Em 1948, Israel declarou independência depois que a ONU aprovou a partilha (Resolução 181, de 1947). Os judeus aceitaram a partilha, e a liderança árabe a rejeitou. Milícias árabes iniciaram uma guerra civil e, em seguida, cinco Estados árabes invadiram o novo país. Na guerra, cerca de 700 mil palestinos foram deslocados por combates, medo, colapso social e expulsões locais. Os palestinos chamam isso de 'Nakba'; para Israel, foi a Guerra de Independência. Centenas de milhares de judeus também deixaram países árabes.
Qual a origem do conflito e por que Israel foi criado em 1948?
Israel foi criado em 1948 porque a ONU recomendou a divisão do Mandato Britânico em dois Estados e porque o povo judeu exerceu esse direito quando o Mandato terminou.
Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181. Ela recomendava um Estado judeu e um Estado árabe. Jerusalém ficaria sob regime internacional.
As duas respostas foram opostas:
- A liderança judaica (o Yishuv) aceitou o plano como base para um Estado judeu, embora com reservas.
- O Comitê Superior Árabe e os Estados da Liga Árabe rejeitaram o plano. Eles declararam oposição armada à formação do Estado judeu.
Em 14 de maio de 1948, com o fim do Mandato, David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel. O conflito que veio depois não nasceu da criação de Israel em si. Nasceu da recusa em aceitar um Estado judeu ao lado de um Estado árabe.
Como começou e como se desenrolou a guerra de 1948?
A guerra começou logo após a votação da partilha, como guerra civil, e virou guerra entre Estados quando cinco exércitos árabes invadiram Israel.
Os historiadores dividem o conflito em duas fases:
| Fase | Período | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Guerra civil | 30 nov. 1947 a 14 maio 1948 | Milícias árabes locais e o Exército de Libertação Árabe atacaram estradas, comunidades e bairros judeus. A estrada para Jerusalém foi bloqueada. |
| Guerra entre Estados | 15 maio 1948 a 1949 | Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o território. A Liga Árabe enviou uma declaração oficial ao Conselho de Segurança da ONU. |
Em abril de 1948, diante do risco de Jerusalém ficar isolada, a Haganah adotou o Plano Dalet. O objetivo militar era garantir os territórios destinados ao Estado judeu, proteger comunidades isoladas e abrir corredores de comunicação.
Os exércitos árabes tinham objetivos diferentes e pouca coordenação. Alguns tinham interesses territoriais próprios. O fato central não muda: cinco Estados atacaram um país que tinha acabado de nascer. As Forças de Defesa de Israel (FDI) contiveram a invasão.
Por que cerca de 700 mil palestinos deixaram suas casas?
Os palestinos saíram por várias causas ao mesmo tempo, dentro de uma guerra que a liderança árabe iniciou ao rejeitar a partilha.
As estimativas de deslocados variam. A maioria dos estudos fala em cerca de 700 mil pessoas. Algumas chegam a 800 mil ao fim da guerra de 1947–1949. Parte da população árabe ficou dentro de Israel e se tornou cidadã israelense.
A historiografia aponta uma combinação de fatores:
- Combates e bombardeios. A maioria fugiu das linhas de frente.
- Colapso social. Famílias ricas e líderes locais saíram cedo, ainda na fase de guerra civil. Com isso, a economia e os serviços nas cidades árabes entraram em colapso.
- Medo e rumores. O pânico aumentou depois do massacre de Deir Yassin, em 9 de abril de 1948, cometido por forças do Irgun e do Lehi.
- Expulsões locais. Em alguns pontos, forças israelenses expulsaram moradores. O caso mais conhecido é o de Lydda e Ramle, em julho de 1948, durante a Operação Dani.
- Expectativa de retorno depois de uma vitória árabe.
Sobre as ordens de líderes árabes, os registros apontam em direções diferentes. Um estudo publicado na Israel Law Review cita ordens de Fauzi al-Qawuqji e da Jordânia para que a população não deixasse suas localidades. Outros registros mostram comandantes que recomendaram evacuações temporárias em certas áreas. A explicação de que "todos fugiram por ordem árabe" não basta. A de que "Israel expulsou todos" também não.
Israel planejou expulsar os palestinos em 1948?
Não houve um plano mestre para expulsar toda a população árabe, embora tenha havido expulsões em parte dos casos.
Críticos de Israel acusam o país de ter executado uma "limpeza étnica" planejada antes da guerra. A documentação não sustenta essa tese.
- O historiador Benny Morris reconhece expulsões e uma responsabilidade israelense importante. Mas ele rejeita a ideia de um plano único e integral, existente desde o início, para expulsar todos os árabes.
- O Plano Dalet era uma diretriz militar para garantir território e estradas sob ataque. Ele autorizava a tomada de vilas consideradas hostis. Isso levou à remoção de civis em alguns lugares. Mas não era um plano político de expulsão total.
- Relatórios de inteligência israelenses de junho de 1948 descrevem várias causas para o êxodo, e não uma causa única.
Um fato documentado não se nega: houve expulsões, e houve um massacre em Deir Yassin. O contexto também é um fato. Essas ações aconteceram numa guerra de sobrevivência que os líderes árabes lançaram contra a partilha aprovada pela ONU.
O que significa 'Nakba'?
Nakba quer dizer "catástrofe" em árabe. É o termo que os palestinos usam para a perda de casas e terras e para o deslocamento em massa de 1948.
O termo descreve uma experiência real de perda. Por isso, é compreensível como memória palestina. Mas ele também tem uso político. Ele carrega reivindicações sobre retorno, responsabilidade e reconhecimento.
Para Israel, o mesmo período é a Guerra de Independência. O nome israelense descreve a sobrevivência de um Estado atacado ao nascer; o termo palestino descreve a perda sofrida numa guerra que a liderança árabe escolheu travar. Usado sozinho, porém, o termo Nakba costuma apagar uma parte da história: quem rejeitou a partilha, quem começou a guerra e quem invadiu o novo Estado.
E os judeus que deixaram os países árabes?
Centenas de milhares de judeus saíram ou foram expulsos de países árabes e islâmicos depois de 1948. A maioria foi absorvida por Israel.
Comunidades judaicas que viviam havia séculos no Iraque, no Egito, no Iêmen, na Líbia, na Síria e no Marrocos sofreram perseguição. Enfrentaram leis discriminatórias, violência e confisco de bens. Muitas famílias foram para Israel. Outras foram para a Europa e para as Américas.
Não foi uma "troca" automática com o êxodo palestino. Os contextos, os períodos e os destinos foram diferentes. Mesmo assim, essa é a metade da história de 1948 que quase nunca aparece no debate público. Esses refugiados judeus não ganharam uma agência própria da ONU nem um status hereditário de refugiado.
Como terminou a guerra e o que aconteceu com Judeia e Samaria?
A guerra terminou com os Acordos de Armistício de 1949. Judeia e Samaria ficaram sob ocupação e anexação da Transjordânia, e não viraram um Estado árabe.
Israel assinou armistícios com o Egito (fevereiro), o Líbano (março), a Jordânia (abril) e a Síria (julho). A Linha Verde marcou linhas de armistício provisórias. Ela não marcou fronteiras definitivas.
O Estado árabe previsto pela Resolução 181 não foi criado. Quem impediu isso não foi Israel:
- A Transjordânia ocupou e anexou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental.
- O Egito assumiu o controle militar da Faixa de Gaza.
Por isso Judeia e Samaria não "pertencem" hoje a um país de forma pacífica e reconhecida por todos. São territórios em disputa, cuja situação final depende de negociação.
Por que a questão dos refugiados de 1948 continua até hoje?
A questão continua porque os Estados árabes recusaram a paz com Israel e porque a regra de registro da UNRWA transmite o status de refugiado aos descendentes.
- Em 16 de junho de 1948, o governo de Israel decidiu proibir o retorno em massa dos refugiados enquanto os vizinhos mantivessem a guerra. A justificativa era a segurança do novo Estado.
- Em 11 de dezembro de 1948, a ONU aprovou a Resolução 194. Ela tratava de retorno ou compensação para os refugiados dispostos a viver em paz. Os países árabes votaram contra, porque rejeitavam a existência de Israel.
- A UNRWA considera refugiado palestino quem morava no território do Mandato entre 1º de junho de 1946 e 15 de maio de 1948 e perdeu casa e sustento no conflito. A agência também registra os descendentes de refugiados homens. Por isso, o número de registrados cresce a cada geração.
A UNRWA diz que essa regra segue o princípio da unidade familiar. Israel e críticos da agência respondem que ela perpetua o problema. Eles também apontam que essa regra é diferente da usada pelo ACNUR para muitos outros grupos de refugiados.
Linha do tempo
- 1947Em 29 de novembro, a ONU aprova a Resolução 181 (partilha). Os judeus aceitam, e a liderança árabe rejeita. No dia seguinte começa a guerra civil.
- 1948Em abril, a Haganah adota o Plano Dalet. Em 9 de abril ocorre o massacre de Deir Yassin.
- 1948Em 14 de maio, Ben-Gurion proclama o Estado de Israel. Em 15 de maio, cinco exércitos árabes invadem.
- 1948Em julho, a Operação Dani leva a expulsões em Lydda e Ramle.
- 1948Em 11 de dezembro, a ONU aprova a Resolução 194, e os países árabes votam contra.
- 1949Armistícios com Egito, Líbano, Jordânia e Síria. A Transjordânia anexa Judeia e Samaria, e o Egito controla Gaza.
Perguntas frequentes
Por que Israel foi criado em 1948?
O que ocorreu com os palestinos em 1948?
A quem pertence Judeia e Samaria?
Os palestinos fugiram porque líderes árabes mandaram?
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Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
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AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
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Educadores- The 1948 Refugees – Israel Law Review (Cambridge University Press)
- Historiography of the 1948 Wars – Sciences Po, Mass Violence and Resistance
- University of Michigan Press – capítulo sobre 1948
- UNRWA – Palestine refugees (definição)
- UNRWA – Who UNRWA is mandated to serve
- UNRWA – Transfer of refugee status to descendants


