Falso. O próprio Hamas filmou e publicou vídeos do ataque de 7 de outubro de 2023: casas invadidas, reféns levados e tiros contra quem fugia do festival. Há ainda câmeras de segurança, celulares e registros de socorristas. Israel não divulgou as cenas mais brutas por respeito às vítimas e para preservar provas. Não divulgar tudo não é não ter nada.
Existem imagens do ataque de 7 de outubro?
Sim, e muitas foram feitas pelos próprios agressores. O ataque começou na manhã de 7 de outubro de 2023. Houve foguetes e infiltração por terra, ar e mar em comunidades e bases israelenses perto de Gaza.
Segundo o Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS), o Hamas publicou vídeos de seus homens durante o ataque. As imagens mostram:
- invasões de casas em comunidades israelenses;
- tomada de reféns e sequestros;
- tiros contra jovens que fugiam do festival.
O INSS também documentou vídeos das Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, com drones adaptados para atacar postos de observação e outros alvos militares israelenses.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel registrou que há evidências visuais produzidas pelos próprios atacantes e divulgadas em canais ligados ao Hamas. Os terroristas filmaram o que fizeram e mostraram ao mundo.
Quais outros registros documentam o massacre?
Os vídeos do Hamas não são a única fonte. Existem também:
- câmeras de segurança nas entradas das comunidades, em estradas e em postos de fronteira;
- celulares de moradores escondidos em quartos protegidos e de participantes do festival Nova;
- gravações de socorristas e equipes de emergência;
- material recuperado de câmeras e celulares dos terroristas mortos ou capturados.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) e o Ministério das Relações Exteriores reuniram 47 minutos de imagens brutas, sem edição. A compilação recebeu o nome de Bearing Witness (“Dar testemunho”). Ela foi exibida a jornalistas, diplomatas e parlamentares em sessões restritas.
A Biblioteca Nacional de Israel criou um acervo digital do 7 de outubro. Ele reúne mais de 2 milhões de arquivos, entre vídeos, fotos, áudios e mensagens, enviados por órgãos civis, militares e cidadãos.
Por que Israel não divulgou todas as imagens?
É verdade que Israel não publicou todo o acervo. Isso vale sobretudo para as imagens de corpos e de violência sexual. Os motivos são:
- respeito às famílias das vítimas;
- dignidade dos mortos;
- preservação de provas para processos criminais;
- proteção de sobreviventes e testemunhas;
- a natureza extremamente gráfica de grande parte do material.
Mesmo assim, o governo israelense divulgou compilações, fotos, vídeos de câmeras de segurança e imagens dos celulares dos atacantes. O Ministério das Relações Exteriores publicou um dossiê com material visual e com referências aos vídeos do Hamas. Correspondentes estrangeiros tiveram acesso ao Centro Nacional de Medicina Legal, em Tel Aviv, para ver as evidências documentadas pelos patologistas. Os crimes sexuais foram documentados em relatório específico, publicado em fevereiro de 2024, além do material reunido pelas autoridades israelenses.
Reservar as cenas mais brutas é uma decisão de cuidado com as vítimas. Não é falta de provas.
A revisão do número de mortos prova que foi uma farsa?
Não. O governo israelense estimou primeiro mais de 1.400 mortos. Depois revisou o total para cerca de 1.200, à medida que os corpos eram identificados. Nessa contagem, foi preciso separar as vítimas israelenses e estrangeiras dos terroristas mortos. Israel também informou cerca de 240 reféns levados para Gaza, número que o próprio governo israelense depois revisou.
Quem fez as correções foi o próprio governo de Israel. Corrigir números é sinal de apuração, não de invenção. Alguns relatos dos primeiros dias também foram revistos. Isso não apaga um massacre filmado pelos próprios autores.
E os vídeos falsos que circulam como se fossem do 7 de outubro?
Eles existem. É comum circularem vídeos antigos ou de outros lugares com a legenda “7 de outubro”. Cada um deve ser checado: data, local, origem do arquivo e contexto.
A frase viral, porém, usa esses vídeos reciclados para concluir que “nada aconteceu”. Essa conclusão não se sustenta. Um vídeo falso prova apenas que aquele vídeo é falso. Ele não anula os registros autênticos, a começar pelos que o Hamas gravou e publicou.
Negar ou minimizar um massacre de judeus documentado, para acusar Israel de inventá-lo, se aproxima do que a definição da IHRA aponta como antissemitismo. Isso não torna antissemita todo mundo que compartilhou a frase. Muitos foram enganados. A resposta é mostrar o fato e a fonte.
Resposta pronta para copiar
Falso. O próprio Hamas filmou e publicou o ataque: casas invadidas, reféns levados, tiros em quem fugia do festival. Há câmeras de segurança, celulares e socorristas. Israel reservou as cenas mais brutas por respeito às vítimas e para preservar provas. Fontes: Chancelaria de Israel e INSS.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
A frase “as imagens do 7 de outubro não existem; Israel esconde porque não tem o que mostrar” circula em redes sociais brasileiras sem autor único identificado. Ela adapta argumentos de negação e minimização do massacre que apareceram no exterior depois do ataque.
O argumento convence porque parte de um fato real. Israel de fato não publicou todo o material, e alguns relatos iniciais foram corrigidos. A conclusão, porém, é falsa.
O que está documentado:
- Em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos terroristas lançaram foguetes e invadiram Israel por terra, ar e mar.
- Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, número revisado pelo próprio governo israelense a partir de uma estimativa inicial de mais de 1.400.
- Cerca de 240 pessoas foram levadas como reféns para Gaza, segundo a informação inicial de Israel.
- O Hamas filmou e publicou o ataque, segundo o INSS e o Ministério das Relações Exteriores de Israel.
- Há registros de câmeras de segurança, celulares, socorristas e material recuperado dos atacantes.
- As FDI e a chancelaria israelense exibiram a jornalistas e diplomatas 47 minutos de imagens brutas.
- A Biblioteca Nacional de Israel reúne mais de 2 milhões de arquivos digitais sobre o dia.
O que se checa caso a caso: a autenticidade de cada vídeo viral, a data e o local de cada gravação e os detalhes de episódios específicos. Essa checagem é legítima e necessária. Ela é muito diferente de afirmar que “não há imagens”.
A responsabilidade pelo massacre é do Hamas e dos grupos terroristas que atacaram. Foram eles que começaram a guerra e levaram os reféns.
- Não diga que todo vídeo atribuído ao 7 de outubro é autêntico. Há material reciclado, e cada um se checa.
- Não negue que houve relatos iniciais corrigidos. Reconheça a correção e mostre que ela não apaga o massacre.
- Não use números além dos documentados.
- Não poste nem descreva imagens gráficas de vítimas.
- Não generalize palestinos ou muçulmanos. A responsabilidade é do Hamas e dos grupos terroristas que atacaram.
- Não chame de antissemita quem compartilhou a frase sem analisar o caso. Aponte o fato e a fonte.
Perguntas frequentes
Quem filmou o ataque de 7 de outubro?
Por que Israel não mostra todas as imagens do 7 de outubro?
Quantas pessoas morreram em 7 de outubro de 2023?
- Ministério das Relações Exteriores de Israel: aspectos factuais e jurídicos do conflito com o Hamas (2 nov. 2023)
- INSS: aspectos jurídicos do ataque assassino do Hamas contra Israel
- INSS: os drones do Hamas em 7 de outubro
- Governo de Israel: Espadas de Ferro, a guerra no sul (7 out. 2023)
- Ministério das Relações Exteriores de Israel: perguntas frequentes (6 dez. 2023)
- Governo de Israel: relatório sobre crimes de violência sexual em 7 de outubro (fev. 2024)
- Controladoria do Estado de Israel: o ataque do Hamas de 7 de outubro




