Foto: Voluntários do Palmach vindos da França na batalha do Neguev. Autor desconhecido · Public domain · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,5 MB).
Ler a transcrição completa
Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.
Davi: E eu sou o Davi. Hoje a gente fala de 1948: a guerra, a independência de Israel e aquilo que os palestinos chamam de Nakba.
Lia: E por que esse tema importa tanto, Davi?
Davi: Porque quase tudo o que se discute hoje sobre o conflito volta a 1948: refugiados, fronteiras, a Judeia e Samaria, a UNRWA. Se a história de origem chega errada, o resto do debate chega torto.
Lia: E para quem dá aula, escreve ou estuda, isso pesa. Então vamos aos fatos, em ordem. Primeiro bloco: como se chegou a 1948?
Davi: A data foi o ponto de chegada de um processo de meio século. O movimento sionista organizado nasce em 1897. Em 1922, a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico.
Lia: E o Mandato reconhecia algo importante, não é?
Davi: Reconhecia, já no preâmbulo, a "conexão histórica do povo judeu" com a terra. E em 1947 cerca de 600 mil judeus viviam ali, com cidades, universidades e instituições próprias.
Lia: Vamos à votação, então.
Davi: Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181. Ela recomendava dois Estados, um judeu e um árabe, com Jerusalém sob regime internacional.
Lia: E qual foi o placar?
Davi: Foram 33 votos a favor e 13 contra.
Lia: E houve abstenções também.
Davi: Dez. E aqui entra o Brasil: quem presidia a sessão era o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha. Ele conduziu os trabalhos e anunciou o resultado. Mas a aprovação foi uma decisão de muitos países, não obra de uma só pessoa.
Lia: E como cada lado respondeu?
Davi: A liderança judaica aceitou o plano, apesar das críticas às fronteiras e à situação de Jerusalém. O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram a partilha e anunciaram que se oporiam a ela pelas armas.
Lia: Só para fixar: o que existia ali antes? Um país?
Davi: Não havia Estado soberano, nem judeu nem árabe. A região foi otomana até 1917 e depois virou Mandato Britânico. Isso não nega a sociedade árabe palestina, com cidades, jornais e vida política. Os palestinos existem como povo. O que é falso é a ideia de um "país roubado".
Lia: Segundo bloco: a guerra. Quando ela começou?
Davi: Em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação. A primeira fase foi uma guerra civil: milícias árabes e o Exército de Libertação Árabe atacaram bairros judaicos, comboios e comunidades isoladas. Jerusalém ficou sob cerco.
Lia: E aí vem a pergunta que sempre aparece: quem começou?
Davi: O próprio lado árabe respondeu na ONU. Em 16 de abril de 1948, Jamal Husseini, representante do Alto Comitê Árabe, disse ao Conselho de Segurança: "O representante da Agência Judaica disse ontem que eles não eram os atacantes, que os árabes começaram a luta. Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar."
Lia: E o Plano Dalet, que muita gente cita como prova de expulsão?
Davi: Era uma diretriz militar da Haganá, adotada diante do cerco a Jerusalém e da ameaça de invasão. O objetivo era controlar rotas de suprimento, proteger comunidades judaicas isoladas e assumir posições na área destinada ao Estado judeu.
Lia: E a independência?
Davi: Em 14 de maio de 1948, em Tel Aviv, David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel, poucas horas antes do fim do Mandato. A Declaração prometeu igualdade civil e liberdade religiosa. Também pediu aos árabes do novo Estado que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.
Lia: E no dia seguinte?
Davi: Cinco exércitos invadiram: Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque. Antes da invasão, o secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, tinha anunciado que seria "uma guerra de extermínio".
Lia: Como Israel resistiu?
Davi: As recém-criadas Forças de Defesa de Israel se rearmaram com material comprado via Tchecoslováquia, mesmo com um embargo de armas decretado pela ONU, e conseguiram repelir as ofensivas.
Lia: E o resultado?
Davi: Israel sobreviveu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. O custo foi alto: cerca de 6 mil mortos, entre soldados e civis.
Lia: Seis mil pessoas representavam quanto da população judaica da época?
Davi: Cerca de 1%. Israel foi invadido e lutou para sobreviver. E não havia ali um país soberano a ser anexado: o território era um Mandato Britânico que tinha acabado de terminar.
Lia: E como os combates terminaram?
Davi: Com armistícios assinados em 1949, sob mediação do diplomata da ONU Ralph Bunche. As linhas de cessar-fogo, a chamada Linha Verde, não eram fronteiras definitivas. Os próprios acordos diziam isso.
Lia: E o Estado árabe previsto pela ONU?
Davi: Nunca foi criado, e quem impediu isso não foi Israel. Em 1950, a Jordânia anexou a Judeia e Samaria, a região que sua Legião Árabe havia tomado na guerra, junto com Jerusalém Oriental. O Egito manteve Gaza sob administração militar. Nenhum dos dois criou ali um Estado palestino.
Lia: Terceiro bloco, o mais sensível: os refugiados palestinos. Quantos foram?
Davi: A maioria dos estudos fala em cerca de 700 mil pessoas. Algumas estimativas chegam a 800 mil.
Lia: E parte da população árabe ficou?
Davi: Ficou dentro de Israel e se tornou cidadã israelense.
Lia: Por que tanta gente saiu?
Davi: Por várias causas ao mesmo tempo. A maioria fugiu das linhas de frente. As elites de Haifa, Jaffa e Jerusalém saíram cedo, ainda na guerra civil, e a sociedade local entrou em colapso junto com a liderança palestina. Em alguns lugares, autoridades árabes deram instruções de saída. E houve expulsões locais.
Lia: Vamos falar das expulsões e da violência com clareza.
Davi: Com clareza. Em 9 de abril de 1948, forças do Irgun e do Lehi cometeram o massacre de Deir Yassin, e o pânico se espalhou. Em julho, houve a expulsão de Lida e Ramle. Aldeias foram destruídas. São fatos documentados, inclusive por historiadores israelenses.
Lia: Então foi uma limpeza étnica planejada, como acusa Ilan Pappé?
Davi: A pesquisa de arquivo mais completa não sustenta essa tese. Benny Morris não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema "nasceu da guerra, não de um plano".
Lia: E a tese oposta, de que todos saíram por ordem árabe?
Davi: Também não basta sozinha. Khaled al-Azm, primeiro-ministro da Síria na época, escreveu: "fomos nós mesmos que os instigamos a sair". Mas há registros de ordens para a população ficar, como as de Fauzi al-Qawuqji. Nenhuma causa isolada explica tudo.
Lia: E a palavra Nakba?
Davi: Quer dizer "catástrofe" em árabe. Descreve uma perda real e é compreensível como memória palestina. Mas também tem uso político, ligado a reivindicações de retorno. E, usada sozinha, costuma apagar quem rejeitou a partilha, quem começou a guerra e quem invadiu o novo Estado.
Lia: Quarto bloco: a metade da história que quase nunca aparece.
Davi: A dos judeus dos países árabes. Segundo o governo de Israel, cerca de 800 mil judeus deixaram esses países ou foram expulsos deles a partir de 1948.
Lia: E não se tratava de uma simples emigração.
Davi: Não. No Iraque, o sionismo virou crime no código penal em 1948. Uma lei de 1951 confiscou os bens de quem tinha perdido a cidadania.
Lia: E no Egito?
Davi: O governo militar prendeu sem acusação formal pelo menos 900 judeus em 1954.
Lia: E depois da Crise de Suez?
Davi: Vieram expulsões em massa e o confisco de empresas, imóveis e contas bancárias. A crítica aqui é a governos e a políticas concretas, não a povos. Em maio de 1948, o Comitê Político da Liga Árabe chegou a recomendar tirar a cidadania dos judeus, congelar suas contas e confiscar seus bens.
Lia: E o que aconteceu com esses refugiados judeus?
Davi: Israel os integrou como cidadãos. Já os refugiados palestinos, em grande parte, não foram integrados pelos países árabes, cujos governos recusaram essa integração.
Lia: E por que a questão palestina continua aberta até hoje?
Davi: Por mais de um motivo. Os Estados árabes recusaram a paz com Israel. E a regra da UNRWA transmite o status de refugiado aos descendentes.
Lia: Houve também uma decisão israelense nesse ponto.
Davi: Houve. Também pesou a decisão do governo de Israel, em 16 de junho de 1948, de proibir o retorno em massa enquanto os vizinhos mantivessem a guerra. A justificativa era a segurança do novo Estado.
Lia: E a Resolução 194, tão citada?
Davi: Ela é de dezembro de 1948 e tratava de retorno ou compensação para os refugiados dispostos a viver em paz. É uma recomendação, não uma decisão vinculante. E os países árabes votaram contra.
Lia: E como os números da UNRWA cresceram tanto?
Davi: A agência transmite o status de refugiado pela linha paterna. Ela começou em 1950 com cerca de 750 mil pessoas.
Lia: E hoje?
Davi: Considera elegíveis cerca de 5,9 milhões. Israel e críticos da agência afirmam que essa regra perpetua o problema.
Lia: Vamos fechar com três ideias-chave.
Davi: Primeira: a liderança judaica aceitou a partilha; a liderança árabe a rejeitou e iniciou a guerra. No dia seguinte à independência, cinco exércitos invadiram Israel.
Lia: Segunda: o êxodo palestino teve várias causas, inclusive expulsões e o massacre de Deir Yassin. Mas a pesquisa de arquivo não sustenta a tese de um plano israelense de expulsão total.
Davi: Terceira: 1948 tem duas histórias de refugiados. Israel integrou os judeus que deixaram os países árabes. Os refugiados palestinos, em grande parte, não foram integrados pelos governos árabes.
Lia: E um lembrete: reconhecer a dor palestina não exige tratar a existência de Israel como crime. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, segundo a qual negar ao Estado de Israel o direito de existir é antissemitismo.
Davi: E a JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Lia: Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.
Guia de estudo
Guia de estudo da JJO – Juventude Judaica Organizada Para universitários, professores e jornalistas
Objetivos
Ao final deste estudo, você deverá ser capaz de:
- Explicar por que Israel foi criado em 1948. A data foi o ponto de chegada de um processo de meio século, e não uma decisão tomada do nada.
- Identificar quem aceitou e quem rejeitou a partilha da ONU (Resolução 181) e quem iniciou a guerra.
- Distinguir as duas fases da Guerra de Independência: a guerra civil e a invasão por cinco Estados árabes.
- Explicar as várias causas do deslocamento de cerca de 700 mil palestinos, sem negar fatos graves e documentados, como Deir Yassin e Lida e Ramle.
- Conhecer o êxodo de cerca de 800 mil judeus dos países árabes, a outra metade da história de 1948.
- Entender por que a questão dos refugiados continua até hoje, a partir da Resolução 194 e das regras da UNRWA.
- Debater o tema com precisão, firmeza e respeito, sem desumanizar ninguém.
Conceitos-chave
Um processo de meio século
Israel não surgiu do nada. O povo judeu exerceu o direito à autodeterminação reconhecido pela comunidade internacional: - 1897: nasce o movimento sionista organizado. - 1917: a Declaração Balfour reconhece o lar nacional judaico. - 1920: a Conferência de San Remo define a entidade territorial. - 1922: a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico, cujo preâmbulo reconhece a “conexão histórica do povo judeu” com a terra. - 1937: a Comissão Peel já propõe dois Estados.
Em 1947, cerca de 600 mil judeus viviam no território, segundo o relatório da UNSCOP. Eles já tinham cidades e instituições próprias: Tel Aviv (1909), o Technion (1912), a Universidade Hebraica (1918) e a Haganá (1920).
A ideia de que “a Europa pagou com terra árabe” é enganosa: - O Livro Branco de 1939 limitou a imigração judaica e proibiu judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato. - A presença judaica se construiu em grande parte com compra registrada de terras: cerca de 2 milhões de dunams até maio de 1948.
Território não é Estado
- Entre 1516 e 1917, a região fazia parte do Império Otomano.
- Entre 1922 e 1948, foi administrada pelo Mandato Britânico.
- Nenhum Estado soberano, nem judeu nem árabe, existia ali.
- Pelo Tratado de Lausanne (1923), a Turquia renunciou a esses territórios. Nenhuma soberania foi transferida a um Estado árabe local, porque esse Estado não existia.
Os palestinos existem como povo, com cidades, jornais e vida política. O que é falso é a ideia de um “país roubado”.
A partilha: um lado aceitou, o outro rejeitou
A Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. Ela recomendava: - um Estado judeu, com cerca de 56% do território; - um Estado árabe, com cerca de 43%; - um regime internacional para Jerusalém (corpus separatum).
A liderança judaica aceitou o plano, apesar das reservas. O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram a partilha e anunciaram que se oporiam a ela pelas armas.
Quem começou a guerra
Os combates começaram em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação, com ataques de milícias árabes a comunidades judaicas.
Em 16 de abril de 1948, Jamal Husseini, do Alto Comitê Árabe, admitiu no Conselho de Segurança: “Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar.”
As duas fases da guerra
| Fase | Período | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Guerra civil | 30 nov. 1947 a 14 maio 1948 | Milícias árabes e o Exército de Libertação Árabe atacaram estradas, bairros e comunidades judaicas. Jerusalém ficou sob cerco. |
| Guerra entre Estados | 15 maio 1948 a 1949 | Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o território. |
Antes da invasão, o secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, declarou: “Esta será uma guerra de extermínio e um massacre monumental.”
Israel foi invadido no dia seguinte ao seu nascimento e sobreviveu.
O Plano Dalet
Era uma diretriz militar da Haganá, adotada diante do cerco a Jerusalém e da ameaça de invasão. Seus objetivos eram: - controlar rotas de suprimento; - proteger comunidades judaicas isoladas; - garantir a área destinada ao Estado judeu.
Alguns autores o descrevem como um plano de expulsão. O historiador Benny Morris o trata como um plano essencialmente militar, mas reconhece que sua aplicação resultou na remoção de populações árabes de certas áreas.
O deslocamento palestino: várias causas
Cerca de 700 mil palestinos foram deslocados. O governo de Israel fala em cerca de 720 mil, e algumas estimativas chegam a 800 mil. As causas foram: - fuga dos combates e medo; - saída precoce das elites urbanas de Haifa, Jaffa e Jerusalém; - colapso da liderança e da sociedade palestina; - instruções de autoridades árabes em alguns lugares; - expectativa de retorno depois de uma vitória árabe; - expulsões locais.
Fatos graves e documentados, inclusive por historiadores israelenses: - o massacre de Deir Yassin (9 de abril de 1948), cometido por forças do Irgun e do Lehi; - a expulsão de Lida e Ramle (julho de 1948, Operação Dani); - aldeias destruídas.
Não houve plano mestre de expulsão. Benny Morris não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema “nasceu da guerra, não de um plano”.
Khaled al-Azm, primeiro-ministro da Síria em 1948-1949, escreveu: “fomos nós mesmos que os instigamos a sair”. Não se encontrou, porém, uma ordem árabe geral para toda a população sair. Nenhuma causa isolada explica tudo.
Parte da população árabe ficou dentro de Israel e se tornou cidadã israelense.
“Nakba” e Guerra de Independência
“Nakba” quer dizer “catástrofe” em árabe. Os palestinos usam o termo para a perda de casas e terras em 1948. Ele descreve uma experiência real de perda, mas também tem uso político.
Para Israel, o mesmo período é a Guerra de Independência. Usado sozinho, o termo “Nakba” costuma apagar quem rejeitou a partilha, quem começou a guerra e quem invadiu o novo Estado.
O fim da guerra
Israel venceu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. O custo foi alto: cerca de 6 mil mortos, 1% da população judaica da época.
Sob mediação de Ralph Bunche, os armistícios de 1949 foram assinados em Rodes: - Egito: 24 de fevereiro; - Líbano: 23 de março; - Jordânia: 3 de abril; - Síria: 20 de julho.
A “Linha Verde” marcou linhas provisórias de armistício, não fronteiras definitivas.
O Estado árabe previsto em 1947 não foi criado, e quem impediu isso não foi Israel: - a Jordânia anexou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental em 1950; - o Egito manteve Gaza sob administração militar.
Judeia e Samaria são territórios em disputa, cuja situação final depende de negociação.
O êxodo esquecido
Cerca de 800 mil judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles, segundo o governo de Israel. Outras estimativas vão de 850 mil a 900 mil. Suas comunidades viviam nessas terras havia mais de 2.000 anos.
A perseguição começou antes de 1948: o Farhud, pogrom de 1941 em Bagdá, deixou cerca de 180 mortos, segundo as estimativas mais citadas. Depois de 1948, vieram leis de perda de cidadania e de confisco, que foram política de Estado: - Iraque: o sionismo virou crime em 1948, e a Lei nº 5, de 1951, confiscou os bens dos judeus. - Egito: cerca de 23 mil a 25 mil judeus foram expulsos entre 1956 e 1958. - Liga Árabe: em maio de 1948, recomendou aos Estados membros tirar a cidadania de seus judeus, congelar suas contas e confiscar seus bens.
Israel absorveu a maioria como cidadãos. Por isso não existem campos para seus descendentes.
A crítica é a governos e a políticas concretas, não a povos.
Por que a questão dos refugiados persiste
- Decisão de Israel: em 16 de junho de 1948, o governo proibiu o retorno em massa enquanto os vizinhos mantivessem a guerra.
- Resolução 194 (11 de dezembro de 1948): é uma recomendação, não usa a palavra “direito” e prevê retorno para quem desejasse “viver em paz com seus vizinhos”, além de compensação. Egito, Síria, Iraque, Líbano, Arábia Saudita e Iêmen votaram contra.
- UNRWA: estende o status de refugiado aos descendentes pela linha paterna. Os registrados eram cerca de 700 mil a 750 mil em 1950 e são cerca de 5,9 milhões hoje.
- ACNUR: para os demais refugiados do mundo, quem se integra e recebe outra cidadania deixa de ser refugiado.
- Consequência: exigir que cerca de 5,9 milhões de pessoas se instalem em Israel significaria o fim do Estado judeu.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 1897 | Nasce o movimento sionista organizado |
| 2 nov. 1917 | Declaração Balfour |
| Abr. 1920 | Conferência de San Remo |
| 1922 | Liga das Nações aprova o Mandato Britânico |
| 1923 | Tratado de Lausanne |
| Jul. 1937 | Comissão Peel propõe dois Estados |
| 17 maio 1939 | Livro Branco britânico restringe imigração e compra de terras por judeus |
| 1–2 jun. 1941 | Farhud em Bagdá |
| 29 nov. 1947 | ONU aprova a Resolução 181 (33 a 13, com 10 abstenções), sob a presidência de Oswaldo Aranha |
| 30 nov. 1947 | Começam os ataques árabes: início da guerra civil |
| 9 abr. 1948 | Massacre de Deir Yassin |
| 16 abr. 1948 | Jamal Husseini admite na ONU que os árabes começaram a luta |
| 14 maio 1948 | Ben-Gurion proclama o Estado de Israel em Tel Aviv; EUA e URSS reconhecem Israel imediatamente |
| 15 maio 1948 | Invasão por Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque |
| 29 maio 1948 | ONU decreta embargo internacional de armas |
| 16 jun. 1948 | Israel proíbe o retorno em massa enquanto durar a guerra |
| Jul. 1948 | Expulsão de Lida e Ramle; o Iraque criminaliza o sionismo |
| 11 dez. 1948 | Resolução 194 da Assembleia Geral |
| Fev.–jul. 1949 | Armistícios com Egito, Líbano, Jordânia e Síria |
| 8 dez. 1949 | Resolução 302 cria a UNRWA |
| 1950 | Jordânia anexa Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental; UNRWA começa a operar (maio) |
| 1950–1951 | Operação Esdras e Neemias leva judeus iraquianos a Israel |
| 1956–1958 | Egito expulsa cerca de 23 mil a 25 mil judeus |
| 23 jun. 2014 | Knesset cria o Dia de Lembrança dos judeus dos países árabes e do Irã, celebrado em 30 de novembro |
5 perguntas para discussão
- A liderança judaica aceitou a Resolução 181 e a liderança árabe a rejeitou pelas armas. Como essa escolha inicial muda a forma de entender tudo o que veio depois?
- Por que é possível reconhecer Deir Yassin e Lida e Ramle como fatos graves e, ao mesmo tempo, rejeitar a tese de uma “limpeza étnica planejada”? Que tipo de prova Benny Morris procurou e não encontrou?
- Por que o êxodo de cerca de 800 mil judeus dos países árabes é chamado de “êxodo esquecido”? O que muda no debate quando ele entra na história?
- Israel deu cidadania aos refugiados judeus, e os governos árabes recusaram integrar os refugiados palestinos. Qual o papel da regra hereditária da UNRWA na permanência do problema?
- Quem impediu a criação do Estado árabe previsto em 1947? Por que essa pergunta raramente aparece quando se fala em “Nakba”?
Glossário
- Yishuv: a comunidade e a liderança judaica no território antes de 1948.
- Haganá: organização de defesa judaica criada em 1920. Ao lado do Palmach, do Irgun e do Lehi, lutou na fase de guerra civil.
- Alto Comitê Árabe: liderança árabe palestina que rejeitou a partilha.
- Resolução 181: recomendação da ONU, de 1947, de dividir o Mandato em um Estado judeu e um Estado árabe.
- Corpus separatum: regime internacional previsto para Jerusalém.
- Plano Dalet: diretriz militar da Haganá em 1948 para proteger rotas e comunidades.
- Nakba: “catástrofe” em árabe; termo palestino para o deslocamento de 1948.
- Linha Verde: linhas de armistício de 1949; provisórias, não fronteiras definitivas.
- Mizrahim: judeus de origem oriental, do Oriente Médio, do Norte da África e do Irã.
- Maabarot: campos de trânsito em Israel que receberam imigrantes e refugiados judeus.
- Resolução 194: recomendação da Assembleia Geral, de 1948, sobre retorno e compensação.
- UNRWA: agência da ONU criada em 1949 para os refugiados palestinos; transmite o status aos descendentes.
- ACNUR: agência da ONU para os demais refugiados; busca integração, reassentamento ou repatriação.
Conclusão
Em 1948, o povo judeu exerceu seu direito à autodeterminação, com base na conexão histórica com a terra e na Resolução 181 da ONU. A liderança árabe rejeitou a partilha, iniciou a guerra e, com cinco exércitos, tentou impedir o nascimento de Israel.
Israel sobreviveu a uma guerra defensiva. O deslocamento palestino foi real, doloroso e teve várias causas. Ele nasceu da guerra, não de um plano. No mesmo período, centenas de milhares de judeus foram perseguidos e expulsos dos países árabes, e Israel os acolheu como cidadãos.
Reconhecer a dor palestina não exige tratar a existência de Israel como crime. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA: negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Quiz: teste o que aprendeu
A partilha foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. A sessão era presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, mas a decisão foi multilateral.
O Yishuv aceitou o plano como base para um Estado judeu. A liderança árabe o rejeitou e declarou que se oporia a ele pelas armas.
Husseini declarou: “Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar.” Foi uma admissão de que os árabes começaram a luta.
No dia seguinte à proclamação do Estado, cinco exércitos árabes invadiram o território: Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque.
Morris reconhece expulsões, mas não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe.
Nenhuma causa isolada explica tudo. Houve fatos graves, como Deir Yassin e Lida e Ramle, mas o êxodo teve várias causas simultâneas.
O Estado árabe previsto em 1947 não foi criado, e quem impediu isso não foi Israel. Jordânia e Egito não criaram ali um Estado palestino.
Os próprios acordos de armistício diziam que as linhas não deveriam ser lidas como solução política ou territorial permanente.
O governo de Israel fala em cerca de 800 mil, e outras estimativas vão de 850 mil a 900 mil. Israel absorveu a maioria como cidadãos.
Diferentemente do ACNUR, em cujo sistema quem recebe outra cidadania deixa de ser refugiado, a UNRWA transmite o status de geração em geração. Críticos dizem que isso perpetua o problema.
Cartões de estudo
Clique no cartão para virar.
Assista
A guia Aline percorre o bairro muçulmano da Cidade Velha de Jerusalém, da Via Dolorosa às Irmãs de Sião e ao Pequeno Muro das Lamentações, mostrando a convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos e locais sagrados pouco conhecidos.
Adolescentes e adultosA apresentadora visita Massada, conta o fim da Grande Revolta Judaica com base em Flávio Josefo e acompanha a história das sementes de tâmara de dois mil anos encontradas ali, que germinaram em Israel e deram origem à tamareira 'Matusalém' e a novas árvores que já produzem frutos. A narrativa liga a descoberta a uma leitura religiosa da profecia dos ossos secos de Ezequiel.
Adolescentes e adultosÁudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.
Documentário didático que conta a história dos túneis de Gaza, das passagens familiares em Rafah à rede militar construída pelos terroristas do Hamas com recursos desviados da ajuda humanitária. Explica o uso de civis como escudos humanos e os dilemas que Israel enfrenta para se defender.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Painel do Yad Vashem com os historiadores Iael Nidam-Orvieto, Sergio Della Pergola e Simonetta Della Seta sobre a batida nazista contra os judeus de Roma em 16 de outubro de 1943, o 'Sábado Negro', que levou mais de mil pessoas a Auschwitz, das quais só 16 voltaram. O debate aborda também a história milenar da comunidade judaica romana, as leis antissemitas fascistas de 1938 e o papel de Mussolini e dos italianos na perseguição.
EducadoresEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Vídeo do Yad Vashem que explica a história do antissionismo, das objeções judaicas anteriores a 1948 à sua forma contemporânea, e mostra como a negação do direito de Israel existir e as comparações com o nazismo ultrapassam a crítica legítima e se tornam antissemitismo, na extrema esquerda e na extrema direita.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A ex-deputada israelense Einat Wilf apresenta o sionismo e Israel a partir de cinco conceitos: a ideia de Herzl, a aliá e a sociedade de imigrantes, o renascimento do hebraico, a minoria árabe e a raiz do conflito, que é a rejeição da soberania judaica. Uma introdução clara e didática ao direito do povo judeu à autodeterminação em sua terra ancestral.
AdultosPara ler mais

1948, a guerra e a 'Nakba': o que aconteceu de fato
Em 1948, Israel declarou independência depois que a ONU aprovou a partilha (Resolução 181, de 1947). Os judeus aceitaram a partilha, e a liderança…
Ler →
1948: a Guerra de Independência de Israel
A Guerra de Independência de Israel durou de novembro de 1947 a julho de 1949. Começou quando a liderança árabe rejeitou a partilha da…
Ler →
O êxodo esquecido: os judeus dos países árabes e do Irã
Entre o fim dos anos 1940 e os anos 1970, cerca de 800 mil a 900 mil judeus deixaram países árabes e o Irã,…
Ler →
UNRWA: o que é e por que é alvo de críticas
A UNRWA é a agência da ONU criada em 1949 pela Assembleia Geral para atender refugiados palestinos em Gaza, Judeia e Samaria, Jordânia, Líbano…
Ler →