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Golda Meir: a primeira-ministra de Israel

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Foto: Golda Meir e seu gabinete após a posse. Fritz Cohen · Public domain · Wikimedia Commons
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Golda Meir (1898–1978) foi a quarta primeira-ministra de Israel e a primeira e única mulher no cargo, de 1969 a 1974. Nasceu em Kiev, cresceu em Milwaukee e imigrou em 1921. Em 1948 assinou a Declaração de Independência. Depois foi chanceler. Liderou o país na Guerra do Yom Kipur, quando Egito e Síria atacaram Israel, e renunciou em abril de 1974.

Qual é a história de Golda Meir?

Golda Meir nasceu Golda Mabovitch, em 3 de maio de 1898, em Kiev, então parte do Império Russo. Tornou-se uma das fundadoras do Estado de Israel. Sua família emigrou para os Estados Unidos em 1906, quando ela tinha oito anos, e se estabeleceu em Milwaukee, no Wisconsin. O pai tinha ido antes, em busca de trabalho, e depois reuniu a família, segundo a Universidade de Wisconsin–Milwaukee.

Algumas biografias dizem que a família saiu só por causa da violência antissemita. As fontes confirmam a emigração e a insegurança dos judeus no Império Russo. Mas não permitem afirmar que esse foi o único motivo.

Em Milwaukee, Golda frequentou a escola normal, instituição depois associada à universidade local. Lá entrou no movimento sionista trabalhista. Em 1921, mudou-se com o marido, Morris Meyerson, para a Terra de Israel, então sob o Mandato Britânico. O casal viveu primeiro em um kibutz. Ela logo passou a ocupar cargos de direção no movimento trabalhista judaico e participou das negociações políticas que antecederam a criação de Israel, segundo a Encyclopaedia Britannica.

Principais cargos e papéis:

PeríodoPapel
Maio de 1948Missão secreta ao rei Abdullah I, da Transjordânia
14 de maio de 1948Signatária da Declaração de Independência
1948Representante diplomática de Israel em Moscou
1956–1966Ministra das Relações Exteriores
1969–1974Primeira-ministra de Israel

Quem foi a primeira mulher a ser primeira-ministra de Israel?

Golda Meir foi a primeira mulher a chefiar o governo de Israel, e até hoje a única. Ela assumiu em março de 1969, após a morte do primeiro-ministro Levi Eshkol, e governou até 1974. Foi a quarta pessoa no cargo e uma das primeiras mulheres do mundo a se tornar primeira-ministra.

Antes disso, já tinha uma longa carreira de Estado:

  • Missão à Transjordânia (maio de 1948): pouco antes do fim do Mandato Britânico, David Ben-Gurion a enviou em segredo ao rei Abdullah I. Disfarçada com roupas tradicionais árabes, ela tentou convencê-lo a não participar do ataque que os países árabes planejavam contra o futuro Estado judeu.
  • Declaração de Independência (14 de maio de 1948): assinou o documento como Goldie Myerson. Estava entre as poucas mulheres signatárias. Quem leu a proclamação foi Ben-Gurion; Golda não foi a autora principal do texto, mas uma das pessoas que o assinaram. As fontes divergem sobre o número exato de signatários.
  • Moscou (1948): foi a principal representante diplomática de Israel na União Soviética. Algumas fontes a chamam de “ministra”, outras de “embaixadora”, por causa da nomenclatura diplomática da época.
  • Chancelaria (1956–1966): em junho de 1956, Ben-Gurion a nomeou ministra das Relações Exteriores no lugar de Moshe Sharett. Antes da Campanha do Sinai, em 1956, ela conduziu reuniões na França para a compra de armamentos e a coordenação de defesa.

Golda Meir era socialista?

Golda Meir pertencia ao sionismo trabalhista, a corrente do movimento sionista ligada ao movimento operário judaico. Ela aderiu a essa corrente ainda jovem, em Milwaukee. Ao imigrar em 1921, foi viver em um kibutz, a comunidade agrícola coletiva típica desse campo político.

Na Terra de Israel, construiu a carreira dentro das instituições do movimento trabalhista judaico, onde exerceu funções de direção. Foi como líder desse campo que chegou à Agência Judaica, ao governo e, por fim, à chefia do governo, segundo a Encyclopaedia Britannica e o My Jewish Learning.

Como Golda Meir governou Israel entre 1969 e 1974?

Golda Meir governou com foco na segurança e na aliança com os Estados Unidos, e exigia paz real como condição para qualquer recuo. Seu mandato foi marcado por ameaças constantes dos países árabes vizinhos.

  • Guerra de Desgaste (1967–1970): o Egito manteve bombardeios e incursões ao longo do Canal de Suez. Golda recusou retirar Israel de posições estratégicas sem negociações diretas de paz e reconhecimento mútuo.
  • Dissuasão: seu governo apostava que a superioridade militar e a capacidade de dissuasão das Forças de Defesa de Israel (FDI) manteriam a estabilidade nas linhas de cessar-fogo de 1967.
  • Aliança com os EUA: ela fortaleceu os laços diplomáticos e militares com o governo de Richard Nixon e com Henry Kissinger.
  • “Gabinete de Cozinha”: as decisões de segurança se concentravam em um fórum pequeno e informal, formado por ela, pelo ministro da Defesa Moshe Dayan e pelo ministro Yisrael Galili.
  • Munique (1972): após o massacre de atletas israelenses por terroristas do grupo Setembro Negro nos Jogos Olímpicos de Munique, conduziu a resposta internacional de Israel.

Qual foi o papel de Golda Meir na Guerra do Yom Kipur?

Golda Meir era primeira-ministra quando Egito e Síria atacaram Israel de surpresa, em duas frentes, em 6 de outubro de 1973, o dia mais sagrado do calendário judaico. Ela dirigiu o governo durante a guerra e nas negociações seguintes.

  • Alertas prévios: em 25 de setembro de 1973, reuniu-se em segredo com o rei Hussein, da Jordânia, que falou da tensão e das mobilizações na região.
  • Confirmação: na madrugada e manhã de 6 de outubro, entre 04:30 e 07:30, Golda recebeu a informação do agente Ashraf Marwan, repassada pelo chefe do Mossad, Zvi Zamir: a guerra começaria naquele dia.
  • Não ao ataque preventivo: o chefe do Estado-Maior, David “Dado” Elazar, pediu autorização para atacar pelo ar as bases de mísseis da Síria. Golda recusou. Ela queria que ninguém pudesse acusar Israel de agressão, para garantir o apoio americano. Nas suas palavras: “Ataque preventivo é muito tentador... mas desta vez o mundo mostrará sua face feia. Não acreditarão em nós”.
  • Mobilização ampla: Dayan propunha uma convocação limitada. Golda aceitou o pedido de Elazar e mandou mobilizar amplamente os reservistas.
  • Ponte aérea: ela pediu ao embaixador americano Kenneth Keating que avisasse Washington e o Egito de que Israel não daria o primeiro golpe. Essa postura ajudou a Casa Branca a decidir rápido pelo envio de uma grande ponte aérea de armas e equipamentos nos momentos mais críticos.
  • Virada: em 16 de outubro de 1973, no Knesset, anunciou que as forças israelenses já tinham atravessado o Canal de Suez e operavam na margem ocidental.

Israel recuperou a iniciativa e o conflito terminou em cessar-fogo. O custo humano, porém, abalou a confiança do público, como relata a National Geographic.

Por que Golda Meir renunciou?

Golda Meir renunciou em 11 de abril de 1974 por causa da crise de confiança após a Guerra do Yom Kipur, dos protestos de reservistas e do desgaste dentro do próprio partido.

Em 18 de novembro de 1973, o governo criou a Comissão de Inquérito Agranat para apurar as falhas de prontidão e de inteligência. O relatório preliminar saiu em 1º de abril de 1974. Ele não atribuiu a Golda Meir nem a Moshe Dayan responsabilidade militar direta pela falta de prontidão. As recomendações de afastamento recaíram sobre a cúpula militar, incluindo Elazar e o chefe da Inteligência, Eli Zeira. O relatório final foi apresentado em 30 de janeiro de 1975, segundo os arquivos do Ministério da Defesa de Israel.

A responsabilidade pessoal de Golda ainda é debatida:

  • Críticos dizem que o governo aceitou avaliações de inteligência otimistas demais e atrasou preparativos militares.
  • Defensores respondem que ela decidiu com as informações que tinha. Para eles, a responsabilidade principal era dos órgãos militares e de inteligência. Lembram também que ela ordenou a mobilização ampla contra a proposta mais limitada de Dayan.

A relação exata entre a guerra, o relatório e a saída dela é interpretada de formas diferentes. Mas a pressão pública foi decisiva.

Quem sucedeu Golda Meir?

Yitzhak Rabin sucedeu Golda Meir como primeiro-ministro de Israel em junho de 1974. Ela tinha apresentado a renúncia formal em 11 de abril daquele ano. Golda Meir morreu em 1978. Ficou na memória de Israel como signatária da independência e como a mulher que liderou o país em uma de suas guerras mais duras.

Linha do tempo

  1. 1898Nasce Golda Mabovitch, em 3 de maio, em Kiev, no Império Russo.
  2. 1906A família emigra para os Estados Unidos e se estabelece em Milwaukee.
  3. 1921Imigra com o marido, Morris Meyerson, para a Terra de Israel sob o Mandato Britânico e vive em um kibutz.
  4. 1948Missão secreta ao rei Abdullah I. Em 14 de maio, assina a Declaração de Independência. Torna-se representante de Israel em Moscou.
  5. 1956Assume o Ministério das Relações Exteriores, no lugar de Moshe Sharett. Fica no cargo até 1966.
  6. 1969Torna-se primeira-ministra após a morte de Levi Eshkol.
  7. 1972Massacre de atletas israelenses nos Jogos Olímpicos de Munique.
  8. 1973Em 6 de outubro, Egito e Síria atacam Israel. Em 18 de novembro, é criada a Comissão Agranat.
  9. 1974Relatório preliminar em 1º de abril. Renúncia em 11 de abril. Yitzhak Rabin assume em junho.
  10. 1975Relatório final da Comissão Agranat, em 30 de janeiro.
  11. 1978Morte de Golda Meir.

Perguntas frequentes

Quem era Golda na Bíblia?
Golda não é personagem bíblica. Quem procura esse nome costuma estar buscando Golda Meir, líder judia do século XX. Nascida em Kiev em 1898, ela assinou a Declaração de Independência de Israel em 1948 e foi primeira-ministra de 1969 a 1974. É a primeira e única mulher a chefiar o governo israelense.
Golda Meir assinou a Declaração de Independência de Israel?
Sim. Em 14 de maio de 1948, ela assinou o documento com o nome Goldie Myerson e foi uma das poucas mulheres signatárias. Isso não faz dela a autora principal do texto. Quem leu a proclamação foi David Ben-Gurion. As fontes divergem sobre o número exato de signatários.
Por que Golda Meir não autorizou um ataque preventivo em 1973?
Na manhã de 6 de outubro de 1973, o chefe do Estado-Maior, David Elazar, propôs atacar as bases de mísseis sírias. Golda recusou. Para ela, Israel não podia ser visto como agressor, sob risco de perder o apoio dos Estados Unidos. Em vez disso, ordenou a mobilização ampla dos reservistas. Washington depois enviou uma grande ponte aérea de armas.
A Comissão Agranat culpou Golda Meir?
Não diretamente. O relatório preliminar, de 1º de abril de 1974, não atribuiu a Golda Meir nem a Moshe Dayan responsabilidade militar direta pela falta de prontidão. As recomendações de afastamento atingiram a cúpula militar, como David Elazar e Eli Zeira. Mesmo assim, a pressão pública levou à renúncia dela em 11 de abril de 1974.

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