas, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU devem ser protegidos.
- Guerra em Gaza: Israel e os EUA se opõem a textos que cobram Israel sem condenar o Hamas nem exigir a libertação dos reféns. Foi o Hamas que começou a guerra, com o massacre de 7 de outubro, e ainda mantinha reféns.
- 2011: Washington chamou os assentamentos de “ilegítimos”, mas vetou porque o texto prejudicava as negociações. O embaixador israelense Meron Reuben defendeu negociações diretas, sem pré-condições, e lembrou que o tema era um entre vários do acordo final.
Vetar um texto desequilibrado é posição política declarada. Não é “impunidade”.
Resposta pronta para copiar
Os EUA vetam muito, mas não tudo. Em 2016 se abstiveram e a Resolução 2334 passou por 14 votos. Passaram também a 242, a 478, a 2712 e a 2728. Em 2024 os EUA sancionaram israelenses. Veto não é imunidade. Vetos recentes barraram textos que ignoravam o Hamas e os reféns.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
### Veto não é imunidade, e veto não é automático
A frase “Israel nunca é punido porque os EUA vetam tudo” mistura um fato verdadeiro com uma conclusão falsa.
O fato verdadeiro: os EUA usam o veto com frequência para barrar resoluções críticas a Israel. Uma análise contabiliza 89 vetos americanos desde 1945, 45 deles sobre Israel até dezembro de 2023. Um documento da ONU registrava 29 vetos ligados à questão palestina até 2019.
A conclusão falsa: que isso torna Israel imune. O registro mostra o contrário.
1. Abstenções americanas permitiram aprovações. Foi assim com a Resolução 478 (1980) e com a Resolução 2334 (2016), aprovada por 14 votos. 2. Há resoluções aprovadas sem veto. Da 242 (1967, unânime) às 2712 e 2728 (2023–2024), passando por uma série de textos entre 1987 e 1992. 3. O veto não alcança outros órgãos. A Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos aprovaram medidas duras contra Israel, como pedidos de corte de assistência e de embargo de armas. 4. Os EUA também punem. Em julho e agosto de 2024, Washington sancionou israelenses pela Ordem Executiva 14115.
### Capítulo VI e Capítulo VII
A maioria das resoluções do Conselho sobre Israel foi adotada sob o Capítulo VI da Carta da ONU, de solução pacífica de controvérsias. Em 1992, o secretário-geral da ONU declarou que resoluções desse tipo têm caráter recomendatório e não impõem sanções coercitivas. Já os textos sob o Capítulo VII autorizam sanções obrigatórias ou uso da força. É nesses casos, e em textos considerados desequilibrados, que o veto costuma ser usado.
### O contexto que a frase esconde
Na guerra em Gaza, os vetos americanos responderam a textos que não reconheciam o direito de Israel se defender após o massacre do Hamas em 7 de outubro ou que não exigiam a libertação dos reféns. O direito de autodefesa de qualquer Estado-membro está no Artigo 51 da Carta da ONU. Recusar um texto que ignora isso é uma posição política declarada, registrada em ata.
- Não diga que os EUA “nunca vetam” nem minimize os vetos. Eles existem e são muitos.
- Não chame todas as resoluções da ONU de ilegítimas sem argumento. Explique o que cada texto diz e por que foi aprovado ou vetado.
- Não invente números de resoluções, placares nem datas. Use os do registro oficial.
- Não ataque países árabes ou muçulmanos em geral. A crítica é a textos unilaterais e ao Hamas.
- Não diga que Israel não sofre nenhuma pressão internacional. O argumento forte é outro: o veto barra textos específicos e desequilibrados, não toda responsabilização.
Perguntas frequentes
Quem são os 5 países com poder de veto na ONU?
Qual é o poder de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas?
Por que os Estados Unidos protegem Israel no Conselho de Segurança?
- ONU: veto de fevereiro de 2011 e posição de Israel (Meron Reuben)
- ONU: votação de outubro de 2023 sobre Gaza e justificativa americana
- ONU: tabela oficial de vetos no Conselho de Segurança
- ONU: documento sobre vetos no Conselho de Segurança até 2019
- ONU: ata do Conselho de Segurança de 2024
- ONU: ata do Conselho de Segurança de junho de 2025 (14 votos a favor, veto americano)
- ONU: debate da Assembleia Geral de 2024 (contagem de 45 vetos)
- Análise sobre o uso do veto americano em décadas (89 vetos, 45 sobre Israel)
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