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As Colinas de Golã: por que são vitais para Israel

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Foto: Colinas de Golã. זאב שטיין · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
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As Colinas de Golã são vitais para Israel por três razões: altura, água e alerta. O planalto se ergue entre 500 e 800 metros sobre a Galileia e o Mar da Galileia. De lá, a Síria bombardeava comunidades israelenses até 1967. No Golã nascem fontes que alimentam o Jordão e o Kinneret. O topo também permite vigiar a Síria. Israel aplica sua lei no Golã desde 1981.

Onde ficam as Colinas de Golã?

As Colinas de Golã ficam no extremo norte de Israel, na divisa com a Síria. O planalto é limitado ao norte pelo monte Hermon, a oeste pelo vale do rio Jordão e ao sul pelo vale do rio Yarmuk.

As medidas variam conforme a fonte:

  • estudos militares israelenses descrevem uma faixa de cerca de 80 km de comprimento e 25 a 30 km de largura;
  • outra descrição histórica israelense fala em cerca de 70 km, do Hermon até o vale do Yarmuk.

O solo é de basalto vulcânico, com colinas que dominam as planícies ao redor. A borda oeste é um paredão íngreme, com 500 a 800 metros de altura média. Ela cai de uma vez sobre o vale de Hula, o Mar da Galileia (Kinneret) e a Galileia.

Qual a importância das Colinas de Golã para Israel?

O Golã é importante porque quem controla o alto do planalto controla o norte de Israel. A segurança israelense na região se apoia em quatro pilares:

  • Topografia defensiva. Do alto do paredão, uma força armada vê e alcança as cidades e os campos da Galileia.
  • Falta de profundidade estratégica. O Sinai oferecia um amplo deserto entre Israel e o Egito. No norte, não há esse espaço de amortecimento.
  • Observação e alerta. As posições no Golã e no Hermon permitem vigiar a fronteira e a planície de Damasco.
  • Água. No planalto e no Hermon estão fontes que alimentam o Jordão e o Kinneret, como se verá abaixo.

O pesquisador israelense Ephraim Kam resume o efeito da guerra de 1967. Antes dela, as tropas sírias no Golã ameaçavam o norte de Israel com invasão em caso de guerra e com fogo de artilharia, que às vezes ocorria de fato. A conquista do planalto eliminou essa ameaça. Também deu a Israel capacidade de dissuasão diante de Damasco.

O primeiro-ministro Menachem Begin defendia que manter áreas como Judeia e Samaria e o Golã era vital para garantir profundidade estratégica a Israel.

Qual o motivo da guerra entre Israel e Síria no Golã?

A guerra no Golã nasceu da ameaça síria contra o norte de Israel. Entre 1948 e 1967, a Síria controlou o planalto.

Nesse período, o exército sírio construiu ali uma rede de bunkers de concreto, trincheiras, campos minados e posições de tanques e artilharia. Historiadores militares israelenses comparam essa linha à "Linha Maginot". Dessas posições, as forças sírias bombardeavam com tanques e artilharia as comunidades agrícolas israelenses nos vales abaixo.

Havia ainda outras ameaças:

  • Ataques terroristas. Um estudo israelense registra disparos na fronteira, incursões em território israelense e colocação de minas por organizações terroristas, com aval do exército sírio.
  • A disputa pela água. Governos vizinhos tentaram desviar as nascentes que alimentam o Jordão, o que gerou graves choques de fronteira.

Em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias, as Forças de Defesa de Israel (FDI) conquistaram a maior parte do planalto. Com a tomada de Banias, Israel passou a controlar uma das fontes importantes do Jordão.

Em 1973, na Guerra do Yom Kippur, a Síria atacou para retomar o Golã. Avançou no início, mas Israel manteve a área conquistada em 1967.

Historiadores ainda debatem o peso exato de cada fator na decisão de 1967. O fato documentado é que o planalto servia de base para atacar civis israelenses.

Quais territórios Israel passou a controlar na Guerra dos Seis Dias?

Na guerra de junho de 1967, Israel passou a controlar, entre outros territórios, a Península do Sinai, Judeia e Samaria, Jerusalém Oriental e a maior parte das Colinas de Golã.

Cada território teve um destino diferente:

  • Sinai. Logo após a guerra, o gabinete israelense admitiu se retirar dele em troca de paz e desmilitarização.
  • Golã. A mesma proposta previa um acordo com a Síria com desmilitarização do Golã e garantia de que o fluxo das águas do Jordão não seria afetado.
  • Jerusalém Oriental e Golã. Israel depois aplicou sua lei aos dois.

Segundo relatório do Congressional Research Service, do Congresso dos EUA, cerca de 100 mil sírios e 13 mil refugiados palestinos deixaram o Golã ou foram deslocados para outras áreas da Síria durante a guerra.

Por que a água do Golã é tão importante para Israel?

A água do Golã é importante porque o planalto e o monte Hermon concentram as nascentes do alto Jordão. Entre elas estão os rios Banias e Snir. Essas águas alimentam o Kinneret (Mar da Galileia), a maior reserva natural de água doce de Israel.

Antes de 1967, as tentativas de desvio dessas nascentes por governos vizinhos ameaçavam o abastecimento israelense. O controle do Golã garantiu a integridade do fluxo hídrico nacional.

Hoje, a companhia estatal de água Mekorot integra as comunidades do Golã ao sistema nacional. Com o projeto do "Aqueduto Reverso", o planalto mantém irrigação e água potável mesmo em secas severas.

A quem pertencem as Colinas de Golã hoje?

Israel controla e administra a maior parte do Golã e aplica ali sua lei desde 1981. Israel e os Estados Unidos tratam o território como israelense. A ONU e a maioria dos países não reconhecem essa soberania e consideram o Golã território sírio.

A Lei das Colinas de Golã (1981). Em 14 de dezembro de 1981, o Knesset aprovou a lei. Ela estendeu ao planalto a legislação, a jurisdição e a administração israelenses. O texto não usa a palavra "anexação". Para Israel, a lei consolidou uma realidade de segurança e de administração.

A Resolução 497 da ONU. O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a Resolução 497. Ela declarou a medida "nula e sem efeito jurídico internacional" e exigiu sua revogação. Israel não revogou a lei.

O reconhecimento dos EUA (2019). Em 25 de março de 2019, o presidente Donald Trump assinou uma proclamação que reconhece a soberania israelense sobre o Golã. A justificativa citou as ameaças vindas da Síria, do Irã e do Hezbollah. A ONU e a maioria dos governos não acompanharam a decisão.

AtorPosição sobre o Golã
IsraelTerritório sob lei israelense desde 1981
Estados UnidosReconhecem a soberania israelense desde 2019
Conselho de Segurança da ONUResolução 497 considera a lei de 1981 nula
SíriaReivindica o território

Quem vive nas Colinas de Golã?

No Golã vivem moradores israelenses e uma comunidade drusa. A maioria dos drusos descende de quem permaneceu após 1967, em localidades como Majdal Shams, Buq'ata, Mas'ade e Ein Qiniyye.

O status dos drusos é este:

  • Desde a lei de 1981, os drusos têm residência permanente e podem pedir a cidadania israelense.
  • Por muito tempo, poucos pediram. A cidadania passou a ser mais aceita com o tempo, sobretudo entre os mais jovens.
  • A comunidade não é homogênea. Há quem se identifique com a Síria, quem adote uma identidade local e quem se veja como israelense.
  • Em 1972, o Ministério da Justiça de Israel criou um tribunal religioso druso em Mas'ade para questões de direito de família.

A economia do planalto também cresceu sob administração israelense. O solo vulcânico, a altitude e o clima mais frio favorecem maçãs e uvas. Vinícolas como a Golan Heights Winery tornaram a região conhecida. O turismo inclui trilhas, reservas naturais, sítios arqueológicos, mirantes, fontes termais e esqui no Hermon.

Alguns governos estrangeiros tratam produtos do Golã de forma diferente dos produtos de Israel, por causa da disputa de soberania.

O que mudou no Golã após a queda de Assad?

Após a queda de Bashar al-Assad, em 8 de dezembro de 2024, as FDI entraram na zona de separação criada pelo acordo de 1974. Também assumiram posições do lado sírio, inclusive na área do monte Hermon, segundo Reuters e AP.

A posição de Israel. O acordo de 1974 criou uma zona monitorada pela força da ONU chamada UNDOF. Com o colapso das forças e das instituições sírias, Israel afirmou que precisava impedir ataques e proteger sua população. Descreveu a operação como defensiva e temporária. Israel também atacou instalações militares sírias, para que o arsenal do regime caído não chegasse a grupos hostis, segundo a AP.

As acusações. A nova liderança síria e a ONU acusam Israel de violar o acordo de separação de forças e pedem a retirada israelense.

A queda de Assad não mudou o status jurídico do Golã. Mudou a situação militar na zona de separação. Também reforçou o argumento israelense: na fronteira norte, a altura e o espaço de amortecimento continuam decidindo a segurança do país.

Linha do tempo

  1. 1948Israel é fundado. A Síria controla o Golã e o fortifica com bunkers e artilharia voltados para Israel.
  2. 1967Na Guerra dos Seis Dias, as FDI conquistam a maior parte do planalto, que era base de bombardeios contra comunidades israelenses.
  3. 1972Israel cria um tribunal religioso druso em Mas'ade.
  4. 1973A Síria ataca na Guerra do Yom Kippur. Israel mantém o Golã.
  5. 1974O acordo de separação de forças cria uma zona monitorada pela UNDOF.
  6. 1981O Knesset aprova a Lei das Colinas de Golã. A Resolução 497 da ONU a declara nula.
  7. 2019Os EUA reconhecem a soberania israelense sobre o Golã.
  8. 2024Assad cai. As FDI entram na zona de separação e assumem posições no Hermon.

Perguntas frequentes

A quem pertencem as Colinas de Golã?
Israel controla a maior parte do Golã desde 1967 e aplica ali sua lei desde 1981. Os Estados Unidos reconheceram a soberania israelense em 2019. A ONU, pela Resolução 497, declarou a lei de 1981 nula, e a maioria dos países considera o território sírio. Israel mantém a lei por razões de segurança.
Por que a Síria bombardeava Israel a partir do Golã?
Entre 1948 e 1967, o exército sírio fortificou o planalto e usou a altura para atacar com tanques e artilharia as comunidades agrícolas israelenses nos vales abaixo. Havia também ações de organizações terroristas na fronteira e disputas pelo desvio das nascentes do Jordão. Esses ataques estão na base da conquista israelense de 1967.
O que é a UNDOF?
A UNDOF é a força da ONU que monitora a zona de separação entre Israel e Síria. A zona foi criada pelo acordo de separação de forças de 1974, depois da Guerra do Yom Kippur. Após a queda de Assad, em 2024, as FDI entraram nessa zona. Israel afirma que a medida é defensiva e temporária.
Por que o Golã é importante para a água de Israel?
O planalto e o monte Hermon concentram nascentes do alto Jordão, como os rios Banias e Snir. Essas águas alimentam o Kinneret, a maior reserva natural de água doce de Israel. Antes de 1967, tentativas de desviar essas nascentes ameaçavam o abastecimento. Hoje a Mekorot integra o Golã à rede nacional.

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