
Lembrar o Holocausto: Yad Vashem, os Justos e os museus no Brasil
Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Lembrar o Holocausto: Yad Vashem, os Justos e os museus no Brasil, para escolas, igrejas e professores.
Ouça: Podcast Contexto
Uma conversa de 13 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (13 min, 5,8 MB).
Ler a transcrição completa
Lia: Olá! Eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Hoje vamos falar sobre como lembrar o Holocausto: o Yad Vashem, os Justos entre as Nações e os museus do Holocausto aqui no Brasil.
Davi: E eu sou o Davi. Lia, hoje a gente fala de memória, mas também de coragem. E de dois brasileiros que muita gente ainda não conhece.
Lia: Exato. Antes, uma palavra: o Holocausto também é chamado de Shoá, termo hebraico. Vamos usar as duas palavras ao longo do episódio.
Davi: Por que esse tema importa para quem nos ouve numa escola, numa igreja ou numa sala de professores?
Lia: Porque a memória protege. Preservar nomes, provas e testemunhos dá rosto a cada vítima. E isso torna muito mais difícil negar ou distorcer o que aconteceu.
Davi: E porque o antissemitismo não ficou no passado.
Lia: Não ficou. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. E combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Davi: Então vamos começar por Jerusalém. O que é o Yad Vashem?
Lia: É o Centro Mundial para a Memória do Holocausto, a instituição oficial de Israel dedicada à Shoá. Fica no Monte da Memória, em Jerusalém.
Davi: E o nome quer dizer o quê?
Lia: "Um memorial e um nome". A expressão vem do livro bíblico de Isaías.
Davi: Bonito. E quando ele surgiu?
Lia: A ideia nasceu ainda durante a guerra. Em setembro de 1942, Mordechai Shenhabi, do kibbutz Beit Alfa, apresentou ao Fundo Nacional Judaico o primeiro esboço de um memorial nacional.
Davi: E a criação oficial?
Lia: Veio em 18 de maio de 1953, quando o Knesset, o parlamento de Israel, aprovou por unanimidade a Lei de Yad Vashem.
Davi: Uma lei dedicada a quem?
Lia: Aos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e por seus colaboradores.
Davi: Então o Yad Vashem não é só um museu.
Lia: Não. Ele cumpre quatro funções: memória, documentação, pesquisa e educação.
Davi: E o que tem lá dentro?
Lia: Tem o Museu de História do Holocausto, inaugurado no formato atual em 2005, com mais de 4.200 metros quadrados de exposição.
Davi: E o arquivo?
Lia: É um dos maiores do mundo sobre o Holocausto, com mais de 210 milhões de páginas de documentos. Guarda também fotografias e gravações de história oral.
Davi: Ouvi falar também dos objetos pessoais.
Lia: São mais de 43.300 objetos originais: brinquedos, diários, roupas dos campos. Um deles é a mala que a jovem Daisy Rubin usou no Kindertransport, em 1939.
Davi: E a Sala dos Nomes, o que é?
Lia: É onde ficam as Páginas de Testemunho. São formulários preenchidos por sobreviventes, familiares e testemunhas, com o nome, os dados, as fotos e as circunstâncias da morte de cada vítima.
Davi: Com que objetivo?
Lia: Devolver a identidade a quem foi assassinado. A vítima deixa de ser apenas uma estatística.
Davi: Quantos nomes já foram reunidos?
Lia: Segundo a instituição, a base digital reúne hoje mais de 4,8 milhões de nomes de vítimas judaicas identificadas.
Davi: Mas as vítimas foram seis milhões.
Lia: Exatamente. Milhões ainda não foram identificados, e a base continua crescendo.
Davi: Lia, o Yad Vashem também homenageia pessoas que não são judias. Como funciona isso?
Lia: São os Justos entre as Nações, em hebraico Khassidei Umot HaOlam. São não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a posição para salvar judeus no Holocausto, sem buscar recompensa.
Davi: Qualquer pessoa de bom coração pode receber o título?
Lia: Não. Não é um elogio genérico. É uma honraria baseada em provas, concedida caso a caso desde 1963.
Davi: Quem decide?
Lia: Uma comissão presidida por um juiz da Suprema Corte de Israel. O primeiro foi o juiz Moshe Landau, que havia presidido o julgamento de Adolf Eichmann.
Davi: E o que a comissão exige?
Lia: Participação ativa no resgate de judeus ameaçados de morte ou de deportação. E risco real para quem ajudou.
Davi: Só isso?
Lia: Não. A ajuda não pode ter sido feita em troca de pagamento ou de outra recompensa. E é preciso haver testemunho dos sobreviventes ou documentação inequívoca.
Davi: Quantos Justos existem?
Lia: Até janeiro de 2024, o Yad Vashem tinha reconhecido 28.707 pessoas.
Davi: De quantos países?
Lia: De 51 países. E esse total continua mudando, porque novas decisões seguem acontecendo.
Davi: Me dá alguns nomes.
Lia: Oskar Schindler, industrial alemão, reconhecido junto com a esposa, Emilie. E Irena Sendler, assistente social polonesa que participou do resgate de crianças judias do gueto de Varsóvia.
Davi: E diplomatas?
Lia: Raoul Wallenberg, diplomata sueco em Budapeste. E Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordeaux, que emitiu vistos contra as ordens do próprio governo.
Davi: Tem também um médico egípcio, não tem?
Lia: Mohamed Helmy. Ele vivia em Berlim e escondeu a jovem judia Anna Boros e a família dela. Foi o primeiro resgatador árabe a receber o título.
Davi: Isso diz muito.
Lia: Diz que a coragem moral não pertence a um povo ou a uma fé. Entre os Justos há cristãos, muçulmanos, ateus, agricultores, professores. O que une todos eles é a decisão de arriscar tudo para salvar judeus perseguidos.
Davi: E como eles são homenageados?
Lia: Recebem uma medalha com o próprio nome e um certificado de honra. O nome também é gravado no Muro de Honra do Jardim dos Justos, em Jerusalém.
Davi: Agora, o Brasil. Temos Justos brasileiros?
Lia: Temos dois: Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas.
Davi: Antes de falar deles, uma pergunta importante: eles agiram em nome do governo brasileiro?
Lia: Não. Agiram contra ele. O governo Vargas tinha uma política de imigração antissemita, aplicada por meio de circulares secretas do Itamaraty.
Davi: Como assim, secretas?
Lia: A Circular Secreta número 1.127, de junho de 1937, mandava os consulados recusarem visto a pessoas de "origem semítica" conhecida.
Davi: E depois?
Lia: Essa circular vigorou até 1938. Mas instruções posteriores voltaram a restringir a entrada de judeus.
Davi: Houve outra circular?
Lia: Houve. A Circular Secreta 1.498, de dezembro de 1940, manteve a proibição.
Davi: Era uma lei pública?
Lia: Não. O mecanismo era administrativo: circulares secretas, instruções aos consulados e exigências seletivas na hora de dar o visto. Isso é fato documentado em pesquisas acadêmicas.
Davi: Vamos à Aracy.
Lia: Aracy chefiava a Seção de Passaportes e Vistos do Consulado Geral do Brasil em Hamburgo, na Alemanha nazista. A perseguição aumentou depois da Kristallnacht, a Noite dos Cristais, em novembro de 1938.
Davi: E o que ela fazia?
Lia: Deixava de marcar o "J" vermelho nos processos de visto. E misturava os pedidos de judeus a pilhas de despachos de rotina, para que o cônsul os assinasse sem perceber.
Davi: Que ousadia.
Lia: E não era só isso. Com contatos na prefeitura, ela conseguia atestados de residência e passaportes sem a marca que identificava judeus. Estima-se que tenha salvado diretamente cerca de 100 judeus.
Davi: Por isso ficou conhecida como o "Anjo de Hamburgo".
Lia: Isso. E em 1982 tornou-se a primeira brasileira reconhecida como Justa entre as Nações.
Davi: Ela era casada com Guimarães Rosa, certo? Ele também é Justo?
Lia: Não. O título é só de Aracy. Guimarães Rosa era cônsul-adjunto em Hamburgo, sabia da atuação dela e a apoiava. Mais tarde, dedicou a ela o livro Grande Sertão: Veredas.
Davi: E Souza Dantas?
Lia: Foi embaixador do Brasil na França de 1922 a 1943. Atuou em Paris e, depois da ocupação alemã, em Vichy.
Davi: E o Itamaraty proibia vistos para judeus.
Lia: Proibia, e ele desobedeceu. Omitia a origem étnica dos requerentes, encobria o "J" vermelho nos passaportes e colocava datas retroativas nos documentos. Eram os chamados "vistos camuflados".
Davi: Quantos vistos ele deu?
Lia: Há estimativas diferentes, mas todas falam em centenas. O historiador Fábio Koifman conta ao menos 473 vistos emitidos diretamente por ele.
Davi: E quantas vidas isso representa?
Lia: Segundo essa pesquisa, cerca de 800 pessoas.
Davi: Ele pagou um preço por isso?
Lia: Um preço alto. O governo Vargas abriu um processo administrativo contra ele, que terminou em punição e afastamento. E em maio de 1943 tropas nazistas invadiram a embaixada em Vichy e o prenderam.
Davi: Por quanto tempo ele ficou preso?
Lia: Ficou 14 meses detido na Alemanha. Foi libertado numa troca diplomática de prisioneiros, em 1944.
Davi: E o reconhecimento veio quando?
Lia: Em 2003. O Yad Vashem se apoiou em depoimentos de sobreviventes e em mais de 200 documentos do Arquivo Histórico do Itamaraty.
Davi: E o Estado brasileiro reconheceu esse passado?
Lia: Reconheceu. Em janeiro de 2013, no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a Presidência da República homenageou os dois Justos e pediu desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo.
Davi: E quem quer conhecer essa história de perto, aqui no Brasil?
Lia: Pode visitar o Museu do Holocausto de Curitiba, inaugurado em 2011. Ele é apontado como o primeiro museu do Holocausto do país.
Davi: Como uma escola faz para ir?
Lia: A visita é com agendamento prévio. O museu atende alunos do ensino fundamental, do médio e do superior, além de professores. E leva exposições itinerantes a outras cidades, em parceria com secretarias de educação.
Davi: E no Rio?
Lia: Lá fica o Memorial às Vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado, em Botafogo. As visitas educativas são gratuitas e duram cerca de uma hora.
Davi: E em São Paulo?
Lia: Há o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto, na Sinagoga Kehilat Israel, no Bom Retiro. E o Museu Judaico de São Paulo, que tem uma seção sobre o Holocausto.
Davi: Para o professor que está ouvindo agora: como preparar a turma?
Lia: Em três etapas. Antes da visita, trabalhe conceitos como antissemitismo, gueto, genocídio e testemunho. E pergunte aos alunos o que eles viram nas redes sociais sobre o tema.
Davi: E durante a visita?
Lia: Valorize as histórias individuais. Depois, converse sobre o que mais marcou cada aluno, sem analogias genéricas que apaguem a especificidade da Shoá.
Davi: E quem mora longe desses espaços?
Lia: O Yad Vashem oferece visitas virtuais em 360 graus e capacita educadores brasileiros. E o Arqshoah, da USP, mantém um acervo virtual de testemunhos.
Davi: Lia, vamos às três ideias-chave do episódio. Qual é a primeira?
Lia: O Yad Vashem, criado por Israel em 1953, preserva os nomes, as provas e os testemunhos dos seis milhões de judeus assassinados.
Davi: E a segunda?
Lia: Os Justos entre as Nações são reconhecidos com rigor, caso a caso. O Brasil tem dois, Aracy e Souza Dantas, que desobedeceram a uma política antissemita para salvar vidas.
Davi: E a terceira?
Lia: A memória se ensina. Com uma visita bem preparada a um museu ou memorial, ou com recursos virtuais, toda escola pode ensinar a Shoá e enfrentar o antissemitismo.
Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br.
Apresentação pronta para usar
16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.
Guia de estudo
Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para escolas, igrejas e professores
Objetivos
Ao final deste estudo, o participante deve ser capaz de:
- Explicar o que é o Yad Vashem. Inclui o que significa o nome, quando e como foi criado e quais são suas quatro funções: memória, documentação, pesquisa e educação.
- Definir quem são os Justos entre as Nações. Inclui os quatro critérios usados pela comissão do Yad Vashem.
- Conhecer os dois Justos brasileiros, Aracy de Carvalho Guimarães Rosa e Luiz Martins de Souza Dantas. Os dois agiram contra a política antissemita do governo Vargas.
- Diferenciar fatos documentados de estimativas e relatos menos comprovados.
- Identificar os principais espaços de memória do Holocausto no Brasil e saber preparar uma visita escolar em três etapas.
Conceitos-chave
Holocausto (Shoá)
Foi o assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas e por seus colaboradores. O genocídio dos judeus europeus foi o núcleo da “Solução Final”. O nazismo também perseguiu outros grupos: pessoas negras, pessoas com deficiência, pessoas LGBTQIAP+, Testemunhas de Jeová e maçons. Ainda assim, a especificidade da Shoá deve ser preservada.
Yad Vashem
- O que é: o Centro Mundial para a Memória do Holocausto. Também é conhecido como Autoridade de Memória dos Mártires e Heróis do Holocausto.
- Onde fica: em Jerusalém, no Monte da Memória (Har Hazikaron).
- Significado do nome: “um memorial e um nome”, expressão tirada do livro bíblico de Isaías.
- Criação: o Knesset, parlamento de Israel, aprovou a lei por unanimidade em 18 de maio de 1953.
- O complexo reúne:
- o Museu de História do Holocausto, com mais de 4.200 m² de exposição;
- um arquivo com mais de 210 milhões de páginas;
- mais de 43.300 objetos pessoais;
- cerca de 12.000 obras de arte feitas clandestinamente em guetos e campos;
- a Sala dos Nomes;
- a Escola Internacional para o Estudo do Holocausto.
Sala dos Nomes e Páginas de Testemunho
As Páginas de Testemunho são formulários preenchidos por sobreviventes, familiares e testemunhas. O objetivo é devolver a identidade individual a cada vítima.
A base digital do Yad Vashem reúne mais de 4,8 milhões de nomes de vítimas judaicas identificadas. Isso ainda não é o total: milhões de vítimas ainda não foram identificadas, e a base continua crescendo.
Justos entre as Nações (Khassidei Umot HaOlam)
São não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a posição para salvar judeus no Holocausto, sem buscar recompensa. O título é concedido pelo Yad Vashem em nome do Estado de Israel e do povo judeu.
Cada caso é analisado por uma comissão presidida por um juiz da Suprema Corte de Israel. O primeiro foi o juiz Moshe Landau, que havia presidido o julgamento de Adolf Eichmann.
Os quatro critérios: 1. participação ativa no resgate de judeus ameaçados de morte ou deportação; 2. risco real à vida, à liberdade, à segurança ou à posição de quem ajudou (no caso de diplomatas, conta o risco ao cargo e à carreira); 3. motivação não financeira; 4. testemunho dos sobreviventes ou documentação inequívoca.
Números: até 1º de janeiro de 2024, eram 28.707 pessoas de 51 países.
Homenagens: cada Justo recebe medalha e certificado, e o nome é gravado no Muro de Honra do Jardim dos Justos, em Jerusalém. Israel pode conceder cidadania honorária ou, a quem já faleceu, cidadania comemorativa.
Atenção: o título premia atos individuais comprovados. Ele não avalia a biografia inteira da pessoa nem o governo do país dela.
A política antissemita da Era Vargas
O governo Vargas restringiu a entrada de judeus por meio de circulares secretas do Itamaraty, e não por uma lei pública: - Circular Secreta nº 1.127, de 7 de junho de 1937: mandava recusar visto a pessoas de “origem semítica” conhecida. - Circular Secreta nº 1.498, de 12 de dezembro de 1940: manteve a proibição.
Souza Dantas e Aracy desobedeceram essa política.
Os dois Justos brasileiros
Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (1908–2011) - Chefiava a Seção de Passaportes e Vistos do Consulado Geral do Brasil em Hamburgo. - Depois da Kristallnacht (9 de novembro de 1938), deixava de marcar o “J” vermelho nos processos de visto. - Misturava pedidos de judeus a despachos de rotina, para que o cônsul os assinasse sem notar. - Estima-se que tenha salvado diretamente cerca de 100 judeus. Ficou conhecida como o “Anjo de Hamburgo”. - Em 1982, tornou-se a primeira brasileira reconhecida como Justa entre as Nações. - O título é só dela, não do marido, João Guimarães Rosa, que sabia de sua atuação e a apoiava.
Luiz Martins de Souza Dantas (1876–1954) - Foi embaixador do Brasil na França de 1922 a 1943, em Paris e, depois, em Vichy. - Emitiu os chamados “vistos camuflados”: omitia a origem étnica dos requerentes, encobria o “J” vermelho e colocava datas retroativas nos documentos. - Há estimativas de cerca de 500 vistos. As pesquisas do historiador Fábio Koifman contam ao menos 473 vistos emitidos diretamente por ele, que teriam salvado cerca de 800 pessoas. - Foi punido pelo governo Vargas e preso pelos nazistas em 1943. - Foi reconhecido como Justo entre as Nações em 11 de junho de 2003.
Espaços de memória no Brasil
- Museu do Holocausto de Curitiba (PR): inaugurado em novembro de 2011 e apontado como o primeiro do Brasil. Visitas com agendamento.
- Memorial às Vítimas do Holocausto (Rio de Janeiro): fica no Morro do Pasmado, em Botafogo. Visitas educativas gratuitas, de cerca de uma hora.
- Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto (São Paulo): funciona na Sinagoga Kehilat Israel, no Bom Retiro. Desde 2018, tem um andar dedicado ao Holocausto.
- Museu Judaico de São Paulo (MUJ): inaugurado em 5 de dezembro de 2021. Tem uma seção sobre o Holocausto.
- Arqshoah / LEER-USP: arquivo virtual sobre Holocausto e antissemitismo.
Linha do tempo
| Data | Marco |
|---|---|
| 7 jun. 1937 | Circular Secreta nº 1.127 do Itamaraty manda recusar vistos a pessoas de “origem semítica” |
| 1937 | João Guimarães Rosa assume como cônsul-adjunto em Hamburgo |
| 9 nov. 1938 | Kristallnacht (Noite dos Cristais); Aracy intensifica a ajuda a judeus |
| Jun. 1940 | Ocupação alemã da França; Souza Dantas passa a atuar em Vichy |
| 12 dez. 1940 | Circular Secreta nº 1.498 mantém a proibição |
| 1941–1942 | Processo administrativo do governo Vargas contra Souza Dantas |
| 10 set. 1942 | Mordechai Shenhabi propõe ao Fundo Nacional Judaico um memorial nacional |
| 17 e 21 ago. 1942 | Telegramas de Souza Dantas avisam o governo brasileiro sobre deportações e extermínio em massa de judeus na França ocupada |
| Mai. 1943 | Nazistas prendem Souza Dantas; ele fica 14 meses detido em Bad Godesberg |
| 1944 | Souza Dantas é libertado numa troca diplomática de prisioneiros |
| Fev. 1946 | Primeiros escritórios do Yad Vashem em Jerusalém e Tel Aviv |
| 18 mai. 1953 | O Knesset aprova por unanimidade a Lei de Yad Vashem |
| Fev. 1963 | Criada a Comissão para a Designação dos Justos entre as Nações |
| 1982 | Aracy é reconhecida como Justa entre as Nações |
| 1993 | Oskar e Emilie Schindler são reconhecidos |
| 11 jun. 2003 | Souza Dantas é reconhecido como Justo entre as Nações |
| 15 mar. 2005 | Inaugurado o atual Museu de História do Holocausto do Yad Vashem |
| Nov. 2011 | Inaugurado o Museu do Holocausto de Curitiba |
| 30 jan. 2013 | A Presidência da República homenageia os dois Justos e pede desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo |
| 2018 | O memorial de São Paulo ganha um andar dedicado ao Holocausto |
| 5 dez. 2021 | Inaugurado o Museu Judaico de São Paulo |
Como preparar a visita escolar (recomendações da IHRA)
- Antes da visita
- Agende com o setor educativo.
- Trabalhe os conceitos de nazismo, antissemitismo, gueto, genocídio, Shoá, testemunho e memória.
- Pergunte o que os alunos viram nas redes sociais, para desmontar distorções.
- Durante a visita
- Valorize as histórias individuais.
- Ajude a turma a distinguir documentos, testemunhos, objetos, reconstruções e interpretações da curadoria.
- Depois da visita (debriefing)
- Converse sobre o que mais marcou cada aluno.
- Relacione o tema à história do Brasil e ao antissemitismo de hoje.
- Evite analogias genéricas que apaguem a especificidade da Shoá.
5 perguntas para discussão
- Por que o Yad Vashem se dedica a registrar o nome de cada vítima, e não apenas o número total? O que muda quando uma vítima deixa de ser estatística?
- Aracy e Souza Dantas desobedeceram ordens do próprio governo. O que essa escolha ensina sobre responsabilidade pessoal diante de uma injustiça oficial?
- O Brasil não tinha uma lei pública contra a entrada de judeus, mas tinha circulares secretas. Por que um antissemitismo burocrático e escondido também é perigoso?
- Entre os Justos há cristãos, muçulmanos, ateus, alemães e brasileiros. O que essa diversidade revela sobre a coragem moral?
- Por que é importante separar fatos documentados de estimativas? A incerteza sobre o número de salvos diminui o feito dos Justos?
Glossário curto
- Shoá: termo hebraico para o Holocausto.
- Yad Vashem: “um memorial e um nome” (Isaías); é o centro oficial de Israel para a memória do Holocausto.
- Knesset: o parlamento de Israel.
- Khassidei Umot HaOlam: “Justos entre as Nações”, em hebraico.
- Páginas de Testemunho: formulários com nome e dados biográficos de cada vítima.
- Kristallnacht: a Noite dos Cristais, em 9 de novembro de 1938.
- Vistos camuflados: vistos emitidos por Souza Dantas sem a identificação de judeus.
- Circulares secretas: instruções sigilosas do Itamaraty que restringiam vistos a judeus na Era Vargas.
- Kindertransport: transporte de crianças judias para fora da área nazista; a mala de Daisy Rubin, de 1939, está no acervo do Yad Vashem.
- IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.
Mensagem final
O Holocausto foi o assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas e por seus colaboradores. Esse fato é registrado item por item no Yad Vashem, por meio de nomes, testemunhos e arquivos.
Lembrar Aracy e Souza Dantas é lembrar também o antissemitismo que eles enfrentaram dentro do próprio Estado brasileiro. E é lembrar que pessoas comuns puderam escolher salvar vidas.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Conhecer o Yad Vashem e os espaços de memória no Brasil é uma forma direta de aprender essa história a partir das provas.
Quiz: teste o que aprendeu
O Knesset aprovou a Lei de Yad Vashem por unanimidade em 18 de maio de 1953. A data de 1942 marca a primeira proposta de Mordechai Shenhabi. A de 1963 marca a reunião preliminar da Comissão dos Justos. A de 2005 marca a inauguração do atual museu.
Yad Vashem significa “um memorial e um nome”. A expressão foi tirada do livro bíblico de Isaías.
O título não é concedido apenas por oposição ao nazismo. Exige-se resgate ativo, risco pessoal, motivação não financeira e testemunho dos sobreviventes ou documentação inequívoca.
Eram 28.707 pessoas de 51 países, número citado pelo Yad Vashem e pelo Museu do Holocausto dos EUA. Como novas decisões continuam, é importante indicar a data de referência.
Aracy foi reconhecida em 1982 e se tornou a primeira brasileira com o título. Souza Dantas foi reconhecido em 2003.
A Circular Secreta nº 1.127, de 7 de junho de 1937, mandava os consulados recusarem esses vistos. A nº 1.498, de 12 de dezembro de 1940, manteve a proibição.
Em maio de 1943, tropas nazistas invadiram a embaixada em Vichy e prenderam Souza Dantas. Ele ficou 14 meses detido em Bad Godesberg e foi libertado em 1944, numa troca diplomática de prisioneiros.
O título foi concedido só a Aracy e não deve ser atribuído automaticamente ao marido. Guimarães Rosa sabia da atuação secreta dela e a apoiava.
A base reúne mais de 4,8 milhões de nomes. O total estimado de vítimas é de seis milhões, e milhões ainda não foram identificados. Os 210 milhões referem-se às páginas de documentos do arquivo.
O Memorial às Vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado (Botafogo, Rio de Janeiro), oferece visitas educativas gratuitas conduzidas pela equipe de Educação, com duração de cerca de uma hora.
Cartões de estudo
Clique no cartão para virar.
Assista
Reportagem sobre o lançamento do livro 'Mengele Me Condenou a Viver', de Samanta Obadia, que narra a história de Aleksander Laks, sobrevivente do Holocausto que escapou da morte 19 vezes nos campos nazistas. O próprio Laks dá seu testemunho e reforça a importância da memória diante da negação do Holocausto.
Adolescentes e adultosPalestra no Museu do Holocausto de Curitiba com os sobreviventes Andor Stern, único brasileiro nato sobrevivente da Shoá, e Gitta Heilbraun, que passou por Auschwitz. Eles relatam a libertação, o retorno a uma casa ocupada por parentes, a fuga do comunismo e a chegada ao Brasil, com mediação de seus biógrafos.
Adolescentes e adultosReportagem da TV Senado sobre a palestra de Samuel Rozenberg, judeu de família polonesa que sobreviveu escondido na Bélgica durante a Shoá e depois se tornou cardiologista no Rio de Janeiro, para alunos do Distrito Federal. Ele relata a infância roubada, a fome, a separação dos pais e a identidade falsa, e reflete sobre a importância de manter viva a memória.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O Yad Vashem apresenta o Álbum de Auschwitz, único registro visual do processo de extermínio em Auschwitz-Birkenau, que acompanha a chegada de um transporte de judeus húngaros em maio de 1944, com testemunhos de Elie Wiesel e Primo Levi.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Aula do Yad Vashem que reconstrói passo a passo como a perseguição nazista evoluiu para a 'Solução Final', das leis e expulsões do pré-guerra aos fuzilamentos dos Einsatzgruppen, à Conferência de Wannsee e aos campos de extermínio. Apresenta com rigor documental o debate entre historiadores sobre quando e como foi tomada a decisão do genocídio dos seis milhões de judeus.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O Yad Vashem conta a história de Irena Sendler, assistente social católica polonesa que, com a rede clandestina Żegota, resgatou centenas de crianças judias do Gueto de Varsóvia e foi reconhecida como Justa entre as Nações.
Adolescentes e adultosPara ler mais

Yad Vashem: o centro mundial de memória do Holocausto
O Yad Vashem é o Centro Mundial para a Memória do Holocausto. Fica em Jerusalém, no Monte da Memória. O Knesset o criou por…
Ler →
Os Justos entre as Nações: quem arriscou a vida para salvar judeus
Justos entre as Nações são não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a carreira para salvar judeus no Holocausto, sem buscar recompensa.…
Ler →
Os museus do Holocausto no Brasil e como visitá-los com a escola
O Brasil tem espaços dedicados à memória do Holocausto. Os principais são o Museu do Holocausto de Curitiba, inaugurado em 2011, o Memorial às…
Ler →
Os Justos entre as Nações brasileiros: Souza Dantas e Aracy Guimarães Rosa
O Brasil tem dois Justos entre as Nações. O título é dado pelo Yad Vashem a não judeus que arriscaram a vida para salvar…
Ler →















