JJOJuventude JudaicaOrganizada
Bill Clinton, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat na Casa Branca, 13/09/1993
Início › Fatos › Os Acordos de Oslo: o que foi prometido e por que fracassaram
Fatos, com fonte

Os Acordos de Oslo: o que foi prometido e por que fracassaram

Leitura: 7 minFontes: 6
Foto: Bill Clinton, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat na Casa Branca, 13/09/1993. Vince Musi / The White House · Public domain · Wikimedia Commons
🎧 Ouça esta página · 12 minA página inteira em áudio, para ouvir no caminho. Narração com vozes sintéticas.
Enviar por WhatsApp
Nesta página
Resposta curta

Os Acordos de Oslo (1993–1995) foram acordos interinos entre Israel e a OLP, não um tratado de paz final. A OLP reconheceu o direito de Israel existir e renunciou ao terrorismo. Israel reconheceu a OLP, e criou-se a Autoridade Palestina. O processo fracassou porque Hamas e Jihad Islâmica lançaram atentados suicidas, Rabin foi assassinado, a cúpula de Camp David (2000) falhou e veio a Segunda Intifada.

O que foi decidido no acordo de Oslo?

Em Oslo, Israel e a OLP trocaram reconhecimento mútuo e criaram um autogoverno palestino provisório. As questões mais difíceis ficaram para depois.

O processo começou com as Cartas de Reconhecimento Mútuo, trocadas em 9 de setembro de 1993 entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o presidente da OLP, Yasser Arafat. Segundo o Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA, os compromissos foram estes:

  • A OLP reconheceu o direito do Estado de Israel de existir em paz e segurança. Também renunciou ao terrorismo e à violência e se comprometeu a alterar os trechos do seu estatuto que pregavam a destruição de Israel.
  • Israel reconheceu a OLP como representante do povo palestino e parceira nas negociações.

Em 13 de setembro de 1993, as duas partes assinaram em Washington a Declaração de Princípios sobre Arranjos de Autogoverno Interino, conhecida como Oslo I. Ela previa:

  • um período de transição de até cinco anos;
  • a criação de um órgão palestino de autogoverno, que se tornou a Autoridade Palestina (AP);
  • eleições para um Conselho Legislativo Palestino;
  • uma retirada inicial das forças israelenses da Faixa de Gaza e de Jericó. Essa retirada foi concretizada pelo Acordo do Cairo, em maio de 1994.

O processo tomou como base as Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU. Os temas mais complexos foram adiados de propósito para as negociações de status permanente: Jerusalém, refugiados, assentamentos, segurança e fronteiras.

Oslo foi um tratado de paz entre Israel e os palestinos?

Não. Oslo foi um processo interino, não um tratado de paz definitivo. Era um plano em etapas, pensado para construir confiança e preparar um acordo final.

A Autoridade Palestina não nasceu como Estado soberano. Era uma administração provisória, com poderes limitados de território e de função. O status final das áreas em disputa continuaria sujeito a negociação.

O texto usou a chamada "ambiguidade construtiva": deixou decisões cruciais em aberto e não garantiu um resultado específico. Essa indefinição permitiu que cada lado mantivesse sua própria leitura sobre o objetivo final do processo. Para Israel, o ponto central era claro: qualquer avanço dependia do fim do terrorismo e da segurança dos seus cidadãos, compromisso que a OLP assumiu por escrito em 1993.

O que são as Áreas A, B e C de Judeia e Samaria?

As Áreas A, B e C são a divisão administrativa e de segurança de Judeia e Samaria criada pelo Oslo II, em 1995. O Acordo Interino Israelense-Palestino, assinado em 28 de setembro de 1995, detalhou a transferência gradual de responsabilidades à Autoridade Palestina.

ÁreaO que abrangeAdministração civilSegurança
APrincipais centros urbanos palestinosAutoridade PalestinaAutoridade Palestina
BVilas e zonas rurais palestinasAutoridade PalestinaPredominantemente israelense, com coordenação
CComunidades israelenses, zonas militares e áreas estratégicas e não povoadasIsraelIsrael

A Área C corresponde a cerca de 60% do território, segundo as estimativas mais usadas. A divisão foi apresentada como temporária. O acordo previa a transferência gradual de partes da Área C à jurisdição da Autoridade Palestina ao longo da transição.

Um ponto costuma ser omitido: a presença israelense na Área C, incluindo as comunidades israelenses, foi pactuada e assinada pela própria OLP como parte do arranjo interino. O futuro dos assentamentos ficou deliberadamente reservado para a negociação final.

Por que os Acordos de Oslo fracassaram?

Oslo fracassou porque o terrorismo destruiu a confiança dos israelenses e porque as negociações finais nunca chegaram a um acordo. Houve várias causas. A principal, do ponto de vista israelense, foi a violência de quem rejeitava o reconhecimento de Israel.

1. A campanha de atentados suicidas. Depois de Oslo, grupos que rejeitavam o processo, sobretudo o Hamas e a Jihad Islâmica, realizaram atentados suicidas e outros ataques contra civis e militares israelenses, inclusive em cidades de Israel. Segundo a Deutsche Welle e o governo da Noruega, que patrocinou as negociações, esses ataques mataram e feriram centenas de israelenses. Também minaram a confiança pública no processo. Esses grupos se opunham abertamente ao reconhecimento de Israel e ao processo de negociação.

2. Incitação e falta de controle da liderança palestina. Na leitura israelense, a incitação e a incapacidade da liderança palestina de impedir os ataques esvaziaram o compromisso de 1993 de renunciar ao terrorismo.

3. Atos de extremistas judeus, condenados por Israel. O massacre de fiéis muçulmanos em Hebron, cometido por Baruch Goldstein em 1994, e o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 abalaram o processo. Israel condenou esses atos, e o assassino de Rabin foi julgado e condenado.

4. O colapso das negociações finais. A cúpula de Camp David, em 2000, terminou sem acordo. Logo depois começou a Segunda Intifada.

O que alega o outro lado. A liderança palestina e críticos de Israel atribuem o fracasso principalmente à expansão dos assentamentos, às estradas de contorno e aos postos de controle, que teriam fragmentado as Áreas A e B. Alguns críticos também acusam a mediação dos EUA de favorecer as exigências de segurança de Israel. A resposta israelense parte dos próprios acordos: os assentamentos eram tema expressamente adiado para o status final. As medidas de segurança, por sua vez, responderam a uma onda real de atentados contra civis.

Qual foi o impacto do assassinato de Yitzhak Rabin?

O assassinato de Rabin não anulou os acordos, mas mudou profundamente a política israelense. Em 4 de novembro de 1995, Yitzhak Rabin foi morto em Tel Aviv por Yigal Amir, um extremista judeu israelense contrário a Oslo. O crime aconteceu depois de um comício a favor do processo de paz.

Amir foi condenado e cumpre prisão perpétua. As conclusões judiciais aceitas apontam motivação política e ideológica. Não confirmam teorias de conspiração mais ampla.

Shimon Peres assumiu o governo, mas perdeu a eleição de 1996 para Benjamin Netanyahu, cuja coalizão era mais crítica a Oslo. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, essa mudança contribuiu para desacelerar e reorientar a implementação dos acordos.

O que aconteceu em Camp David e na Segunda Intifada?

Em 2000, a tentativa de fechar um acordo final fracassou, e a Segunda Intifada encerrou na prática o processo de Oslo.

  • Julho de 2000, Camp David: o presidente americano Bill Clinton reuniu o primeiro-ministro israelense Ehud Barak e Yasser Arafat para buscar um acordo definitivo. A cúpula terminou sem acordo. As divergências foram a soberania sobre Jerusalém, em especial o Monte do Templo, o chamado "direito de retorno" dos refugiados e os percentuais de território.
  • Setembro de 2000: depois da visita do então líder da oposição Ariel Sharon ao Monte do Templo, começou a Segunda Intifada. A onda de confrontos e ataques que se seguiu enterrou, na prática, a viabilidade política de Oslo.
  • Janeiro de 2001, Taba: novas conversas também não se converteram em tratado formal.

Do ponto de vista israelense, o essencial é este: Israel sentou-se à mesa para negociar justamente os temas finais, inclusive Jerusalém. O fim das negociações veio acompanhado de uma escalada de violência, e não de uma contraproposta que levasse a um acordo.

Por que Oslo não levou à criação de um Estado palestino?

Oslo não gerou um Estado palestino porque as negociações finais fracassaram, e não porque Israel tenha se recusado a negociar. Israel reconheceu a OLP em 1993, transferiu poderes civis e de segurança à Autoridade Palestina e participou das negociações de Camp David e de Taba.

Os próprios acordos nunca garantiram de antemão um Estado soberano. Eles adiaram as questões centrais para um acordo de status permanente que nunca foi concluído. Para Israel, a segurança dos seus cidadãos era condição indispensável. Os atentados do Hamas e da Jihad Islâmica e a Segunda Intifada mostraram aos israelenses o risco de entregar território sem garantias.

A situação piorou depois que o Hamas tomou Gaza em 2007. O grupo terrorista rejeita o reconhecimento de Israel, e a divisão entre a Autoridade Palestina e o Hamas tornou mais difícil qualquer acordo abrangente. Um ponto merece clareza: negar o direito de Israel existir, como faz o Hamas, é antissemitismo segundo a definição da IHRA, adotada pela JJO.

O que resta dos Acordos de Oslo hoje?

Hoje, Oslo sobrevive como um arranjo interino prolongado, sem acordo final. A Autoridade Palestina continua existindo e administra partes das Áreas A e B, mas sem soberania estatal plena. Israel mantém o controle da Área C.

A divisão A/B/C continua sendo a referência administrativa em Judeia e Samaria. Na prática, porém, ela mudou com operações militares, com a coordenação de segurança e com novas decisões políticas.

A guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 agravou a ruptura política, militar e humanitária. Também tornou a arquitetura de Oslo ainda mais contestada.

Há ainda um debate sobre o futuro da Área C. Críticos de Israel alegam que medidas recentes de administração e de registro de terras aprofundariam a integração do território a Israel. O governo israelense afirma tratar-se de medidas administrativas e de segurança, dentro da autoridade que Israel já exerce pelos próprios acordos.

Linha do tempo

  1. 19939 de setembro: Rabin e Arafat trocam as Cartas de Reconhecimento Mútuo. A OLP reconhece o direito de Israel existir e renuncia ao terrorismo.
  2. 199313 de setembro: assinatura da Declaração de Princípios (Oslo I) em Washington.
  3. 1994Massacre de fiéis muçulmanos em Hebron por Baruch Goldstein. Em maio, o Acordo do Cairo concretiza a retirada israelense de Gaza e Jericó.
  4. 199528 de setembro: Oslo II divide Judeia e Samaria em Áreas A, B e C.
  5. 19954 de novembro: Yitzhak Rabin é assassinado em Tel Aviv pelo extremista Yigal Amir.
  6. 1996Shimon Peres perde a eleição para Benjamin Netanyahu.
  7. 2000Julho: a cúpula de Camp David termina sem acordo. Setembro: começa a Segunda Intifada.
  8. 2001Janeiro: as conversas de Taba não resultam em tratado.
  9. 2007O Hamas toma a Faixa de Gaza.
  10. 20237 de outubro: ataque terrorista do Hamas a Israel e início da guerra.

Perguntas frequentes

O que foi decidido no acordo de Oslo?
Israel e a OLP trocaram reconhecimento mútuo em setembro de 1993. A OLP reconheceu o direito de Israel existir em paz e segurança e renunciou ao terrorismo. Israel reconheceu a OLP como representante do povo palestino. Criou-se a Autoridade Palestina, com autogoverno provisório de até cinco anos. Jerusalém, refugiados, assentamentos, segurança e fronteiras ficaram para negociações finais.
Os Acordos de Oslo criaram um Estado palestino?
Não. Oslo criou a Autoridade Palestina, uma administração provisória com poderes limitados, e não um Estado soberano. O Estado dependeria de um acordo de status permanente que nunca foi concluído. A cúpula de Camp David, em 2000, e as conversas de Taba, em 2001, terminaram sem tratado. Depois vieram a Segunda Intifada e, em 2007, a tomada de Gaza pelo Hamas.
Quem matou Yitzhak Rabin e por quê?
Yitzhak Rabin foi assassinado em 4 de novembro de 1995, em Tel Aviv, por Yigal Amir, um extremista judeu israelense contrário aos Acordos de Oslo. O crime aconteceu depois de um comício a favor da paz. Amir foi condenado e cumpre prisão perpétua. Shimon Peres assumiu o governo e perdeu a eleição de 1996 para Benjamin Netanyahu.
Qual o papel do Hamas no fracasso de Oslo?
O Hamas e a Jihad Islâmica rejeitavam o reconhecimento de Israel e lançaram uma campanha de atentados suicidas contra civis israelenses depois de 1993. Segundo a Deutsche Welle e o governo da Noruega, os ataques mataram e feriram centenas de israelenses e destruíram a confiança pública no processo. O objetivo desses grupos era justamente inviabilizar a negociação.

Assista

Judeus Etíopes: O Êxodo Secreto pelas Operações Moisés e Salomão.Desempacotando

Vídeo animado que conta a história dos Beta Israel, os judeus etíopes: suas tradições de judaísmo bíblico, o reconhecimento rabínico, as Operações Moisés (1984) e Salomão (1991) e os desafios e avanços de sua integração na sociedade israelense.

Adolescentes e adultos
THE DAY ISRAEL AVOIDED CIVIL WAR - Levante S04#31StandWithUs Brasil

Episódio do podcast Levante, da StandWithUs Brasil, que explica o caso do navio Altalena em 1948 e a decisão de Ben-Gurion de impor o monopólio da força ao novo Estado, destacando que Menachem Begin evitou uma guerra civil. Também comenta as sanções contra o regime do Irã e o antissemitismo na política americana.

Adultos
Também em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema

Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).

European Antisemitism from Its Origins to the HolocaustUnited States Holocaust Memorial Museum · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Documentário do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos que traça a história do antissemitismo europeu, desde a acusação de deicídio e os libelos medievais até os Protocolos dos Sábios de Sião, o antissemitismo racial e o Holocausto. Excelente introdução para entender como mentiras repetidas por séculos prepararam o genocídio de seis milhões de judeus.

Adolescentes e adultos
Antisemitism and the Middle AgesYad Vashem · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Aula do Yad Vashem que mostra como, na Europa cristã medieval, a ambivalência herdada de Agostinho virou hostilidade aberta, com cruzadas, libelo de sangue, acusação de envenenar poços e expulsões em massa. Explica a origem de estereótipos antissemitas que sobrevivem até hoje.

Adultos

Todos os vídeos por tema →

Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.