Enganoso. Defender os direitos dos palestinos e criticar o governo de Israel é expressão política. Mas "Dilúvio de Al-Aqsa" é o codinome do Hamas para o ataque de 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou mais de 250. Celebrar esse aniversário é exaltar um massacre, não debater ideias.
O que é o "Dilúvio de Al-Aqsa"?
Não é uma referência neutra à mesquita de Al-Aqsa. A Associated Press registra que "Al-Aqsa Flood" era o codinome do Hamas para o ataque de 7 de outubro de 2023.
O International Institute for Counter-Terrorism (ICT), de Israel, analisou a campanha de comunicação do Hamas. O instituto trata "Al-Aqsa Flood" como marca de propaganda do grupo. O nome soa religioso ou geográfico. Na prática, ele batiza uma operação terrorista.
Quem celebra a data com esse nome adota a narrativa do próprio Hamas.
O que aconteceu no ataque que essa data celebra?
O ataque matou cerca de 1.200 pessoas em Israel e levou mais de 250 reféns para Gaza.
Os terroristas do Hamas atingiram kibutzim, cidades e um festival de música. Análises sobre o 7 de outubro, como a do Real Instituto Elcano, registram ataques a localidades civis e ao festival, e não apenas a alvos militares.
A queixa criminal federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a liderança do Hamas descreve o uso de violência sexual contra mulheres israelenses, incluindo estupro.
O Hamas é classificado como organização terrorista por Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Austrália e Israel. Foi o Hamas que começou a guerra com esse ataque.
Qual a diferença entre criticar Israel e celebrar o 7 de outubro?
O American Jewish Committee (AJC) afirma expressamente que defender os direitos dos palestinos é expressão protegida. O AJC também faz uma distinção. Defender direitos é diferente de demonizar judeus, atacar instituições judaicas ou exaltar a violência.
A linha passa entre mencionar, analisar ou condenar e celebrar:
- Uma reportagem ou uma aula pode usar o nome da operação para explicar como o Hamas chamou o ataque. Isso não é apologia.
- Um ato que festeja o "aniversário" do ataque, com "glória à resistência" e "honra aos mártires", transforma assassinatos e sequestros de civis em símbolo.
A ADL documentou grupos universitários nos Estados Unidos que usaram "Long Live Al-Aqsa Flood" para se referir ao ataque. Em Filadélfia, organizações judaicas condenaram um ato que combinava "Long Live Al Aqsa Flood", "honor the martyrs" e "glory to the resistance". Em Montreal, estudantes judeus denunciaram, segundo o Times of Israel, eventos de aniversário que glorificavam o Hamas.
O enquadramento de cada caso depende do conteúdo concreto: slogans, homenagens aos autores, incentivo a novos ataques. Mas quem celebra o massacre não está apenas criticando um governo.
O que disse o Ministério Público de São Paulo?
O Ministério Público de São Paulo acionou o sindicato dos professores (Apeoesp) por um evento com o título "aniversário da Operação Dilúvio de Al-Aqsa".
Para o MP-SP, o evento ultrapassou os limites da liberdade de expressão. A promotoria afirmou que houve apologia indireta à violência terrorista e propagação de discurso de ódio contra judeus.
Essa é uma posição processual do Ministério Público, não uma condenação definitiva. O caso ainda depende do julgamento. Mas mostra que a tese de que toda celebração é "opinião protegida" não é pacífica nem no Brasil.
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Defender os direitos dos palestinos é expressão política. Festejar o "Dilúvio de Al-Aqsa" é outra coisa: é celebrar, com o nome dado pelo Hamas, o ataque que matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou mais de 250. O MP-SP viu apologia indireta ao terror num evento assim.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
A frase circula em defesa de atos e eventos que celebram a data de 7 de outubro de 2023. Esses eventos usam o nome que o próprio Hamas deu à operação. A tese é apresentada como princípio jurídico: qualquer celebração seria opinião política protegida, e quem questiona seria censor.
O argumento convence porque a liberdade de expressão é um valor real das democracias. O truque está em misturar duas coisas. Uma é defender os direitos dos palestinos e criticar o governo israelense. A outra é festejar um massacre.
Os fatos sobre o ataque são claros. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel e mais de 250 foram levadas como reféns. Os terroristas do Hamas invadiram kibutzim, cidades e um festival de música. A queixa criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra a liderança do Hamas descreve violência sexual, incluindo estupro.
O nome também não é neutro. A AP registra que "Al-Aqsa Flood" era o codinome do Hamas para o ataque. O ICT, instituto israelense de contraterrorismo, trata a expressão como marca de propaganda do grupo. Celebrar o "aniversário do Dilúvio de Al-Aqsa" é adotar essa propaganda e apresentar o assassinato e o sequestro de civis como "resistência".
Organizações judaicas como AJC e ADL fazem a distinção correta. Defender direitos dos palestinos é legítimo. Exaltar o 7 de outubro, homenagear seus autores e gritar "vida longa ao Dilúvio de Al-Aqsa" é glorificar o terrorismo.
No Brasil, o Ministério Público de São Paulo afirmou que um evento desse tipo ultrapassou a liberdade de expressão, com apologia indireta à violência terrorista e discurso de ódio contra judeus. É uma posição processual, ainda sujeita a julgamento.
Criticar é um direito. Celebrar o terror não é.
- Não diga que toda manifestação em defesa dos palestinos é apologia ao terrorismo.
- Não diga que qualquer menção ao nome da operação é crime. Reportagens, aulas e análises podem usá-lo.
- Não apresente a posição do MP-SP como condenação já decidida. É uma ação em andamento.
- Não generalize árabes, palestinos ou muçulmanos. O alvo da crítica é o Hamas e quem celebra seus crimes.
- Não chame os terroristas de "militantes" nem os reféns de "prisioneiros".
Perguntas frequentes
O que significa "Dilúvio de Al-Aqsa"?
Usar a expressão "Dilúvio de Al-Aqsa" é sempre apologia ao terrorismo?
O evento da Apeoesp sobre o Dilúvio de Al-Aqsa foi condenado?
- AP News: "Al-Aqsa Flood" como codinome do Hamas para o ataque de 7 de outubro
- AP News: cobertura da guerra entre Israel e o Hamas
- ICT: a campanha de mídia do Hamas "Al-Aqsa Flood"
- AJC: slogans de protestos e como são usados para atingir judeus
- ADL: Faculty and Staff for Justice in Palestine (FSJP)
- ADL: extremismo anti-Israel em protestos universitários no aniversário de 7 de outubro
- 6abc: organizações judaicas de Filadélfia condenam ato no aniversário de 7 de outubro
- Times of Israel: estudantes judeus denunciam eventos de 7 de outubro em campi de Montreal
- Real Instituto Elcano: análise das falhas de 7 de outubro
- ICL Notícias: Promotoria aciona sindicato dos professores de SP por evento que celebrou ataques do Hamas




