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Documento · 1923

A Muralha de Ferro, de Ze'ev Jabotinsky

"Sobre a muralha de ferro" é um artigo de Ze'ev Jabotinsky, escrito em russo em 1923. Nele, o autor sustenta que os árabes palestinos não aceitariam voluntariamente uma maioria judaica no país. Por isso, a imigração judaica só poderia avançar sob a proteção de uma força que eles não conseguissem romper, a "muralha de ferro". Só depois disso, afirma, viria um acordo real entre os dois povos.

Por que este documento importa

  • Mostra que Jabotinsky rejeitava a expulsão dos árabes e dizia que no país "haverá sempre dois povos".
  • Mostra seu compromisso declarado com a igualdade de direitos das nações, expresso no Programa de Helsingfors.
  • Trata os árabes palestinos como um povo com patriotismo próprio, não como massa que se compra com vantagens econômicas.
  • Explica a lógica da dissuasão: a paz viria quando a esperança de eliminar a presença judaica acabasse e os moderados ganhassem espaço.
  • Ajuda a ler a recusa árabe à imigração judaica nos anos do Mandato Britânico com as palavras de quem a enfrentou.

Trechos-chave

“Contrariando a boa regra de começar um artigo pelo essencial, sou obrigado a começar este por um prefácio, e ainda por cima de caráter pessoal. O autor destas linhas é tido como inimigo dos árabes, partidário de sua expulsão etc. Isso não é verdade. Minha atitude emocional para com os árabes é a mesma que tenho para com todos os outros povos: uma cortês indiferença. Minha atitude política é determinada por dois princípios. Em primeiro lugar, considero absolutamente impossível a expulsão dos árabes da Palestina, sob qualquer forma que seja; na Palestina haverá sempre dois povos. Em segundo lugar, orgulho-me de pertencer ao grupo que formulou o Programa de Helsingfors. Nós o formulamos não apenas para os judeus, mas para todos os povos; e seu fundamento é a igualdade de direitos das nações. Como todos, estou pronto a jurar, por nós e por nossos descendentes, que jamais violaremos essa igualdade de direitos e jamais tentaremos expulsar ou oprimir. Um credo, como vê o leitor, inteiramente pacífico. Mas num plano completamente diferente situa-se a questão de saber se é possível alcançar a realização de propósitos pacíficos por meios pacíficos. Pois isso depende não da nossa atitude para com os árabes, mas exclusivamente da atitude dos árabes para com o sionismo.”Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →

Jabotinsky abre negando ser partidário da expulsão dos árabes, que considera "absolutamente impossível". Também jura nunca violar a igualdade de direitos. Isso desmonta leituras que apresentam o texto como plano de remoção. Ver no texto →

“Isso se aplica também aos árabes. Os conciliadores em nosso meio tentam convencer-nos de que os árabes são ou tolos, que podem ser enganados por uma formulação «atenuada» de nossos verdadeiros objetivos, ou uma tribo venal, que nos cederá sua primazia na Palestina em troca de vantagens culturais e econômicas. Recuso-me terminantemente a aceitar essa visão dos árabes palestinos. Culturalmente, estão 500 anos atrasados em relação a nós; no plano espiritual, não possuem nem a nossa resistência nem a nossa força de vontade; mas com isso se esgota toda a diferença interior. São psicólogos tão sutis quanto nós e, exatamente como nós, foram educados por séculos de engenhoso pilpul: o que quer que lhes contemos, compreendem a profundidade de nossa alma tão bem quanto nós compreendemos a profundidade da deles. E tratam a Palestina com pelo menos o mesmo amor instintivo e o mesmo zelo orgânico com que os astecas tratavam o seu México ou os sioux a sua pradaria. A fantasia de que eles consentirão voluntariamente na realização do sionismo em troca das comodidades culturais ou materiais que o colonizador judeu lhes trará — essa fantasia infantil decorre, em nossos «arabófilos», de algum desprezo preconcebido pelo povo árabe, de alguma noção generalizante dessa raça como uma ralé corruptível, pronta a ceder sua pátria em troca de uma boa rede ferroviária. Tal noção não se fundamenta em nada. Diz-se que árabes individualmente são com frequência corruptíveis, mas daí não se segue que o conjunto dos árabes palestinos seja capaz de vender seu zeloso patriotismo, que nem mesmo os papuas venderam. Todo povo luta contra os colonizadores enquanto houver ao menos uma centelha de esperança de livrar-se do perigo da colonização. Assim agem e assim agirão também os árabes palestinos, enquanto houver ao menos uma centelha de esperança.”

O autor recusa a visão de que os árabes seriam tolos ou corruptíveis e reconhece neles um apego real à terra. A frase sobre atraso cultural reflete a linguagem da época. O ponto central, porém, é levar a sério a vontade política do outro povo. Ver no texto →

“Muitos entre nós ainda pensam ingenuamente que houve algum mal-entendido, que os árabes não nos compreenderam, e que só por isso estão contra nós; mas que, se fosse possível explicar-lhes quão modestas são as nossas intenções, eles nos estenderiam a mão. Esse é um erro já demonstrado reiteradas vezes. Recordarei um caso dentre muitos. Há cerca de três anos, o sr. Sokolow, estando na Palestina, proferiu lá um grande discurso sobre esse mesmo mal-entendido. Demonstrou claramente que os árabes se enganam cruelmente se pensam que queremos tomar-lhes a propriedade, ou expulsá-los, ou oprimi-los; nós nem sequer queremos um governo judeu, queremos apenas um governo que represente a Liga das Nações. A esse discurso o jornal árabe «Carmel» respondeu então com um editorial, cujo sentido reproduzo de memória, mas com exatidão. Os sionistas inquietam-se em vão: não há mal-entendido algum. O sr. Sokolow diz a verdade, mas os árabes a compreendem perfeitamente mesmo sem ele. É claro que os sionistas agora não sonham nem com a expulsão dos árabes, nem com a opressão dos árabes, nem com um governo judeu; é claro que, no momento presente, desejam apenas uma coisa — que os árabes não os impeçam de imigrar. Os sionistas asseguram que imigrarão somente nas quantidades permitidas pela capacidade econômica da Palestina. Mas também disso os árabes nunca duvidaram: trata-se de um truísmo, de outro modo é impensável imigrar. O redator árabe está até disposto a admitir de bom grado que a capacidade potencial da Palestina é muito grande, isto é, que no país se podem assentar tantos judeus quantos se queira, sem desalojar um único árabe. «Só isso» é o que os sionistas querem — e é precisamente isso que os árabes não querem. Porque então os judeus se tornarão maioria, e então, por si só, surgirá um governo judeu, e então o destino da minoria árabe dependerá da boa vontade dos judeus; e que ser minoria é incômodo, disso os próprios judeus falam com muita eloquência. Portanto, não há mal-entendido algum. Os judeus querem o máximo desenvolvimento da imigração, e os árabes não querem justamente a imigração judaica.”

A resposta do jornal árabe "Carmel" a Sokolow mostra que a oposição não vinha de mal-entendido. Vinha da recusa à própria imigração judaica, mesmo sem desalojar nenhum árabe. Ver no texto →

“Conclusão: não podemos oferecer nenhuma compensação pela Palestina nem aos árabes da Palestina, nem aos demais árabes. Por isso, um acordo voluntário é inconcebível. Por isso, as pessoas que consideram tal acordo uma conditio sine qua non do sionismo podem desde já dizer non e renunciar ao sionismo. Nossa colonização ou deve cessar, ou deve prosseguir contra a vontade da população nativa. E, por isso, ela só pode prosseguir e desenvolver-se sob a proteção de uma força que não dependa da população local: uma muralha de ferro que a população local não tenha forças para romper.”

É a tese central: sem acordo voluntário possível, o projeto só se sustentaria sob a proteção de uma força independente da população local. Ver no texto →

“Em primeiro lugar: à surrada censura de que o ponto de vista acima exposto seria antiético, respondo: não é verdade. Das duas, uma: ou o sionismo é moral, ou não é moral. Essa questão devíamos tê-la resolvido para nós mesmos antes de recolher o primeiro shekel, e a resolvemos afirmativamente. E se o sionismo é moral, isto é, justo, então a justiça deve ser posta em prática, independentemente do consentimento ou da discordância de quem quer que seja. E se A, B ou C quiserem impedir pela força a realização da justiça, por considerá-la desvantajosa para si, então é preciso impedi-los disso, também pela força. Isso é ética; não existe outra ética.”

Jabotinsky defende que, se o sionismo é justo, quem tenta impedi-lo pela força deve ser contido também pela força. É sua resposta à acusação de que a posição seria antiética. Ver no texto →

“Em segundo lugar, nada disso significa que seja inconcebível qualquer acordo com os árabes palestinos. Impossível é apenas um acordo voluntário. Enquanto os árabes tiverem ainda que uma centelha de esperança de se livrarem de nós, não venderão essa esperança por nenhuma palavra doce nem por nenhum sanduíche nutritivo, justamente porque não são uma ralé, mas um povo, ainda que atrasado, porém vivo. Um povo vivo só faz concessões em questões tão enormes e fatais quando já não lhe resta nenhuma esperança, quando já não se vê nenhuma brecha na muralha de ferro. Só então os grupos extremistas, cuja palavra de ordem é "de modo algum", perdem seu encanto, e a influência passa para os grupos moderados. Só então esses moderados virão até nós com propostas de concessões mútuas; só então passarão a negociar honestamente conosco questões práticas, como garantias contra a expulsão, ou igualdade de direitos, ou identidade nacional; e creio e espero que então saberemos dar-lhes garantias tais que os tranquilizem, e ambos os povos poderão viver lado a lado em paz e com decência. Mas o único caminho para tal acordo é a muralha de ferro, isto é, o fortalecimento na Palestina de um poder inacessível a quaisquer influências árabes, isto é, precisamente aquilo contra o que os árabes lutam. Em outras palavras, para nós o único caminho para um acordo no futuro é a recusa absoluta de quaisquer tentativas de acordo no presente.”

O objetivo final declarado é a paz. Quando não houver brecha na muralha, os moderados negociariam garantias contra a expulsão, igualdade de direitos e identidade nacional. Assim os dois povos poderiam "viver lado a lado em paz". Ver no texto →

Data: 1923

Original: em russo. Fonte do texto original.

Tradução: feita pela JJO a partir do original, completa e sem cortes.

Texto integral

Original (russo)Português
О железной стене
Sobre a muralha de ferro
Вопреки доброму правилу — начинать статью с существа — приходится начать эту с предисловия, притом еще личного. Автора этих строк считают недругом арабов, сторонником вытеснения и т. д. Это неправда. Эмоциональное мое отношение к арабам — то же, что и ко всем другим народам: учтивое равнодушие. Политическое отношение — определяет двумя принципами. Во-первых, вытеснение арабов Палестины, в какой бы то ни было форме, считаю, абсолютно невозможным; в Палестине всегда будет два народа. Во-вторых, горжусь принадлежностью к той группе, которая формулировала Гельсингфорскую программу. Мы ее формулировали не для евреев только, а для всех народов; и основа ее — равноправие наций. Как и все, я готов присягнуть за нас и потомков наших, что мы никогда этого равноправия не нарушим и на вытеснение или притеснение не покусимся. Credo, как видит читатель, вполне мирное. Но совершенно в другой плоскости лежит вопрос о том, можно ли добиться осуществления мирных замыслов мирными путями. Ибо это зависит не от нашего отношения к арабам, а исключительно от отношения арабов к сионизму.
Contrariando a boa regra de começar um artigo pelo essencial, sou obrigado a começar este por um prefácio, e ainda por cima de caráter pessoal. O autor destas linhas é tido como inimigo dos árabes, partidário de sua expulsão etc. Isso não é verdade. Minha atitude emocional para com os árabes é a mesma que tenho para com todos os outros povos: uma cortês indiferença. Minha atitude política é determinada por dois princípios. Em primeiro lugar, considero absolutamente impossível a expulsão dos árabes da Palestina, sob qualquer forma que seja; na Palestina haverá sempre dois povos. Em segundo lugar, orgulho-me de pertencer ao grupo que formulou o Programa de Helsingfors. Nós o formulamos não apenas para os judeus, mas para todos os povos; e seu fundamento é a igualdade de direitos das nações. Como todos, estou pronto a jurar, por nós e por nossos descendentes, que jamais violaremos essa igualdade de direitos e jamais tentaremos expulsar ou oprimir. Um credo, como vê o leitor, inteiramente pacífico. Mas num plano completamente diferente situa-se a questão de saber se é possível alcançar a realização de propósitos pacíficos por meios pacíficos. Pois isso depende não da nossa atitude para com os árabes, mas exclusivamente da atitude dos árabes para com o sionismo.
После этого предисловия перейдем к существу.
Feito este prefácio, passemos ao essencial.
О добровольном примирении между палестинскими арабами и нами не может быть никакой речи ни теперь, ни в пределах обозримого будущего. Высказываю это убеждение в такой резкой форме не потому, что мне нравится огорчать добрых людей, а просто потому, что они не огорчатся: все эти добрые люди, за исключением слепорожденных, уже давно сами поняли полную невозможность получить добровольное согласие арабов Палестины на превращение этой самой Палестины из арабской страны в страну с еврейским большинством.
De uma reconciliação voluntária entre os árabes palestinos e nós não pode haver a menor cogitação, nem agora, nem nos limites de um futuro previsível. Exprimo esta convicção de forma tão contundente não porque me agrade desgostar as pessoas de bem, mas simplesmente porque elas não se desgostarão: todas essas pessoas de bem, à exceção dos cegos de nascença, há muito já compreenderam por si mesmas a completa impossibilidade de obter o consentimento voluntário dos árabes da Palestina para a transformação dessa mesma Palestina, de país árabe, em país de maioria judaica.
Каждый читатель имеет некоторое общее понятие об истории колонизации других стран. Предлагаю ему вспомнить все известные примеры; и пусть, перебрав весь список, он попытается найти хотя бы один случай, когда колонизация происходила с согласия туземцев. Такого случая не было. Туземцы — все равно, культурные или некультурные, — всегда упрямо боролись против колонизаторов — все равно, культурных или некультурных. При этом образ действий колонизатора нисколько не влиял на отношение к нему туземца. Сподвижники Кортеса и Писарро или, допустим, наши предки во дни Иисуса Навина вели себя, как разбойники; но английские и шотландские «отцы-странники», первые настоящие пионеры Северной Америки, были на подбор люди высокого нравственного пафоса, которые не то что краснокожего, но и мухи не хотели обидеть и искренне верили, что в прерии достаточно места и для белых, и для красных. Но туземец с одинаковой свирепостью воевал и против злых, и против добрых колонизаторов. Никакой роли при этом не играл и вопрос о том, много ли в той стране свободной земли. На территории Соединенных Штатов в 1921 году считалось 340 тысяч краснокожих; но и в лучшие времена их было не больше 3/4 миллиона на всем колоссальном пространстве от Лабрадора до Рио Гранде. Не было тогда на свете человека с такой сильной фантазией, чтобы всерьез предвидеть опасность настоящего «вытеснения» туземцев пришельцами. Туземцы боролись не потому, что сознательно и определенно боялись вытеснения, а просто потому, что никакая колонизация нигде никогда и ни для какого туземца не может быть приемлема.
Todo leitor tem alguma noção geral da história da colonização de outros países. Proponho-lhe que recorde todos os exemplos conhecidos; e que, percorrida a lista inteira, tente encontrar ao menos um caso em que a colonização tenha ocorrido com o consentimento dos nativos. Tal caso não existiu. Os nativos — sejam civilizados ou não — sempre lutaram obstinadamente contra os colonizadores — sejam civilizados ou não. E a conduta do colonizador em nada influía na atitude do nativo para com ele. Os companheiros de Cortés e Pizarro, ou, digamos, nossos antepassados nos dias de Josué, filho de Num, comportaram-se como salteadores; mas os "pais peregrinos" ingleses e escoceses, os primeiros verdadeiros pioneiros da América do Norte, eram, sem exceção, homens de elevado fervor moral, que não queriam fazer mal não digo a um pele-vermelha, mas nem sequer a uma mosca, e acreditavam sinceramente que nas pradarias havia lugar suficiente tanto para os brancos quanto para os vermelhos. Mas o nativo combateu com a mesma ferocidade tanto os colonizadores maus quanto os bons. Nenhum papel desempenhava aí tampouco a questão de haver ou não muita terra livre naquele país. No território dos Estados Unidos, em 1921, contavam-se 340 mil peles-vermelhas; mas mesmo nos melhores tempos eles não passavam de 3/4 de milhão em todo o colossal espaço que vai do Labrador ao Rio Grande. Não havia então no mundo homem de imaginação tão fértil que previsse seriamente o perigo de uma verdadeira "expulsão" dos nativos pelos recém-chegados. Os nativos lutavam não porque temessem consciente e definidamente a expulsão, mas simplesmente porque nenhuma colonização, em parte alguma, jamais, pode ser aceitável para nativo algum.
Каждый туземный народ, все равно, цивилизованный или дикий, смотрит на свою страну как на свой национальный дом, где он хочет быть и навсегда остаться полным хозяином; не только новых хозяев, но и новых соучастников или партнеров по хозяйству он добровольно не допустит.
Todo povo nativo, seja civilizado ou selvagem, encara seu país como seu lar nacional, onde quer ser e permanecer para sempre o senhor absoluto; ele não admitirá voluntariamente não apenas novos senhores, mas nem sequer novos coparticipantes ou sócios na sua administração.
Это относится и к арабам. Примирители в нашей среде пытаются уговорить нас, будто арабы — или глупцы, которых можно обмануть «смягченной» формулировкой наших истинных целей, или продажное племя, которое уступит нам свое первенство в Палестине за культурные и экономические выгоды. Отказываюсь наотрез принять этот взгляд на палестинских арабов. Культурно они отстали от нас на 500 лет, в духовном отношении они не обладают ни нашей выносливостью, ни нашей силой воли; но этим вся внутренняя разница и исчерпывается. Они такие же тонкие психологи, как и мы, и так же точно, как и мы, воспитаны на столетиях хитроумного пилпула: что бы мы им ни рассказывали, они так же хорошо понимают глубину нашей души, как мы понимаем глубину их души. И к Палестине они относятся по крайней мере с той же инстинктивной любовью и органической ревностью, с какой ацтеки относились к своей Мексике или сиуксы к своей прерии. Фантазия о том, что они добровольно согласятся на осуществление сионизма в обмен за культурные или материальные удобства, которые принесет им еврейский колонизатор, — эта детская фантазия вытекает у наших «арабофилов» из какого-то предвзятого презрения к арабскому народу, из какого-то огульного представления об этой расе как о сброде подкупном, готовом уступить свою родину за хорошую сеть железных дорог. Такое представление ни на чем не основано. Говорят, что отдельные арабы часто подкупны, но отсюда не следует, что палестинское арабство в целом способно продать свой ревнивый патриотизм, которого даже папуасы не продали. Каждый народ борется против колонизаторов, пока есть хоть искра надежды избавиться от колонизационной опасности. Так поступают и так будут поступать и палестинские арабы, пока есть хоть искра надежды.
Isso se aplica também aos árabes. Os conciliadores em nosso meio tentam convencer-nos de que os árabes são ou tolos, que podem ser enganados por uma formulação «atenuada» de nossos verdadeiros objetivos, ou uma tribo venal, que nos cederá sua primazia na Palestina em troca de vantagens culturais e econômicas. Recuso-me terminantemente a aceitar essa visão dos árabes palestinos. Culturalmente, estão 500 anos atrasados em relação a nós; no plano espiritual, não possuem nem a nossa resistência nem a nossa força de vontade; mas com isso se esgota toda a diferença interior. São psicólogos tão sutis quanto nós e, exatamente como nós, foram educados por séculos de engenhoso pilpul: o que quer que lhes contemos, compreendem a profundidade de nossa alma tão bem quanto nós compreendemos a profundidade da deles. E tratam a Palestina com pelo menos o mesmo amor instintivo e o mesmo zelo orgânico com que os astecas tratavam o seu México ou os sioux a sua pradaria. A fantasia de que eles consentirão voluntariamente na realização do sionismo em troca das comodidades culturais ou materiais que o colonizador judeu lhes trará — essa fantasia infantil decorre, em nossos «arabófilos», de algum desprezo preconcebido pelo povo árabe, de alguma noção generalizante dessa raça como uma ralé corruptível, pronta a ceder sua pátria em troca de uma boa rede ferroviária. Tal noção não se fundamenta em nada. Diz-se que árabes individualmente são com frequência corruptíveis, mas daí não se segue que o conjunto dos árabes palestinos seja capaz de vender seu zeloso patriotismo, que nem mesmo os papuas venderam. Todo povo luta contra os colonizadores enquanto houver ao menos uma centelha de esperança de livrar-se do perigo da colonização. Assim agem e assim agirão também os árabes palestinos, enquanto houver ao menos uma centelha de esperança.
Многие у нас все еще наивно думают, будто произошло какое-то недоразумение, арабы нас не поняли, и только потому они против нас; а вот если бы им можно было растолковать про то, какие у нас скромные намерения, то они протянули бы нам руку. Это ошибка, уже неоднократно доказанная. Напомню один случай из множества. Года три тому назад г-н Соколов, будучи в Палестине, произнес там большую речь об этом самом недоразумении. Он ясно доказал, что жестоко арабы ошибаются, если думают, будто мы хотим отнять у них их собственность, или выселить их, или угнетать их; мы даже не хотим еврейского правительства, мы хотим только правительства, представляющего Лигу Наций. На эту речь арабская газета «Кармель» ответила тогда передовицей, смысл которой передаю на память, но точно. Сионисты напрасно волнуются: никакого недоразумения нет. Г-н Соколов говорит правду, но арабы ее и без него прекрасно понимают. Конечно, сионисты теперь не мечтают ни о выселении арабов. ни об угнетении арабов, ни об еврейском правительстве; конечно, они в данный момент хотят только одного — чтобы арабы им не мешали иммигрировать. Сионисты уверяют, что они будут иммигрировать лишь в таких количествах, какие допускаются экономической емкостью Палестины. Но арабы и в этом никогда не сомневались: ведь это трюизм, иначе и немыслимо иммигрировать. Арабский редактор готов даже охотно допустить, что потенциальная емкость Палестины очень велика, т. е. что в стране можно поселить сколько угодно евреев, не вытеснив ни одного араба. «Только этого» сионисты и хотят — и именно этого арабы не хотят. Потому что тогда евреи станут большинством, и тогда само собой получится еврейское правительство, и тогда судьба арабского меньшинства будет зависеть от доброй воли евреев; а что меньшинством быть неудобно, про то сами евреи очень красноречиво рассказывают. Поэтому никакого недоразумения нет. Евреи хотят максимального развития иммиграции, а арабы именно еврейской иммиграции не хотят.
Muitos entre nós ainda pensam ingenuamente que houve algum mal-entendido, que os árabes não nos compreenderam, e que só por isso estão contra nós; mas que, se fosse possível explicar-lhes quão modestas são as nossas intenções, eles nos estenderiam a mão. Esse é um erro já demonstrado reiteradas vezes. Recordarei um caso dentre muitos. Há cerca de três anos, o sr. Sokolow, estando na Palestina, proferiu lá um grande discurso sobre esse mesmo mal-entendido. Demonstrou claramente que os árabes se enganam cruelmente se pensam que queremos tomar-lhes a propriedade, ou expulsá-los, ou oprimi-los; nós nem sequer queremos um governo judeu, queremos apenas um governo que represente a Liga das Nações. A esse discurso o jornal árabe «Carmel» respondeu então com um editorial, cujo sentido reproduzo de memória, mas com exatidão. Os sionistas inquietam-se em vão: não há mal-entendido algum. O sr. Sokolow diz a verdade, mas os árabes a compreendem perfeitamente mesmo sem ele. É claro que os sionistas agora não sonham nem com a expulsão dos árabes, nem com a opressão dos árabes, nem com um governo judeu; é claro que, no momento presente, desejam apenas uma coisa — que os árabes não os impeçam de imigrar. Os sionistas asseguram que imigrarão somente nas quantidades permitidas pela capacidade econômica da Palestina. Mas também disso os árabes nunca duvidaram: trata-se de um truísmo, de outro modo é impensável imigrar. O redator árabe está até disposto a admitir de bom grado que a capacidade potencial da Palestina é muito grande, isto é, que no país se podem assentar tantos judeus quantos se queira, sem desalojar um único árabe. «Só isso» é o que os sionistas querem — e é precisamente isso que os árabes não querem. Porque então os judeus se tornarão maioria, e então, por si só, surgirá um governo judeu, e então o destino da minoria árabe dependerá da boa vontade dos judeus; e que ser minoria é incômodo, disso os próprios judeus falam com muita eloquência. Portanto, não há mal-entendido algum. Os judeus querem o máximo desenvolvimento da imigração, e os árabes não querem justamente a imigração judaica.
Это рассуждение арабского редактора так просто и ясно, что его следовало бы заучить наизусть и положить в основу всех наших дальнейших размышлений по арабскому вопросу. Дело вовсе не в том, какие слова — герцлевские или сэмюэлевские — будем мы говорить в объяснение наших колонизаторских усилий. Колонизация сама в себе несет свое объяснение, единственное, неотъемлемое и понятное каждому здоровому еврею и каждому здоровому арабу. Колонизация может иметь только одну цель; для палестинских арабов эта цель неприемлема; все это в природе вещей, и изменить эту природу нельзя.
Esse raciocínio do redator árabe é tão simples e claro que deveria ser decorado e posto como fundamento de todas as nossas reflexões ulteriores sobre a questão árabe. A questão não está de modo algum em quais palavras — as de Herzl ou as de Samuel — diremos para explicar nossos esforços colonizadores. A colonização traz em si mesma sua explicação, a única, inalienável e compreensível para todo judeu são e para todo árabe são. A colonização só pode ter um objetivo; para os árabes palestinos esse objetivo é inaceitável; tudo isso está na natureza das coisas, e essa natureza não pode ser mudada.
Многим кажется очень заманчивым следующий план: получить согласие на сионизм не от палестинских арабов, раз это невозможно, но от остального арабского мира, включая Сирию, Месопотамию, Геджас и чуть ли не Египет. Если бы это и было мыслимо, то и это не изменило бы основного положения: в самой Палестине настроение арабов по отношению к нам осталось бы то же самое. Объединение Италии было в свое время куплено той ценой, что, между прочим, Тренто и Триест остались под австрийской властью; но итальянские жители Тренто и Триеста не только не примирились с этим, а, напротив, с утроенной энергией продолжали бороться против Австрии. Если бы даже можно было (в чем сомневаюсь) уговорить арабов Багдада и Мекки, будто для них Палестина только маленькая, несущественная окраина, то и тогда для палестинских арабов Палестина осталась бы не окраиной, а их единственной родиной, центром и опорой их собственного национального существования. Поэтому и тогда колонизацию пришлось бы вести против согласия палестинских арабов, т. е. в тех же условиях, что и теперь.
A muitos parece muito tentador o seguinte plano: obter o consentimento ao sionismo não dos árabes da Palestina, já que isso é impossível, mas do restante do mundo árabe, incluindo a Síria, a Mesopotâmia, o Hejaz e quase o Egito. Ainda que isso fosse concebível, nem assim se alteraria a situação fundamental: na própria Palestina, a disposição dos árabes em relação a nós permaneceria a mesma. A unificação da Itália foi, em seu tempo, comprada ao preço de que, entre outras coisas, Trento e Trieste permanecessem sob domínio austríaco; mas os habitantes italianos de Trento e Trieste não só não se conformaram com isso, como, ao contrário, continuaram a lutar contra a Áustria com energia triplicada. Mesmo que fosse possível (o que duvido) persuadir os árabes de Bagdá e de Meca de que, para eles, a Palestina é apenas uma pequena periferia sem importância, ainda assim, para os árabes da Palestina, a Palestina continuaria a ser não uma periferia, mas sua única pátria, o centro e o esteio de sua própria existência nacional. Por isso, mesmo nesse caso, a colonização teria de ser conduzida contra o consentimento dos árabes da Palestina, isto é, nas mesmas condições de agora.
Но и соглашение с непалестинскими арабами есть тоже фантазия неосуществимая. Для того, чтобы арабские националисты Багдада, Мекки, Дамаска согласились уплатить нам такую серьезную цену, какой был бы для них отказ от сохранения арабского характера Палестины, т. е. страны, которая лежит в самом центре «федерации» и режет ее пополам, — мы должны предложить им чрезвычайно крупный эквивалент. Ясно, что есть только две мыслимые формы такого эквивалента: или деньги, или политическая помощь, или то и другое вместе. Но мы не можем им предложить ни того, ни другого. Что касается до денег, то смешно даже думать о том, будто мы сможем финансировать Месопотамию или Геджас, когда у нас и на Палестину не хватает. Для ребенка ясно, что эти страны, с их дешевым трудом, найдут капиталы просто на рынке, найдут гораздо легче, чем мы их найдем для Палестины. Всякие разговоры на эту тему о материальной поддержке суть или ребяческий самообман, или недобросовестное легкомыслие. И уже совсем недобросовестно с нашей стороны было бы всерьез говорить о политической поддержке арабского национализма. Арабский национализм стремится к тому же, к чему стремился, скажем, итальянский до 1870 года: к объединению и государственной независимости. В переводе на простой язык это означает изгнание Англии из Месопотамии и Египта, изгнание Франции из Сирии, а потом, быть может, также из Туниса, Алжира и Марокко. С нашей стороны хотя бы отдаленно помогать этому было бы и самоубийством, и предательством. Мы опираемся на английский мандат; под декларацией Бальфура в Сан-Ремо подписалась Франция. Мы не можем участвовать в политической интриге, цель которой отогнать Англию от Суэцкого канала и Персидского залива, а Францию совершенно уничтожить как колониальную державу. Такую двойную игру не только нельзя играть: о ней даже и думать не полагается. Нас раздавят — и с заслуженным позором — прежде чем мы успеем шевельнуться в этом направлении.
Mas também um acordo com os árabes não palestinos é uma fantasia irrealizável. Para que os nacionalistas árabes de Bagdá, de Meca e de Damasco concordassem em pagar-nos um preço tão sério quanto seria, para eles, a renúncia à preservação do caráter árabe da Palestina, isto é, de um país que se situa no próprio centro da “federação” e a corta ao meio, teríamos de oferecer-lhes uma contrapartida extraordinariamente vultosa. É claro que há apenas duas formas concebíveis de tal contrapartida: ou dinheiro, ou auxílio político, ou ambos ao mesmo tempo. Mas não podemos oferecer-lhes nem uma coisa nem outra. No que se refere ao dinheiro, é ridículo até pensar que possamos financiar a Mesopotâmia ou o Hejaz, quando não temos o suficiente nem para a Palestina. Até para uma criança é claro que esses países, com sua mão de obra barata, encontrarão capitais simplesmente no mercado, e os encontrarão com muito mais facilidade do que nós os encontraremos para a Palestina. Todas as conversas sobre apoio material a esse respeito são ou um autoengano pueril, ou uma leviandade desonesta. E seria completamente desonesto de nossa parte falar seriamente em apoio político ao nacionalismo árabe. O nacionalismo árabe aspira ao mesmo a que aspirava, digamos, o italiano até 1870: à unificação e à independência estatal. Traduzido em linguagem simples, isso significa a expulsão da Inglaterra da Mesopotâmia e do Egito, a expulsão da França da Síria e, depois, talvez também da Tunísia, da Argélia e do Marrocos. Prestar, de nossa parte, ainda que remotamente, auxílio a isso seria tanto um suicídio quanto uma traição. Apoiamo-nos no mandato inglês; a França assinou a Declaração Balfour em San Remo. Não podemos participar de uma intriga política cujo objetivo é afastar a Inglaterra do Canal de Suez e do Golfo Pérsico e aniquilar completamente a França como potência colonial. Não só não se pode jogar semelhante jogo duplo: nem sequer é permitido pensar nele. Seremos esmagados, e com merecida desonra, antes que consigamos mover-nos nessa direção.
Вывод: ни палестинским, ни остальным арабам мы никакой компенсации за Палестину предложить не можем. Поэтому добровольное соглашение немыслимо. Поэтому люди, которые считают такое соглашение за conditio sine qua non сионизма, могут уже теперь сказать non и отказаться от сионизма. Наша колонизация или должна прекратиться, или должна продолжаться наперекор воле туземного населения. А поэтому она может продолжаться и развиваться только под защитой силы, не зависящей от местного населения — железной стены, которую местное население не в силах прошибить.
Conclusão: não podemos oferecer nenhuma compensação pela Palestina nem aos árabes da Palestina, nem aos demais árabes. Por isso, um acordo voluntário é inconcebível. Por isso, as pessoas que consideram tal acordo uma conditio sine qua non do sionismo podem desde já dizer non e renunciar ao sionismo. Nossa colonização ou deve cessar, ou deve prosseguir contra a vontade da população nativa. E, por isso, ela só pode prosseguir e desenvolver-se sob a proteção de uma força que não dependa da população local: uma muralha de ferro que a população local não tenha forças para romper.
В этом и заключается вся наша арабская политика: не только «должна заключаться», но и на самом деле заключается, сколько бы мы ни лицемерили. Для чего декларация Бальфура? Для чего мандат? Смысл их для нас в том, что внешняя сила приняла на себя обязательство создать в стране такие условия управы и охраны, при которых местное население, сколько бы оно того ни желало, было бы лишено возможности мешать нашей колонизации административно или физически. И мы все, все без исключения, каждый день понукаем эту внешнюю силу, чтобы она эту свою роль исполняла твердо и без поблажек. В этом отношении между нашими «милитаристами» и нашими «вегетарианцами» никакой существенной разницы нет. Одни предпочитают стену из еврейских штыков, другие из ирландских; третьи, сторонники соглашения с Багдадом, готовы удовлетвориться багдадскими штыками (вкус странный и рискованный); но все мы хлопочем денно и нощно о железной стене. Но при этом мы же сами зачем-то портим свое дело декларацией о соглашении, внушая мандатной державе, будто дело не в железной стене, а в еще новых и новых разговорах. Эта декларация губит наше дело; поэтому дискредитировать ее, показать и ее фантастичность, и ее неискренность — это есть не только удовольствие, но и долг.
Nisso consiste toda a nossa política árabe: não apenas “deve consistir”, mas de fato consiste, por mais que sejamos hipócritas. Para que a Declaração Balfour? Para que o mandato? O sentido deles, para nós, está em que uma força externa assumiu a obrigação de criar no país condições de administração e de proteção tais que a população local, por mais que o desejasse, ficasse privada da possibilidade de obstruir nossa colonização, administrativa ou fisicamente. E todos nós, todos sem exceção, instigamos diariamente essa força externa a que desempenhe esse seu papel com firmeza e sem complacências. Nesse aspecto, não há nenhuma diferença essencial entre os nossos “militaristas” e os nossos “vegetarianos”. Uns preferem uma muralha de baionetas judaicas, outros de baionetas irlandesas; os terceiros, partidários de um acordo com Bagdá, estão dispostos a contentar-se com baionetas de Bagdá (gosto estranho e arriscado); mas todos nós nos empenhamos dia e noite pela muralha de ferro. Mas, ao mesmo tempo, nós próprios, não se sabe para quê, estragamos a nossa causa com a declaração sobre o acordo, incutindo na potência mandatária a ideia de que o essencial não é a muralha de ferro, mas sempre novas e novas conversações. Essa declaração arruína a nossa causa; por isso, desacreditá-la, mostrar tanto o seu caráter fantasioso quanto a sua falta de sinceridade, é não apenas um prazer, mas também um dever.
Вопрос не исчерпан, я еще вернусь к некоторым его сторонам в следующей статье. Но считаю нужным здесь же вкратце сделать еще два замечания.
A questão não está esgotada; voltarei ainda a alguns de seus aspectos no próximo artigo. Mas julgo necessário fazer aqui mesmo, brevemente, mais duas observações.
Во-первых: на избитый упрек, будто вышеизложенная точка зрения неэтична, отвечаю: неправда. Одно из двух: или сионизм морален, или он не морален. Этот вопрос мы должны были сами для себя решить раньше, чем взяли первый шекель, и решили положительно. А если сионизм морален, т. е. справедлив, то справедливость должна быть проведена в жизнь, независимо от чьего бы то ни было согласия или несогласия. И если А, В или С хотят силой помешать осуществлению справедливости, ибо находят ее для себя невыгодной, то нужно им в этом помешать, опять-таки силой. Это этика; никакой другой этики нет.
Em primeiro lugar: à surrada censura de que o ponto de vista acima exposto seria antiético, respondo: não é verdade. Das duas, uma: ou o sionismo é moral, ou não é moral. Essa questão devíamos tê-la resolvido para nós mesmos antes de recolher o primeiro shekel, e a resolvemos afirmativamente. E se o sionismo é moral, isto é, justo, então a justiça deve ser posta em prática, independentemente do consentimento ou da discordância de quem quer que seja. E se A, B ou C quiserem impedir pela força a realização da justiça, por considerá-la desvantajosa para si, então é preciso impedi-los disso, também pela força. Isso é ética; não existe outra ética.
Во-вторых, все это не значит, что с палестинскими арабами немыслимо никакое соглашение. Невозможно только соглашение добровольное. Покуда есть у арабов хоть искра надежды избавиться от нас, они этой надежды не продадут ни за какие сладкие слова и ни за какие питательные бутерброды, именно потому, что они не сброд, а народ, хотя бы и отсталый, но живой. Живой народ идет на уступки в таких огромных, фатальных вопросах только тогда, когда никакой надежды не осталось, когда в железной стене не видно больше ни одной лазейки. Только тогда крайние группы, лозунг которых «ни за что», теряют свое обаяние, и влияние переходит к группам умеренным. Только тогда придут эти умеренные к нам с предложением взаимных уступок; только тогда станут они с нами честно торговаться по практическим вопросам, как гарантия против вытеснения, или равноправие, или национальная самобытность; и верю, и надеюсь, что тогда мы сумеем дать им такие гарантии, которые их успокоят, и оба народа смогут жить бок о бок мирно и прилично. Но единственный путь к такому соглашению есть железная стена, т. е. укрепление в Палестине власти, недоступной никаким арабским влияниям, т. е. именно то, против чего арабы борются. Иными словами, для нас единственный путь к соглашению в будущем есть абсолютный отказ от всяких попыток к соглашению в настоящем.
Em segundo lugar, nada disso significa que seja inconcebível qualquer acordo com os árabes palestinos. Impossível é apenas um acordo voluntário. Enquanto os árabes tiverem ainda que uma centelha de esperança de se livrarem de nós, não venderão essa esperança por nenhuma palavra doce nem por nenhum sanduíche nutritivo, justamente porque não são uma ralé, mas um povo, ainda que atrasado, porém vivo. Um povo vivo só faz concessões em questões tão enormes e fatais quando já não lhe resta nenhuma esperança, quando já não se vê nenhuma brecha na muralha de ferro. Só então os grupos extremistas, cuja palavra de ordem é "de modo algum", perdem seu encanto, e a influência passa para os grupos moderados. Só então esses moderados virão até nós com propostas de concessões mútuas; só então passarão a negociar honestamente conosco questões práticas, como garantias contra a expulsão, ou igualdade de direitos, ou identidade nacional; e creio e espero que então saberemos dar-lhes garantias tais que os tranquilizem, e ambos os povos poderão viver lado a lado em paz e com decência. Mas o único caminho para tal acordo é a muralha de ferro, isto é, o fortalecimento na Palestina de um poder inacessível a quaisquer influências árabes, isto é, precisamente aquilo contra o que os árabes lutam. Em outras palavras, para nós o único caminho para um acordo no futuro é a recusa absoluta de quaisquer tentativas de acordo no presente.
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