Declaração oficial do governo britânico publicada em junho de 1922, conhecida como Livro Branco de Churchill. Foi redigida pelo Secretário de Estado para as Colônias após consulta ao Alto Comissário, Sir Herbert Samuel. Interpreta a Declaração Balfour de 1917 e responde às queixas de uma delegação da Sociedade Muçulmano-Cristã.
Por que este documento importa
- Afirma que o povo judeu está na terra "por direito, e não por tolerância", com base numa antiga ligação histórica.
- Declara que a Declaração Balfour, reafirmada em San Remo e no Tratado de Sèvres, "não é suscetível de alteração".
- Descreve uma comunidade judaica já existente de 80.000 pessoas, com instituições eleitas, rabinato e vida em hebraico.
- Rejeita a alegação de que as cartas McMahon de 1915 prometeram aos árabes a área a oeste do Jordão.
- Registra a resolução sionista de Carlsbad (1921) pela convivência com o povo árabe em unidade e respeito mútuo.
Trechos-chave
“Durante as últimas duas ou três gerações, os judeus recriaram na Palestina uma comunidade, que hoje conta com 80.000 pessoas, das quais cerca de um quarto são agricultores ou trabalhadores do campo. Essa comunidade possui seus próprios órgãos políticos: uma assembleia eleita para a direção de seus assuntos internos, conselhos eleitos nas cidades e uma organização para a administração de suas escolas. Possui seu Rabinato-Chefe e seu Conselho Rabínico eleitos para a direção de seus assuntos religiosos. Seus negócios são conduzidos em hebraico como língua vernácula, e uma imprensa hebraica atende às suas necessidades. Tem vida intelectual própria e apresenta considerável atividade econômica. Essa comunidade, portanto, com sua população urbana e rural, suas organizações políticas, religiosas e sociais, sua própria língua, seus próprios costumes e sua própria vida, possui de fato características "nacionais". Quando se pergunta o que se entende pelo desenvolvimento do Lar Nacional Judaico na Palestina, pode-se responder que não se trata da imposição de uma nacionalidade judaica aos habitantes da Palestina como um todo, mas do desenvolvimento ulterior da comunidade judaica existente, com o auxílio de judeus de outras partes do mundo, a fim de que ela se torne um centro pelo qual o povo judeu como um todo possa ter, por motivos de religião e de raça, interesse e orgulho. Mas, para que essa comunidade tenha as melhores perspectivas de livre desenvolvimento e proporcione plena oportunidade ao povo judeu de demonstrar suas capacidades, é essencial que ela saiba que está na Palestina por direito, e não por tolerância. Essa é a razão pela qual é necessário que a existência de um Lar Nacional Judaico na Palestina seja garantida internacionalmente e que seja formalmente reconhecido que ela repousa sobre uma antiga ligação histórica.”Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →
É o trecho central do documento. A Grã-Bretanha reconhece formalmente o caráter nacional da comunidade judaica e o vínculo histórico do povo judeu com a terra. Ver no texto →
“Ademais, prevê-se que o status de todos os cidadãos da Palestina perante a lei será palestino, e jamais se pretendeu que eles, ou qualquer setor deles, possuíssem qualquer outro status jurídico. No que diz respeito à população judaica da Palestina, parece que alguns dentre eles receiam que o Governo de Sua Majestade possa afastar-se da política consubstanciada na Declaração de 1917. É necessário, portanto, afirmar mais uma vez que esses temores são infundados e que essa Declaração, reafirmada pela Conferência das Principais Potências Aliadas em San Remo e novamente no Tratado de Sèvres, não é suscetível de alteração.”
O governo britânico garante aos judeus que a política do Lar Nacional é definitiva. Ela foi reafirmada pelas Potências Aliadas em San Remo e no Tratado de Sèvres. Ver no texto →
“No que se refere à Constituição que ora se pretende estabelecer na Palestina, cujo projeto já foi publicado, convém esclarecer certos pontos. Em primeiro lugar, não é verdade, como foi alegado pela Delegação Árabe, que durante a guerra o Governo de Sua Majestade tenha assumido o compromisso de que um governo nacional independente seria imediatamente estabelecido na Palestina. Essa alegação baseia-se principalmente em uma carta datada de 24 de outubro de 1915, de Sir Henry McMahon, então Alto Comissário de Sua Majestade no Egito, ao Xerife de Meca, hoje Rei Hussein do Reino do Hejaz. Essa carta é citada como contendo a promessa ao Xerife de Meca de reconhecer e apoiar a independência dos árabes nos territórios por ele propostos. Mas essa promessa foi feita com uma ressalva constante da mesma carta, que excluía de seu âmbito, entre outros territórios, as porções da Síria situadas a oeste do Distrito de Damasco. Essa ressalva sempre foi considerada pelo Governo de Sua Majestade como abrangendo o vilaiete de Beirute e o Sanjaco independente de Jerusalém. Toda a Palestina a oeste do Jordão ficou, assim, excluída do compromisso de Sir Henry McMahon.”
Responde à alegação da Delegação Árabe sobre a carta McMahon de 24 de outubro de 1915. O governo britânico afirma que toda a área a oeste do Jordão ficou excluída da promessa. Ver no texto →
“Foram feitas declarações não autorizadas no sentido de que o objetivo em vista é criar uma Palestina inteiramente judaica. Empregaram-se expressões tais como a de que a Palestina deverá tornar-se "tão judaica quanto a Inglaterra é inglesa". O Governo de Sua Majestade considera qualquer expectativa desse tipo impraticável e não tem tal objetivo em vista. Tampouco cogitou em momento algum, como parece temer a delegação árabe, o desaparecimento ou a subordinação da população, da língua ou da cultura árabes na Palestina. Chama a atenção para o fato de que os termos da referida Declaração não preveem que a Palestina como um todo seja convertida em um Lar Nacional Judaico, mas sim que tal Lar seja fundado "na Palestina". A esse respeito, observou-se com satisfação que, em uma reunião do Congresso Sionista, órgão dirigente supremo da Organização Sionista, realizada em Carlsbad em setembro de 1921, foi aprovada uma resolução que expressa, como declaração oficial dos objetivos sionistas, "a determinação do povo judeu de viver com o povo árabe em termos de unidade e respeito mútuo e, juntamente com ele, fazer do lar comum uma comunidade próspera, cuja edificação possa assegurar a cada um de seus povos um desenvolvimento nacional imperturbado".”
Mostra que o próprio movimento sionista, no Congresso de Carlsbad, declarou como objetivo viver com o povo árabe em unidade e respeito mútuo. Ver no texto →
“Para o cumprimento dessa política, é necessário que a comunidade judaica na Palestina possa aumentar seu número por meio da imigração. Essa imigração não pode ser de volume tão grande que exceda a capacidade econômica que o país tenha, em cada momento, de absorver os recém-chegados. É essencial assegurar que os imigrantes não constituam um ônus para o povo da Palestina como um todo e que não privem nenhum segmento da população atual de seu emprego. Até o presente, a imigração tem atendido a essas condições. O número de imigrantes desde a ocupação britânica tem sido de cerca de 25.000.”
Define que a imigração judaica é necessária à política do Lar Nacional, mas limitada pela capacidade econômica de absorção. Registra cerca de 25.000 imigrantes desde a ocupação britânica. Ver no texto →
Data: jun. 1922
Original: em inglês. Fonte do texto original.
Tradução: feita pela JJO a partir do original, completa e sem cortes.
Original (inglês)Português
The Secretary of State for the Colonies has given renewed consideration to the existing political situation in
Palestine, with a very earnest desire to arrive at a settlement of the outstanding questions which have given rise to uncertainty and unrest among certain sections of the population. After consultation with the High Commissioner for
Palestine [Sir Herbert Samuel] the following statement has been drawn up. It summarizes the essential parts of the correspondence that has already taken place between the Secretary of State and a delegation from the Moslem Christian Society of
Palestine, which has been for some time in England, and it states the further conclusions which have since been reached.
O Secretário de Estado para as Colônias reexaminou a situação política existente na
Palestina, com o mais sincero desejo de chegar a uma solução das questões pendentes que deram origem a incerteza e inquietação entre certos setores da população. Após consulta ao Alto Comissário para a
Palestina [Sir Herbert Samuel], foi redigida a seguinte declaração. Ela resume as partes essenciais da correspondência já trocada entre o Secretário de Estado e uma delegação da Sociedade Muçulmano-Cristã da
Palestina, que se encontra há algum tempo na Inglaterra, e expõe as conclusões adicionais a que se chegou desde então.
The tension which has prevailed from time to time in
Palestine is mainly due to apprehensions, which are entertained both by sections of the Arab and by sections of the Jewish population. These apprehensions, so far as the Arabs are concerned are partly based upon exaggerated interpretations of the meaning of the [Balfour] Declaration favouring the establishment of a Jewish National Home in
Palestine, made on behalf of His Majesty's Government on 2nd November, 1917.
A tensão que tem prevalecido de tempos em tempos na
Palestina deve-se principalmente a apreensões nutridas tanto por setores da população árabe quanto por setores da população judaica. Essas apreensões, no que diz respeito aos árabes, baseiam-se em parte em interpretações exageradas do significado da Declaração [Balfour] favorável ao estabelecimento de um Lar Nacional Judaico na
Palestina, feita em nome do Governo de Sua Majestade em 2 de novembro de 1917.
Unauthorized statements have been made to the effect that the purpose in view is to create a wholly Jewish
Palestine. Phrases have been used such as that
Palestine is to become "as Jewish as England is English." His Majesty's Government regard any such expectation as impracticable and have no such aim in view. Nor have they at any time contemplated, as appears to be feared by the Arab deegation, the disappearance or the subordination of the Arabic population, language, or culture in
Palestine. They would draw attention to the fact that the terms of the Declaration referred to do not contemplate that
Palestine as a whole should be converted into a Jewish National Home, but that such a Home should be founded `in
Palestine.' In this connection it has been observed with satisfaction that at a meeting of the Zionist Congress, the supreme governing body of the Zionist Organization, held at Carlsbad in September, 1921, a resolution was passed expressing as the official statement of Zionist aims "the determination of the Jewish people to live with the Arab people on terms of unity and mutual respect, and together with them to make the common home into a flourishing community, the upbuilding of which may assure to each of its peoples an undisturbed national development."
Foram feitas declarações não autorizadas no sentido de que o objetivo em vista é criar uma
Palestina inteiramente judaica. Empregaram-se expressões tais como a de que a
Palestina deverá tornar-se "tão judaica quanto a Inglaterra é inglesa". O Governo de Sua Majestade considera qualquer expectativa desse tipo impraticável e não tem tal objetivo em vista. Tampouco cogitou em momento algum, como parece temer a delegação árabe, o desaparecimento ou a subordinação da população, da língua ou da cultura árabes na
Palestina. Chama a atenção para o fato de que os termos da referida Declaração não preveem que a
Palestina como um todo seja convertida em um Lar Nacional Judaico, mas sim que tal Lar seja fundado "na
Palestina". A esse respeito, observou-se com satisfação que, em uma reunião do Congresso Sionista, órgão dirigente supremo da Organização Sionista, realizada em Carlsbad em setembro de 1921, foi aprovada uma resolução que expressa, como declaração oficial dos objetivos sionistas, "a determinação do povo judeu de viver com o povo árabe em termos de unidade e respeito mútuo e, juntamente com ele, fazer do lar comum uma comunidade próspera, cuja edificação possa assegurar a cada um de seus povos um desenvolvimento nacional imperturbado".
It is also necessary to point out that the Zionist Commission in
Palestine, now termed the
Palestine Zionist Executive, has not desired to possess, and does not possess, any share in the general administration of the country. Nor does the special position assigned to the Zionist Organization in Article IV of the Draft Mandate for
Palestine imply any such functions. That special position relates to the measures to be taken in
Palestine affecting the Jewish population, and contemplates that the organization may assist in the general development of the country, but does not entitle it to share in any degree in its government.
É também necessário assinalar que a Comissão Sionista na
Palestina, ora denominada Executivo Sionista da
Palestina, não desejou possuir, e não possui, qualquer participação na administração geral do país. Tampouco a posição especial atribuída à Organização Sionista no Artigo IV do Projeto de Mandato para a
Palestina implica quaisquer funções dessa natureza. Essa posição especial refere-se às medidas a serem tomadas na
Palestina que afetem a população judaica e prevê que a organização possa auxiliar no desenvolvimento geral do país, mas não lhe confere o direito de participar em qualquer grau de seu governo.
Further, it is contemplated that the status of all citizens of
Palestine in the eyes of the law shall be Palestinian, and it has never been intended that they, or any section of them, should possess any other juridical status. So far as the Jewish population of
Palestine are concerned it appears that some among them are apprehensive that His Majesty's Government may depart from the policy embodied in the Declaration of 1917 . It is necessary, therefore, once more to affirm that these fears are unfounded, and that that Declaration, re affirmed by the Conference of the Principle Allied Powers at San Remo and again in the Treaty of Sevres, is not susceptible of change.
Ademais, prevê-se que o status de todos os cidadãos da
Palestina perante a lei será palestino, e jamais se pretendeu que eles, ou qualquer setor deles, possuíssem qualquer outro status jurídico. No que diz respeito à população judaica da
Palestina, parece que alguns dentre eles receiam que o Governo de Sua Majestade possa afastar-se da política consubstanciada na Declaração de 1917. É necessário, portanto, afirmar mais uma vez que esses temores são infundados e que essa Declaração, reafirmada pela Conferência das Principais Potências Aliadas em San Remo e novamente no Tratado de Sèvres, não é suscetível de alteração.
During the last two or three generations the Jews have recreated in
Palestine a community, now numbering 80,000, of whom about one fourth are farmers or workers upon the land. This community has its own political organs; an elected assembly for the direction of its domestic concerns; elected councils in the towns; and an organization for the control of its schools. It has its elected Chief Rabbinate and Rabbinical Council for the direction of its religious affairs. Its business is conducted in Hebrew as a vernacular language, and a Hebrew Press serves its needs. It has its distinctive intellectual life and displays considerable economic activity. This community, then, with its town and country population, its political, religious, and social organizations, its own language, its own customs, its own life, has in fact "national" characteristics. When it is asked what is meant by the development of the Jewish National Home in
Palestine, it may be answered that it is not the imposition of a Jewish nationality upon the inhabitants of
Palestine as a whole, but the further development of the existing Jewish community, with the assistance of Jews in other parts of the world, in order that it may become a centre in which the Jewish people as a whole may take, on grounds of religion and race, an interest and a pride. But in order that this community should have the best prospect of free development and provide a full opportunity for the Jewish people to display its capacities, it is essential that it should know that it is in
Palestine as of right and not on the sufferance. That is the reason why it is necessary that the existence of a Jewish National Home in
Palestine should be internationally guaranteed, and that it should be formally recognized to rest upon ancient historic connection.
Durante as últimas duas ou três gerações, os judeus recriaram na
Palestina uma comunidade, que hoje conta com 80.000 pessoas, das quais cerca de um quarto são agricultores ou trabalhadores do campo. Essa comunidade possui seus próprios órgãos políticos: uma assembleia eleita para a direção de seus assuntos internos, conselhos eleitos nas cidades e uma organização para a administração de suas escolas. Possui seu Rabinato-Chefe e seu Conselho Rabínico eleitos para a direção de seus assuntos religiosos. Seus negócios são conduzidos em hebraico como língua vernácula, e uma imprensa hebraica atende às suas necessidades. Tem vida intelectual própria e apresenta considerável atividade econômica. Essa comunidade, portanto, com sua população urbana e rural, suas organizações políticas, religiosas e sociais, sua própria língua, seus próprios costumes e sua própria vida, possui de fato características "nacionais". Quando se pergunta o que se entende pelo desenvolvimento do Lar Nacional Judaico na
Palestina, pode-se responder que não se trata da imposição de uma nacionalidade judaica aos habitantes da
Palestina como um todo, mas do desenvolvimento ulterior da comunidade judaica existente, com o auxílio de judeus de outras partes do mundo, a fim de que ela se torne um centro pelo qual o povo judeu como um todo possa ter, por motivos de religião e de raça, interesse e orgulho. Mas, para que essa comunidade tenha as melhores perspectivas de livre desenvolvimento e proporcione plena oportunidade ao povo judeu de demonstrar suas capacidades, é essencial que ela saiba que está na
Palestina por direito, e não por tolerância. Essa é a razão pela qual é necessário que a existência de um Lar Nacional Judaico na
Palestina seja garantida internacionalmente e que seja formalmente reconhecido que ela repousa sobre uma antiga ligação histórica.
This, then, is the interpretation which His Majesty's Government place upon the Declaration of 1917 , and, so understood, the Secretary of State is of opinion that it does not contain or imply anything which need cause either alarm to the Arab population of
Palestine or disappointment to the Jews.
Esta é, portanto, a interpretação que o Governo de Sua Majestade dá à Declaração de 1917 e, assim entendida, o Secretário de Estado é de opinião que ela não contém nem implica nada que deva causar alarme à população árabe da
Palestina ou decepção aos judeus.
For the fulfilment of this policy it is necessary that the Jewish community in
Palestine should be able to increase its numbers by immigration. This immigration cannot be so great in volume as to exceed whatever may be the economic capacity of the country at the time to absorb new arrivals. It is essential to ensure that the immigrants should not be a burden upon the people of
Palestine as a whole, and that they should not deprive any section of the present population of their employment. Hitherto the immigration has fulfilled these conditions. The number of immigrants since the British occupation has been about 25,000.
Para o cumprimento dessa política, é necessário que a comunidade judaica na
Palestina possa aumentar seu número por meio da imigração. Essa imigração não pode ser de volume tão grande que exceda a capacidade econômica que o país tenha, em cada momento, de absorver os recém-chegados. É essencial assegurar que os imigrantes não constituam um ônus para o povo da
Palestina como um todo e que não privem nenhum segmento da população atual de seu emprego. Até o presente, a imigração tem atendido a essas condições. O número de imigrantes desde a ocupação britânica tem sido de cerca de 25.000.
It is necessary also to ensure that persons who are politically undesirable be excluded from
Palestine, and every precaution has been and will be taken by the Administration to that end.
É necessário também assegurar que pessoas politicamente indesejáveis sejam excluídas da
Palestina, e todas as precauções foram e serão tomadas pela Administração para esse fim.
It is intended that a special committee should be established in
Palestine, consisting entirely of members of the new Legislative Council elected by the people, to confer with the administration upon matters relating to the regulation of immigration. Should any difference of opinion arise between this committee and the Administration, the matter will be referred to His Majesty's Government, who will give it special consideration. In addition, under Article 81 of the draft
Palestine Order in Council, any religious community or considerable section of the population of
Palestine will have a general right to appeal, through the High Commissioner and the Secretary of State, to the League of Nations on any matter on which they may consider that the terms of the Mandate are not being fulfilled by the Government of
Palestine.
Pretende-se estabelecer na
Palestina um comitê especial, composto inteiramente por membros do novo Conselho Legislativo eleitos pelo povo, para deliberar com a Administração sobre matérias relativas à regulamentação da imigração. Caso surja qualquer divergência de opinião entre esse comitê e a Administração, a matéria será submetida ao Governo de Sua Majestade, que lhe dará consideração especial. Além disso, nos termos do Artigo 81 do projeto de Ordem em Conselho para a
Palestina, qualquer comunidade religiosa ou segmento considerável da população da
Palestina terá o direito geral de recorrer, por intermédio do Alto Comissário e do Secretário de Estado, à Liga das Nações sobre qualquer matéria em que considerem que os termos do Mandato não estão sendo cumpridos pelo Governo da
Palestina.
With reference to the Constitution which it is now intended to establish in
Palestine, the draft of which has already been published, it is desirable to make certain points clear. In the first place, it is not the case, as has been represented by the Arab Delegation, that during the war His Majesty's Government gave an undertaking that an independent national government should be at once established in
Palestine. This representation mainly rests upon a letter dated the 24th October, 1915, from Sir Henry McMahon, then His Majesty's High Commissioner in Egypt, to the Sharif of Mecca, now King Hussein of the Kingdom of the Hejaz. That letter is quoted as conveying the promise to the Sherif of Mecca to recognise and support the independence of the Arabs within the territories proposed by him. But this promise was given subject to a reservation made in the same letter, which excluded from its scope, among other territories, the portions of Syria lying to the west of the District of Damascus. This reservation has always been regarded by His Majesty's Government as covering the vilayet of Beirut and the independent Sanjak of Jerusalem. The whole of
Palestine west of the Jordan was thus excluded from Sir. Henry McMahon's pledge.
No que se refere à Constituição que ora se pretende estabelecer na
Palestina, cujo projeto já foi publicado, convém esclarecer certos pontos. Em primeiro lugar, não é verdade, como foi alegado pela Delegação Árabe, que durante a guerra o Governo de Sua Majestade tenha assumido o compromisso de que um governo nacional independente seria imediatamente estabelecido na
Palestina. Essa alegação baseia-se principalmente em uma carta datada de 24 de outubro de 1915, de Sir Henry McMahon, então Alto Comissário de Sua Majestade no Egito, ao Xerife de Meca, hoje Rei Hussein do Reino do Hejaz. Essa carta é citada como contendo a promessa ao Xerife de Meca de reconhecer e apoiar a independência dos árabes nos territórios por ele propostos. Mas essa promessa foi feita com uma ressalva constante da mesma carta, que excluía de seu âmbito, entre outros territórios, as porções da Síria situadas a oeste do Distrito de Damasco. Essa ressalva sempre foi considerada pelo Governo de Sua Majestade como abrangendo o vilaiete de Beirute e o Sanjaco independente de Jerusalém. Toda a
Palestina a oeste do Jordão ficou, assim, excluída do compromisso de Sir Henry McMahon.
Nevertheless, it is the intention of His Majesty's overnment to foster the establishment of a full measure of self government in
Palestine. But they are of the opinion that, in the special circumstances of that country, this should be accomplished by gradual stages and not suddenly. The first step was taken when, on the institution of a Civil Administration, the nominated Advisory Council, which now exists, was established. It was stated at the time by the High Commissioner that this was the first step in the development of self governing institutions, and it is now proposed to take a second step by the establishment of a Legislative Council containing a large proportion of members elected on a wide franchise. It was proposed in the published draft that three of the members of this Council should be non official persons nominated by the High Commissioner, but representations having been made in opposition to this provision, based on cogent considerations, the Secretary of State is prepared to omit it. The legislative Council would then consist of the High Commissioner as President and twelve elected and ten official members. The Secretary of State is of the opinion that before a further measure of self government is extended to
Palestine and the Assembly placed in control over the Executive, it would be wise to allow some time to elapse. During this period the institutions of the country will have become well established; its financial credit will be based on firm foundations, and the Palestinian officials will have been enabled to gain experience of sound methods of government. After a few years the situation will be again reviewed, and if the experience of the working of the constitution now to be established so warranted, a larger share of authority would then be extended to the elected representatives of the people.
Não obstante, é intenção do Governo de Sua Majestade promover o estabelecimento de uma plena medida de autogoverno na
Palestina. Entende, porém, que, nas circunstâncias especiais daquele país, isso deve ser realizado por etapas graduais, e não de forma súbita. O primeiro passo foi dado quando, por ocasião da instituição de uma Administração Civil, foi criado o Conselho Consultivo nomeado que ora existe. Declarou-se à época, pelo Alto Comissário, que esse era o primeiro passo no desenvolvimento de instituições de autogoverno, e propõe-se agora dar um segundo passo mediante o estabelecimento de um Conselho Legislativo composto, em grande proporção, de membros eleitos por sufrágio amplo. Propunha-se no projeto publicado que três dos membros desse Conselho fossem pessoas não oficiais nomeadas pelo Alto Comissário; tendo sido, contudo, apresentadas objeções a essa disposição, fundadas em considerações convincentes, o Secretário de Estado está disposto a suprimi-la. O Conselho Legislativo consistiria, então, no Alto Comissário como Presidente e em doze membros eleitos e dez membros oficiais. O Secretário de Estado é de opinião que, antes que se estenda à
Palestina uma medida mais ampla de autogoverno e que a Assembleia passe a exercer controle sobre o Executivo, seria prudente deixar transcorrer algum tempo. Durante esse período, as instituições do país estarão bem consolidadas; seu crédito financeiro estará assentado em bases firmes, e os funcionários palestinos terão tido a oportunidade de adquirir experiência em métodos sólidos de governo. Decorridos alguns anos, a situação será novamente examinada e, se a experiência do funcionamento da constituição a ser ora estabelecida assim o justificar, uma parcela maior de autoridade será então conferida aos representantes eleitos do povo.
The Secretary of State would point out that already the present administration has transferred to a Supreme Council elected by the Moslem community of
Palestine the entire control of Moslem Religious endowments (Waqfs), and of the Moslem religious Courts. To this Council the Administration has also voluntarily restored considerable revenues derived from ancient endowments which have been sequestrated by the Turkish Government. The Education Department is also advised by a committee representative of all sections of the population, and the Department of Commerce and Industry has the benefit of the co operation of the Chambers of Commerce which have been established in the principal centres. It is the intention of the Administration to associate in an increased degree similar representative committees with the various Deparments of the Government.
O Secretário de Estado ressaltaria que a atual administração já transferiu a um Conselho Supremo eleito pela comunidade muçulmana da
Palestina o controle integral das fundações religiosas muçulmanas (Waqfs) e dos tribunais religiosos muçulmanos. A esse Conselho a Administração também restituiu voluntariamente receitas consideráveis provenientes de antigas fundações que haviam sido sequestradas pelo Governo turco. O Departamento de Educação é igualmente assessorado por um comitê representativo de todos os setores da população, e o Departamento de Comércio e Indústria conta com a cooperação das Câmaras de Comércio estabelecidas nos principais centros. É intenção da Administração associar, em grau crescente, comitês representativos semelhantes aos diversos Departamentos do Governo.
The Secretary of State believes that a policy upon these lines, coupled with the maintenance of the fullest religious liberty in
Palestine and with scrupulous regard for the rights of each community with reference to its Holy Places, cannot but commend itself to the various sections of the population, and that upon this basis may be built up that a spirit of cooperation upon which the future progress and prosperity of the Holy Land must largely depend.
O Secretário de Estado está convicto de que uma política nessas linhas, aliada à manutenção da mais plena liberdade religiosa na
Palestina e ao escrupuloso respeito pelos direitos de cada comunidade no tocante a seus Lugares Santos, não pode deixar de merecer a aprovação dos diversos setores da população, e de que sobre essa base se poderá edificar um espírito de cooperação do qual dependerão, em grande medida, o progresso e a prosperidade futuros da Terra Santa.