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Menorá do Knesset no Jardim da Menorá em 1956
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Mito × Fato · Direito internacional

“A Lei do Estado-Nação é a Lei de Nuremberg de Israel”: por que a comparação é falsa

FALSOAntissemitismo · critério IHRAA comparação contradiz os fatos.
Foto: Menorá do Knesset no Jardim da Menorá em 1956. Moshe Pridan · Public domain · Wikimedia Commons
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Falso. As Leis de Nuremberg, de 1935, classificavam pessoas por “sangue”, tiravam a cidadania plena dos judeus e proibiam casamentos mistos. A Lei do Estado-Nação, de 2018, define Israel como Estado-nação do povo judeu, mas não fala em raça, não revoga cidadania nem voto e não proíbe casamentos. O Supremo de Israel a manteve por 10 a 1.

O que diz a Lei do Estado-Nação de Israel?

A Lei Básica: Israel — Estado-Nação do Povo Judeu foi aprovada pelo Knesset em 19 de julho de 2018, por 62 votos a 55. Tem caráter constitucional e trata da identidade nacional e dos símbolos do Estado.

Seus principais pontos:

  • define Israel como Estado-nação do povo judeu e sua pátria histórica;
  • declara que o direito à autodeterminação nacional em Israel é “único do povo judeu”;
  • fixa a bandeira, o brasão e o hino Hatikvah como símbolos do Estado;
  • define Jerusalém como capital;
  • estabelece o hebraico como língua do Estado e dá ao árabe um “status especial”;
  • trata o desenvolvimento de comunidades judaicas como valor nacional.

A Reuters descreveu a lei como principalmente simbólica. Ela formaliza o que Israel é desde a fundação: o lar nacional do povo judeu. A lei não trata de raça, de cidadania individual nem de casamento.

O que foram as Leis de Nuremberg?

As Leis de Nuremberg foram aprovadas pela Alemanha nazista em 15 de setembro de 1935. Eram duas:

  • a Lei da Cidadania do Reich, que restringia a cidadania plena a pessoas de “sangue alemão ou aparentado” e separava cidadãos do Reich de meros súditos;
  • a Lei para a Proteção do Sangue e da Honra Alemães, que proibia casamentos e relações sexuais entre judeus e pessoas classificadas como “alemãs”.

O critério era biológico: sangue e linhagem. O objetivo era retirar dos judeus qualquer proteção legal. Essas leis integravam um processo estatal de perseguição, expropriação e deportação que terminou no assassinato em massa dos judeus da Europa.

Qual é a diferença entre as duas leis?

| Aspecto | Leis de Nuremberg (1935) | Lei do Estado-Nação (2018) | |---|---|---| | Critério | “Sangue alemão ou aparentado” | Nenhum critério de raça ou sangue | | Cidadania | Tirou a cidadania plena dos judeus | Não revoga a cidadania de ninguém | | Voto | Judeus perderam direitos políticos | Cidadãos árabes seguem votando e elegendo deputados | | Casamento | Proibia casamentos e relações entre judeus e “alemães” | Não proíbe casamentos | | Natureza | Legislação racial de um regime totalitário | Lei Básica sobre identidade nacional, sob controle judicial | | Resultado | Instrumento central da perseguição que levou ao genocídio | Debate constitucional dentro de uma democracia parlamentar |

Os cidadãos árabes de Israel, cerca de 20% da população, continuam votando, elegendo deputados ao Knesset e ocupando cargos de destaque, inclusive no Supremo Tribunal, onde atuaram juízes como George Karra e Khaled Kabub. Nada disso seria possível sob uma lei no modelo de Nuremberg.

O que decidiu o Supremo Tribunal de Israel sobre a lei?

Em 8 de julho de 2021, um painel de 11 juízes do Supremo Tribunal de Israel julgou 15 petições contra a lei, no caso Hasson v. Knesset (HCJ 5555/18). O tribunal manteve a lei por 10 a 1.

Segundo a decisão:

  • a lei consagra a identidade de Israel como Estado judeu sem anular seu caráter democrático;
  • a autodeterminação nacional é coletiva; os direitos individuais e culturais seguem valendo para todos os cidadãos;
  • os direitos iguais dos cidadãos, inclusive das minorias, continuam assegurados por outras normas, como a Declaração de Independência de 1948 e a Lei Básica: Dignidade Humana e Liberdade, de 1992;
  • o dispositivo sobre comunidades judaicas deve ser aplicado em conformidade com o princípio da igualdade.

A Declaração de Independência garante “completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus cidadãos, sem distinção de religião, raça ou sexo”. Segundo a AP, o tribunal reconheceu deficiências na lei, mas concluiu que ela não nega a democracia israelense.

Criticar a lei é o mesmo que compará-la ao nazismo?

Não. Há crítica legítima. Parlamentares árabes chamaram a lei de racista, segundo a Reuters. O INSS, instituto israelense de pesquisa em segurança nacional, apontou como principal problema a ausência de menção explícita à igualdade de todos os cidadãos e ao caráter democrático do Estado. A maioria dos juízes do Supremo também considerou que teria sido preferível incluir o princípio da igualdade no texto.

Essa é uma discussão constitucional normal numa democracia. Muitas democracias definem o Estado como expressão nacional de um povo específico e, ao mesmo tempo, garantem direitos iguais a todos os cidadãos.

A frase “Lei de Nuremberg de Israel” é outra coisa. Ela circulou em 2018 em artigo de opinião no jornal paquistanês The Nation e chegou ao Brasil como slogan. Ela não descreve a lei. Ela equipara o Estado judeu ao regime que exterminou os judeus. Isso não é crítica: é banalizar o Holocausto.

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Nuremberg tirou a cidadania dos judeus, proibiu casamentos por “sangue” e abriu caminho ao genocídio. A Lei do Estado-Nação não tira cidadania, não proíbe casamento e não fala em raça. O Supremo de Israel a manteve por 10 a 1: ela não anula a democracia.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

De onde vem a frase. A comparação apareceu em 2018, logo após a aprovação da lei, em artigo de opinião no jornal paquistanês The Nation, com o título “Israel’s ‘nation-state law’ parallels the Nazi Nuremberg Laws”. É a opinião de um articulista, não uma conclusão judicial, oficial ou de historiadores. No Brasil, a frase circula em posts e cards, às vezes com fotos de manifestações contra a lei, sem autoria identificável.

Por que convence. Ela parte de fatos reais. A lei reserva ao povo judeu a autodeterminação nacional, dá ao árabe “status especial” em vez de língua oficial e valoriza comunidades judaicas. A palavra “Nuremberg” choca e dispensa explicação. Quem não conhece as leis nazistas aceita a comparação sem conferir.

O que a lei é. Uma Lei Básica, de caráter constitucional, que define a identidade nacional do Estado: Estado-nação do povo judeu, Jerusalém como capital, hebraico como língua do Estado, calendário hebraico, bandeira, brasão e hino. A Reuters a chamou de principalmente simbólica.

O que a lei não é. Não classifica pessoas por raça ou sangue. Não cria categoria de “não cidadãos”. Não tira o voto de ninguém. Não proíbe casamentos nem restringe o acesso de minorias a empregos públicos, universidades, hospitais ou tribunais.

O que disse a Justiça. Em 8 de julho de 2021, 11 juízes do Supremo Tribunal de Israel analisaram 15 petições. Por 10 a 1, mantiveram a lei e fixaram uma interpretação harmônica com as demais Leis Básicas. O tribunal afirmou que a lei não anula o caráter democrático do Estado e que a igualdade segue protegida pela Declaração de Independência de 1948 e pela Lei Básica: Dignidade Humana e Liberdade, de 1992. Também afirmou que o dispositivo sobre comunidades judaicas não pode ser usado para discriminar cidadãos não judeus, em linha com a jurisprudência do caso Ka’adan.

A crítica que existe. O INSS e parte dos juízes lamentaram a falta de menção explícita à igualdade. É uma crítica séria e feita dentro de Israel, por instituições israelenses. Ela mostra justamente o oposto do regime nazista: um debate aberto, com controle judicial, numa democracia.

Se for responder, evite:
  • Não negue o que está no texto da lei. Ela dá ao povo judeu a exclusividade da autodeterminação nacional e tirou do árabe o status de língua oficial. Reconhecer isso fortalece a resposta.
  • Não chame todo crítico da lei de antissemita. Parlamentares árabes, o INSS e juízes do próprio Supremo fizeram críticas. A crítica à lei é legítima. O que é falso é equipará-la ao nazismo.
  • Não diga que agências de checagem já classificaram a frase. Não há checagem específica publicada sobre ela.
  • Não generalize. Os cidadãos árabes de Israel não são “inimigos da lei”. Eles votam, elegem deputados e recorreram à Justiça contra a lei, como qualquer cidadão numa democracia.

Perguntas frequentes

O que é a Lei do Estado-Nação de Israel?
É uma Lei Básica aprovada pelo Knesset em 19 de julho de 2018, por 62 votos a 55. Ela define Israel como Estado-nação do povo judeu, fixa Jerusalém como capital, o hebraico como língua do Estado e dá ao árabe “status especial”. A Reuters a descreveu como principalmente simbólica.
A Lei do Estado-Nação tira direitos dos cidadãos árabes de Israel?
Não. A lei não revoga a cidadania, não tira o voto nem proíbe casamentos. Em 2021, o Supremo Tribunal de Israel a manteve por 10 a 1 e afirmou que os direitos iguais de todos os cidadãos, inclusive das minorias, seguem garantidos por outras normas, como a Lei Básica: Dignidade Humana e Liberdade, de 1992.
O que foram as Leis de Nuremberg?
Foram leis raciais aprovadas pela Alemanha nazista em 15 de setembro de 1935. Restringiam a cidadania plena a pessoas de “sangue alemão ou aparentado” e proibiam casamentos e relações entre judeus e “alemães”. Fizeram parte do processo de perseguição que terminou no Holocausto.
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