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Grafite no bairro Kiryat HaMelacha, em Tel Aviv
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Mito × Fato · 7 de outubro

“O Hamas só queria capturar reféns para trocar por presos, não queria matar ninguém”: é falso

FALSOA frase parte de um fato real.
Foto: Grafite no bairro Kiryat HaMelacha, em Tel Aviv. ליזי שאנן · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
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Falso. O Hamas queria reféns como moeda de troca, mas também planejou matar. O ataque de 7 de outubro de 2023 matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, mais de 800 civis, e levou 251 reféns para Gaza. O manual dos terroristas mandava “matar os problemáticos”, e a Human Rights Watch concluiu que atacar civis era parte do plano.

De onde vem a ideia de que o 7 de outubro foi só uma “troca de prisioneiros”?

A frase circula em posts e vídeos que tratam o 7 de outubro como uma operação de troca que teria “saído do controle”. Ela repete a versão do próprio Hamas. Em 21 de janeiro de 2024, o Escritório de Mídia do grupo divulgou o documento de propaganda “Our Narrative... Operation Al-Aqsa Flood”. Segundo esse texto, o ataque só teria mirado alvos militares, e os terroristas teriam evitado ferir civis.

A narrativa se apoia num fato real. O Hamas sempre usou sequestros para obter a libertação de presos. Yahya Sinwar, que viria a liderar o grupo em Gaza, foi solto em 2011 na troca pelo soldado israelense Gilad Shalit, junto com mais de mil presos palestinos. Depois do 7 de outubro, dezenas de reféns foram libertados em trocas por presos palestinos. A frase usa esse fato para apagar o massacre.

O Hamas queria mesmo fazer reféns?

Sim. Esse fato é documentado e não precisa ser negado. Segundo reportagem da NBC News, o “manual de sequestro” divulgado pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) mostra que tomar reféns era um objetivo central do ataque. O grupo levou 251 pessoas para Gaza.

O próprio Hamas tratou os sequestrados como moeda de troca. Exigiu a libertação de presos palestinos e vinculou a soltura dos reféns às negociações. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS) avaliou que a recusa do Hamas em libertar os reféns, combinada à exigência de preservar sua capacidade militar, mostra que os sequestrados eram usados como instrumento político.

O erro da frase está na conclusão. Ter um objetivo de captura não prova ausência de intenção de matar. Os documentos mostram os dois objetivos juntos.

O que prova que o Hamas também queria matar?

Os números do dia, os documentos dos próprios terroristas e as investigações apontam na mesma direção.

  • Os mortos. O ataque matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, mais de 800 delas civis. Entre os mortos havia crianças, bebês, idosos e trabalhadores agrícolas estrangeiros.
  • O manual. O material divulgado pelas FDI e noticiado pela NBC mandava separar mulheres, crianças e homens e “matar os problemáticos”. A Human Rights Watch analisou um manual das Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, encontrado num veículo dos atacantes. O texto ordenava “matar qualquer pessoa que possa representar uma ameaça ou estorvo” e “matar aqueles que se espera que resistam”.
  • As câmeras dos atacantes. Vídeos das câmeras corporais dos próprios terroristas mostram famílias executadas dentro de casa e em quartos de proteção. Mostram também jovens mortos enquanto fugiam do festival Nova.
  • As investigações. No relatório de julho de 2024, a Human Rights Watch concluiu que a alegação do Hamas de não buscar ferir civis é falsa. Atacar civis “era parte do plano desde o início”. A organização não é aliada de Israel. A Comissão de Inquérito da ONU também registrou, nos vídeos das câmeras corporais, a intenção de atacar civis. A Anistia Internacional documentou ataques contra comunidades civis sem qualquer instrução para limitar a violência a alvos militares.

O Hamas preservou a vida dos reféns?

Não. Depois do sequestro vieram as ameaças. Em outubro de 2023, a ala armada do Hamas ameaçou executar reféns em resposta aos bombardeios israelenses. A Human Rights Watch registrou essa ameaça. Em dezembro de 2023, o porta-voz Abu Obeida disse que nenhum refém sairia vivo sem que as exigências do grupo fossem atendidas.

Autoridades militares israelenses disseram à CNN que o Hamas ordenava mover os reféns e, quando isso não fosse possível, matá-los. Em setembro de 2024, Abu Obeida anunciou publicamente “novas instruções” aos guardas para executar reféns caso forças de resgate se aproximassem.

Em Rafah, seis reféns foram executados à queima-roupa num túnel. Entre eles estavam Hersh Goldberg-Polin e Eden Yerushalmi.

As investigações sobre fogo israelense mudam a responsabilidade do Hamas?

Não. Há investigação sobre alguns episódios em que israelenses podem ter morrido por fogo israelense, inclusive debates sobre a chamada Diretriz Hannibal. As FDI não confirmaram uma aplicação geral da diretriz em 7 de outubro e afirmaram que os casos estão sob investigação.

Esses episódios pontuais não apagam o que está documentado. O Hamas planejou e executou a invasão de Israel, os assassinatos e os sequestros. A guerra começou com esse ataque, e a responsabilidade pelo massacre é do grupo terrorista que o organizou.

Resposta pronta para copiar

Falso. O Hamas queria reféns, mas também matou: cerca de 1.200 mortos em 7 de outubro, mais de 800 civis. O manual dos terroristas mandava “matar os problemáticos”. A HRW concluiu que atacar civis era parte do plano. E o Hamas executou seis reféns num túnel em Rafah.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A meia-verdade. A frase pega um fato verdadeiro e o transforma em descrição completa do ataque. O Hamas queria reféns para trocar por presos palestinos. Fez isso antes, em 2011, quando a troca pelo soldado Gilad Shalit libertou mais de mil presos palestinos, entre eles Yahya Sinwar. Fez de novo depois do 7 de outubro, quando dezenas de reféns saíram em trocas.

O que a frase apaga. Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas mataram cerca de 1.200 pessoas em Israel, mais de 800 delas civis, e levaram 251 reféns para Gaza. O manual de sequestro divulgado pelas FDI mandava “matar os problemáticos”. O manual analisado pela Human Rights Watch ordenava “matar qualquer pessoa que possa representar uma ameaça ou estorvo”. As câmeras corporais dos atacantes registraram execuções de famílias e de jovens no festival Nova.

A conclusão de quem não é aliado de Israel. A Human Rights Watch, que costuma acusar Israel, concluiu em julho de 2024 que a versão do Hamas é falsa: atacar civis “era parte do plano desde o início”. A Comissão de Inquérito da ONU registrou a intenção de atacar civis nos vídeos dos próprios atacantes.

O que veio depois. O Hamas ameaçou executar reféns em outubro de 2023. Em dezembro, Abu Obeida disse que nenhum refém sairia vivo sem que as exigências fossem atendidas. Em Rafah, seis reféns foram mortos à queima-roupa num túnel, entre eles Hersh Goldberg-Polin e Eden Yerushalmi.

Em resumo. O sequestro não foi uma alternativa ao massacre. Os dois fizeram parte do mesmo plano.

Se for responder, evite:
  • Não negue que o Hamas buscava trocas. O fato é documentado. Admitir isso primeiro dá força ao resto da resposta.
  • Não use “mais de 1.400 mortos”. Era a contagem inicial. Depois da identificação dos corpos, o número correto passou a ser cerca de 1.200.
  • Não trate a Diretriz Hannibal como invenção. Diga que há investigação sobre alguns episódios e que ela não muda a autoria do massacre.
  • Não generalize. A responsabilidade é do Hamas, um grupo terrorista, e não dos palestinos ou dos muçulmanos.
  • Chame os sequestrados de reféns. Eles eram civis e soldados levados à força, e não “prisioneiros”.
  • Não cite detalhes sem documento público. Use o manual noticiado pela NBC, o relatório da Human Rights Watch e as declarações públicas do Hamas.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas o Hamas matou em 7 de outubro?
Cerca de 1.200 pessoas em Israel, mais de 800 delas civis. A primeira contagem, de mais de 1.400, foi revisada depois da identificação dos corpos. Outras 251 pessoas foram levadas para Gaza como reféns.
Por que o Hamas sequestrou reféns?
Para usá-los como moeda de troca. O grupo exigiu a libertação de presos palestinos e vinculou a soltura dos reféns às negociações. Isso não exclui a intenção de matar. O manual do ataque mandava “matar os problemáticos”, e a Human Rights Watch concluiu que atacar civis estava no plano desde o início.
O Hamas matou reféns em cativeiro?
Sim. O grupo ameaçou executar reféns em outubro e em dezembro de 2023. Em Rafah, seis reféns foram executados à queima-roupa num túnel, entre eles Hersh Goldberg-Polin e Eden Yerushalmi.
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