JJOJuventude JudaicaOrganizada
Castiçais de Shabat em acervo de museu judaico
Início › Fatos › A comunidade judaica brasileira hoje
Fatos, com fonte

A comunidade judaica brasileira hoje

Leitura: 7 minFontes: 13
Foto: Castiçais de Shabat em acervo de museu judaico. Joalpe · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
🎧 Ouça esta página · 13 minA página inteira em áudio, para ouvir no caminho. Narração com vozes sintéticas.
Enviar por WhatsApp
Nesta página
Resposta curta

A comunidade judaica brasileira é a segunda maior da América Latina, depois da Argentina. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) estima cerca de 120 mil judeus. O Censo de 2010 registrou 107.329 pessoas de religião judaica. Cerca de 80% vivem no Sudeste, sobretudo em São Paulo e no Rio. A comunidade mantém 14 federações, escolas, sinagogas, hospitais, museus e movimentos juvenis.

Quantos judeus vivem no Brasil hoje?

Vivem no Brasil cerca de 120 mil judeus, segundo estimativa da Confederação Israelita do Brasil (Conib). O número equivale a algo entre 0,05% e 0,06% da população nacional. A comunidade é a segunda maior da América Latina, depois da Argentina, e figura entre as dez maiores do mundo.

As fontes chegam a números diferentes porque medem coisas diferentes:

  • Estimativa comunitária (Conib): cerca de 120 mil pessoas. O critério é amplo e considera identidade e pertencimento.
  • Censo do IBGE de 2010: 107.329 pessoas declararam professar a religião judaica.
  • Estudos demográficos: o demógrafo Sergio DellaPergola e o sociólogo René Decol calculam a população nuclear, formada por quem se declara abertamente de religião judaica, em cerca de 90.300 pessoas.

O Censo Demográfico 2022 perguntou a religião das pessoas de 10 anos ou mais, por meio do questionário da amostra. Uma contagem só por religião deixa de fora muita gente. Um judeu secular pode se declarar "sem religião". Pessoas com identidade cultural judaica também podem não aparecer como judias. Por isso o Censo e as entidades não se contradizem: contam populações distintas.

Qual a cidade com mais judeus no Brasil?

São Paulo é a cidade com mais judeus no Brasil. A capital paulista tem cerca de 44 mil judeus, e o estado inteiro tem cerca de 50 mil. O Rio de Janeiro vem em segundo lugar. Juntas, as duas cidades formam o centro da vida judaica no país. Cerca de 80% dos judeus brasileiros moram na Região Sudeste, quase sempre nas capitais.

Cidade ou estadoEstimativa aproximadaDestaque
Estado de São Paulo~50 mil (~44 mil na capital)Maior polo institucional, educacional e hospitalar
Estado do Rio de Janeiro22 mil a 25 milCerca de 80 entidades afiliadas à federação estadual
Porto Alegre~7.000Comunidade histórica do Sul
Belo Horizonte~3.500 (cerca de 800 famílias)Núcleo organizado de menor porte
Curitiba~2.000Instituições religiosas, culturais e juvenis
Belém~1.300Presença sefardita e marroquina desde o século XIX
Manaus~1.200Ligada historicamente a Belém e à Amazônia

Há também comunidades em Recife, Salvador e Brasília. Os números são estimativas comunitárias, não contagens oficiais por município.

Algumas cidades têm peso histórico maior que o tamanho atual. Em Recife, a presença judaica remonta ao período holandês, no século XVII. A comunidade moderna criou o Centro Israelita de Pernambuco e a escola Iídiche Schul, fundada em 1918, segundo a Federação Israelita de Pernambuco. Em Belém, a sinagoga Shaar Hashamaim é tradicionalmente datada de cerca de 1824, e o Centro Israelita do Pará foi fundado em 1918. Algumas dessas datas seguem a tradição comunitária e não contam com documentação definitiva.

Quais são as principais entidades judaicas no Brasil?

A principal entidade judaica do Brasil é a Conib, fundada em 30 de maio de 1948. Ela é a entidade que representa e coordena politicamente a comunidade no país e é filiada ao Congresso Judaico Mundial. Sob a sua coordenação atuam 14 federações estaduais, que reúnem mais de 200 associações comunitárias, religiosas, culturais e assistenciais.

Entre as federações estão:

As federações reúnem sinagogas, escolas, assistência social, cultura, segurança comunitária e relações institucionais. A estrutura é descentralizada: muitas sinagogas, escolas e organizações têm autonomia própria.

Outras entidades conhecidas:

  • Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social), criada em 1976 pela fusão de entidades como a Ofidas e a Sociedade Ezra;
  • A Hebraica de São Paulo, fundada em 1954, um dos maiores centros socioculturais e esportivos do país;
  • Congregação Israelita Paulista (CIP), fundada em 1936, e Associação Religiosa Israelita (ARI), do Rio de Janeiro.

Existem empresas ou bancos judaicos no Brasil?

Não existe uma categoria de "bancos judeus" ou "empresas judaicas" no Brasil. Empresas não têm religião. Judeus brasileiros trabalham, empreendem e investem como quaisquer outros cidadãos. Agrupar negócios pela origem religiosa dos donos é uma generalização sem base em fatos.

O que existe, e está documentado, são instituições de origem comunitária judaica que atendem toda a sociedade:

  • Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Nasceu de uma iniciativa comunitária e de doações de famílias judaicas a partir de 1955. A Fisesp data sua fundação de 1971. Hoje é um dos principais centros médicos e de pesquisa da América Latina e atende a população em geral.
  • Unibes, com programas de assistência social e formação profissional.
  • Residencial Israelita Albert Einstein – Lar Golda Meir, voltado a idosos.
  • Clubes como A Hebraica, centros culturais e museus abertos ao público.

Vale separar três coisas. Primeiro: é fato que essas instituições têm origem e identidade judaica. Segundo: também é fato que muitas servem a toda a sociedade. Terceiro: tratá-las como serviços exclusivos de judeus contradiz os fatos.

Como é a vida religiosa e juvenil da comunidade?

A vida religiosa judaica no Brasil é plural. Ela vai de correntes ortodoxas, como o movimento Habad/Lubavitch e congregações sefarditas, a congregações conservadoras, reformistas e liberais. Exemplos são a Congregação Israelita Paulista e a ARI, no Rio. Há também muitos judeus seculares, que se identificam como judeus pela cultura e pela família.

As práticas variam de família para família:

  • Shabat e orações;
  • festas como Pessach, Rosh Hashaná, Yom Kipur e Sucot;
  • bar e bat mitzvá, casamento e sepultamento judaicos;
  • estudo de Torá e Talmud;
  • assistência e solidariedade.

São Paulo e Rio têm mais correntes e mais sinagogas. Em comunidades menores, uma só instituição costuma reunir as funções religiosa, social, cultural e educacional.

As escolas judaicas seguem o currículo brasileiro obrigatório. Elas também ensinam hebraico, história e cultura judaicas, estudos sobre Israel e a memória do Holocausto. A Conib já promoveu encontros nacionais sobre gestão e formação de docentes dessas escolas.

Os movimentos juvenis combinam educação não formal, identidade judaica, liderança, acampamentos e, em muitos casos, orientação sionista. Entre os que atuam ou atuaram no país estão Habonim Dror, Hashomer Hatzair, Bnei Akiva e Betar. Em Curitiba, a federação registra o Dror/Ichud Habonim. Nem todo jovem judeu participa desses movimentos. Muitos se ligam à comunidade pela escola, pelo clube, pela sinagoga ou pela família.

Onde está preservada a memória judaica no Brasil?

O principal centro de memória é o Museu Judaico de São Paulo (MUJ), inaugurado em dezembro de 2021. Ele funciona no edifício tombado da antiga Sinagoga Templo Beth-El, dos anos 1920, na Rua Martinho Prado. O museu incorporou o Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, criado em 1976 pelo professor Nachman Falbel. O acervo reúne mais de 20 mil livros, 100 mil fotografias e cerca de 1 milhão de documentos e depoimentos orais.

Outros espaços importantes:

  • Sinagoga Kahal Zur Israel e Centro Cultural Judaico de Pernambuco, no Recife. O espaço fica no local da primeira sinagoga das Américas, do século XVII, e foi restaurado em 2001 pelo Programa Monumenta/BID.
  • Museu do Holocausto de Curitiba, inaugurado em 2011. Foi pioneiro no país na educação contra o antissemitismo, o racismo e os discursos de ódio.
  • Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, na histórica Sinagoga Kehilat Israel, no Bom Retiro, em São Paulo.

A pesquisa acadêmica também cresce. A USP mantém o Centro de Estudos Judaicos, na FFLCH. A UFRJ, a UERJ, a UFRGS e a Unifesp têm laboratórios dedicados à imigração e ao estudo do antissemitismo.

Como o antissemitismo afeta a comunidade judaica brasileira hoje?

O antissemitismo cresceu no Brasil depois do ataque terrorista do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023. A Conib divulgou em 30 de março de 2026 um relatório com 989 ocorrências formais de antissemitismo em 2025. Isso representa um aumento de 149% em relação a 2022.

Uma pesquisa da Conib ouviu 1.427 judeus brasileiros:

  • 86% avaliam o antissemitismo como um problema grave ou existente no país;
  • 22% já evitaram se identificar publicamente como judeus, em certos contextos, por medo de hostilidade.

Uma forma frequente de hostilidade é cobrar de judeus brasileiros as decisões do Estado de Israel. Isso aparece em escolas, universidades e até na "vigilância" de turistas israelenses. Judeus brasileiros são cidadãos brasileiros. Não votam em Israel nem comandam as Forças de Defesa de Israel. Têm opiniões variadas sobre o governo israelense, e a comunidade sempre foi plural.

A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Ela lista como exemplo de antissemitismo responsabilizar os judeus coletivamente pelas ações do Estado de Israel. Pelo mesmo critério, negar o direito de Israel existir também é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

A lei brasileira também protege a comunidade. A Lei 7.716/1989 pune a discriminação por religião, etnia ou procedência nacional. No caso Ellwanger, o STF reconheceu o antissemitismo como racismo. Discriminar alguém por ser judeu é crime. Discordar de um governo, não.

Linha do tempo

  1. Século XVIIFundação, no Recife do período holandês, da primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel.
  2. c. 1824Data tradicional da sinagoga Shaar Hashamaim, em Belém.
  3. 1918Fundação do Centro Israelita do Pará e da escola Iídiche Schul, no Recife.
  4. 1936Fundação da Congregação Israelita Paulista (CIP).
  5. 1948Fundação da Confederação Israelita do Brasil (Conib), em 30 de maio.
  6. 1954Fundação de A Hebraica de São Paulo.
  7. 1955Início da mobilização comunitária e das doações para criar o Hospital Israelita Albert Einstein.
  8. 1971Ano de fundação do Hospital Israelita Albert Einstein, segundo a Fisesp.
  9. 1976Criação da Unibes e do Arquivo Histórico Judaico Brasileiro.
  10. 2001Restauração da Sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife.
  11. 2010O Censo do IBGE registra 107.329 pessoas de religião judaica.
  12. 2011Inauguração do Museu do Holocausto de Curitiba.
  13. 2021Inauguração do Museu Judaico de São Paulo, em dezembro.
  14. 2026A Conib divulga relatório com 989 ocorrências de antissemitismo em 2025.

Perguntas frequentes

Qual é a maior comunidade de judeus no Brasil?
A maior comunidade judaica do Brasil fica em São Paulo. O estado tem cerca de 50 mil judeus, dos quais cerca de 44 mil vivem na capital. O Rio de Janeiro vem em seguida, com 22 mil a 25 mil. Depois aparecem Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba, Belém e Manaus. Cerca de 80% dos judeus brasileiros moram no Sudeste.
Quais são as principais entidades judaicas no Brasil?
A principal é a Confederação Israelita do Brasil (Conib), fundada em 1948 e filiada ao Congresso Judaico Mundial. Ela coordena 14 federações estaduais, como a Fisesp, em São Paulo, e a Fierj, no Rio. Também se destacam a Unibes, A Hebraica, a Congregação Israelita Paulista, o Hospital Israelita Albert Einstein e o Museu Judaico de São Paulo.
Existem bancos de judeus no Brasil?
Não existe uma categoria de "bancos de judeus". Empresas não têm religião, e judeus brasileiros atuam na economia como quaisquer outros cidadãos. O que existe são instituições de origem comunitária judaica, como o Hospital Israelita Albert Einstein e a Unibes. Elas atendem toda a sociedade brasileira, não apenas judeus.
Judeus brasileiros respondem pelo que Israel faz?
Não. Judeus brasileiros são cidadãos brasileiros, não respondem pelas decisões do governo israelense nem comandam as Forças de Defesa de Israel. Eles têm opiniões variadas sobre o governo israelense. A definição da IHRA, adotada pela JJO, considera antissemitismo responsabilizar os judeus coletivamente pelas ações do Estado de Israel. No Brasil, discriminar alguém por ser judeu é crime pela Lei 7.716/1989.

Assista

LUZ SOBRE O CAOS - Ocupação Nazista na HolandaMuseu do Holocausto de Curitiba

Uma sobrevivente judia holandesa relata, ao Museu do Holocausto de Curitiba, a ocupação nazista na Holanda: as restrições graduais, a estrela amarela, os campos de Westerbork e Bergen-Belsen, a libertação pelo exército britânico e seu trabalho de memória com estudantes no Brasil. O vídeo também aborda a colaboração de parte da população holandesa e a greve de Amsterdã de 1941 contra a deportação de judeus.

Adolescentes e adultos
A Conib Conta - Relatório de Antissemitismo no Brasil | 28/03/23Mosaico na TV

Claudio Lottenberg, presidente da Conib, explica no programa Mosaico o primeiro Relatório de Antissemitismo no Brasil, feito com a Fisesp e o Departamento de Segurança Comunitária: para que serve documentar o antissemitismo, o crescimento de células neonazistas e o uso dos dados junto às autoridades e à Justiça.

Adultos
Também em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema

Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).

Entrevista - Rabino Gilad KarivFIERJ Assuntos Gerais · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

O rabino israelense Gilad Kariv explica o que é o judaísmo progressista (liberal ou reformista), seu crescimento em Israel e na América Latina e a busca dos jovens por uma vida judaica significativa além da dicotomia entre ortodoxia e secularismo. Ele fala também da troca de experiências com a comunidade liberal no Brasil.

Adolescentes e adultos
Etel Bennett | Survivor of the Hamas Terrorist Attack | USC Shoah FoundationUSC Shoah Foundation · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Etel Bennett, brasileira que vive desde 1971 no Kibutz Zikim, a 4 km de Gaza, conta à USC Shoah Foundation como sobreviveu ao ataque dos terroristas do Hamas em 7 de outubro, a perda de familiares no moshav Netiv HaAsara e a vida como deslocada dentro do próprio país. Um testemunho direto e humano, que também lembra que muçulmanos não são o Hamas.

Adolescentes e adultos

Todos os vídeos por tema →

Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.