A guerra começou em 7 de outubro de 2023. Nesse dia, o Hamas invadiu Israel, matou cerca de 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns. Israel respondeu com a Operação Espadas de Ferro. Os objetivos centrais eram desmantelar o Hamas como força militar e governante e trazer os reféns de volta. Houve uma campanha aérea, uma manobra terrestre a partir de 27 de outubro e três cessar-fogos com libertação de reféns.
Quem atacou primeiro e quando a guerra em Gaza começou?
Quem atacou primeiro foi o Hamas, em 7 de outubro de 2023. Nesse dia, cerca de 3.000 terroristas do Hamas e de outras facções invadiram o sul de Israel de forma coordenada.
O ataque assassinou cerca de 1.200 pessoas em Israel. Os terroristas levaram 251 reféns para a Faixa de Gaza. A BBC registra "mais de 250" reféns.
Israel chamou a resposta militar de Guerra Espadas de Ferro (Swords of Iron). Ela é o conflito militar mais extenso e complexo já travado na Faixa de Gaza. O ataque rompeu uma calma que existia na fronteira. Por isso, qualquer cronologia honesta da guerra começa nesse dia, e não na resposta israelense.
O que o Hamas queria com o ataque de 7 de outubro?
O Hamas queria sabotar a aproximação entre Israel e o mundo árabe, arrastar seus aliados para uma guerra regional e manter o controle armado de Gaza. É o que indicam documentos capturados e declarações públicas da própria liderança do grupo, que chamou o ataque de "Dilúvio de Al-Aqsa".
Os objetivos identificados são três:
- Interromper a diplomacia e a normalização entre Israel e países árabes.
- Mobilizar o chamado "Eixo de Resistência", que reúne o Hezbollah, os Houthis e milícias apoiadas pelo regime iraniano, em uma guerra regional de atrito.
- Sobreviver armado e no poder em Gaza. A liderança do Hamas chama isso de Sumud (perseverança, firmeza) e considera que só continuar existindo já é uma vitória estratégica sobre Israel.
Esse último ponto ajuda a entender o rumo da guerra. Para o Hamas, a destruição em Gaza não significa derrota, desde que o grupo continue de pé. Por isso, a recusa em se desarmar é o principal obstáculo a um fim definitivo da guerra.
Quais são os objetivos de Israel na guerra contra o Hamas?
Israel definiu como objetivos centrais desmantelar o Hamas como força militar e governante e trazer de volta todos os reféns. Documentos oficiais do governo, como os pontos de posição nacional de novembro de 2023, descrevem essas metas.
O Gabinete de Segurança fixou três metas e depois acrescentou uma quarta:
1. Destruir as capacidades militares e de governo do Hamas. Isso inclui a estrutura de comando, a infraestrutura terrorista e o poder de governar Gaza. 2. Resgatar todos os reféns sequestrados em 7 de outubro. 3. Eliminar a ameaça futura a partir de Gaza. O objetivo é restaurar a segurança na região de fronteira e criar uma zona de amortecimento contra novas invasões. 4. Garantir o retorno seguro dos moradores do norte. Essa meta foi acrescentada em setembro de 2024. Mais de 60.000 civis israelenses tinham sido retirados da fronteira com o Líbano por causa dos ataques do Hezbollah.
Israel também afirma que o Hamas usa escolas, mesquitas, hospitais e instalações da UNRWA para esconder armas e túneis, segundo as FDI. Assim, o grupo transforma a própria população em escudo.
Quais foram as fases da guerra em Gaza?
A campanha das Forças de Defesa de Israel (FDI) teve três fases: campanha aérea, manobra terrestre de alta intensidade e, depois, incursões direcionadas.
- Fase I: de 7 a 27 de outubro de 2023. Israel mobilizou os reservistas e conteve os invasores no sul do país. Em seguida, bombardeou postos de comando, túneis e posições de lançamento de foguetes do Hamas.
- Fase II: a partir de 27 de outubro de 2023. Divisões blindadas e de infantaria entraram na Faixa por etapas:
- Norte de Gaza e Cidade de Gaza (outubro e novembro de 2023): tomada dos centros administrativos do Hamas e cerco aos complexos subterrâneos.
- Khan Yunis (dezembro de 2023 a abril de 2024): desmonte das brigadas do sul. Um estudo das FDI descreve a manobra da 98ª Divisão como um esforço para atingir rapidamente o núcleo operacional do Hamas.
- Rafah e Corredor Filadélfia (maio de 2024): controle da fronteira entre Gaza e o Egito para desmantelar os túneis de contrabando de armas.
- Fase III: de 2024 em diante. As grandes formações deram lugar a operações baseadas em inteligência. Israel manteve os corredores Netzarim e Filadélfia para impedir que o Hamas se reorganizasse.
Túneis. A rede subterrânea foi um alvo central. Em 2025, as FDI relataram ter destruído uma rota de cerca de 3,5 km em Khan Yunis, que guardava dezenas de armas (FDI).
Yahya Sinwar. Em 17 de outubro de 2024, Israel matou em Gaza o líder do Hamas, apontado como um dos principais responsáveis pelo 7 de outubro (BBC). Foi um grande êxito operacional, mas não encerrou a guerra.
Quantos cessar-fogos houve e quem os rompeu?
Houve três cessar-fogos, e Israel aceitou todos eles. Em todos, reféns foram libertados. A alegação de que "Israel nunca quis cessar-fogo" é falsa.
| Trégua | O que previa | Resultado |
|---|---|---|
| Novembro de 2023 | Trégua temporária mediada por Catar, Egito e EUA | 105 reféns civis libertados em troca de 240 prisioneiros palestinos |
| 19 de janeiro de 2025 | Acordo em três fases, baseado na Resolução 2735 da ONU; primeira fase de seis semanas | Libertação gradual de 33 reféns |
| 10 de outubro de 2025 | Trégua do plano de 20 pontos dos EUA | Os 20 reféns vivos restantes voltaram em 13/10/2025 |
O último corpo de refém foi recuperado em 26/01/2026.
Quem rompeu? Na trégua de 2023, segundo Israel, o Hamas parou de libertar a lista combinada de mulheres e crianças e voltou a disparar foguetes.
Em 18/03/2025, Israel retomou a ofensiva. A AP descreveu o episódio como ruptura da trégua por Israel. A retomada da ofensiva é real, mas o contexto importa. A primeira fase já tinha terminado. Israel alega que o Hamas rejeitou os termos da segunda fase. Ao aprovar o acordo, Netanyahu tinha avisado que a guerra poderia voltar se a segunda fase fracassasse.
As violações atribuídas ao Hamas estão listadas pelas FDI. Israel aceita cessar-fogo para trazer os reféns de volta. Não aceita um fim de guerra que deixe armado o grupo que fez o 7 de outubro.
O que se sabe sobre a ajuda humanitária e as acusações contra Israel?
Os acordos de trégua ampliaram a entrada de ajuda, e Israel nega ter usado a fome ou os ataques a hospitais como política. As acusações existem e são feitas por organismos internacionais. Mas nenhuma delas foi julgada no mérito.
Ajuda humanitária
- O acordo de janeiro de 2025 previa até 600 caminhões por dia, com 300 destinados ao norte (Reuters).
- O acordo de outubro de 2025 previa alimentos, remédios, abrigo, combustível, gás de cozinha e materiais para reparar água, esgoto e padarias (Reuters). Depois, a Reuters citou uma média de 227 caminhões por dia, abaixo dos 600 previstos (Reuters).
- O COGAT, órgão israelense de coordenação, diz ter montado uma ampla operação humanitária. Também diz ter criado mecanismos de monitoramento contra o desvio de ajuda pelo Hamas (governo de Israel).
Fome. Em 22/08/2025, o IPC confirmou fome na governadoria de Gaza. Israel rejeitou os dados e contestou a metodologia. Segundo as FDI, 95.435 caminhões de ajuda tinham entrado até 21 de julho de 2025. Depois da trégua de outubro, o IPC disse que as condições de fome foram afastadas (Reuters).
A acusação de "fome como método de guerra" consta de um mandado do TPI de 21/11/2024. Um mandado é uma acusação. Não é condenação nem decisão de mérito. Israel rejeita a jurisdição do tribunal e nega a acusação.
Hospitais. O caso mais repetido é o do hospital Al-Ahli, de 17/10/2023. A acusação contra Israel desmoronou. Até a Human Rights Watch concluiu que a explosão foi provavelmente causada por um foguete palestino com falha. A HRW também concluiu que os 471 mortos anunciados não se sustentavam.
Pela 4ª Convenção de Genebra, um hospital perde a proteção especial quando é usado para fins militares. Mesmo assim, o ataque exige aviso, precaução e proporcionalidade. Casos contestados devem ser examinados um a um.
O sofrimento dos civis palestinos é real. A guerra, porém, começou com o ataque do Hamas, e é o Hamas que se esconde entre a população.
Qual é a situação depois da trégua de outubro de 2025?
A trégua de outubro de 2025 trouxe de volta os últimos reféns, mas o Hamas não se desarmou. Israel aponta violações do Hamas, e o Hamas acusa Israel.
Segundo a Reuters, um ano depois do plano americano o Hamas continua sem se desarmar.
Em 19 de outubro de 2025, Israel interrompeu temporariamente a entrada de suprimentos. O motivo alegado foi uma violação da trégua pelo Hamas (Reuters). A ajuda foi retomada depois, sob pressão dos Estados Unidos.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, 1.493 palestinos foram mortos desde a trégua (dado de 12/10/2026). O número não distingue terroristas de civis. Israel diz responder a violações.
O presidente Isaac Herzog cobrou do Hamas o cumprimento de suas obrigações. As questões centrais continuam abertas: o desarmamento do Hamas e o futuro governo de Gaza.
Linha do tempo
- 20237 de outubro: o Hamas invade Israel, mata cerca de 1.200 pessoas e sequestra 251 reféns.
- 202327 de outubro: começa a ofensiva terrestre das FDI na Faixa de Gaza.
- 2023Novembro: na primeira trégua, 105 reféns civis são libertados em troca de 240 prisioneiros palestinos.
- 2024Maio: começam as operações em Rafah, e Israel assume o controle do Corredor Filadélfia.
- 2024Setembro: o retorno dos moradores do norte de Israel se torna o quarto objetivo de guerra.
- 202417 de outubro: Israel mata Yahya Sinwar, líder do Hamas.
- 202519 de janeiro: entra em vigor o acordo em três fases, com previsão de libertar 33 reféns na primeira fase.
- 202518 de março: Israel retoma a ofensiva após o impasse sobre a segunda fase.
- 202510 de outubro: entra em vigor a trégua do plano de 20 pontos dos EUA. Os 20 reféns vivos voltam em 13 de outubro.
- 202626 de janeiro: o corpo do último refém é recuperado.
Perguntas frequentes
Quem atacou primeiro, Hamas ou Israel?
Qual o motivo da guerra entre Hamas e Israel?
Quando a guerra em Gaza começou?
Israel rompeu os cessar-fogos?
Assista
Análise opinativa sobre a futura força internacional de estabilização em Gaza após o cessar-fogo. Explica por que Israel exige poder de veto sobre os países participantes, especialmente a Turquia, que abriga líderes dos terroristas do Hamas, e qual papel caberia a parceiros como Emirados, Jordânia e Egito.
AdultosVídeo explicativo de outubro de 2023 que reconhece o sofrimento dos civis de Gaza e mostra como os terroristas do Hamas doutrinam crianças, desviam ajuda humanitária e usam a população como escudo humano. Defende que a ofensiva israelense é uma resposta justificada ao massacre de 7 de outubro, e não uma vingança contra os palestinos.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O jornalista israelense Haviv Rettig Gur entrevista Brett McGurk, enviado americano que coordenou as negociações pela libertação dos reféns sequestrados pelos terroristas do Hamas em 7 de outubro. McGurk relata os bastidores da diplomacia e defende que não haverá futuro melhor enquanto o Hamas estiver no poder em Gaza e o Hezbollah na fronteira norte de Israel.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Haviv Rettig Gur entrevista Elliot Kaufman, do Wall Street Journal e coautor de 'In the War Room', sobre os bastidores das decisões do gabinete de guerra de Israel depois do 7 de outubro: as falhas daquele dia, as tensões entre os líderes, a pressão americana e a campanha contra o Hamas, o Hezbollah e o Irã. A conversa também desmonta a acusação de genocídio e trata do antissemitismo e da solidariedade da diáspora.
Educadores- BBC: cronologia da guerra entre Israel e Hamas
- Governo de Israel: pontos de posição nacional, Espadas de Ferro (nov/2023)
- FDI: comunicados da guerra
- FDI: estudo de caso sobre a manobra terrestre na guerra Espadas de Ferro
- FDI: destruição de túnel com dezenas de armas em Khan Yunis
- FDI: principais violações do cessar-fogo
- COGAT: esforços humanitários na Faixa de Gaza (ago/2025)
- Presidência de Israel: Herzog cobra o Hamas sobre os reféns
- Reuters: gabinete israelense aprova o acordo de cessar-fogo (jan/2025)
- Times of Israel: texto integral do acordo de reféns e cessar-fogo
- Reuters: principais elementos do acordo de janeiro de 2025
- Reuters: detalhes do acordo de outubro de 2025
- Reuters: interrupção de suprimentos após violação alegada (19/10/2025)
- Reuters: um ano do plano americano para Gaza
- AP: retomada da ofensiva em março de 2025
- IPC: classificação de fome em Gaza (ago/2025)
- Reuters: fim da condição de fome após a trégua (dez/2025)
- TPI: comunicado de 21/11/2024 sobre os mandados
- Human Rights Watch: conclusões sobre a explosão no hospital Al-Ahli (citada como crítica de Israel)
- CICV: 4ª Convenção de Genebra, artigo 18




