O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto criado pelos nazistas. Foi decretado em outubro de 1940 e chegou a confinar cerca de 400 mil a 450 mil judeus. Em 1942, cerca de 265 mil foram deportados para Treblinka e assassinados. Em 19 de abril de 1943, combatentes judeus da ŻOB e da ŻZW pegaram em armas contra a liquidação final do gueto e resistiram até 16 de maio.
O que foi o Gueto de Varsóvia?
O Gueto de Varsóvia foi o maior gueto estabelecido pelos nazistas na Europa ocupada. Foi um instrumento de segregação, exploração e extermínio dos judeus.
As autoridades alemãs de ocupação decretaram sua criação em 12 de outubro de 1940, dia de Yom Kippur. Em 16 de novembro de 1940, fecharam o perímetro com um muro de tijolos de cerca de 3 metros de altura e arame farpado.
- População: segundo o Museu do Holocausto dos EUA (USHMM), o gueto chegou a abrigar de 400 mil a 450 mil judeus de Varsóvia e de áreas próximas. Os números variam conforme o período e o método de contagem.
- Superlotação: cerca de 30% da população da cidade ficou presa em apenas 2,4% do território urbano. A média passava de 7 pessoas por cômodo.
- Administração forçada: os nazistas nomearam um Conselho Judaico (Judenrat) para impor suas ordens. O conselho foi presidido pelo engenheiro Adam Czerniaków.
Como era a vida dentro do gueto?
A vida no gueto era marcada por fome, doenças e terror. Os alemães restringiram a circulação, o trabalho e o abastecimento de comida e remédios.
A desnutrição e a falta de medicamentos favoreceram epidemias de tifo. O USHMM estima que cerca de 83 mil pessoas morreram de fome e doenças entre 1940 e meados de 1942. Isso equivale a cerca de 20% da população do gueto, antes mesmo das deportações em massa.
Mesmo assim, os judeus do gueto registraram o que viviam. Em novembro de 1940, o historiador Emanuel Ringelblum criou a rede clandestina Oyneg Shabes ("Alegria do Shabat", em iídiche), hoje chamada de Arquivo Ringelblum. O grupo reunia historiadores, professores, jornalistas e escritores. Eles juntaram diários, relatos, fotografias, decretos e testemunhos sobre a fome, as deportações, a assistência e a resistência (Museu Nacional da Segunda Guerra Mundial).
Outros diários também sobreviveram, como os de Adam Czerniaków, Abraham Lewin e Mary Berg.
O que aconteceu nas deportações de 1942?
Entre 22 de julho e 21 de setembro de 1942, os nazistas esvaziaram a maior parte do gueto e enviaram seus moradores para a morte em Treblinka.
A operação foi chamada de Grossaktion Warschau ("Grande Ação") e foi dirigida pelo oficial da SS Hermann Höfle. Os nazistas alegavam que se tratava de uma "reorganização de trabalho no Leste". As vítimas eram reunidas no Umschlagplatz, na rua Stawki, e embarcadas em trens de carga para o centro de extermínio de Treblinka, a cerca de 84 km de Varsóvia.
- O USHMM fala em cerca de 265 mil judeus deportados. Outras fontes estimam de 265 mil a 300 mil mortos em Treblinka ou nas ruas de Varsóvia.
- Quase todos foram assassinados pouco depois de chegar ao campo.
- Em 23 de julho de 1942, Czerniaków recebeu a exigência de entregar uma cota diária de pessoas, incluindo crianças dos orfanatos. Ele se recusou a assinar e tirou a própria vida. Em sua carta de despedida, escreveu: "Exigem que eu mate as crianças da minha nação com minhas próprias mãos. Não me resta outra opção a não ser morrer".
Os sobreviventes ficaram num gueto reduzido e foram forçados a trabalhar em oficinas (szopy).
Quem organizou a resistência judaica no gueto?
A resistência armada foi organizada por jovens judeus, sobretudo dos movimentos sionistas. Eles entenderam que as "deportações" eram parte de um plano de assassinato em massa.
- ŻOB (Organização Judaica de Combate): foi criada em 28 de julho de 1942 por movimentos juvenis sionistas. Seu principal comandante foi Mordechai Anielewicz, então com 23 anos.
- ŻZW (União Militar Judaica): era ligada ao movimento sionista revisionista Betar e reunia ex-combatentes do Exército Polonês.
Anielewicz foi uma figura central, mas não liderou sozinho. O levante envolveu vários comandantes, combatentes, redes civis e as duas organizações.
Janeiro de 1943: em 18 de janeiro, os alemães voltaram ao gueto para retomar as deportações. Unidades da ŻOB sob o comando de Anielewicz fizeram ataques surpresa, e os alemães interromperam a ação após quatro dias. Esse resultado levou a população a construir uma ampla rede de bunkers e esconderijos subterrâneos.
O que foi o Levante do Gueto de Varsóvia de 1943?
O levante foi a revolta armada dos judeus do gueto contra a sua liquidação final. Durou de 19 de abril a 16 de maio de 1943 e foi a maior revolta judaica e uma das primeiras grandes insurreições urbanas contra a ocupação alemã na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
Na manhã de 19 de abril, véspera de Pessach, tropas e policiais alemães entraram no gueto para deportar os moradores restantes. O comando passou de Ferdinand von Sammern-Frankenegg para o general da SS Jürgen Stroop.
Cerca de 700 a 800 combatentes da ŻOB e da ŻZW enfrentaram os alemães com pistolas, poucas metralhadoras, granadas e coquetéis Molotov.
| Data (1943) | Fato |
|---|---|
| 19 de abril | Começa o levante. Os combatentes repelem o primeiro ataque na esquina das ruas Gęsia e Nalewki. |
| Abril | Na Praça Muranowski, a ŻZW hasteia a bandeira judaica azul e branca e a bandeira polonesa no alto de um prédio. |
| 23 de abril | Por ordem de Heinrich Himmler, Stroop passa a incendiar e demolir o gueto prédio por prédio. |
| 8 de maio | Os alemães cercam o bunker de comando da ŻOB na rua Miła 18 e lançam gás. Anielewicz e cerca de 120 combatentes morrem. |
| 16 de maio | Stroop declara o fim da operação e explode a Grande Sinagoga da rua Tłomackie. |
Alguns combatentes, como Marek Edelman, Zivia Lubetkin e Simha "Kazik" Rotem, escaparam pelos esgotos para o lado "ariano" da cidade.
Quantos judeus foram mortos ou capturados no levante?
As estimativas são diferentes porque partem de contagens distintas. Todas mostram a destruição completa do que restava do gueto.
- O relatório do próprio Stroop contabiliza 56.065 judeus capturados ou mortos. Milhares foram executados no local. Outros foram levados a Treblinka ou a campos da região de Lublin, como Majdanek, Trawniki e Poniatowa.
- O USHMM informa que cerca de 42 mil sobreviventes foram capturados e enviados a campos de trabalho forçado ou deportados. Cerca de 7 mil foram enviados a Treblinka.
Esses números tratam do levante e de suas consequências imediatas. Não somam todos os mortos do gueto desde 1940. Os totais exatos são incertos, porque os nazistas mantiveram registros incompletos e destruíram parte deles de propósito.
O Levante do Gueto é o mesmo que "Levante de Varsóvia" ou "Batalha de Varsóvia"?
Não. Muitas pessoas usam "Levante de Varsóvia" ou "Batalha de Varsóvia" para falar de eventos diferentes ligados à capital polonesa. Esta página trata do Levante do Gueto de Varsóvia.
Ele foi a insurreição dos judeus confinados no gueto, entre 19 de abril e 16 de maio de 1943. Seu objetivo não era apenas militar. Os combatentes sabiam que não podiam vencer as forças alemãs. Eles lutaram contra a deportação final para os campos de extermínio e escolheram resistir em vez de serem levados sem reação.
Outros temas com "Varsóvia" no nome, como o Pacto de Varsóvia, são assuntos distintos e não se confundem com a revolta judaica de 1943.
Por que a memória do Gueto de Varsóvia importa hoje?
A memória do gueto importa porque é uma das provas mais documentadas do Holocausto e da resistência judaica. E foi registrada tanto pelas vítimas quanto pelos próprios carrascos.
- Arquivo Ringelblum: os documentos foram enterrados em caixas metálicas e latas de leite. Duas grandes partes foram encontradas em 1946 e 1950. Hoje o acervo fica no Instituto Histórico Judaico de Varsóvia e é uma das principais fontes sobre a destruição dos judeus poloneses.
- Relatório Stroop: o relatório oficial do general Stroop para Himmler se intitula "O bairro residencial judaico de Varsóvia não existe mais!". Ele reúne os relatórios diários da SS e dezenas de fotografias do incêndio dos prédios e da captura de civis nos bunkers.
- Testemunhos judiciais: combatentes como Zivia Lubetkin e Yitzhak Zuckerman depuseram no julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém, em 1961. Houve também depoimentos no julgamento de Jürgen Stroop em Varsóvia, em 1951.
Esse conjunto de provas responde a quem nega ou distorce o Holocausto. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Lembrar o gueto e seus combatentes faz parte desse compromisso.
Linha do tempo
- 1940Em 12 de outubro, os alemães decretam a criação do gueto. Em 16 de novembro, ele é fechado com muro e arame farpado.
- 1940Em novembro, Emanuel Ringelblum cria o arquivo clandestino Oyneg Shabes.
- 1942De 22 de julho a 21 de setembro, cerca de 265 mil judeus são deportados para Treblinka. Em 23 de julho, Adam Czerniaków tira a própria vida.
- 1942Em 28 de julho, movimentos juvenis sionistas fundam a ŻOB.
- 1943Em 18 de janeiro, a ŻOB enfrenta os alemães, que interrompem as deportações após quatro dias.
- 1943Em 19 de abril, começa o Levante do Gueto de Varsóvia.
- 1943Em 8 de maio, cai o bunker de Miła 18 e Mordechai Anielewicz morre.
- 1943Em 16 de maio, Stroop declara o fim da operação e explode a Grande Sinagoga.
- 1946A primeira grande parte do Arquivo Ringelblum é encontrada nas ruínas de Varsóvia.
- 1950Outra grande parte do Arquivo Ringelblum é localizada.
Perguntas frequentes
Quantos judeus viviam no Gueto de Varsóvia?
Quem foi Mordechai Anielewicz?
O que é o Arquivo Ringelblum?
Quanto tempo durou o levante do gueto?
Assista
Reportagem sobre a celebração dos 200 anos de presença judaica no Baixo Tocantins (PA), com a reinauguração da sinagoga de Mocajuba e Cametá, visita ao antigo cemitério judaico e depoimentos de líderes comunitários e de um pesquisador sobre o resgate da memória judaica na Amazônia.
Adolescentes e adultosRita Braun, sobrevivente do Holocausto, relata como se escondia dos bombardeios e das metralhadoras quando criança, a última despedida do pai, levado para trabalhos forçados, e a perda de 42 familiares. Depoimento em primeira pessoa do acervo do Memorial do Holocausto.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Produção do Yad Vashem que explica como se formou a 'Solução Final' e conta Auschwitz-Birkenau por meio do testemunho de Ellis Lewin, do Álbum de Auschwitz, de trechos de Elie Wiesel e de objetos guardados por prisioneiros como forma de manter a dignidade. Traz também orientações para educadores ensinarem o Holocausto pela perspectiva humana.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Vídeo do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos que explica os diferentes tipos de campos nazistas (de concentração, de trabalho forçado, de trânsito e os cinco centros de extermínio) e seu papel na perseguição e no assassinato de seis milhões de judeus, com o testemunho de uma sobrevivente.
Adolescentes e adultos- Warsaw – Holocaust Encyclopedia (USHMM)
- The Warsaw Ghetto Uprising – Holocaust Encyclopedia (USHMM)
- The Oneg Shabbat Archive – Holocaust Encyclopedia (USHMM)
- About the Ringelblum Archive – Instituto Histórico Judaico
- Full English edition of the Ringelblum Archive – Instituto Histórico Judaico
- Emanuel Ringelblum and the Oyneg Shabes Archive – The National WWII Museum
- Holocaust and Genocide Studies – Oxford Academic

