Adolf Eichmann, oficial da SS que organizou as deportações de judeus de toda a Europa para os campos de extermínio, foi capturado pelo Mossad em 11 de maio de 1960. A captura ocorreu perto de Buenos Aires, onde ele vivia como Ricardo Klement. Levado a Israel, foi julgado em Jerusalém a partir de 11 de abril de 1961. Foi condenado à morte em 15 de dezembro de 1961 e executado em Ramla em 1962.
Quem foi Adolf Eichmann?
Adolf Eichmann foi o principal gestor burocrático das deportações de judeus durante o Holocausto. Tinha a patente de SS-Obersturmbannführer e chefiava a Seção IVB4 do Departamento Central de Segurança do Reich (RSHA). O nome oficial da seção era Judenangelegenheiten und Räumung, ou "Assuntos Judaicos e Evacuação".
Nesse cargo, Eichmann organizou a logística que levou judeus de toda a Europa aos guetos e aos campos de extermínio na Polônia ocupada. Ele não comandava campos. Coordenava trens, horários e listas, e assim fazia a máquina de extermínio funcionar.
Como Eichmann fugiu e como foi localizado?
Eichmann fugiu da Europa e foi localizado graças a um procurador alemão que confiou a informação a Israel.
- Fuga: depois da guerra, ele ficou detido por pouco tempo sob custódia americana. Escapou sem ser identificado.
- Argentina: em 1950, emigrou para a Argentina e passou a viver com a falsa identidade de Ricardo Klement.
- A pista decisiva: em 1957, Fritz Bauer, procurador-geral do estado alemão de Hesse, soube onde Eichmann vivia em Buenos Aires. Bauer não confiava no aparato estatal alemão da época e temia vazamentos. Por isso, passou a informação diretamente ao Mossad, o serviço secreto de Israel.
O episódio mostra um ponto central da história do pós-guerra. Muitos responsáveis pelo Holocausto viveram anos sem punição, e foi o Estado judeu que levou adiante a busca.
Como o Mossad capturou Eichmann?
Uma equipe de agentes israelenses capturou Eichmann em 11 de maio de 1960, perto da casa dele em San Fernando, na província de Buenos Aires.
- 21 de maio de 1960: Eichmann foi levado clandestinamente para Israel a bordo de um avião da El Al.
- 23 de maio de 1960: o primeiro-ministro David Ben-Gurion anunciou ao Knesset, o parlamento israelense, que Eichmann estava sob custódia e seria julgado em Israel.
A operação garantiu que um dos principais organizadores do genocídio do povo judeu respondesse perante um tribunal.
A captura gerou crise com a Argentina?
Sim. A Argentina protestou porque a operação ocorreu em seu território sem autorização, o que considerou uma violação de soberania.
O caso chegou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A controvérsia foi formalmente resolvida depois da deliberação que resultou na Resolução 138, de 23 de junho de 1960. O impasse diplomático não impediu o julgamento, que seguiu em Jerusalém conforme o anúncio de Ben-Gurion.
Como Israel preparou a acusação?
A Polícia de Israel criou uma unidade especial, o Bureau 06. A unidade reuniu provas documentais e selecionou as testemunhas.
- Documentos: o Bureau 06 analisou e catalogou mais de 1.600 documentos sobre o papel de Eichmann nas deportações.
- Interrogatório: o capitão da polícia Avner Less interrogou Eichmann durante meses. O material soma mais de 3.500 páginas de transcrição e dezenas de fitas de áudio em alemão, registradas no processo como Exibição T/37. Eichmann tentou se apresentar como alguém que só cumpria ordens. Mesmo assim, admitiu que "tratamento especial" (Sonderbehandlung) significava assassinato.
- Fitas de Sassen: em 1957, ainda na Argentina, Eichmann deu entrevistas ao jornalista ex-SS Willem Sassen. A acusação usou esses registros como prova de que ele não tinha remorso e de que se empenhou de forma consciente no extermínio.
Como foi o julgamento em Jerusalém?
O julgamento começou em 11 de abril de 1961 no Tribunal Distrital de Jerusalém, no auditório Beit Ha'am. Era o Processo Criminal nº 40/61.
| Papel | Nomes |
|---|---|
| Juízes | Moshe Landau (presidente), Benjamin Halevi e Yitzhak Raveh |
| Acusação | Gideon Hausner (procurador-geral), Gavriel Bach e Yaacov Bar-Or |
| Defesa | Robert Servatius e o assistente Dieter Wechtenbruch |
A denúncia trazia 15 acusações, com base na lei israelense Nazis and Nazi Collaborators (Punishment) Law 5710-1950. Elas incluíam crimes contra o povo judeu, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Na abertura, Hausner disse a frase que ficou célebre: "Comigo estão aqui seis milhões de acusadores."
Eichmann depôs dentro de uma cabine de vidro blindado. Sua defesa foi dizer que era uma engrenagem burocrática que agia por ordem superior (im Auftrage). Declarou-se "não culpado no sentido da acusação".
Quem testemunhou no julgamento de Eichmann?
O tribunal ouviu pessoalmente os depoimentos de mais de cem testemunhas. As fontes registram números entre 108 e 110. Pela primeira vez, a destruição das comunidades judaicas foi contada em detalhe, em público, pelas vozes de quem a viveu.
- Salo Baron, historiador, descreveu a riqueza cultural e social do mundo judaico antes da destruição.
- Zivia Lubetkin e Yitzhak Zuckerman, da ŻOB no Gueto de Varsóvia, falaram da resistência armada. Também depuseram Abba Kovner, da resistência de Vilna, e David Wdowinski, da ŻZW.
- Pinhas Freudiger e Joel Brand depuseram sobre as deportações em massa da Hungria em 1944. Brand relatou a proposta alemã de trocar vidas judaicas por mercadorias, conhecida como "sangue por caminhões".
- Dov Freiberg (Sobibor) e Michael Podchlebnik (Chelmno) relataram como funcionava o extermínio nos campos. O escritor Yehiel Dinur, que usava o pseudônimo K. Zetnik, desmaiou no tribunal ao descrever o "planeta Auschwitz".
Esses depoimentos tornaram o julgamento um marco da memória pública do Holocausto e da justiça internacional.
Qual foi a sentença e o que aconteceu com o corpo de Eichmann?
Eichmann foi condenado à morte, executado e teve as cinzas dispersas no mar.
- 11 de dezembro de 1961: o tribunal o considerou culpado das acusações, com absolvição parcial em alguns pontos de certos itens.
- 15 de dezembro de 1961: veio a sentença de morte por enforcamento.
- 29 de maio de 1962: a Suprema Corte de Israel rejeitou o recurso da defesa. O presidente de Israel, Yitzhak Ben-Zvi, negou o pedido de clemência.
- Noite de 31 de maio para 1º de junho de 1962: Eichmann foi executado por enforcamento na prisão de Ramla.
O corpo foi cremado. As cinzas foram espalhadas no Mar Mediterrâneo, fora das águas territoriais de Israel.
Linha do tempo
- 1950Eichmann emigra para a Argentina com a identidade falsa de Ricardo Klement.
- 1957Fritz Bauer, procurador-geral de Hesse, repassa ao Mossad a localização de Eichmann. No mesmo ano, Eichmann dá entrevistas a Willem Sassen.
- 1960Captura em 11 de maio, transferência para Israel em 21 de maio e anúncio de Ben-Gurion ao Knesset em 23 de maio. Resolução 138 do Conselho de Segurança da ONU em 23 de junho.
- 1961O julgamento começa em 11 de abril. Veredicto de culpa em 11 de dezembro e sentença de morte em 15 de dezembro.
- 1962A Suprema Corte rejeita o recurso em 29 de maio. Eichmann é executado em Ramla na noite de 31 de maio para 1º de junho.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com o corpo de Eichmann?
Quem julgou Adolf Eichmann?
Por que Eichmann foi julgado em Israel?
Eichmann admitiu os crimes?
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Documentário dublado em que Kitty Hart-Moxon, sobrevivente que chegou a Auschwitz-Birkenau aos 16 anos, volta ao campo com duas jovens e relata a deportação, a seleção na rampa, o trabalho no 'Canadá', as câmaras de gás e a revolta do Sonderkommando de outubro de 1944. É um testemunho direto, complementado por historiadores, sobre a memória do Holocausto e o dever de não esquecer.
Adolescentes e adultosDebate online do Museu do Holocausto de Curitiba com historiadores que diferenciam revisionismo historiográfico, revisionismo ideológico e negacionismo do Holocausto, a partir de Pierre Vidal-Naquet e de 'Os assassinos da memória'. Explica as táticas dos negacionistas, como a negação das câmaras de gás, e por que não se deve debater com eles como se fossem uma corrente legítima.
EducadoresTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
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Aula do Yad Vashem que reconstrói passo a passo como a perseguição nazista evoluiu para a 'Solução Final', das leis e expulsões do pré-guerra aos fuzilamentos dos Einsatzgruppen, à Conferência de Wannsee e aos campos de extermínio. Apresenta com rigor documental o debate entre historiadores sobre quando e como foi tomada a decisão do genocídio dos seis milhões de judeus.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Vídeo curto do Yad Vashem que reconstrói a Revolta do Gueto de Varsóvia (abril–maio de 1943), das grandes deportações para Treblinka à luta da ŻOB de Mordechai Anielewicz e da ŻZW ligada ao Betar, com citações de testemunhos da época. Uma introdução rigorosa ao símbolo maior da resistência judaica durante o Holocausto.
Adolescentes e adultos- The Trial of Adolf Eichmann: Record of Proceedings, transcrições das 121 sessões (Ministério da Justiça de Israel e Yad Vashem)
- Sentença do Tribunal Distrital de Jerusalém, Processo Criminal nº 40/61 (dezembro de 1961)
- Interrogatório do Bureau 06 conduzido por Avner Less (Exibição T/37)
- Resolução 138 (1960) do Conselho de Segurança das Nações Unidas
- Entrevistas de Eichmann a Willem Sassen (1957)

