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Rainha Beatriz dos Países Baixos visita o Yad Vashem
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Produto com código de barras 729 financia o genocídio?

ENGANOSOA frase parte de um dado real e o distorce.
Foto: Rainha Beatriz dos Países Baixos visita o Yad Vashem. Government Press Office (Israel) · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Enganoso. O prefixo 729 só indica que o código de barras foi registrado na GS1 Israel. A própria GS1 afirma que o prefixo não mostra o país de origem. O código também não mostra quem recebe a receita nem qualquer verba militar. A AFP classificou como enganosa a leitura de que 729 indica fabricação em Israel.

O que o prefixo 729 realmente significa?

Os três primeiros dígitos de um código de barras são o prefixo GS1. Eles indicam a organização GS1 que licenciou o número para a empresa. O 729 identifica a GS1 Israel.

Isso é tudo o que o prefixo informa. A GS1 afirma que seus prefixos não indicam o país de origem. Uma empresa pode obter o prefixo em uma organização GS1 e fabricar em outro país. Um produto com 729 pode, portanto, ter sido feito fora de Israel. O caminho inverso também existe: um produto feito em Israel pode ter código registrado em outra organização GS1 e exibir outro prefixo.

A AFP checou a corrente e classificou como enganosa a leitura de que 729 confirma fabricação em Israel. Segundo a GS1, empresas podem registrar produtos em qualquer organização-membro e fabricar em qualquer lugar.

O código de barras mostra para onde vai o dinheiro da compra?

Não. O código de barras não informa quem recebe a receita da venda. Não informa se há impostos pagos em Israel. Não informa qualquer transferência para fins militares.

Uma compra no varejo é uma transação comercial entre empresas privadas: o fabricante e a cadeia de distribuição. Não é um tributo destinado às Forças de Defesa de Israel (FDI).

Para ligar uma compra a operações militares, seria preciso provar fatos sobre a empresa, a cadeia de distribuição e o destino do dinheiro. A corrente não apresenta nenhuma dessas provas. O número impresso na embalagem não traz nada disso.

Israel trocou o 729 pelo 871 para driblar boicotes?

Não. Essa versão é falsa. O prefixo 871 é associado à GS1 dos Países Baixos. Prefixos de código de barras não são trocados dessa forma para esconder a origem de produtos.

A PolitiFact checou a alegação e concluiu que Israel não mudou seu código de barras. A checagem reproduz a conclusão da Reuters: prefixos não são um método confiável para saber o país de fabricação, e a suposta troca de 729 por 871 é falsa.

E a acusação de "genocídio"?

"Genocídio" é uma acusação, não um fato estabelecido. A Anistia Internacional acusa Israel. Uma comissão de investigação da ONU também acusa. A Anistia é uma ONG, e um relatório de comissão expressa a avaliação de seus autores. Nenhum dos dois é sentença de tribunal.

Israel rejeita essas acusações como falsas e distorcidas. Israel rebateu as acusações na Corte Internacional de Justiça e afirma que sua operação militar mira o Hamas, grupo terrorista, e não a população palestina. A guerra começou com os ataques terroristas do Hamas de 7 de outubro, que mataram civis em Israel e levaram reféns para Gaza.

Seja qual for a opinião sobre a guerra, nada disso prova que um produto com 729 financie algo. A corrente usa uma palavra de forte carga emocional para dispensar provas.

Por que essa corrente convence tanta gente?

Ela parte de um dado verdadeiro: o 729 é mesmo da GS1 Israel. A regra parece técnica e simples, e qualquer pessoa pode conferir no supermercado. O gesto dá a sensação de agir.

O problema é o salto. A mensagem junta três ideias diferentes como se fossem uma só:

1. "729 significa Israel": significa apenas que o código foi registrado na GS1 Israel. 2. "O produto foi feito em Israel": o prefixo não é certificado de origem. 3. "Comprar financia um genocídio": não há nenhuma cadeia financeira demonstrada entre o número, a compra e operações militares.

A mensagem reaparece de tempos em tempos nas campanhas de boicote a produtos israelenses. O que ela espalha é desinformação.

Resposta pronta para copiar

O 729 só indica que o código foi registrado na GS1 Israel. A própria GS1 diz que o prefixo não mostra o país de origem. E o código também não mostra para onde vai o dinheiro. A AFP classificou a ideia como enganosa. E a troca "729 por 871" é falsa: o 871 é dos Países Baixos.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

O que é fato

  • O prefixo 729 é atribuído pela GS1 Israel, a organização que licenciou o número.
  • A GS1 afirma que seus prefixos não indicam o país de origem.
  • Uma empresa pode registrar o código em uma organização GS1 e fabricar em outro país. Um produto com 729 pode ter sido feito fora de Israel.
  • O código não informa quem recebe a receita, se há imposto pago em Israel nem qualquer verba militar.

O que é falso

  • A ideia de que 729 prova fabricação em Israel. A AFP classificou essa leitura como enganosa.
  • A história de que Israel trocou 729 por 871. O 871 é associado à GS1 dos Países Baixos. A PolitiFact e a Reuters classificaram a alegação como falsa.

O que é acusação

  • A Anistia Internacional e uma comissão de investigação da ONU acusam Israel de genocídio. Israel rejeita as acusações como falsas e distorcidas e afirma que combate o Hamas, não a população palestina.

Como verificar a origem de um produto

O prefixo não basta. Confira na embalagem e em registros públicos:

  • o fabricante indicado;
  • o importador e o distribuidor;
  • o país de origem declarado;
  • os registros empresariais e fiscais da empresa.

Mesmo esses dados mostram quem fabrica e vende. Eles não provam, por si sós, destino militar de dinheiro algum.

Se for responder, evite:
  • Não diga que o 729 não tem relação com Israel. Ele é, sim, o prefixo da GS1 Israel. O erro está no que a corrente conclui a partir dele.
  • Não ataque quem compartilhou a corrente. Muita gente repassa de boa-fé. Explique como o código funciona.
  • Não generalize árabes, palestinos ou muçulmanos. A resposta é técnica e factual.
  • Não trate "genocídio" como fato. É uma acusação, e Israel a rejeita.

Perguntas frequentes

O que significam os 3 primeiros dígitos do código de barras?
Eles formam o prefixo GS1. O prefixo indica a organização GS1 que licenciou o número para a empresa. Ele não indica o país de fabricação. O 729, por exemplo, identifica a GS1 Israel, mas o produto pode ter sido feito em outro país.
Como saber de quem é o código de barras?
O prefixo mostra apenas a organização GS1 onde o código foi registrado. Para saber quem fabrica e vende o produto, confira na embalagem o fabricante, o importador, o distribuidor e o país de origem declarado. Os registros empresariais e fiscais da empresa completam a verificação.
Quais são os códigos de barras dos países?
Os prefixos não são códigos de países de fabricação. Eles identificam organizações GS1. O 729 é associado à GS1 Israel e o 871 à GS1 dos Países Baixos. Uma empresa pode registrar seu código em uma organização e fabricar em outro país.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.