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A Campanha do Sinai (1956): por que Israel foi à guerra

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Foto: Retirada após a Campanha do Sinai, 1956. Government Press Office · Public domain · Wikimedia Commons
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Israel lançou a Campanha do Sinai (Operação Kadesh) em 29 de outubro de 1956 por quatro motivos. Sofria ataques de fedayin vindos de Gaza e do Sinai. O Egito bloqueava o Estreito de Tiran e o Canal de Suez. Em 1955, o Egito fechou um grande acordo de armas soviéticas via Checoslováquia. E Egito, Síria e Jordânia formaram um comando militar conjunto. Israel agiu em coordenação com França e Reino Unido.

Por que Israel foi à guerra em 1956?

Israel foi à guerra porque enfrentava uma ameaça crescente do Egito de Gamal Abdel Nasser, em várias frentes ao mesmo tempo. O primeiro-ministro David Ben-Gurion e o chefe do Estado-Maior Moshe Dayan trataram a operação como uma guerra preventiva. Os motivos se dividem em quatro eixos:

  • Ataques de fedayin (1954–1956): depois da guerra de 1948, Gaza ficou sob administração egípcia. Dali e do Sinai partiam incursões armadas contra comunidades do sul de Israel. Esses grupos eram comandos organizados e orientados pela inteligência egípcia, como registram fontes israelenses. As retaliações pontuais das Forças de Defesa de Israel (FDI) não conseguiam conter os ataques. Documentos diplomáticos dos EUA registram as operações israelenses contra bases de fedayin em outubro de 1956 (Departamento de Estado dos EUA).
  • Bloqueio da navegação: o Egito fechou o Estreito de Tiran a navios israelenses e a embarcações que levavam carga estratégica a Israel. Isso sufocava o porto de Eilat, a rota de Israel para a Ásia e o leste da África. O Canal de Suez também estava proibido a navios israelenses.
  • Acordo de armas checo-egípcio: em 27 de setembro de 1955, o Egito fechou uma grande compra de armamento soviético por intermédio da Checoslováquia. O pacote incluía caças a jato, bombardeiros, tanques e artilharia pesada. Jerusalém avaliou que, depois de assimilar esse arsenal, o exército egípcio seria uma ameaça sem precedentes.
  • Cerco militar: o Egito criou um comando militar conjunto com a Síria e a Jordânia. A narrativa oficial israelense liga diretamente a decisão de ir à guerra a essa aliança, formada em outubro de 1956 (Governo de Israel).

O que foi a Guerra de Suez?

A Guerra de Suez, ou Crise de Suez, reuniu três acontecimentos ligados entre si, mas distintos:

  • a nacionalização do Canal de Suez pelo Egito;
  • a guerra entre Israel e Egito no Sinai;
  • a intervenção anglo-francesa contra o Egito.

Em 26 de julho de 1956, Nasser nacionalizou a companhia que administrava o canal. França e Reino Unido se opuseram à medida (ONU). A França também acusava o Egito de armar a rebelião na Argélia.

Entre 22 e 24 de outubro de 1956, líderes de Israel (Ben-Gurion, Dayan e Shimon Peres), da França (Guy Mollet e Christian Pineau) e do Reino Unido se reuniram em segredo em Sèvres, na França, e assinaram o Protocolo de Sèvres. O plano previa três passos:

  • Israel atacaria o Sinai em 29 de outubro;
  • Londres e Paris dariam um ultimato para que as duas partes recuassem da zona do canal;
  • diante da recusa esperada de Nasser, as duas potências ocupariam a zona do canal.

Para Israel, a aliança servia a objetivos próprios de segurança: acabar com as bases de fedayin e reabrir Tiran. Para britânicos e franceses, o centro da questão era o canal.

Como foi a campanha militar no Sinai?

A campanha foi rápida e atingiu os objetivos militares de Israel. Em 28 de outubro de 1956, véspera da ofensiva, o Estado-Maior das FDI emitiu a ordem de planejamento Kadesh 2, com três metas:

1. criar uma ameaça militar direta sobre a zona do Canal de Suez; 2. capturar o Estreito de Tiran, na região de Sharm el-Sheikh, para reabrir a navegação israelense no Golfo de Áqaba; 3. destruir as posições militares egípcias no norte do Sinai e desmantelar as bases dos fedayin.

Em 29 de outubro, Israel avançou pelo Sinai. Logo depois, forças britânicas e francesas desembarcaram em Port Said (ONU Web TV). As FDI capturaram a Faixa de Gaza e a Península do Sinai e pararam a cerca de 16 km a leste do canal (Governo de Israel).

As estimativas sobre a duração variam. A formulação oficial israelense fala em cerca de oito dias. Os historiadores israelenses Sarit e Tal Misgav escrevem que a campanha durou seis dias.

Por que Israel se retirou do Sinai e o que foi a UNEF?

Israel se retirou sob pressão diplomática, sobretudo dos Estados Unidos e da ONU. Em troca, obteve uma força internacional nas áreas estratégicas e garantias sobre a navegação.

  • A retirada britânica e francesa da zona do canal terminou em dezembro de 1956.
  • Israel saiu em etapas entre dezembro de 1956 e março de 1957 e concluiu a retirada do Sinai em 8 de março de 1957 (Missões de paz da ONU).

A UNEF I foi a primeira força de manutenção da paz da ONU. Ela supervisionou a retirada, acompanhou o cessar-fogo e serviu de força-tampão entre Egito e Israel. Ficou do lado egípcio da linha de armistício: em Gaza, na fronteira entre o Sinai e Israel e em Sharm el-Sheikh (Arquivos da ONU).

Com a UNEF em Sharm el-Sheikh, a navegação pelo Estreito de Tiran deixou de sofrer interferência a partir de março de 1957 (ONU). Foi um ganho estratégico real para Israel e para o porto de Eilat. Havia, porém, um limite: as garantias não se transformaram em um tratado definitivo entre Egito e Israel.

Israel foi o agressor em 1956?

Israel disparou primeiro em 1956, mas primeiro disparo não é a mesma coisa que causa da guerra. O Egito acusa Israel, França e Reino Unido de uma invasão coordenada contra sua soberania. Para Cairo, a nacionalização do canal era uma decisão soberana.

A resposta israelense parte dos fatos que vieram antes de 29 de outubro:

  • anos de ataques de fedayin a partir de Gaza e do Sinai, documentados em registros diplomáticos;
  • o bloqueio de Tiran e a proibição de navios israelenses em Suez;
  • um arsenal soviético que rompia o equilíbrio militar;
  • um comando militar conjunto de três vizinhos hostis.

Os historiadores discutem o peso de cada fator. Uma parte pergunta se os fedayin foram a causa principal ou também uma justificativa pública para uma operação mais ampla. Outra discute se Tiran sofria um bloqueio efetivo ou uma ameaça de bloqueio. A justificativa anglo-francesa de "separar os combatentes" é a mais contestada, porque a ação foi combinada em segredo. Nenhuma dessas discussões apaga o problema de segurança que Israel vivia.

Quais foram as principais guerras de Israel e os conflitos entre judeus e árabes?

Israel lutou várias guerras desde sua independência. A ideia de que "Israel começou todas as guerras" é falsa. Veja as principais:

AnoConflitoComo começou
1948Guerra de IndependênciaA liderança árabe rejeitou a Resolução 181 da ONU (29 de novembro de 1947). Depois da independência, em 14 de maio de 1948, Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram Israel
1956Campanha do SinaiIsrael agiu primeiro, diante dos fedayin e do bloqueio de Tiran e Suez
1967Guerra dos Seis DiasIsrael atacou em 5 de junho, depois que o Egito expulsou a UNEF e fechou Tiran
1969–1970Guerra de AtritoIniciada pelo Egito, segundo o INSS
1973Guerra do Yom KippurEgito e Síria atacaram de surpresa em 6 de outubro
1982LíbanoIsrael entrou no Líbano contra as bases da OLP que atacavam o norte de Israel
2023Guerra contra o HamasO grupo terrorista Hamas atacou Israel em 7 de outubro e sequestrou reféns

O Egito foi o adversário central de Israel em 1948, 1956, 1967, na Guerra de Atrito e em 1973. As FDI mantêm um panorama das guerras e operações, e o arquivo do Ministério da Defesa reúne documentos da campanha de 1956.

Como a campanha de 1956 levou à crise de 1967?

O arranjo criado em 1957 dependia da vontade do Egito, e Nasser o desfez dez anos depois. A UNEF estava no Sinai com o consentimento egípcio e não tinha mandato para permanecer contra a vontade do Cairo.

Em maio de 1967, Nasser pediu a retirada da força, e a UNEF deixou a região (Arquivos da ONU). Em 22 e 23 de maio, o Egito fechou de novo o Estreito de Tiran e concentrou tropas no Sinai. Ou seja, voltou a romper exatamente a garantia de navegação que levara Israel a se retirar em 1957. Essa crise desembocou na Guerra dos Seis Dias (Departamento de Estado dos EUA).

Linha do tempo

  1. 1954–1956Ataques de fedayin a partir de Gaza e do Sinai contra o sul de Israel.
  2. 1955Em 27 de setembro, o Egito fecha o acordo de armas soviéticas via Checoslováquia.
  3. 1956Em 26 de julho, Nasser nacionaliza a Companhia do Canal de Suez.
  4. 1956De 22 a 24 de outubro, Israel, França e Reino Unido assinam o Protocolo de Sèvres.
  5. 1956Em 28 de outubro, as FDI emitem a ordem Kadesh 2. Em 29 de outubro, Israel entra no Sinai.
  6. 1956Em dezembro, termina a retirada britânica e francesa da zona do canal.
  7. 1957Em 8 de março, Israel conclui a retirada do Sinai. A UNEF se instala em Gaza, na fronteira e em Sharm el-Sheikh.
  8. 1967Em maio, Nasser exige a saída da UNEF e fecha Tiran, abrindo a crise que leva à Guerra dos Seis Dias.

Perguntas frequentes

O que foi a Guerra de Suez?
A Guerra de Suez foi a crise de 1956 que começou com a nacionalização do Canal de Suez pelo Egito, em 26 de julho. Em 29 de outubro, Israel entrou no Sinai para acabar com as bases de fedayin e reabrir o Estreito de Tiran. Em seguida, França e Reino Unido intervieram na zona do canal. Todos se retiraram até março de 1957, e a ONU enviou a UNEF.
Quais foram todas as guerras em que Israel participou?
As principais foram a Guerra de Independência (1948), a Campanha do Sinai (1956), a Guerra dos Seis Dias (1967), a Guerra de Atrito (1969–1970), a Guerra do Yom Kippur (1973), a Guerra do Líbano (1982) e a guerra iniciada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Em 1948 e 1973, Israel foi atacado, assim como no ataque do Hamas que abriu a guerra atual. O Egito iniciou a Guerra de Atrito.
O que foi o Protocolo de Sèvres?
Foi o acordo secreto assinado entre 22 e 24 de outubro de 1956 por líderes de Israel, França e Reino Unido em Sèvres, na França. Pelo plano, Israel atacaria o Sinai em 29 de outubro. Londres e Paris então dariam um ultimato para as partes recuarem do canal. Com a recusa egípcia esperada, as duas potências interviriam para ocupar a zona do Canal de Suez.
O que foi a UNEF?
A UNEF I foi a primeira força de manutenção da paz da ONU, criada depois da crise de 1956. Ela supervisionou a retirada das tropas, acompanhou o cessar-fogo e serviu de força-tampão entre Egito e Israel, inclusive em Gaza e em Sharm el-Sheikh. Dependia do consentimento egípcio. Em maio de 1967, Nasser exigiu sua saída, o que abriu a crise da Guerra dos Seis Dias.

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