Os Acordos de Oslo (1993–1995) foram acordos interinos entre Israel e a OLP, não um tratado de paz final. A OLP reconheceu o direito de Israel existir e renunciou ao terrorismo. Israel reconheceu a OLP, e criou-se a Autoridade Palestina. O processo fracassou porque Hamas e Jihad Islâmica lançaram atentados suicidas, Rabin foi assassinado, a cúpula de Camp David (2000) falhou e veio a Segunda Intifada.
O que foi decidido no acordo de Oslo?
Em Oslo, Israel e a OLP trocaram reconhecimento mútuo e criaram um autogoverno palestino provisório. As questões mais difíceis ficaram para depois.
O processo começou com as Cartas de Reconhecimento Mútuo, trocadas em 9 de setembro de 1993 entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o presidente da OLP, Yasser Arafat. Segundo o Escritório do Historiador do Departamento de Estado dos EUA, os compromissos foram estes:
- A OLP reconheceu o direito do Estado de Israel de existir em paz e segurança. Também renunciou ao terrorismo e à violência e se comprometeu a alterar os trechos do seu estatuto que pregavam a destruição de Israel.
- Israel reconheceu a OLP como representante do povo palestino e parceira nas negociações.
Em 13 de setembro de 1993, as duas partes assinaram em Washington a Declaração de Princípios sobre Arranjos de Autogoverno Interino, conhecida como Oslo I. Ela previa:
- um período de transição de até cinco anos;
- a criação de um órgão palestino de autogoverno, que se tornou a Autoridade Palestina (AP);
- eleições para um Conselho Legislativo Palestino;
- uma retirada inicial das forças israelenses da Faixa de Gaza e de Jericó. Essa retirada foi concretizada pelo Acordo do Cairo, em maio de 1994.
O processo tomou como base as Resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU. Os temas mais complexos foram adiados de propósito para as negociações de status permanente: Jerusalém, refugiados, assentamentos, segurança e fronteiras.
Oslo foi um tratado de paz entre Israel e os palestinos?
Não. Oslo foi um processo interino, não um tratado de paz definitivo. Era um plano em etapas, pensado para construir confiança e preparar um acordo final.
A Autoridade Palestina não nasceu como Estado soberano. Era uma administração provisória, com poderes limitados de território e de função. O status final das áreas em disputa continuaria sujeito a negociação.
O texto usou a chamada "ambiguidade construtiva": deixou decisões cruciais em aberto e não garantiu um resultado específico. Essa indefinição permitiu que cada lado mantivesse sua própria leitura sobre o objetivo final do processo. Para Israel, o ponto central era claro: qualquer avanço dependia do fim do terrorismo e da segurança dos seus cidadãos, compromisso que a OLP assumiu por escrito em 1993.
O que são as Áreas A, B e C de Judeia e Samaria?
As Áreas A, B e C são a divisão administrativa e de segurança de Judeia e Samaria criada pelo Oslo II, em 1995. O Acordo Interino Israelense-Palestino, assinado em 28 de setembro de 1995, detalhou a transferência gradual de responsabilidades à Autoridade Palestina.
| Área | O que abrange | Administração civil | Segurança |
|---|---|---|---|
| A | Principais centros urbanos palestinos | Autoridade Palestina | Autoridade Palestina |
| B | Vilas e zonas rurais palestinas | Autoridade Palestina | Predominantemente israelense, com coordenação |
| C | Comunidades israelenses, zonas militares e áreas estratégicas e não povoadas | Israel | Israel |
A Área C corresponde a cerca de 60% do território, segundo as estimativas mais usadas. A divisão foi apresentada como temporária. O acordo previa a transferência gradual de partes da Área C à jurisdição da Autoridade Palestina ao longo da transição.
Um ponto costuma ser omitido: a presença israelense na Área C, incluindo as comunidades israelenses, foi pactuada e assinada pela própria OLP como parte do arranjo interino. O futuro dos assentamentos ficou deliberadamente reservado para a negociação final.
Por que os Acordos de Oslo fracassaram?
Oslo fracassou porque o terrorismo destruiu a confiança dos israelenses e porque as negociações finais nunca chegaram a um acordo. Houve várias causas. A principal, do ponto de vista israelense, foi a violência de quem rejeitava o reconhecimento de Israel.
1. A campanha de atentados suicidas. Depois de Oslo, grupos que rejeitavam o processo, sobretudo o Hamas e a Jihad Islâmica, realizaram atentados suicidas e outros ataques contra civis e militares israelenses, inclusive em cidades de Israel. Segundo a Deutsche Welle e o governo da Noruega, que patrocinou as negociações, esses ataques mataram e feriram centenas de israelenses. Também minaram a confiança pública no processo. Esses grupos se opunham abertamente ao reconhecimento de Israel e ao processo de negociação.
2. Incitação e falta de controle da liderança palestina. Na leitura israelense, a incitação e a incapacidade da liderança palestina de impedir os ataques esvaziaram o compromisso de 1993 de renunciar ao terrorismo.
3. Atos de extremistas judeus, condenados por Israel. O massacre de fiéis muçulmanos em Hebron, cometido por Baruch Goldstein em 1994, e o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 abalaram o processo. Israel condenou esses atos, e o assassino de Rabin foi julgado e condenado.
4. O colapso das negociações finais. A cúpula de Camp David, em 2000, terminou sem acordo. Logo depois começou a Segunda Intifada.
O que alega o outro lado. A liderança palestina e críticos de Israel atribuem o fracasso principalmente à expansão dos assentamentos, às estradas de contorno e aos postos de controle, que teriam fragmentado as Áreas A e B. Alguns críticos também acusam a mediação dos EUA de favorecer as exigências de segurança de Israel. A resposta israelense parte dos próprios acordos: os assentamentos eram tema expressamente adiado para o status final. As medidas de segurança, por sua vez, responderam a uma onda real de atentados contra civis.
Qual foi o impacto do assassinato de Yitzhak Rabin?
O assassinato de Rabin não anulou os acordos, mas mudou profundamente a política israelense. Em 4 de novembro de 1995, Yitzhak Rabin foi morto em Tel Aviv por Yigal Amir, um extremista judeu israelense contrário a Oslo. O crime aconteceu depois de um comício a favor do processo de paz.
Amir foi condenado e cumpre prisão perpétua. As conclusões judiciais aceitas apontam motivação política e ideológica. Não confirmam teorias de conspiração mais ampla.
Shimon Peres assumiu o governo, mas perdeu a eleição de 1996 para Benjamin Netanyahu, cuja coalizão era mais crítica a Oslo. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, essa mudança contribuiu para desacelerar e reorientar a implementação dos acordos.
O que aconteceu em Camp David e na Segunda Intifada?
Em 2000, a tentativa de fechar um acordo final fracassou, e a Segunda Intifada encerrou na prática o processo de Oslo.
- Julho de 2000, Camp David: o presidente americano Bill Clinton reuniu o primeiro-ministro israelense Ehud Barak e Yasser Arafat para buscar um acordo definitivo. A cúpula terminou sem acordo. As divergências foram a soberania sobre Jerusalém, em especial o Monte do Templo, o chamado "direito de retorno" dos refugiados e os percentuais de território.
- Setembro de 2000: depois da visita do então líder da oposição Ariel Sharon ao Monte do Templo, começou a Segunda Intifada. A onda de confrontos e ataques que se seguiu enterrou, na prática, a viabilidade política de Oslo.
- Janeiro de 2001, Taba: novas conversas também não se converteram em tratado formal.
Do ponto de vista israelense, o essencial é este: Israel sentou-se à mesa para negociar justamente os temas finais, inclusive Jerusalém. O fim das negociações veio acompanhado de uma escalada de violência, e não de uma contraproposta que levasse a um acordo.
Por que Oslo não levou à criação de um Estado palestino?
Oslo não gerou um Estado palestino porque as negociações finais fracassaram, e não porque Israel tenha se recusado a negociar. Israel reconheceu a OLP em 1993, transferiu poderes civis e de segurança à Autoridade Palestina e participou das negociações de Camp David e de Taba.
Os próprios acordos nunca garantiram de antemão um Estado soberano. Eles adiaram as questões centrais para um acordo de status permanente que nunca foi concluído. Para Israel, a segurança dos seus cidadãos era condição indispensável. Os atentados do Hamas e da Jihad Islâmica e a Segunda Intifada mostraram aos israelenses o risco de entregar território sem garantias.
A situação piorou depois que o Hamas tomou Gaza em 2007. O grupo terrorista rejeita o reconhecimento de Israel, e a divisão entre a Autoridade Palestina e o Hamas tornou mais difícil qualquer acordo abrangente. Um ponto merece clareza: negar o direito de Israel existir, como faz o Hamas, é antissemitismo segundo a definição da IHRA, adotada pela JJO.
O que resta dos Acordos de Oslo hoje?
Hoje, Oslo sobrevive como um arranjo interino prolongado, sem acordo final. A Autoridade Palestina continua existindo e administra partes das Áreas A e B, mas sem soberania estatal plena. Israel mantém o controle da Área C.
A divisão A/B/C continua sendo a referência administrativa em Judeia e Samaria. Na prática, porém, ela mudou com operações militares, com a coordenação de segurança e com novas decisões políticas.
A guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 agravou a ruptura política, militar e humanitária. Também tornou a arquitetura de Oslo ainda mais contestada.
Há ainda um debate sobre o futuro da Área C. Críticos de Israel alegam que medidas recentes de administração e de registro de terras aprofundariam a integração do território a Israel. O governo israelense afirma tratar-se de medidas administrativas e de segurança, dentro da autoridade que Israel já exerce pelos próprios acordos.
Linha do tempo
- 19939 de setembro: Rabin e Arafat trocam as Cartas de Reconhecimento Mútuo. A OLP reconhece o direito de Israel existir e renuncia ao terrorismo.
- 199313 de setembro: assinatura da Declaração de Princípios (Oslo I) em Washington.
- 1994Massacre de fiéis muçulmanos em Hebron por Baruch Goldstein. Em maio, o Acordo do Cairo concretiza a retirada israelense de Gaza e Jericó.
- 199528 de setembro: Oslo II divide Judeia e Samaria em Áreas A, B e C.
- 19954 de novembro: Yitzhak Rabin é assassinado em Tel Aviv pelo extremista Yigal Amir.
- 1996Shimon Peres perde a eleição para Benjamin Netanyahu.
- 2000Julho: a cúpula de Camp David termina sem acordo. Setembro: começa a Segunda Intifada.
- 2001Janeiro: as conversas de Taba não resultam em tratado.
- 2007O Hamas toma a Faixa de Gaza.
- 20237 de outubro: ataque terrorista do Hamas a Israel e início da guerra.
Perguntas frequentes
O que foi decidido no acordo de Oslo?
Os Acordos de Oslo criaram um Estado palestino?
Quem matou Yitzhak Rabin e por quê?
Qual o papel do Hamas no fracasso de Oslo?
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Adultos- The Oslo Accords and the Arab-Israeli Peace Process — Office of the Historian, Departamento de Estado dos EUA
- The Securitization of the Bi-National State: The Oslo Accords 1993–1995 — INSS
- The Oslo Accords — Ynet
- Israeli-Palestinian Oslo Accords leave a complicated legacy — Deutsche Welle
- Oslo Accords — Encyclopaedia Britannica
- Address to the Storting on the situation in the Middle East — Governo da Noruega

