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Mito × Fato · Direito internacional

“Israel nunca é punido porque os EUA vetam tudo no Conselho de Segurança”: mito ou fato?

ENGANOSOA frase parte de um fato real: os EUA vetaram muitas resoluções críticas a Israel.
Foto: Anwar Sadat Jimmy Carter Menachem Begin sign Camp David Accords-1978. Not know or unknown · Public domain · Wikimedia Commons
🎧 Mito × Fato explicado · 7 minA explicação completa, em conversa. Narração com vozes sintéticas.
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Enganoso. Os EUA vetaram muitas resoluções críticas a Israel, mas não vetam tudo. Em 2016 se abstiveram e a Resolução 2334 passou por 14 votos. O Conselho também aprovou as resoluções 242, 478, 2712 e 2728. O veto derruba só um texto. Em 2024, os próprios EUA sancionaram israelenses. Vetos recentes rejeitaram textos que ignoravam o Hamas e os reféns.

Como funciona o poder de veto no Conselho de Segurança?

O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros. Cinco são permanentes: EUA, Rússia, China, França e Reino Unido.

Uma resolução precisa de pelo menos 9 votos a favor e de nenhum veto de um membro permanente. O veto derruba só aquele projeto, naquela votação. Ele não apaga o tema da pauta e não vale para outros órgãos.

Por isso, quem diz que o veto torna um país “intocável” confunde uma regra de votação com imunidade.

Os EUA vetam mesmo resoluções sobre Israel?

Sim, e isso é público. Uma contagem citada em debate da Assembleia Geral da ONU em 2024 aponta 45 vetos. Outra análise registra 89 vetos americanos desde 1945, dos quais 45 contra resoluções críticas a Israel até dezembro de 2023.

Alguns exemplos:

  • Fevereiro de 2011: veto a um texto sobre as comunidades israelenses em Judeia e Samaria.
  • Outubro de 2023: veto a um texto sobre Gaza que teve 12 votos a favor. Rússia e Reino Unido se abstiveram.
  • Dezembro de 2023: veto a uma proposta de cessar-fogo com 13 votos a favor.
  • Junho de 2025: veto a uma resolução sobre Gaza com 14 votos a favor.

Negar esses vetos seria errado. O erro da frase está em transformar “com frequência” em “sempre”.

O Conselho de Segurança já aprovou resoluções sobre Israel sem veto americano?

Muitas vezes. Alguns exemplos:

  • Resolução 242 (1967): aprovada por unanimidade após a Guerra dos Seis Dias.
  • Resolução 478 (1980): declarou “nula e sem efeito” a Lei de Jerusalém aprovada pelo Knesset. Os EUA se abstiveram, e o texto passou.
  • Resolução 2334 (dezembro de 2016): sob o governo Barack Obama, os EUA se abstiveram. O texto, sobre as comunidades israelenses em Judeia e Samaria e em Jerusalém Oriental, foi aprovado por 14 votos.
  • Resoluções 2712 e 2728 (2023–2024): aprovadas durante a guerra iniciada pelo Hamas, com exigências humanitárias, de pausas ou cessar-fogo e de libertação dos reféns.

Entre 1987 e 1992, o Conselho também aprovou sem veto as resoluções 605, 607, 608, 672, 681, 694, 726 e 799, críticas à atuação das forças de segurança israelenses. A ideia de que os EUA “vetam tudo” não resiste ao registro de votações.

O veto impede que Israel sofra consequências?

Não. O veto vale só no Conselho de Segurança. Fora dele, outros órgãos e governos agem livremente:

  • A Assembleia Geral aprovou, em 1982, a Resolução 37/123A, que pedia aos Estados que cortassem assistência militar, econômica e comercial a Israel.
  • O Conselho de Direitos Humanos aprovou a Resolução 31/36 (2016), que criou uma lista de empresas com negócios nas comunidades israelenses, e a Resolução 55/28 (abril de 2024), que pede embargo de armas a Israel.
  • Os próprios EUA, em 11 de julho e 28 de agosto de 2024, sancionaram, pela Ordem Executiva 14115, indivíduos e entidades israelenses que Washington acusou de violência na Judeia e Samaria.

Ou seja: Israel enfrenta pressão diplomática, política e econômica o tempo todo. Dizer que “nunca é punido” não se sustenta diante do registro.

Por que os EUA vetam algumas resoluções sobre Israel?

Os vetos têm motivos declarados nas atas da ONU.

  • Outubro de 2023: os EUA rejeitaram um texto que não reconhecia o direito de autodefesa de Israel após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro. A embaixadora americana afirmou, ao mesmo tempo, que civis, jornalistas, trabalhadores humanitários e funcionários da ONU devem ser protegidos.
  • Guerra em Gaza: Israel e os EUA se opõem a textos que cobram Israel sem condenar o Hamas nem exigir a libertação dos reféns. Foi o Hamas que começou a guerra, com o massacre de 7 de outubro, e ainda mantinha reféns.
  • 2011: Washington chamou os assentamentos de “ilegítimos”, mas vetou porque o texto prejudicava as negociações. O embaixador israelense Meron Reuben defendeu negociações diretas, sem pré-condições, e lembrou que o tema era um entre vários do acordo final.

Vetar um texto desequilibrado é posição política declarada. Não é “impunidade”.

Resposta pronta para copiar

Os EUA vetam muito, mas não tudo. Em 2016 se abstiveram e a Resolução 2334 passou por 14 votos. Passaram também a 242, a 478, a 2712 e a 2728. Em 2024 os EUA sancionaram israelenses. Veto não é imunidade. Vetos recentes barraram textos que ignoravam o Hamas e os reféns.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

### Veto não é imunidade, e veto não é automático

A frase “Israel nunca é punido porque os EUA vetam tudo” mistura um fato verdadeiro com uma conclusão falsa.

O fato verdadeiro: os EUA usam o veto com frequência para barrar resoluções críticas a Israel. Uma análise contabiliza 89 vetos americanos desde 1945, 45 deles sobre Israel até dezembro de 2023. Um documento da ONU registrava 29 vetos ligados à questão palestina até 2019.

A conclusão falsa: que isso torna Israel imune. O registro mostra o contrário.

1. Abstenções americanas permitiram aprovações. Foi assim com a Resolução 478 (1980) e com a Resolução 2334 (2016), aprovada por 14 votos. 2. Há resoluções aprovadas sem veto. Da 242 (1967, unânime) às 2712 e 2728 (2023–2024), passando por uma série de textos entre 1987 e 1992. 3. O veto não alcança outros órgãos. A Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos aprovaram medidas duras contra Israel, como pedidos de corte de assistência e de embargo de armas. 4. Os EUA também punem. Em julho e agosto de 2024, Washington sancionou israelenses pela Ordem Executiva 14115.

### Capítulo VI e Capítulo VII

A maioria das resoluções do Conselho sobre Israel foi adotada sob o Capítulo VI da Carta da ONU, de solução pacífica de controvérsias. Em 1992, o secretário-geral da ONU declarou que resoluções desse tipo têm caráter recomendatório e não impõem sanções coercitivas. Já os textos sob o Capítulo VII autorizam sanções obrigatórias ou uso da força. É nesses casos, e em textos considerados desequilibrados, que o veto costuma ser usado.

### O contexto que a frase esconde

Na guerra em Gaza, os vetos americanos responderam a textos que não reconheciam o direito de Israel se defender após o massacre do Hamas em 7 de outubro ou que não exigiam a libertação dos reféns. O direito de autodefesa de qualquer Estado-membro está no Artigo 51 da Carta da ONU. Recusar um texto que ignora isso é uma posição política declarada, registrada em ata.

Se for responder, evite:
  • Não diga que os EUA “nunca vetam” nem minimize os vetos. Eles existem e são muitos.
  • Não chame todas as resoluções da ONU de ilegítimas sem argumento. Explique o que cada texto diz e por que foi aprovado ou vetado.
  • Não invente números de resoluções, placares nem datas. Use os do registro oficial.
  • Não ataque países árabes ou muçulmanos em geral. A crítica é a textos unilaterais e ao Hamas.
  • Não diga que Israel não sofre nenhuma pressão internacional. O argumento forte é outro: o veto barra textos específicos e desequilibrados, não toda responsabilização.

Perguntas frequentes

Quem são os 5 países com poder de veto na ONU?
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido. Qualquer um deles pode derrubar um projeto de resolução, mesmo que ele tenha a maioria dos votos.
Qual é o poder de veto do Conselho de Segurança das Nações Unidas?
O Conselho tem 15 membros. Uma resolução precisa de pelo menos 9 votos a favor e de nenhum veto dos cinco permanentes. O veto derruba só aquele projeto. Ele não impede resoluções da Assembleia Geral, processos judiciais nem sanções de governos.
Por que os Estados Unidos protegem Israel no Conselho de Segurança?
Os motivos estão nas atas da ONU. Em 2023, os EUA vetaram um texto que não reconhecia o direito de autodefesa de Israel após o ataque do Hamas em 7 de outubro. Washington também rejeita textos que cobram Israel sem condenar o Hamas nem exigir a libertação dos reféns. Mesmo assim, os EUA se abstiveram em 2016 e sancionaram israelenses em 2024.
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