Auschwitz-Birkenau foi o maior complexo de concentração e extermínio do regime nazista. Ficava na Polônia ocupada, junto à cidade de Oświęcim, a cerca de 50 km de Cracóvia. Entre 1940 e 1945, cerca de 1,3 milhão de pessoas foram deportadas para lá. Cerca de 1,1 milhão foram assassinadas, aproximadamente 1 milhão delas judeus. O Exército Vermelho libertou o campo em 27 de janeiro de 1945.
O que foi Auschwitz e onde ficava?
Auschwitz-Birkenau foi o maior complexo de concentração e centro de extermínio construído pela Alemanha nazista. Ficava na Polônia ocupada, junto à cidade de Oświęcim (Auschwitz, em alemão), cerca de 50 km a oeste de Cracóvia.
O lugar reunia duas funções. Era um campo de concentração, onde prisioneiros morriam de trabalho forçado, fome e doenças. E era um centro de extermínio, com instalações feitas para matar pessoas logo ao chegar.
Auschwitz se tornou o símbolo do Holocausto, o genocídio de cerca de 6 milhões de judeus europeus. Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos EUA (USHMM), nenhum outro local concentrou tantas mortes de judeus.
Como o complexo de Auschwitz estava organizado?
O complexo tinha três campos principais e dezenas de subcampos. Cada parte cumpria uma função no sistema nazista.
- Auschwitz I (campo principal): começou a funcionar em 1940, por ordem de Heinrich Himmler. Os primeiros prisioneiros foram presos políticos poloneses, em junho de 1940. Em setembro de 1941, a SS fez ali o primeiro teste de assassinato em massa com o gás Zyklon B. As vítimas foram prisioneiros de guerra soviéticos.
- Auschwitz II-Birkenau: a construção começou em outubro de 1941. A partir de 1942, Birkenau passou a ter papel central no assassinato em massa. Tinha quatro grandes conjuntos de câmaras de gás e crematórios.
- Auschwitz III-Monowitz: foi construído com o conglomerado químico IG Farben. A empresa usava o trabalho escravo dos prisioneiros na fábrica de borracha sintética (Buna).
- Subcampos: mais de 40, ligados a fábricas, minas e fazendas.
O Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau descreve essa estrutura em detalhe.
Como funcionava o extermínio em Auschwitz?
Os deportados chegavam de trem e passavam por uma seleção. A maioria era enviada direto às câmaras de gás. O processo foi organizado como uma linha de produção.
- Seleção na rampa: os trens chegavam a Birkenau de toda a Europa. Médicos da SS separavam os recém-chegados. Em média, só 25% eram considerados "aptos ao trabalho". Os outros 75%, entre eles crianças, idosos e mães com filhos, eram mandados à morte no mesmo dia.
- Câmaras de gás: as vítimas entravam em salas disfarçadas de chuveiros de desinfecção. A SS jogava Zyklon B por aberturas no teto. A morte por asfixia vinha em 13 a 15 minutos.
- Espoliação e cremação: antes da cremação, os nazistas cortavam o cabelo das mulheres e arrancavam dentes de ouro. Os corpos iam para os cinco crematórios do complexo ou para valas de cremação ao ar livre. Os pertences eram guardados no setor chamado Kanada e enviados à Alemanha.
- Quem não ia para o gás: era registrado como prisioneiro e submetido a trabalho forçado, fome, doenças e violência.
- Experimentos médicos: médicos da SS, como Josef Mengele, fizeram cirurgias, testes com remédios e esterilizações forçadas em prisioneiros, sem consentimento.
O USHMM registra que judeus não escolhidos para o trabalho eram, em grande número, assassinados logo após a chegada.
Quantas pessoas morreram em Auschwitz?
Cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas em Auschwitz, e aproximadamente 1 milhão delas eram judeus. É a estimativa consolidada do Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau e do USHMM.
| Dado | Estimativa |
|---|---|
| Pessoas deportadas (1940–1945) | cerca de 1,3 milhão |
| Pessoas assassinadas | cerca de 1,1 milhão |
| Judeus entre os mortos | aproximadamente 1 milhão |
| Prisioneiros evacuados em janeiro de 1945 | cerca de 58 mil |
| Prisioneiros encontrados na libertação | cerca de 7 mil |
O número é uma estimativa histórica, não uma lista com o nome de cada vítima. A maioria dos judeus assassinados nunca foi registrada: ia direto do trem para a câmara de gás. Há formulações um pouco diferentes do total de judeus. O museu e o USHMM falam em cerca de 1 milhão. Outras sínteses falam em mais de 1,1 milhão de judeus. Todas confirmam que os judeus foram a grande maioria das vítimas.
Também morreram em Auschwitz poloneses, Roma e Sinti (ciganos), prisioneiros de guerra soviéticos e pessoas de outras nacionalidades (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau).
Houve resistência dentro de Auschwitz?
Sim. Prisioneiros judeus se revoltaram, fugiram para denunciar o campo e deixaram registros escondidos.
- Levante do Sonderkommando (7 de outubro de 1944): os nazistas obrigavam prisioneiros judeus a trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios. Esses prisioneiros organizaram uma insurreição armada, mataram guardas da SS e destruíram o Crematório IV. Depois foram executados.
- Relatório Vrba-Wetzler (1944): os judeus eslovacos Rudolf Vrba e Alfréd Wetzler fugiram de Auschwitz em abril de 1944. Escreveram um relatório com mapas, plantas e estimativas sobre o extermínio em Birkenau.
- Manuscritos enterrados: membros do Sonderkommando, como Zalman Gradowski e Leib Langfus, escreveram em segredo e enterraram os textos perto dos crematórios. O artista David Olère, sobrevivente, retratou o que viu.
Esses registros dão nome e voz às vítimas. São também provas diretas do que acontecia lá dentro.
Quando e como Auschwitz foi libertado?
O Exército Vermelho chegou a Auschwitz em 27 de janeiro de 1945. As tropas eram da 60ª Armada da Primeira Frente Ucraniana. Encontraram cerca de 7 mil prisioneiros, muitos gravemente doentes e desnutridos.
Antes da chegada soviética, a SS tentou apagar os rastros:
- Marchas da morte: entre 17 e 21 de janeiro de 1945, os nazistas evacuaram cerca de 58 mil prisioneiros para o interior do Reich, a pé e sob frio extremo.
- Destruição de provas: a SS queimou documentos. Os crematórios e câmaras de gás II e III foram explodidos em 20 de janeiro de 1945, e o crematório V em 26 de janeiro.
A destruição foi parcial. As ruínas, os documentos que restaram e os sobreviventes bastaram para revelar o crime (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau; USHMM).
Como sabemos o que aconteceu em Auschwitz, e por que negar é antissemitismo?
O que aconteceu em Auschwitz está provado por documentos nazistas, confissões, fotografias, ruínas e milhares de testemunhos. Entre as principais fontes primárias estão:
- As anotações de Rudolf Höss: o ex-comandante do campo escreveu na prisão, na Polônia, como funcionavam os transportes, as câmaras de gás e os crematórios.
- O Álbum de Auschwitz: cerca de 200 fotografias tiradas pela SS em maio/junho de 1944. Mostram a chegada, a seleção e a espoliação de um transporte de judeus da Hungria.
- Documentos administrativos: relatórios da IG Farben, listas do hospital do campo e fotografias aéreas tiradas pelos Aliados em 1944.
- O relatório Vrba-Wetzler e os manuscritos do Sonderkommando.
Historiadores debatem detalhes, como números exatos e cronologias. Não existe debate sério sobre a existência das câmaras de gás nem sobre o assassinato em massa.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o Holocausto ou acusar judeus de exagerá-lo é antissemitismo. No Brasil, o STF decidiu no caso Ellwanger (HC 82.424, 2003) que publicar material antissemita e negacionista é crime de racismo, com base na Lei 7.716/1989. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Por que 27 de janeiro é o Dia Internacional em Memória do Holocausto?
Porque é a data da libertação de Auschwitz. Em novembro de 2005, a Assembleia Geral da ONU escolheu 27 de janeiro como o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
A data lembra os cerca de 6 milhões de judeus assassinados e as demais vítimas da perseguição nazista. O próprio local virou memorial. O Parlamento polonês criou por lei o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau em 2 de julho de 1947. O museu preserva os terrenos de Auschwitz I e Birkenau, além de ruínas, objetos e documentos, e se dedica à educação e à pesquisa (Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau).
Linha do tempo
- 1940Auschwitz I começa a funcionar. Os primeiros prisioneiros, presos políticos poloneses, chegam em junho.
- 1941Em setembro, primeiro assassinato em massa com Zyklon B, contra prisioneiros de guerra soviéticos. Em outubro, começa a construção de Birkenau.
- 1942Birkenau passa a ter papel central no assassinato em massa de judeus.
- 1944Em abril, Vrba e Wetzler fogem e denunciam o campo. Em maio/junho, a SS fotografa a chegada de judeus da Hungria (Álbum de Auschwitz). Em 7 de outubro, o Sonderkommando se revolta e destrói o Crematório IV.
- 1945De 17 a 21 de janeiro, cerca de 58 mil prisioneiros são evacuados. Em 20 e 26 de janeiro, a SS explode crematórios. Em 27 de janeiro, o Exército Vermelho liberta o campo.
- 1947Em 2 de julho, o Parlamento polonês cria por lei o Museu Estatal Auschwitz-Birkenau.
- 2005Em novembro, a ONU institui 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Perguntas frequentes
Quantos judeus morreram em Auschwitz?
Onde fica Auschwitz?
Quem libertou Auschwitz?
Negar o que aconteceu em Auschwitz é crime no Brasil?
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Leyb, parente distante de Anne Frank, percorre Amsterdã e mostra como as medidas antijudaicas nazistas isolaram Anne e sua família, com o testemunho de sua amiga de escola, Jacqueline van Maarsen. O episódio liga essa memória ao antissemitismo atual, incluindo estereótipos antigos e novos contra judeus na Holanda.
Adolescentes e adultosVídeo do Memorial do Holocausto que resume a trajetória de Hermann Göring, da Primeira Guerra à fundação da Gestapo, ao saque de bens e obras de arte de judeus e à condenação no Tribunal de Nuremberg. Faz parte de uma série sobre o círculo íntimo de Hitler.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Produção do Yad Vashem que explica como se formou a 'Solução Final' e conta Auschwitz-Birkenau por meio do testemunho de Ellis Lewin, do Álbum de Auschwitz, de trechos de Elie Wiesel e de objetos guardados por prisioneiros como forma de manter a dignidade. Traz também orientações para educadores ensinarem o Holocausto pela perspectiva humana.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Vídeo do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos que explica os diferentes tipos de campos nazistas (de concentração, de trabalho forçado, de trânsito e os cinco centros de extermínio) e seu papel na perseguição e no assassinato de seis milhões de judeus, com o testemunho de uma sobrevivente.
Adolescentes e adultos- Basic information on Auschwitz – Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau
- The Mass Murder of Jews at Auschwitz: An Overview – USHMM
- Soviet forces liberate Auschwitz – USHMM
- Day of liberation – Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau
- Auschwitz calendar: year 1945 – Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau
- History of the Memorial – Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau
- Introdução ao Holocausto – Enciclopédia do Holocausto (USHMM)
- STF – HC 82.424 (caso Ellwanger)
- Lei 7.716/1989 – Planalto


