Antissemitismo, e também falso. Os atentados de 11 de setembro de 2001 foram planejados e executados pela Al-Qaeda, com 19 sequestradores sob o comando de Osama bin Laden. Os “4.000” eram israelenses que Israel tentava localizar após os ataques, não judeus avisados. Judeus e israelenses morreram nos ataques, e culpar os judeus é um velho mito antissemita.
Quem foram os terroristas do 11 de setembro?
Os atentados de 11 de setembro de 2001 foram planejados e executados pela Al-Qaeda, grupo terrorista liderado por Osama bin Laden. Foram 19 sequestradores. Eles tomaram aviões de passageiros e os usaram como armas. As Torres Gêmeas do World Trade Center caíram porque foram atingidas por esses aviões sequestrados.
A própria Al-Qaeda assumiu a autoria dos ataques, em público e em várias ocasiões. A Comissão do 11 de Setembro e o FBI chegaram à mesma conclusão.
Não há nenhuma prova que ligue Israel, o Mossad ou entidades judaicas ao planejamento ou à execução dos atentados. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel, analisa o 11 de setembro como um marco do terrorismo jihadista global e da ameaça da Al-Qaeda. Esse terrorismo também tem Israel e comunidades judaicas na mira.
De onde veio a história dos “4.000 judeus avisados”?
O número nasceu de uma distorção. Logo após os ataques, autoridades israelenses reuniram uma lista de cerca de 4.000 israelenses que poderiam estar perto do World Trade Center ou do Pentágono. O objetivo era localizá-los e saber se estavam vivos. Era uma lista de pessoas a procurar, não uma lista de pessoas que faltaram ao trabalho.
Nos dias seguintes, fontes ligadas à Síria e ao grupo terrorista Hezbollah, incluindo a emissora Al-Manar, transformaram essa lista em uma suposta lista secreta de judeus avisados pelo Mossad. A versão se espalhou rapidamente. O Jerusalem Center for Public Affairs (JCPA) a descreve como uma lenda conspiratória difundida logo depois dos atentados, apesar das provas contra os terroristas.
As checagens de Reuters, AP, AFP Checamos, Aos Fatos e Lupa chegaram à mesma conclusão: o “4.000” era uma lista de pessoas a localizar, não de ausentes.
É verdade que nenhum judeu morreu no 11 de setembro?
Não. Judeus e israelenses morreram nos ataques. Os registros oficiais não classificavam todas as vítimas por religião, por isso só há estimativas. Calcula-se que entre 200 e 400 das quase 3.000 vítimas eram judias. Essa proporção é compatível com a população judaica da região de Nova York.
Também morreram cidadãos israelenses. Entre eles estão Daniel Lewin, Shai Levinhar, Hagai Shefi e Leon Lebor.
A dúvida sobre o número exato de vítimas judias é estatística. Ela não dá nenhum apoio à teoria conspiratória.
Por que essa teoria é antissemita?
Pelo critério da IHRA, é antissemita culpar os judeus coletivamente por uma tragédia. Também é antissemita acusar judeus de serem mais leais a Israel do que aos países onde vivem. A teoria faz as duas coisas. Ela supõe que judeus nos Estados Unidos receberam ordens de Israel e abandonaram seus colegas para morrer.
O JCPA identifica essa estrutura como conspiração antissemita. A teoria atribui aos judeus controle coletivo, lealdade automática a Israel e responsabilidade oculta por grandes eventos históricos. São tropos antigos de “controle judaico” e de “lealdade dupla”, agora com roupa nova.
Há ainda um efeito prático. A teoria tira a culpa dos terroristas da Al-Qaeda, que de fato mataram quase 3.000 pessoas.
Por que o mito voltou depois de 7 de outubro?
Depois do massacre de 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel e iniciou a guerra, a mesma fórmula voltou às redes. Usuários passaram a dizer que o ataque do Hamas também seria uma “falsa bandeira” de Israel ou uma operação “orquestrada pelo Mossad”.
O Institute for Strategic Dialogue (ISD) documentou comentários no YouTube e em outras redes que ligam teorias sobre o 11 de setembro ao 7 de outubro. Segundo o instituto, as teorias conspiratórias sobre judeus foram a forma mais comum de antissemitismo nesses comentários. A ADL também classifica essas alegações como mito antissemita de “falsa bandeira”.
O padrão se repete. Os terroristas que assumem e celebram seus crimes são apagados, e a culpa recai sobre os judeus.
Resposta pronta para copiar
Falso e antissemita. O 11 de setembro foi obra da Al-Qaeda, que assumiu a autoria. Os “4.000” eram israelenses que Israel tentava localizar após os ataques, não judeus avisados. Judeus e israelenses morreram nos ataques.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Quem fez: a Al-Qaeda, com 19 sequestradores sob o comando de Osama bin Laden. A autoria foi assumida pela própria organização e confirmada pela Comissão do 11 de Setembro e pelo FBI.
De onde veio o “4.000”: de uma lista de cerca de 4.000 israelenses que poderiam estar perto do World Trade Center ou do Pentágono. Israel montou a lista para localizá-los após os ataques. Fontes sírias e do Hezbollah, como a emissora Al-Manar, deturparam essa informação e a transformaram em “judeus avisados”.
Judeus morreram: estima-se que entre 200 e 400 das quase 3.000 vítimas eram judias. Entre os israelenses mortos estão Daniel Lewin, Shai Levinhar, Hagai Shefi e Leon Lebor.
Por que importa: a teoria usa tropos antigos de controle judaico e lealdade dupla. Ela culpa um povo inteiro por um crime que terroristas cometeram e assumiram. Hoje é reciclada para dizer que o ataque do Hamas em 7 de outubro também seria “falsa bandeira”.
- Não cite um número exato de vítimas judias como fato. Só há estimativas, entre 200 e 400.
- Não culpe árabes ou muçulmanos em geral. A autoria é da Al-Qaeda, um grupo terrorista.
- Não entre em teorias alternativas sobre a queda das torres e não divulgue sites conspiratórios, nem para refutá-los.
- Não trate o tema como “debate” ou “outra versão”. É um mito desmentido.



