Falso. No conflito, "intifada" é o nome de duas campanhas de violência de grupos palestinos contra civis israelenses. A Segunda Intifada, de 2000 a 2005, teve mais de uma centena de homens-bomba em cafés e ônibus. Um documento do Departamento de Justiça dos EUA diz que "globalizar" isso é chamar ações semelhantes em escala maior.
O que "intifada" significa na história do conflito?
A palavra é árabe e, para quem não conhece a história, soa abstrata. No conflito, porém, ela tem um sentido concreto. "Intifada" é o nome de duas campanhas de violência de grupos palestinos contra civis israelenses.
A Segunda Intifada, de 2000 a 2005, teve mais de uma centena de homens-bomba. Eles atacaram civis israelenses em cafés, ônibus e outros espaços públicos.
O Executive Council of Australian Jewry (ECAJ), entidade que representa a comunidade judaica da Austrália, registra que "intifada" se refere a atos de violência contra judeus israelenses: tiros, esfaqueamentos, atropelamentos e bombas. É essa memória que o slogan evoca.
O que quer dizer "globalizar" a intifada?
Um documento do Departamento de Justiça dos EUA trata do slogan de forma direta. Ele afirma que "globalize the intifada" é amplamente entendido como um chamado à violência contra Israel e os judeus.
O documento também diz que um chamado para "globalizar" a intifada só pode ser razoavelmente entendido como um chamado a ações semelhantes em escala geográfica maior. Em outras palavras: levar para fora do Oriente Médio a mesma violência que atingiu ônibus e cafés em Israel.
Para os judeus da Diáspora, isso significa ser alvo nas cidades onde vivem, estudam e rezam.
Há casos em que o slogan saiu do discurso e chegou às ruas?
Sim. Em Nova York, segundo relatório citado pelo Combat Antisemitism Movement, um grupo ativista pró-palestinos divulgou um mapa de redações, empresas e prédios da cidade e convocou "ação direta" para "globalizar a intifada".
O Escritório de Combate ao Antissemitismo da Prefeitura de Nova York resumiu o problema assim: "Palavras têm significado. Palavras têm impacto."
O mesmo relatório registra que esse tipo de antissemitismo cresceu muito depois do ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro. Em Los Angeles, Paul Kessler, judeu de 69 anos, morreu de hemorragia cerebral um dia depois de ser atingido na cabeça por um megafone durante um ato anti-Israel. Na Austrália, cerca de duzentos manifestantes pró-Hamas assediaram judeus diante de uma sinagoga de Caulfield, no Shabat.
Criticar o slogan é censurar a defesa dos palestinos?
Não. Defender os direitos dos palestinos não exige esse slogan. A crítica não atinge o povo palestino nem os muçulmanos. Ela atinge uma frase que evoca atentados contra civis.
A própria Prefeitura de Nova York, ao falar do tema, distingue os fiéis que vivem sua religião todos os dias dos extremistas que a sequestram. Nem todo manifestante que repete a frase defende a violência. Muitos não sabem o que ela evoca. Por isso mesmo, é preciso explicar o que ela significa antes que alguém a grite, a repita ou a defenda.
Resposta pronta para copiar
Intifada não é protesto abstrato. A Segunda Intifada (2000–2005) teve mais de cem homens-bomba contra civis em ônibus e cafés. "Globalizar" isso é pedir o mesmo em escala maior. Palavras têm significado. E o significado deste slogan, para os judeus da Diáspora, é conhecido e documentado.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Como a alegação circula. O slogan "Globalize the intifada" aparece em atos, campi e redes. Quando é criticado, quem o usa diz que "intifada" quer dizer só "revolta popular" e que a frase não tem relação com violência contra judeus.
Por que ela convence. A palavra é estrangeira e parece abstrata. "Revolta popular" soa como protesto legítimo. Muitos repetem a frase sem conhecer a história. E quem critica costuma ser acusado de censura.
O que os fatos mostram. As duas intifadas foram campanhas de violência de grupos palestinos contra civis israelenses. A Segunda Intifada, de 2000 a 2005, teve mais de uma centena de homens-bomba em cafés, ônibus e outros espaços públicos. O ECAJ, da Austrália, registra que o termo se refere a tiros, esfaqueamentos, atropelamentos e bombas contra judeus israelenses.
O que diz o Departamento de Justiça dos EUA. Um documento do órgão afirma que o slogan é amplamente entendido como um chamado à violência contra Israel e os judeus. E que "globalizar" isso só pode ser razoavelmente entendido como um chamado a ações semelhantes em escala geográfica maior.
A mesma ideologia na Diáspora. O ódio que mira judeus fora de Israel não começou com o slogan. Em 1994, operativos do grupo terrorista Hezbollah explodiram o centro comunitário judaico de Buenos Aires, a AMIA, e mataram 85 pessoas. O Departamento de Justiça dos EUA apresentou, em 20 de dezembro de 2023, acusações de terrorismo contra um membro de alto escalão do Hezbollah que ajudou a planejar o atentado. O caso é anterior ao slogan e não foi causado por ele, mas mostra o que acontece quando a violência contra judeus é exportada para o mundo.
Conclusão. O slogan não é neutro. Ele nomeia uma campanha de atentados contra civis e pede que ela se espalhe. Dizer que é "só revolta popular" é falso.
- Não diga que todo manifestante que grita o slogan é terrorista. Muitos repetem a frase sem saber o que ela evoca.
- Não generalize muçulmanos, árabes ou palestinos. A crítica é ao slogan e aos extremistas, não a um povo ou a uma religião.
- Não diga que Paul Kessler foi "assassinado por causa do slogan". O documentado é que ele morreu após ser golpeado na cabeça com um megafone durante um ato anti-Israel.
- Não apresente o atentado à AMIA, de 1994, como causado pelo slogan, que é posterior. Ele é exemplo da mesma ideologia contra judeus na Diáspora.
- Não use números da Segunda Intifada além de "mais de uma centena de homens-bomba".




