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Documento · 17 mai. 1939

Livro Branco de 1939 (MacDonald)

O Livro Branco de 17 de maio de 1939, conhecido como Livro Branco MacDonald, é a declaração de política do governo britânico para o Mandato Britânico. Nele, Londres declara que não faz parte de sua política a criação de um Estado judeu, prevê um Estado independente em 10 anos e limita a imigração judaica e a compra de terras por judeus.

Por que este documento importa

  • Mostra o governo britânico recuando da Declaração Balfour e anunciando que não é sua política criar um Estado judeu.
  • Limita a imigração judaica a cerca de 75.000 pessoas em cinco anos e condiciona qualquer imigração posterior ao consentimento árabe, no exato momento em que o próprio texto reconhece a situação aflitiva dos judeus que tentavam fugir da Europa.
  • Registra que o próprio governo britânico considerava toda a área a oeste do Jordão excluída do compromisso de McMahon, o que contradiz a tese da promessa traída aos árabes.
  • Reconhece que a violência dos últimos três anos foi obra de terroristas árabes e, ainda assim, responde a ela restringindo os judeus.
  • Confirma, pela citação do documento de 1922, que os judeus estavam na terra por direito e não por tolerância, com base em antiga ligação histórica.

Trechos-chave

“Essa declaração, porém, não dissipou as dúvidas, e o Governo de Sua Majestade, por conseguinte, declara agora inequivocamente que não faz parte de sua política que a Palestina se torne um Estado judeu. Consideraria, com efeito, contrário às suas obrigações para com os árabes nos termos do Mandato, bem como às garantias dadas ao povo árabe no passado, que a população árabe da Palestina fosse feita súdita de um Estado judeu contra a sua vontade.”Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →

É o núcleo político do documento. O governo britânico declara inequivocamente que não é sua política a criação de um Estado judeu, abandonando a leitura que os líderes sionistas faziam da Declaração Balfour. Ver no texto →

“"Durante as últimas duas ou três gerações, os judeus recriaram na Palestina uma comunidade que hoje soma 80.000 pessoas, das quais cerca de um quarto são agricultores ou trabalhadores da terra. Essa comunidade possui seus próprios órgãos políticos; uma assembleia eleita para a direção de seus assuntos internos; conselhos eleitos nas cidades; e uma organização para a administração de suas escolas. Possui seu Rabinato-Chefe eleito e seu Conselho Rabínico para a direção de seus assuntos religiosos. Seus negócios são conduzidos em hebraico como língua vernácula, e uma imprensa hebraica atende às suas necessidades. Tem vida intelectual própria e demonstra considerável atividade econômica. Essa comunidade, portanto, com sua população urbana e rural, suas organizações políticas, religiosas e sociais, sua própria língua, seus próprios costumes, sua própria vida, possui de fato características `nacionais'. Quando se pergunta o que se entende pelo desenvolvimento do Lar Nacional Judaico na Palestina, pode-se responder que não se trata da imposição de uma nacionalidade judaica aos habitantes da Palestina como um todo, mas do desenvolvimento ulterior da comunidade judaica existente, com a assistência de judeus de outras partes do mundo, a fim de que ela se torne um centro pelo qual o povo judeu como um todo possa nutrir, por motivos de religião e raça, interesse e orgulho. Mas, para que essa comunidade tenha as melhores perspectivas de livre desenvolvimento e proporcione plena oportunidade ao povo judeu de demonstrar suas capacidades, é essencial que ela saiba que está na Palestina por direito e não por tolerância. Essa é a razão pela qual é necessário que a existência de um Lar Nacional Judaico na Palestina seja internacionalmente garantida e que seja formalmente reconhecido que ela repousa sobre uma antiga ligação histórica."”

Citando o documento de 1922, o texto reconhece que a comunidade judaica já tinha caráter nacional, com língua hebraica, instituições eleitas e vida própria. Afirma que ela estava ali por direito, com base em antiga ligação histórica. Ver no texto →

“Nas recentes discussões, as delegações árabes repetiram a alegação de que a Palestina estava incluída na área em que Sir Henry McMahon, em nome do Governo Britânico, em outubro de 1915, se comprometeu a reconhecer e apoiar a independência árabe. A validade dessa reivindicação, baseada nos termos da correspondência trocada entre Sir Henry McMahon e o Xarife de Meca, foi minuciosa e cuidadosamente examinada pelos representantes britânicos e árabes durante as recentes conferências em Londres. O relatório desses representantes, que foi publicado, declara que tanto os representantes árabes como os britânicos se esforçaram por compreender o ponto de vista da outra parte, mas que não lograram chegar a acordo sobre uma interpretação da correspondência. Não há necessidade de resumir aqui os argumentos apresentados por cada lado. O Governo de Sua Majestade lamenta os mal-entendidos surgidos quanto a algumas das expressões utilizadas. Por sua parte, só pode manter, pelas razões expostas por seus representantes no Relatório, o entendimento de que toda a Palestina a oeste do Jordão foi excluída do compromisso de Sir Henry McMahon, e, portanto, não pode concordar que a correspondência McMahon constitua fundamento justo para a reivindicação de que a Palestina seja convertida em um Estado Árabe.”

O governo britânico mantém que toda a área a oeste do Jordão foi excluída do compromisso de McMahon. É um registro primário contra a alegação de que a terra foi prometida aos árabes e depois traída. Ver no texto →

“Na prática, a partir dessa data e até tempos recentes, a capacidade econômica de absorção do país tem sido tratada como o único fator limitativo, e na carta que o Sr. Ramsay MacDonald, na qualidade de Primeiro-Ministro, enviou ao Dr. Weizmann em fevereiro de 1931, ficou estabelecido como questão de política que a capacidade econômica de absorção era o único critério. Essa interpretação tem sido corroborada por resoluções do Comissário Permanente de Mandatos. O Governo de Sua Majestade, contudo, não entende que a Declaração de Política de 1922 ou a carta de 1931 impliquem que o Mandato lhe exija, para sempre e em quaisquer circunstâncias, facilitar a imigração de judeus para a Palestina sujeita unicamente à consideração da capacidade econômica de absorção do país. Tampouco encontra no Mandato ou em Declarações de Política posteriores qualquer elemento que sustente a opinião de que o estabelecimento de um Lar Nacional Judaico na Palestina não pode ser efetivado a menos que se permita que a imigração continue indefinidamente. Se a imigração tiver efeito adverso sobre a situação econômica do país, deverá evidentemente ser restringida; e, do mesmo modo, se tiver efeito gravemente prejudicial sobre a situação política do país, trata-se de fator que não deve ser ignorado. Embora não seja difícil sustentar que o grande número de imigrantes judeus admitidos até o presente foi absorvido economicamente, o temor dos árabes de que esse afluxo continue indefinidamente até que a população judaica esteja em condições de dominá-los produziu consequências extremamente graves tanto para judeus como para árabes, e para a paz e a prosperidade da Palestina. Os lamentáveis distúrbios dos últimos três anos não são senão a mais recente e mais prolongada manifestação dessa intensa apreensão árabe. Os métodos empregados por terroristas árabes, tanto contra outros árabes como contra judeus, devem receber condenação irrestrita. Não se pode negar, porém, que o temor de uma imigração judaica indefinida está amplamente difundido entre a população árabe e que esse temor tornou possíveis distúrbios que causaram grave retrocesso ao progresso econômico, esgotaram o erário da Palestina, tornaram inseguras a vida e a propriedade e geraram, entre as populações árabe e judaica, um rancor que é deplorável entre cidadãos de um mesmo país. Se, nessas circunstâncias, a imigração prosseguir até o limite da capacidade econômica de absorção do país, independentemente de quaisquer outras considerações, perpetuar-se-á uma inimizade fatal entre os dois povos, e a situação na Palestina poderá tornar-se fonte permanente de atrito entre todos os povos do Oriente Próximo e do Oriente Médio. O Governo de Sua Majestade não pode admitir que suas obrigações decorrentes do Mandato, ou considerações de bom senso e de justiça, exijam que ignore essas circunstâncias ao formular a política de imigração.”

O texto condena os métodos dos terroristas árabes e reconhece que a imigração vinha sendo absorvida economicamente. Mesmo assim, aceita restringir os judeus por causa da violência e do medo árabes. Ver no texto →

“Tem-se insistido em que toda nova imigração judaica para a Palestina seja suspensa de imediato. O Governo de Sua Majestade não pode aceitar tal proposta. Ela prejudicaria todo o sistema financeiro e econômico da Palestina e afetaria, assim, adversamente os interesses de árabes e judeus igualmente. Ademais, no entender do Governo de Sua Majestade, suspender abruptamente novas imigrações seria injusto para com o Lar Nacional Judaico. Mas, acima de tudo, o Governo de Sua Majestade está ciente da atual situação aflitiva de grande número de judeus que buscam refúgio fora de certos países europeus, e acredita que a Palestina pode e deve dar uma contribuição adicional para a solução desse premente problema mundial. Em todas essas circunstâncias, acredita que estará agindo em conformidade com suas obrigações de Mandatário para com árabes e judeus, e da maneira mais apropriada a servir aos interesses de todo o povo da Palestina, ao adotar as seguintes propostas relativas à imigração:”

Londres admite saber da situação aflitiva dos judeus que buscavam refúgio fora de certos países europeus. É isso que torna tão grave o limite imposto em seguida. Ver no texto →

“Após o período de cinco anos, nenhuma nova imigração judaica será permitida, a menos que os árabes da Palestina estejam dispostos a consentir com ela.”

Após cinco anos, nenhuma imigração judaica seria permitida sem o consentimento árabe. Na prática, a porta de entrada para os judeus passava a depender de um veto. Ver no texto →

Data: 17 mai. 1939

Original: em inglês. Fonte do texto original.

Tradução: feita pela JJO a partir do original, completa e sem cortes.

Texto integral

Original (inglês)Português
Section I. "The Constitution"
Seção I. "A Constituição"
It has been urged that the expression "a national home for the Jewish people" offered a prospect that Palestine might in due course become a Jewish State or Commonwealth. His Majesty's Government do not wish to contest the view, which was expressed by the Royal Commission, that the Zionist leaders at the time of the issue of the Balfour Declaration recognised that an ultimate Jewish State was not precluded by the terms of the Declaration. But, with the Royal Commission, His Majesty's Government believe that the framers of the Mandate in which the Balfour Declaration was embodied could not have intended that Palestine should be converted into a Jewish State against the will of the Arab population of the country. That Palestine was not to be converted into a Jewish State might be held to be implied in the passage from the Command Paper of 1922 which reads as follows
Tem-se sustentado que a expressão "um lar nacional para o povo judeu" oferecia a perspectiva de que a Palestina pudesse, oportunamente, tornar-se um Estado ou Comunidade judaica. O Governo de Sua Majestade não deseja contestar a opinião, expressa pela Comissão Real, de que os líderes sionistas, à época da emissão da Declaração Balfour, reconheciam que um eventual Estado judeu não estava excluído pelos termos da Declaração. Mas, com a Comissão Real, o Governo de Sua Majestade entende que os autores do Mandato, no qual a Declaração Balfour foi incorporada, não poderiam ter pretendido que a Palestina fosse convertida em um Estado judeu contra a vontade da população árabe do país. Que a Palestina não deveria ser convertida em um Estado judeu poder-se-ia considerar implícito no trecho do Command Paper de 1922, que diz o seguinte
"Unauthorized statements have been made to the effect that the purpose in view is to create a wholly Jewish Palestine. Phrases have been used such as that `Palestine is to become as Jewish as England is English.' His Majesty's Government regard any such expectation as impracticable and have no such aim in view. Nor have they at any time contemplated .... the disappearance or the subordination of the Arabic population, language or culture in Palestine. They would draw attention to the fact that the terms of the (Balfour) Declaration referred to do not contemplate that Palestine as a whole should be converted into a Jewish National Home, but that such a Home should be founded IN PALESTINE."
"Foram feitas declarações não autorizadas no sentido de que o propósito em vista é criar uma Palestina inteiramente judaica. Foram empregadas expressões como a de que `a Palestina há de tornar-se tão judaica quanto a Inglaterra é inglesa'. O Governo de Sua Majestade considera qualquer expectativa dessa natureza impraticável e não tem tal objetivo em vista. Tampouco cogitou, em momento algum, .... o desaparecimento ou a subordinação da população, da língua ou da cultura árabes na Palestina. Chama a atenção para o fato de que os termos da referida Declaração (Balfour) não preveem que a Palestina como um todo seja convertida em um Lar Nacional Judaico, mas sim que tal Lar seja fundado NA PALESTINA."
But this statement has not removed doubts, and His Majesty's Government therefore now declare unequivocally that it is not part of their policy that Palestine should become a Jewish State. They would indeed regard it as contrary to their obligations to the Arabs under the Mandate, as well as to the assurances which have been given to the Arab people in the past, that the Arab population of Palestine should be made the subjects of a Jewish State against their will.
Essa declaração, porém, não dissipou as dúvidas, e o Governo de Sua Majestade, por conseguinte, declara agora inequivocamente que não faz parte de sua política que a Palestina se torne um Estado judeu. Consideraria, com efeito, contrário às suas obrigações para com os árabes nos termos do Mandato, bem como às garantias dadas ao povo árabe no passado, que a população árabe da Palestina fosse feita súdita de um Estado judeu contra a sua vontade.
The nature of the Jewish National Home in Palestine was further described in the Command Paper of 1922 as follows
A natureza do Lar Nacional Judaico na Palestina foi ainda descrita no Command Paper de 1922 da seguinte forma
"During the last two or three generations the Jews have recreated in Palestine a community now numbering 80,000, of whom about one fourth are farmers or workers upon the land. This community has its own political organs; an elected assembly for the direction of its domestic concerns; elected councils in the towns; and an organisation for the control of its schools. It has its elected Chief Rabbinate and Rabbinical Council for the direction of its religious affairs. Its business is conducted in Hebrew as a vernacular language, and a Hebrew press serves its needs. It has its distinctive intellectual life and displays considerable economic activity. This community, then, with its town and country population, its political, religious and social organisations, its own language, its own customs, its own life, has in fact `national' characteristics. When it is asked what is meant by the development of the Jewish National Home in Palestine, it may be answered that it is not the imposition of a Jewish nationality upon the inhabitants of Palestine as a whole, but the further development of the existing Jewish community, with the assistance of Jews in other parts of the world, in order that it may become a centre in which the Jewish people as a whole may take, on grounds of religion and race, an interest and pride. But in order that this community should have the best prospect of free development and provide a full opportunity for the Jewish people to display its capacities, it is essential that it should know that it is in Palestine as of right and not on sufferance. That is the reason why it is necessary that the existence of a Jewish National Home in Palestine should be internationally guaranteed, and that it should be formally recognised to rest upon ancient historic connection."
"Durante as últimas duas ou três gerações, os judeus recriaram na Palestina uma comunidade que hoje soma 80.000 pessoas, das quais cerca de um quarto são agricultores ou trabalhadores da terra. Essa comunidade possui seus próprios órgãos políticos; uma assembleia eleita para a direção de seus assuntos internos; conselhos eleitos nas cidades; e uma organização para a administração de suas escolas. Possui seu Rabinato-Chefe eleito e seu Conselho Rabínico para a direção de seus assuntos religiosos. Seus negócios são conduzidos em hebraico como língua vernácula, e uma imprensa hebraica atende às suas necessidades. Tem vida intelectual própria e demonstra considerável atividade econômica. Essa comunidade, portanto, com sua população urbana e rural, suas organizações políticas, religiosas e sociais, sua própria língua, seus próprios costumes, sua própria vida, possui de fato características `nacionais'. Quando se pergunta o que se entende pelo desenvolvimento do Lar Nacional Judaico na Palestina, pode-se responder que não se trata da imposição de uma nacionalidade judaica aos habitantes da Palestina como um todo, mas do desenvolvimento ulterior da comunidade judaica existente, com a assistência de judeus de outras partes do mundo, a fim de que ela se torne um centro pelo qual o povo judeu como um todo possa nutrir, por motivos de religião e raça, interesse e orgulho. Mas, para que essa comunidade tenha as melhores perspectivas de livre desenvolvimento e proporcione plena oportunidade ao povo judeu de demonstrar suas capacidades, é essencial que ela saiba que está na Palestina por direito e não por tolerância. Essa é a razão pela qual é necessário que a existência de um Lar Nacional Judaico na Palestina seja internacionalmente garantida e que seja formalmente reconhecido que ela repousa sobre uma antiga ligação histórica."
His Majesty's Government adhere to this intepretation of the (Balfour) Declaration of 1917 and regard it as an authoritative and comprehensive description of the character of the Jewish National Home in Palestine. It envisaged the further development of the existing Jewish community with the assistance of Jews in other parts of the world. Evidence that His Majesty's Government have been carrying out their obligation in this respect is to be found in the facts that, since the statement of 1922 was published, more than 300,000 Jews have immigrated to Palestine, and that the population of the National Home has risen to some 450,000, or approaching a third of the entire population of the country. Nor has the Jewish community failed to take full advantage of the opportunities given to it. The growth of the Jewish National Home and its acheivements in many fields are a remarkable constructive effort which must command the admiration of the world and must be, in particular, a source of pride to the Jewish people.
O Governo de Sua Majestade adere a esta interpretação da Declaração (Balfour) de 1917 e a considera uma descrição autorizada e abrangente do caráter do Lar Nacional Judaico na Palestina. Ela previa o desenvolvimento ulterior da comunidade judaica existente com a assistência de judeus de outras partes do mundo. A prova de que o Governo de Sua Majestade vem cumprindo sua obrigação a esse respeito encontra-se nos fatos de que, desde a publicação da declaração de 1922, mais de 300.000 judeus imigraram para a Palestina, e de que a população do Lar Nacional elevou-se a cerca de 450.000, ou quase um terço da população total do país. Tampouco deixou a comunidade judaica de aproveitar plenamente as oportunidades que lhe foram dadas. O crescimento do Lar Nacional Judaico e suas realizações em muitos campos constituem um notável esforço construtivo, que deve suscitar a admiração do mundo e deve ser, em particular, motivo de orgulho para o povo judeu.
In the recent discussions the Arab delegations have repeated the contention that Palestine was included within the area in which Sir Henry McMahon, on behalf of the British Government, in October, 1915, undertook to recognise and support Arab independence. The validity of this claim, based on the terms of the correspondence which passed between Sir Henry McMahon and the Sharif of Mecca, was thoroughly and carefully investigated by the British and Arab representatives during the recent conferences in London. Their report, which has been published, states that both the Arab and the British representatives endeavoured to understand the point of view of the other party but that they were unable to reach agreement upon an interpretation of the correspondence. There is no need to summarize here the arguments presented by each side. His Majesty's Government regret the misunderstandings which have arisen as regards some of the phrases used. For their part they can only adhere, for the reasons given by their representatives in the Report, to the view that the whole of Palestine west of Jordan was excluded from Sir Henry McMahon's pledge, and they therefore cannot agree that the McMahon correspondence forms a just basis for the claim that Palestine should be converted into an Arab State.
Nas recentes discussões, as delegações árabes repetiram a alegação de que a Palestina estava incluída na área em que Sir Henry McMahon, em nome do Governo Britânico, em outubro de 1915, se comprometeu a reconhecer e apoiar a independência árabe. A validade dessa reivindicação, baseada nos termos da correspondência trocada entre Sir Henry McMahon e o Xarife de Meca, foi minuciosa e cuidadosamente examinada pelos representantes britânicos e árabes durante as recentes conferências em Londres. O relatório desses representantes, que foi publicado, declara que tanto os representantes árabes como os britânicos se esforçaram por compreender o ponto de vista da outra parte, mas que não lograram chegar a acordo sobre uma interpretação da correspondência. Não há necessidade de resumir aqui os argumentos apresentados por cada lado. O Governo de Sua Majestade lamenta os mal-entendidos surgidos quanto a algumas das expressões utilizadas. Por sua parte, só pode manter, pelas razões expostas por seus representantes no Relatório, o entendimento de que toda a Palestina a oeste do Jordão foi excluída do compromisso de Sir Henry McMahon, e, portanto, não pode concordar que a correspondência McMahon constitua fundamento justo para a reivindicação de que a Palestina seja convertida em um Estado Árabe.
His Majesty's Government are charged as the Mandatory authority "to secure the development of self governing institutions" in Palestine. Apart from this specific obligation, they would regard it as contrary to the whole spirit of the Mandate system that the population of Palestine should remain forever under Mandatory tutelage. It is proper that the people of the country should as early as possible enjoy the rights of self-government which are exercised by the people of neighbouring countries. His Majesty's Government are unable at present to foresee the exact constitutional forms which government in Palestine will eventually take, but their objective is self government, and they desire to see established ultimately an independent Palestine State. It should be a State in which the two peoples in Palestine, Arabs and Jews, share authority in government in such a way that the essential interests of each are shared.
O Governo de Sua Majestade está incumbido, na qualidade de autoridade Mandatária, de "assegurar o desenvolvimento de instituições de autogoverno" na Palestina. Independentemente dessa obrigação específica, consideraria contrário a todo o espírito do sistema de Mandatos que a população da Palestina permanecesse para sempre sob tutela Mandatária. É justo que o povo do país goze, o mais cedo possível, dos direitos de autogoverno exercidos pelos povos dos países vizinhos. O Governo de Sua Majestade não pode, no presente, prever as formas constitucionais exatas que o governo da Palestina virá a assumir, mas seu objetivo é o autogoverno, e deseja ver estabelecido, em última instância, um Estado palestino independente. Deverá ser um Estado no qual os dois povos da Palestina, árabes e judeus, partilhem a autoridade governamental de tal modo que os interesses essenciais de cada um sejam compartilhados.
The establishment of an independent State and the complete relinquishmnet of Mandatory control in Palestine would require such relations between the Arabs and the Jews as would make good government possible. Moreover, the growth of self governing institutions in Palestine, as in other countries, must be an evolutionary process. A transitional period will be required before independence is achieved, throughout which ultimate responsibility for the Government of the country will be retained by His Majesty's Government as the Mandatory authority, while the people of the country are taking an increasing share in the Government, and understanding and cooperation amongst them are growing. It will be the constant endeavour of His Majesty's Government to promote good relations between the Arabs and the Jews.
O estabelecimento de um Estado independente e a completa renúncia ao controle Mandatário na Palestina exigiriam entre árabes e judeus relações tais que tornassem possível um bom governo. Ademais, o desenvolvimento de instituições de autogoverno na Palestina, como em outros países, deve ser um processo evolutivo. Será necessário um período de transição antes que se alcance a independência, durante o qual a responsabilidade última pelo Governo do país será mantida pelo Governo de Sua Majestade na qualidade de autoridade Mandatária, enquanto o povo do país assume participação crescente no Governo e se desenvolvem a compreensão e a cooperação entre seus integrantes. Será esforço constante do Governo de Sua Majestade promover boas relações entre árabes e judeus.
In the light of these considerations His Majesty's Government make the following declaration of their intentions regarding the future government of Palestine:
À luz destas considerações, o Governo de Sua Majestade faz a seguinte declaração de suas intenções relativas ao futuro governo da Palestina:
The objective of His Majesty's Government is the establishment within 10 years of an independent Palestine State in such treaty relations with the United Kingdom as will provide satisfactorily for the commercial and strategic requirements of both countries in the future. The proposal for the establishment of the independent State would involve consultation with the Council of the League of Nations with a view to the termination of the Mandate .
O objetivo do Governo de Sua Majestade é o estabelecimento, no prazo de 10 anos, de um Estado palestino independente, vinculado ao Reino Unido por relações convencionais que atendam satisfatoriamente às necessidades comerciais e estratégicas de ambos os países no futuro. A proposta de estabelecimento do Estado independente implicaria consulta ao Conselho da Liga das Nações com vistas à extinção do Mandato.
The independent State should be one in which Arabs and Jews share government in such a way as to ensure that the essential interests of each community are safeguarded.
O Estado independente deverá ser um Estado no qual árabes e judeus partilhem o governo de modo a assegurar a salvaguarda dos interesses essenciais de cada comunidade.
The establishment of the independent State will be preceded by a transitional period throughout which His Majesty's Government will retain responsibility for the country. During the transitional period the people of Palestine will be given an increasing part in the government of their country. Both sections of the population will have an opportunity to participate in the machinery of government, and the process will be carried on whether or not they both avail themselves of it.
O estabelecimento do Estado independente será precedido de um período de transição, durante todo o qual o Governo de Sua Majestade conservará a responsabilidade pelo país. Durante o período de transição, será dada ao povo da Palestina uma participação crescente no governo de seu país. Ambos os setores da população terão a oportunidade de participar do aparelho de governo, e o processo terá prosseguimento quer ambos se valham dela, quer não.
As soon as peace and order have been sufficiently restored in Palestine steps will be taken to carry out this policy of giving the people of Palestine an increasing part in the government of their country, the objective being to place Palestinians in charge of all the Departments of Government, with the assistance of British advisers and subject to the control of the High Commissioner. Arab and Jewish representatives will be invited to serve as heads of Departments approximately in proportion to their respective populations. The number of Palestinians in charge of Departments will be increased as circumstances permit until all heads of Departments are Palestinians, exercising the administrative and advisory functions which are presently performed by British officials. When that stage is reached consideration will be given to the question of converting the Executive Council into a Council of Ministers with a consequential change in the status and functions of the Palestinian heads of Departments.
Tão logo a paz e a ordem tenham sido suficientemente restabelecidas na Palestina, serão tomadas medidas para executar esta política de conceder ao povo da Palestina uma participação crescente no governo de seu país, tendo por objetivo colocar palestinos à frente de todos os Departamentos do Governo, com a assistência de assessores britânicos e sujeitos ao controle do Alto Comissário. Representantes árabes e judeus serão convidados a exercer a chefia de Departamentos aproximadamente na proporção de suas respectivas populações. O número de palestinos à frente de Departamentos será aumentado à medida que as circunstâncias o permitirem, até que todos os chefes de Departamento sejam palestinos, exercendo as funções administrativas e consultivas atualmente desempenhadas por funcionários britânicos. Atingida essa etapa, será examinada a questão da conversão do Conselho Executivo em Conselho de Ministros, com a consequente alteração do estatuto e das funções dos chefes palestinos de Departamento.
His Majesty's Government make no proposals at this stage regarding the establishment of an elective legislature. Nevertheless they would regard this as an appropriate constitutional development, and, should public opinion in Palestine hereafter show itself in favour of such a development, they will be prepared, provided that local conditions permit, to establish the necessary machinery.
O Governo de Sua Majestade não apresenta, nesta etapa, propostas relativas ao estabelecimento de um corpo legislativo eletivo. Não obstante, consideraria tal medida um desenvolvimento constitucional apropriado e, caso a opinião pública na Palestina venha doravante a mostrar-se favorável a tal desenvolvimento, estará disposto, desde que as condições locais o permitam, a estabelecer o aparelho necessário.
At the end of five years from the restoration of peace and order, an appropriate body representative of the people of Palestine and of His Majesty's Government will be set up to review the working of the constitutional arrangements during the transitional period and to consider and make recommendations regarding the constitution of the independent Palestine State.
Ao final de cinco anos contados do restabelecimento da paz e da ordem, será constituído um órgão apropriado, representativo do povo da Palestina e do Governo de Sua Majestade, para examinar o funcionamento das disposições constitucionais durante o período de transição e para considerar a constituição do Estado independente da Palestina e formular recomendações a respeito dela.
His Majesty's Government will require to be satisfied that in the treaty contemplated by sub-paragraph (6) adequate provision has been made for:
O Governo de Sua Majestade exigirá certificar-se de que, no tratado previsto na alínea (6), tenham sido adotadas disposições adequadas para:
the security of, and freedom of access to the Holy Places, and protection of the interests and property of the various religious bodies.
a segurança dos Lugares Santos e a liberdade de acesso a eles, bem como a proteção dos interesses e bens das diversas entidades religiosas.
the protection of the different communities in Palestine in accordance with the obligations of His Majesty's Government to both Arabs and Jews and for the special position in Palestine of the Jewish NationalHome.
a proteção das diferentes comunidades da Palestina, em conformidade com as obrigações do Governo de Sua Majestade tanto para com os árabes quanto para com os judeus, e a posição especial, na Palestina, do Lar Nacional Judaico.
such requirements to meet the strategic situation as may be regarded as necessary by His Majesty's Government in the light of the circumstances then existing. His Majesty's Government will also require to be satisfied that the interests of certain foreign countries in Palestine, for the preservation of which they are at present responsible, are adequately safeguarded.
as exigências destinadas a atender à situação estratégica que o Governo de Sua Majestade considerar necessárias à luz das circunstâncias então existentes. O Governo de Sua Majestade exigirá também certificar-se de que os interesses de determinados países estrangeiros na Palestina, por cuja preservação é atualmente responsável, estejam adequadamente salvaguardados.
His Majesty's Government will do everything in their power to create conditions which will enable the independent Palestine State to come into being within 10 years. If, at the end of 10 years, it appears to His Majesty's Government that, contrary to their hope, circumstances require the postponement of the establishment of the independent State, they will consult with representatives of the people of Palestine, the Council of the League of Nations and the neighbouring Arab States before deciding on such a postponement. If His Majesty's Government come to the conclusion that postponement is unavoidable, they will invite the co-operation of these parties in framing plans for the future with a view to achieving the desired objective at the earliest possible date.
O Governo de Sua Majestade fará tudo o que estiver ao seu alcance para criar condições que permitam ao Estado independente da Palestina vir a existir dentro de 10 anos. Se, ao final de 10 anos, parecer ao Governo de Sua Majestade que, contrariamente à sua esperança, as circunstâncias exigem o adiamento do estabelecimento do Estado independente, consultará representantes do povo da Palestina, o Conselho da Liga das Nações e os Estados árabes vizinhos antes de decidir sobre tal adiamento. Se o Governo de Sua Majestade chegar à conclusão de que o adiamento é inevitável, convidará essas partes a cooperar na elaboração de planos para o futuro, com vistas a alcançar o objetivo desejado na data mais próxima possível.
During the transitional period steps will be taken to increase the powers and responsibilities of municipal corporations and local councils.
Durante o período de transição, serão tomadas medidas para ampliar os poderes e as responsabilidades das corporações municipais e dos conselhos locais.
Section II. Immigration
Seção II. Imigração
Under Article 6 of the Mandate , the Administration of Palestine, "while ensuring that the rights and position of other sections of the population are not prejudiced," is required to "facilitate Jewish immigration under suitable conditions." Beyond this, the extent to which Jewish immigration into Palestine is to be permitted is nowhere defined in the Mandate. But in the Command Paper of 1922 it was laid down that for the fulfilment of the policy of establishing a Jewish National Home:
Nos termos do Artigo 6 do Mandato, a Administração da Palestina, "assegurando que os direitos e a posição de outros setores da população não sejam prejudicados", deve "facilitar a imigração judaica em condições adequadas". Afora isso, a medida em que a imigração judaica para a Palestina deve ser permitida não está definida em parte alguma do Mandato. Mas no Command Paper de 1922 estabeleceu-se que, para o cumprimento da política de estabelecimento de um Lar Nacional Judaico:
"it is necessary that the Jewish commun ity in Palestine should be able to increase its numbers by immigration. This immigration cannot be so great in volume as to exceed whatever may be the economic capacity of the country at the time to absorb new arrivals. It is essential to ensure that the immigrants should not be a burden upon the people of Palestine as a whole, and that they should not deprive any section of the present population of their employment."
"é necessário que a comunidade judaica na Palestina possa aumentar seu número por meio da imigração. Essa imigração não pode ser de volume tão grande que exceda a capacidade econômica do país, em cada momento, de absorver os recém-chegados. É essencial assegurar que os imigrantes não constituam um ônus para o povo da Palestina como um todo e que não privem nenhum setor da população atual de seu emprego."
In practice, from that date onwards until recent times, the economic absorptive capacity of the country has been treated as the sole limiting factor, and in the letter which Mr. Ramsay MacDonald, as Prime Minister, sent to Dr. Weizmann in February 1931 it was laid down as a matter of policy that economic absorptive capacity was the sole criterion. This interpretation has been supported by resolutions of the Permanent Mandates Commissioner. But His Majesty's Government do not read either the Statement of Policy of 1922 or the letter of 1931 as implying that the Mandate requires them, for all time and in all circumstances, to facilitate the immigration of Jews into Palestine subject only to consideration of the country's economic absorptive capacity. Nor do they find anything in the Mandate or in subsequent Statements of Policy to support the view that the establishment of a Jewish National Home in Palestine cannot be effected unless immigration is allowed to continue indefinitely. If immigration has an adverse effect on the economic position in the country, it should clearly be restricted; and equally, if it has a seriously damaging effect on the political position in the country, that is a factor that should not be ignored. Although it is not difficult to contend that the large number of Jewish immigrants who have been admitted so far have been absrobed economically, the fear of the Arabs that this influx will continue indefinitely until the Jewish population is in a position to dominate them has produced consequences which are extremely grave for Jews and Arabs alike and for the peace and prosperity of Palestine. The lamentable disturbances of the past three years are only the latest and most sustained manifestation of this intense Arab apprehension. The methods employed by Arab terrorists against fellow Arabs and Jews alike must receive unqualified condemnation. But it cannot be denied that fear of indefinite Jewish immigration is widespread amongst the Arab population and that this fear has made possible disturbances which have given a serious setback to economic progress, depleted the Palestine exchequer, rendered life and property insecure, and produced a bitterness between the Arab and Jewish populations which is deplorable between citizens of the same country. If in these circumstances immigration is continued up to the economic absorptive capacity of the country, regardless of all other considerations, a fatal enmity between the two peoples will be perpetuated, and the situation in Palestine may become a permanent source of friction amongst all peoples in the Near and Middle East. His Majesty's Government cannot take the view that either their obligations under the Mandate, or considerations of common sense and justice, require that they should ignore these circumstances in framing immigration policy.
Na prática, a partir dessa data e até tempos recentes, a capacidade econômica de absorção do país tem sido tratada como o único fator limitativo, e na carta que o Sr. Ramsay MacDonald, na qualidade de Primeiro-Ministro, enviou ao Dr. Weizmann em fevereiro de 1931, ficou estabelecido como questão de política que a capacidade econômica de absorção era o único critério. Essa interpretação tem sido corroborada por resoluções do Comissário Permanente de Mandatos. O Governo de Sua Majestade, contudo, não entende que a Declaração de Política de 1922 ou a carta de 1931 impliquem que o Mandato lhe exija, para sempre e em quaisquer circunstâncias, facilitar a imigração de judeus para a Palestina sujeita unicamente à consideração da capacidade econômica de absorção do país. Tampouco encontra no Mandato ou em Declarações de Política posteriores qualquer elemento que sustente a opinião de que o estabelecimento de um Lar Nacional Judaico na Palestina não pode ser efetivado a menos que se permita que a imigração continue indefinidamente. Se a imigração tiver efeito adverso sobre a situação econômica do país, deverá evidentemente ser restringida; e, do mesmo modo, se tiver efeito gravemente prejudicial sobre a situação política do país, trata-se de fator que não deve ser ignorado. Embora não seja difícil sustentar que o grande número de imigrantes judeus admitidos até o presente foi absorvido economicamente, o temor dos árabes de que esse afluxo continue indefinidamente até que a população judaica esteja em condições de dominá-los produziu consequências extremamente graves tanto para judeus como para árabes, e para a paz e a prosperidade da Palestina. Os lamentáveis distúrbios dos últimos três anos não são senão a mais recente e mais prolongada manifestação dessa intensa apreensão árabe. Os métodos empregados por terroristas árabes, tanto contra outros árabes como contra judeus, devem receber condenação irrestrita. Não se pode negar, porém, que o temor de uma imigração judaica indefinida está amplamente difundido entre a população árabe e que esse temor tornou possíveis distúrbios que causaram grave retrocesso ao progresso econômico, esgotaram o erário da Palestina, tornaram inseguras a vida e a propriedade e geraram, entre as populações árabe e judaica, um rancor que é deplorável entre cidadãos de um mesmo país. Se, nessas circunstâncias, a imigração prosseguir até o limite da capacidade econômica de absorção do país, independentemente de quaisquer outras considerações, perpetuar-se-á uma inimizade fatal entre os dois povos, e a situação na Palestina poderá tornar-se fonte permanente de atrito entre todos os povos do Oriente Próximo e do Oriente Médio. O Governo de Sua Majestade não pode admitir que suas obrigações decorrentes do Mandato, ou considerações de bom senso e de justiça, exijam que ignore essas circunstâncias ao formular a política de imigração.
In the view of the Royal Commission the association of the policy of the Balfour Declaration with the Mandate system implied the belief that Arab hostility to the former would sooner or later be overcome. It has been the hope of British Governments ever since the Balfour Declaration was issued that in time the Arab population, recognizing the advantages to be derived from Jewish settlement and development in Palestine, would become reconciled to the further growth of the Jewish National Home. This hope has not been fulfilled. The alternatives before His Majesty's Government are either (i) to seek to expand the Jewish National Home indefinitely by immigration, against the strongly expressed will of the Arab people of the country; or (ii) to permit further expansion of the Jewish National Home by immigration only if the Arabs are prepared to acquiesce in it. The former policy means rule by force. Apart from other considerations, such a policy seems to His Majesty's Government to be contrary to the whole spirit of Article 22 of the Covenant of the League of Nations , as well as to their specific obligations to the Arabs in the Palestine Mandate. Moreover, the relations between the Arabs and the Jews in Palestine must be based sooner or later on mutual tolerance and goodwill; the peace, security and progress of the Jewish National Home itself requires this. Therefore His Majesty's Government, after earnest consideration, and taking into account the extent to which the growth of the Jewish National Home has been facilitated over the last twenty years, have decided that the time has come to adopt in principle the second of the alternatives referred to above.
No entender da Comissão Real, a associação da política da Declaração Balfour ao sistema de Mandatos implicava a convicção de que a hostilidade árabe àquela seria, mais cedo ou mais tarde, superada. Desde a publicação da Declaração Balfour, tem sido esperança dos Governos britânicos que, com o tempo, a população árabe, reconhecendo as vantagens a serem auferidas do assentamento e do desenvolvimento judaicos na Palestina, viesse a conformar-se com o crescimento ulterior do Lar Nacional Judaico. Essa esperança não se concretizou. As alternativas que se apresentam ao Governo de Sua Majestade são: (i) procurar expandir indefinidamente o Lar Nacional Judaico por meio da imigração, contra a vontade veementemente expressa do povo árabe do país; ou (ii) permitir a expansão ulterior do Lar Nacional Judaico por meio da imigração somente se os árabes estiverem dispostos a aquiescer a ela. A primeira política significa governo pela força. Independentemente de outras considerações, tal política parece ao Governo de Sua Majestade contrária a todo o espírito do Artigo 22 do Pacto da Liga das Nações, bem como às suas obrigações específicas para com os árabes no Mandato da Palestina. Ademais, as relações entre árabes e judeus na Palestina devem fundar-se, mais cedo ou mais tarde, na tolerância e na boa vontade mútuas; a paz, a segurança e o progresso do próprio Lar Nacional Judaico o exigem. Por conseguinte, o Governo de Sua Majestade, após cuidadosa consideração, e levando em conta a medida em que o crescimento do Lar Nacional Judaico foi facilitado nos últimos vinte anos, decidiu que chegou o momento de adotar, em princípio, a segunda das alternativas acima referidas.
It has been urged that all further Jewish immigration into Palestine should be stopped forthwith. His Majesty's Government cannot accept such a proposal. It would damage the whole of the financial and economic system of Palestine and thus effect adversely the interests of Arabs and Jews alike. Moreover, in the view of His Majesty's Government, abruptly to stop further immigration would be unjust to the Jewish National Home. But, above all, His Majesty's Government are conscious of the present unhappy plight of large numbers of Jews who seek refuge from certain European countries, and they believe that Palestine can and should make a further contribution to the solution of this pressing world problem. In all these circumstances, they believe that they will be acting consistently with their Mandatory obligations to both Arabs and Jews, and in the manner best calculated to serve the interests of the whole people of Palestine, by adopting the following proposals regarding immigration:
Tem-se insistido em que toda nova imigração judaica para a Palestina seja suspensa de imediato. O Governo de Sua Majestade não pode aceitar tal proposta. Ela prejudicaria todo o sistema financeiro e econômico da Palestina e afetaria, assim, adversamente os interesses de árabes e judeus igualmente. Ademais, no entender do Governo de Sua Majestade, suspender abruptamente novas imigrações seria injusto para com o Lar Nacional Judaico. Mas, acima de tudo, o Governo de Sua Majestade está ciente da atual situação aflitiva de grande número de judeus que buscam refúgio fora de certos países europeus, e acredita que a Palestina pode e deve dar uma contribuição adicional para a solução desse premente problema mundial. Em todas essas circunstâncias, acredita que estará agindo em conformidade com suas obrigações de Mandatário para com árabes e judeus, e da maneira mais apropriada a servir aos interesses de todo o povo da Palestina, ao adotar as seguintes propostas relativas à imigração:
Jewish immigration during the next five years will be at a rate which, if economic absorptive capacity permits, will bring the Jewish population up to approximately one third of the total population of the country. Taking into account the expected natural increase of the Arab and Jewish populations, and the number of illegal Jewish immigrants now in the country, this would allow of the admission, as from the beginning of April this year, of some 75,000 immigrants over the next five years. These immigrants would, subject to the criterion of economic absorptive capacity, be admitted as follows:
A imigração judaica durante os próximos cinco anos dar-se-á em ritmo que, se a capacidade de absorção econômica o permitir, elevará a população judaica a aproximadamente um terço da população total do país. Levando em conta o crescimento natural esperado das populações árabe e judaica, e o número de imigrantes judeus ilegais atualmente no país, isso permitiria a admissão, a partir do início de abril deste ano, de cerca de 75.000 imigrantes ao longo dos próximos cinco anos. Esses imigrantes seriam, sujeitos ao critério da capacidade de absorção econômica, admitidos da seguinte forma:
For each of the next five years a quota of 10,000 Jewish immigrants will be allowed on the understanding that a shortage one year may be added to the quotas for subsequent years, within the five year period, if economic absorptive capacity permits.
Para cada um dos próximos cinco anos será permitida uma cota de 10.000 imigrantes judeus, entendendo-se que o déficit de um ano poderá ser acrescido às cotas dos anos subsequentes, dentro do período de cinco anos, se a capacidade de absorção econômica o permitir.
In addition, as a contribution towards the solution of the Jewish refugee problem, 25,000 refugees will be admitted as soon as the High Commissioner is satisfied that adequate provision for their maintenance is ensured, special consideration being given to refugee children anddependents.
Além disso, como contribuição para a solução do problema dos refugiados judeus, serão admitidos 25.000 refugiados tão logo o Alto Comissário se certifique de que está assegurada provisão adequada para sua manutenção, dando-se consideração especial às crianças refugiadas e aos dependentes.
The existing machinery for ascertaining economic absorptive capacity will be retained, and the High Commissioner will have the ultimate responsibility for deciding the limits of economic capacity. Before each periodic decision is taken, Jewish and Arab representatives will be consulted.
O mecanismo existente para a apuração da capacidade de absorção econômica será mantido, e caberá ao Alto Comissário a responsabilidade final de decidir os limites da capacidade econômica. Antes de cada decisão periódica, serão consultados representantes judeus e árabes.
After the period of five years, no further Jewish immigration will be permitted unless the Arabs of Palestine are prepared to acquiesce in it.
Após o período de cinco anos, nenhuma nova imigração judaica será permitida, a menos que os árabes da Palestina estejam dispostos a consentir com ela.
His Majesty's Government are determined to check illegal immigration, and further preventive measures are being adopted. The numbers of any Jewish illegal immigrants who, despite these measures, may succeed in coming into the country and cannot be deported will be deducted from the yearly quotas.
O Governo de Sua Majestade está determinado a coibir a imigração ilegal, e novas medidas preventivas estão sendo adotadas. O número de quaisquer imigrantes judeus ilegais que, apesar dessas medidas, consigam entrar no país e não possam ser deportados será deduzido das cotas anuais.
His Majesty's Government are satisfied that, when the immigration over five years which is now contemplated has taken place, they will not be justified in facilitating, nor will they be under any obligation to facilitate, the further development of the Jewish National Home by immigration regardless of the wishes of the Arab population.
O Governo de Sua Majestade está convencido de que, uma vez concretizada a imigração ao longo de cinco anos ora prevista, não se justificará que facilite, nem terá qualquer obrigação de facilitar, o desenvolvimento ulterior do Lar Nacional Judaico por meio da imigração, independentemente da vontade da população árabe.
Section III. Land
Seção III. Terras
The Administration of Palestine is required, under Article 6 of the Mandate , "while ensuring that the rights and position of other sections of the population are not prejudiced," to encourage "close settlement by Jews on the land," and no restriction has been imposed hitherto on the transfer of land from Arabs to Jews. The Reports of several expert Commissions have indictaed that, owing to the natural growth of the Arab population and the steady sale in recent years of Arab land to Jews, there is now in certain areas no room for further transfers of Arab land, whilst in some other areas such transfers of land must be restricted if Arab cultivators are to maintain their existing standard of life and a considerable landless Arab population is not soon to be created. In these circumstances, the High Commissioner will be given general powers to prohibit and regulate transfers of land. These powers will date from the publication of this statement of policy and the High Commissioner will retain them throughout the transitional period.
A Administração da Palestina está obrigada, nos termos do Artigo 6 do Mandato, "assegurando que os direitos e a posição de outros setores da população não sejam prejudicados", a incentivar "o assentamento denso de judeus na terra", e nenhuma restrição foi imposta até o presente à transferência de terras de árabes para judeus. Os Relatórios de várias Comissões de peritos indicaram que, em razão do crescimento natural da população árabe e da venda contínua, nos últimos anos, de terras árabes a judeus, não há mais espaço, em certas áreas, para novas transferências de terras árabes, ao passo que em algumas outras áreas tais transferências de terras devem ser restringidas se se quiser que os cultivadores árabes mantenham seu atual padrão de vida e que não se crie em breve uma considerável população árabe sem terra. Nessas circunstâncias, serão conferidos ao Alto Comissário poderes gerais para proibir e regulamentar as transferências de terras. Esses poderes vigorarão a partir da publicação desta declaração de política, e o Alto Comissário os conservará durante todo o período de transição.
The policy of the Government will be directed towards the development of the land and the improvement, where possible, of methods of cultivation. In the light of such development it will be open to the High Commissioner, should he be satisfied that the "rights and position" of the Arab population will be duly preserved, to review and modify any orders passed relating to the prohibition or restriction of the transfer of land.
A política do Governo será orientada para o desenvolvimento da terra e o aprimoramento, onde possível, dos métodos de cultivo. À luz de tal desenvolvimento, será facultado ao Alto Comissário, caso se certifique de que os "direitos e a posição" da população árabe serão devidamente preservados, rever e modificar quaisquer ordens expedidas relativas à proibição ou restrição da transferência de terras.
In framing these proposals His Majesty's Government have sincerely endeavoured to act in strict accordance with their obligations under the Mandate to both the Arabs and the Jews. The vagueness of the phrases employed in some instances to describe these obligations has led to controversy and has made the task of interpretation difficult. His Majesty's Government cannot hope to satisfy the partisans of one party or the other in such controversy as the Mandate has aroused. Their purpose is to be just as between the two people in Palestine whose destinies in that country have been affected by the great events of recent years, and who, since they live side by side, must learn to practice mutual tolerance, goodwill and co operation. In looking to the future, His Majesty's Government are not blind to the fact that some events of the past make the task of creating these relations difficult; but they are encouraged by the knowledge that as many times and in many places in Palestine during recent years the Arab and Jewish inhabitants have lived in friendship together. Each community has much to contribute to the welfare of their common land, and each must earnestly desire peace in which to assist in increasing the well being of the whole people of the country. The responsibility which falls on them, no less than upon His Majesty's Government, to co operate together to ensure peace is all the more solemn because their country is revered by many millions of Moslems, Jews and Christians throughout the world who pray for peace in Palestine and for the happiness of her people.
Ao formular estas propostas, o Governo de Sua Majestade empenhou-se sinceramente em agir em estrita conformidade com as obrigações que lhe incumbem, nos termos do Mandato, tanto para com os árabes quanto para com os judeus. A imprecisão das expressões empregadas, em alguns casos, para descrever essas obrigações deu origem a controvérsias e dificultou a tarefa de interpretação. O Governo de Sua Majestade não pode esperar satisfazer os partidários de uma ou de outra parte em controvérsia como a que o Mandato suscitou. Seu propósito é ser justo para com os dois povos da Palestina, cujos destinos naquele país foram afetados pelos grandes acontecimentos dos últimos anos e que, vivendo lado a lado, devem aprender a praticar a tolerância mútua, a boa vontade e a cooperação. Ao olhar para o futuro, o Governo de Sua Majestade não ignora o fato de que certos acontecimentos do passado dificultam a tarefa de estabelecer tais relações; sente-se, porém, encorajado pela constatação de que, muitas vezes e em muitos lugares da Palestina, nos últimos anos, os habitantes árabes e judeus conviveram em amizade. Cada comunidade tem muito a contribuir para o bem-estar de sua terra comum, e cada uma deve desejar ardentemente a paz, para que possa ajudar a aumentar o bem-estar de todo o povo do país. A responsabilidade que recai sobre elas, não menos do que sobre o Governo de Sua Majestade, de cooperarem entre si para assegurar a paz é tanto mais solene porque seu país é venerado por muitos milhões de muçulmanos, judeus e cristãos em todo o mundo, que rezam pela paz na Palestina e pela felicidade de seu povo.
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