As Colinas de Golã são vitais para Israel por três razões: altura, água e alerta. O planalto se ergue entre 500 e 800 metros sobre a Galileia e o Mar da Galileia. De lá, a Síria bombardeava comunidades israelenses até 1967. No Golã nascem fontes que alimentam o Jordão e o Kinneret. O topo também permite vigiar a Síria. Israel aplica sua lei no Golã desde 1981.
Onde ficam as Colinas de Golã?
As Colinas de Golã ficam no extremo norte de Israel, na divisa com a Síria. O planalto é limitado ao norte pelo monte Hermon, a oeste pelo vale do rio Jordão e ao sul pelo vale do rio Yarmuk.
As medidas variam conforme a fonte:
- estudos militares israelenses descrevem uma faixa de cerca de 80 km de comprimento e 25 a 30 km de largura;
- outra descrição histórica israelense fala em cerca de 70 km, do Hermon até o vale do Yarmuk.
O solo é de basalto vulcânico, com colinas que dominam as planícies ao redor. A borda oeste é um paredão íngreme, com 500 a 800 metros de altura média. Ela cai de uma vez sobre o vale de Hula, o Mar da Galileia (Kinneret) e a Galileia.
Qual a importância das Colinas de Golã para Israel?
O Golã é importante porque quem controla o alto do planalto controla o norte de Israel. A segurança israelense na região se apoia em quatro pilares:
- Topografia defensiva. Do alto do paredão, uma força armada vê e alcança as cidades e os campos da Galileia.
- Falta de profundidade estratégica. O Sinai oferecia um amplo deserto entre Israel e o Egito. No norte, não há esse espaço de amortecimento.
- Observação e alerta. As posições no Golã e no Hermon permitem vigiar a fronteira e a planície de Damasco.
- Água. No planalto e no Hermon estão fontes que alimentam o Jordão e o Kinneret, como se verá abaixo.
O pesquisador israelense Ephraim Kam resume o efeito da guerra de 1967. Antes dela, as tropas sírias no Golã ameaçavam o norte de Israel com invasão em caso de guerra e com fogo de artilharia, que às vezes ocorria de fato. A conquista do planalto eliminou essa ameaça. Também deu a Israel capacidade de dissuasão diante de Damasco.
O primeiro-ministro Menachem Begin defendia que manter áreas como Judeia e Samaria e o Golã era vital para garantir profundidade estratégica a Israel.
Qual o motivo da guerra entre Israel e Síria no Golã?
A guerra no Golã nasceu da ameaça síria contra o norte de Israel. Entre 1948 e 1967, a Síria controlou o planalto.
Nesse período, o exército sírio construiu ali uma rede de bunkers de concreto, trincheiras, campos minados e posições de tanques e artilharia. Historiadores militares israelenses comparam essa linha à "Linha Maginot". Dessas posições, as forças sírias bombardeavam com tanques e artilharia as comunidades agrícolas israelenses nos vales abaixo.
Havia ainda outras ameaças:
- Ataques terroristas. Um estudo israelense registra disparos na fronteira, incursões em território israelense e colocação de minas por organizações terroristas, com aval do exército sírio.
- A disputa pela água. Governos vizinhos tentaram desviar as nascentes que alimentam o Jordão, o que gerou graves choques de fronteira.
Em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias, as Forças de Defesa de Israel (FDI) conquistaram a maior parte do planalto. Com a tomada de Banias, Israel passou a controlar uma das fontes importantes do Jordão.
Em 1973, na Guerra do Yom Kippur, a Síria atacou para retomar o Golã. Avançou no início, mas Israel manteve a área conquistada em 1967.
Historiadores ainda debatem o peso exato de cada fator na decisão de 1967. O fato documentado é que o planalto servia de base para atacar civis israelenses.
Quais territórios Israel passou a controlar na Guerra dos Seis Dias?
Na guerra de junho de 1967, Israel passou a controlar, entre outros territórios, a Península do Sinai, Judeia e Samaria, Jerusalém Oriental e a maior parte das Colinas de Golã.
Cada território teve um destino diferente:
- Sinai. Logo após a guerra, o gabinete israelense admitiu se retirar dele em troca de paz e desmilitarização.
- Golã. A mesma proposta previa um acordo com a Síria com desmilitarização do Golã e garantia de que o fluxo das águas do Jordão não seria afetado.
- Jerusalém Oriental e Golã. Israel depois aplicou sua lei aos dois.
Segundo relatório do Congressional Research Service, do Congresso dos EUA, cerca de 100 mil sírios e 13 mil refugiados palestinos deixaram o Golã ou foram deslocados para outras áreas da Síria durante a guerra.
Por que a água do Golã é tão importante para Israel?
A água do Golã é importante porque o planalto e o monte Hermon concentram as nascentes do alto Jordão. Entre elas estão os rios Banias e Snir. Essas águas alimentam o Kinneret (Mar da Galileia), a maior reserva natural de água doce de Israel.
Antes de 1967, as tentativas de desvio dessas nascentes por governos vizinhos ameaçavam o abastecimento israelense. O controle do Golã garantiu a integridade do fluxo hídrico nacional.
Hoje, a companhia estatal de água Mekorot integra as comunidades do Golã ao sistema nacional. Com o projeto do "Aqueduto Reverso", o planalto mantém irrigação e água potável mesmo em secas severas.
A quem pertencem as Colinas de Golã hoje?
Israel controla e administra a maior parte do Golã e aplica ali sua lei desde 1981. Israel e os Estados Unidos tratam o território como israelense. A ONU e a maioria dos países não reconhecem essa soberania e consideram o Golã território sírio.
A Lei das Colinas de Golã (1981). Em 14 de dezembro de 1981, o Knesset aprovou a lei. Ela estendeu ao planalto a legislação, a jurisdição e a administração israelenses. O texto não usa a palavra "anexação". Para Israel, a lei consolidou uma realidade de segurança e de administração.
A Resolução 497 da ONU. O Conselho de Segurança aprovou por unanimidade a Resolução 497. Ela declarou a medida "nula e sem efeito jurídico internacional" e exigiu sua revogação. Israel não revogou a lei.
O reconhecimento dos EUA (2019). Em 25 de março de 2019, o presidente Donald Trump assinou uma proclamação que reconhece a soberania israelense sobre o Golã. A justificativa citou as ameaças vindas da Síria, do Irã e do Hezbollah. A ONU e a maioria dos governos não acompanharam a decisão.
| Ator | Posição sobre o Golã |
|---|---|
| Israel | Território sob lei israelense desde 1981 |
| Estados Unidos | Reconhecem a soberania israelense desde 2019 |
| Conselho de Segurança da ONU | Resolução 497 considera a lei de 1981 nula |
| Síria | Reivindica o território |
Quem vive nas Colinas de Golã?
No Golã vivem moradores israelenses e uma comunidade drusa. A maioria dos drusos descende de quem permaneceu após 1967, em localidades como Majdal Shams, Buq'ata, Mas'ade e Ein Qiniyye.
O status dos drusos é este:
- Desde a lei de 1981, os drusos têm residência permanente e podem pedir a cidadania israelense.
- Por muito tempo, poucos pediram. A cidadania passou a ser mais aceita com o tempo, sobretudo entre os mais jovens.
- A comunidade não é homogênea. Há quem se identifique com a Síria, quem adote uma identidade local e quem se veja como israelense.
- Em 1972, o Ministério da Justiça de Israel criou um tribunal religioso druso em Mas'ade para questões de direito de família.
A economia do planalto também cresceu sob administração israelense. O solo vulcânico, a altitude e o clima mais frio favorecem maçãs e uvas. Vinícolas como a Golan Heights Winery tornaram a região conhecida. O turismo inclui trilhas, reservas naturais, sítios arqueológicos, mirantes, fontes termais e esqui no Hermon.
Alguns governos estrangeiros tratam produtos do Golã de forma diferente dos produtos de Israel, por causa da disputa de soberania.
O que mudou no Golã após a queda de Assad?
Após a queda de Bashar al-Assad, em 8 de dezembro de 2024, as FDI entraram na zona de separação criada pelo acordo de 1974. Também assumiram posições do lado sírio, inclusive na área do monte Hermon, segundo Reuters e AP.
A posição de Israel. O acordo de 1974 criou uma zona monitorada pela força da ONU chamada UNDOF. Com o colapso das forças e das instituições sírias, Israel afirmou que precisava impedir ataques e proteger sua população. Descreveu a operação como defensiva e temporária. Israel também atacou instalações militares sírias, para que o arsenal do regime caído não chegasse a grupos hostis, segundo a AP.
As acusações. A nova liderança síria e a ONU acusam Israel de violar o acordo de separação de forças e pedem a retirada israelense.
A queda de Assad não mudou o status jurídico do Golã. Mudou a situação militar na zona de separação. Também reforçou o argumento israelense: na fronteira norte, a altura e o espaço de amortecimento continuam decidindo a segurança do país.
Linha do tempo
- 1948Israel é fundado. A Síria controla o Golã e o fortifica com bunkers e artilharia voltados para Israel.
- 1967Na Guerra dos Seis Dias, as FDI conquistam a maior parte do planalto, que era base de bombardeios contra comunidades israelenses.
- 1972Israel cria um tribunal religioso druso em Mas'ade.
- 1973A Síria ataca na Guerra do Yom Kippur. Israel mantém o Golã.
- 1974O acordo de separação de forças cria uma zona monitorada pela UNDOF.
- 1981O Knesset aprova a Lei das Colinas de Golã. A Resolução 497 da ONU a declara nula.
- 2019Os EUA reconhecem a soberania israelense sobre o Golã.
- 2024Assad cai. As FDI entram na zona de separação e assumem posições no Hermon.
Perguntas frequentes
A quem pertencem as Colinas de Golã?
Por que a Síria bombardeava Israel a partir do Golã?
O que é a UNDOF?
Por que o Golã é importante para a água de Israel?
Assista
Um rabino americano conta como liderou missões de boa vontade de judeus à Síria após a queda de Assad e fala sobre o que resta da herança judaica em Damasco. Ele também comenta as chances de aproximação entre Síria e Israel depois do enfraquecimento do Hezbollah e do Irã.
AdultosVídeo curto da FIERJ que explica como funciona o serviço militar obrigatório para mulheres em Israel e destaca a igualdade de gênero conquistada nas Forças de Defesa de Israel. Os dados são de 2013 e podem estar desatualizados.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A guia Aline, em sua casa em Jerusalém, explica a origem bíblica do Shabat, as atividades proibidas e soluções do dia a dia, como a placa térmica e o elevador de Shabat. Depois demonstra o acendimento das velas, o kidush, a lavagem das mãos e a bênção das chalot.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O historiador Haviv Rettig Gur analisa com Noam Weissman o contexto dos Acordos de Oslo, o duplo discurso e o terrorismo de Arafat, o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 e por que a onda de atentados suicidas fez a sociedade israelense deixar de acreditar no processo de paz. Também traça o perfil de Rabin como militar e estadista.
Adultos- Congressional Research Service: Golan Heights e o reconhecimento dos EUA
- American Journal of International Law: Estados Unidos reconhecem a soberania israelense sobre o Golã
- Reuters: como caiu o governo de Assad na Síria (mapas)
- AP: Israel avança sobre a zona de separação síria
- AP: Israel, Síria e a zona de separação no Golã
- AP: a queda de Assad e a reação de Israel

