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Auschwitz: o que foi o maior campo de extermínio nazista

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Foto: Portão de Auschwitz com a inscrição "Arbeit macht frei". Bibi595 · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Auschwitz-Birkenau foi o maior complexo de concentração e extermínio do regime nazista. Ficava na Polônia ocupada, junto à cidade de Oświęcim, a cerca de 50 km de Cracóvia. Entre 1940 e 1945, cerca de 1,3 milhão de pessoas foram deportadas para lá. Cerca de 1,1 milhão foram assassinadas, aproximadamente 1 milhão delas judeus. O Exército Vermelho libertou o campo em 27 de janeiro de 1945.

O que foi Auschwitz e onde ficava?

Auschwitz-Birkenau foi o maior complexo de concentração e centro de extermínio construído pela Alemanha nazista. Ficava na Polônia ocupada, junto à cidade de Oświęcim (Auschwitz, em alemão), cerca de 50 km a oeste de Cracóvia.

O lugar reunia duas funções. Era um campo de concentração, onde prisioneiros morriam de trabalho forçado, fome e doenças. E era um centro de extermínio, com instalações feitas para matar pessoas logo ao chegar.

Auschwitz se tornou o símbolo do Holocausto, o genocídio de cerca de 6 milhões de judeus europeus. Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos EUA (USHMM), nenhum outro local concentrou tantas mortes de judeus.

Como o complexo de Auschwitz estava organizado?

O complexo tinha três campos principais e dezenas de subcampos. Cada parte cumpria uma função no sistema nazista.

  • Auschwitz I (campo principal): começou a funcionar em 1940, por ordem de Heinrich Himmler. Os primeiros prisioneiros foram presos políticos poloneses, em junho de 1940. Em setembro de 1941, a SS fez ali o primeiro teste de assassinato em massa com o gás Zyklon B. As vítimas foram prisioneiros de guerra soviéticos.
  • Auschwitz II-Birkenau: a construção começou em outubro de 1941. A partir de 1942, Birkenau passou a ter papel central no assassinato em massa. Tinha quatro grandes conjuntos de câmaras de gás e crematórios.
  • Auschwitz III-Monowitz: foi construído com o conglomerado químico IG Farben. A empresa usava o trabalho escravo dos prisioneiros na fábrica de borracha sintética (Buna).
  • Subcampos: mais de 40, ligados a fábricas, minas e fazendas.

O Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau descreve essa estrutura em detalhe.

Como funcionava o extermínio em Auschwitz?

Os deportados chegavam de trem e passavam por uma seleção. A maioria era enviada direto às câmaras de gás. O processo foi organizado como uma linha de produção.

  • Seleção na rampa: os trens chegavam a Birkenau de toda a Europa. Médicos da SS separavam os recém-chegados. Em média, só 25% eram considerados "aptos ao trabalho". Os outros 75%, entre eles crianças, idosos e mães com filhos, eram mandados à morte no mesmo dia.
  • Câmaras de gás: as vítimas entravam em salas disfarçadas de chuveiros de desinfecção. A SS jogava Zyklon B por aberturas no teto. A morte por asfixia vinha em 13 a 15 minutos.
  • Espoliação e cremação: antes da cremação, os nazistas cortavam o cabelo das mulheres e arrancavam dentes de ouro. Os corpos iam para os cinco crematórios do complexo ou para valas de cremação ao ar livre. Os pertences eram guardados no setor chamado Kanada e enviados à Alemanha.
  • Quem não ia para o gás: era registrado como prisioneiro e submetido a trabalho forçado, fome, doenças e violência.
  • Experimentos médicos: médicos da SS, como Josef Mengele, fizeram cirurgias, testes com remédios e esterilizações forçadas em prisioneiros, sem consentimento.

O USHMM registra que judeus não escolhidos para o trabalho eram, em grande número, assassinados logo após a chegada.

Quantas pessoas morreram em Auschwitz?

Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas em Auschwitz, e aproximadamente 1 milhão delas eram judeus. É a estimativa consolidada do Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau e do USHMM.

DadoEstimativa
Pessoas deportadas (1940–1945)cerca de 1,3 milhão
Pessoas assassinadascerca de 1,1 milhão
Judeus entre os mortosaproximadamente 1 milhão
Prisioneiros evacuados em janeiro de 1945cerca de 58 mil
Prisioneiros encontrados na libertaçãocerca de 7 mil

O número é uma estimativa histórica, não uma lista com o nome de cada vítima. A maioria dos judeus assassinados nunca foi registrada: ia direto do trem para a câmara de gás. Há formulações um pouco diferentes do total de judeus. O museu e o USHMM falam em cerca de 1 milhão. Outras sínteses falam em mais de 1,1 milhão de judeus. Todas confirmam que os judeus foram a grande maioria das vítimas.

Também morreram em Auschwitz poloneses, Roma e Sinti (ciganos), prisioneiros de guerra soviéticos e pessoas de outras nacionalidades (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau).

Houve resistência dentro de Auschwitz?

Sim. Prisioneiros judeus se revoltaram, fugiram para denunciar o campo e deixaram registros escondidos.

  • Levante do Sonderkommando (7 de outubro de 1944): os nazistas obrigavam prisioneiros judeus a trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios. Esses prisioneiros organizaram uma insurreição armada, mataram guardas da SS e destruíram o Crematório IV. Depois foram executados.
  • Relatório Vrba-Wetzler (1944): os judeus eslovacos Rudolf Vrba e Alfréd Wetzler fugiram de Auschwitz em abril de 1944. Escreveram um relatório com mapas, plantas e estimativas sobre o extermínio em Birkenau.
  • Manuscritos enterrados: membros do Sonderkommando, como Zalman Gradowski e Leib Langfus, escreveram em segredo e enterraram os textos perto dos crematórios. O artista David Olère, sobrevivente, retratou o que viu.

Esses registros dão nome e voz às vítimas. São também provas diretas do que acontecia lá dentro.

Quando e como Auschwitz foi libertado?

O Exército Vermelho chegou a Auschwitz em 27 de janeiro de 1945. As tropas eram da 60ª Armada da Primeira Frente Ucraniana. Encontraram cerca de 7 mil prisioneiros, muitos gravemente doentes e desnutridos.

Antes da chegada soviética, a SS tentou apagar os rastros:

  • Marchas da morte: entre 17 e 21 de janeiro de 1945, os nazistas evacuaram cerca de 58 mil prisioneiros para o interior do Reich, a pé e sob frio extremo.
  • Destruição de provas: a SS queimou documentos. Os crematórios e câmaras de gás II e III foram explodidos em 20 de janeiro de 1945, e o crematório V em 26 de janeiro.

A destruição foi parcial. As ruínas, os documentos que restaram e os sobreviventes bastaram para revelar o crime (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau; USHMM).

Como sabemos o que aconteceu em Auschwitz, e por que negar é antissemitismo?

O que aconteceu em Auschwitz está provado por documentos nazistas, confissões, fotografias, ruínas e milhares de testemunhos. Entre as principais fontes primárias estão:

  • As anotações de Rudolf Höss: o ex-comandante do campo escreveu na prisão, na Polônia, como funcionavam os transportes, as câmaras de gás e os crematórios.
  • O Álbum de Auschwitz: cerca de 200 fotografias tiradas pela SS em maio/junho de 1944. Mostram a chegada, a seleção e a espoliação de um transporte de judeus da Hungria.
  • Documentos administrativos: relatórios da IG Farben, listas do hospital do campo e fotografias aéreas tiradas pelos Aliados em 1944.
  • O relatório Vrba-Wetzler e os manuscritos do Sonderkommando.

Historiadores debatem detalhes, como números exatos e cronologias. Não existe debate sério sobre a existência das câmaras de gás nem sobre o assassinato em massa.

A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o Holocausto ou acusar judeus de exagerá-lo é antissemitismo. No Brasil, o STF decidiu no caso Ellwanger (HC 82.424, 2003) que publicar material antissemita e negacionista é crime de racismo, com base na Lei 7.716/1989. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Por que 27 de janeiro é o Dia Internacional em Memória do Holocausto?

Porque é a data da libertação de Auschwitz. Em novembro de 2005, a Assembleia Geral da ONU escolheu 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A data lembra os cerca de 6 milhões de judeus assassinados e as demais vítimas da perseguição nazista. O próprio local virou memorial. O Parlamento polonês criou por lei o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau em 2 de julho de 1947. O museu preserva os terrenos de Auschwitz I e Birkenau, além de ruínas, objetos e documentos, e se dedica à educação e à pesquisa (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau).

Linha do tempo

  1. 1940Auschwitz I começa a funcionar. Os primeiros prisioneiros, presos políticos poloneses, chegam em junho.
  2. 1941Em setembro, primeiro assassinato em massa com Zyklon B, contra prisioneiros de guerra soviéticos. Em outubro, começa a construção de Birkenau.
  3. 1942Birkenau passa a ter papel central no assassinato em massa de judeus.
  4. 1944Em abril, Vrba e Wetzler fogem e denunciam o campo. Em maio/junho, a SS fotografa a chegada de judeus da Hungria (Álbum de Auschwitz). Em 7 de outubro, o Sonderkommando se revolta e destrói o Crematório IV.
  5. 1945De 17 a 21 de janeiro, cerca de 58 mil prisioneiros são evacuados. Em 20 e 26 de janeiro, a SS explode crematórios. Em 27 de janeiro, o Exército Vermelho liberta o campo.
  6. 1947Em 2 de julho, o Parlamento polonês cria por lei o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau.
  7. 2005Em novembro, a ONU institui 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

Perguntas frequentes

Quantos judeus morreram em Auschwitz?
Segundo o Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau e o Museu Memorial do Holocausto dos EUA, cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas em Auschwitz. Aproximadamente 1 milhão delas eram judeus. Algumas sínteses falam em mais de 1,1 milhão de judeus. Todas as estimativas confirmam que os judeus foram a grande maioria das vítimas do complexo.
Onde fica Auschwitz?
Auschwitz fica no sul da Polônia, junto à cidade de Oświęcim, cerca de 50 km a oeste de Cracóvia. Durante a Segunda Guerra, a região estava sob ocupação da Alemanha nazista. Hoje o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau, criado em 1947, preserva os terrenos de Auschwitz I e de Birkenau como memorial e centro de educação.
Quem libertou Auschwitz?
Tropas soviéticas do Exército Vermelho, da 60ª Armada da Primeira Frente Ucraniana, chegaram a Auschwitz em 27 de janeiro de 1945. Encontraram cerca de 7 mil prisioneiros, muitos doentes e desnutridos. Dias antes, a SS havia evacuado cerca de 58 mil prisioneiros nas marchas da morte e explodido crematórios para esconder o crime.
Negar o que aconteceu em Auschwitz é crime no Brasil?
Pode ser. No caso Ellwanger (HC 82.424, 2003), o STF decidiu que publicar material antissemita e negacionista é crime de racismo, inafiançável e imprescritível, com base na Lei 7.716/1989. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o Holocausto ou acusar judeus de exagerá-lo é antissemitismo. Pela própria IHRA, criticar um governo, inclusive o de Israel, como se critica qualquer outro país, não é antissemitismo.

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