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1948 e a 'Nakba': o que aconteceu de fato

Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre 1948 e a 'Nakba': o que aconteceu de fato, para universitários, professores e jornalistas.

Para: universitários, professores e jornalistasPodcast: 12 min
Foto: Voluntários do Palmach vindos da França na batalha do Neguev. Autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,5 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje a gente fala de 1948: a guerra, a independência de Israel e aquilo que os palestinos chamam de Nakba.

Lia: E por que esse tema importa tanto, Davi?

Davi: Porque quase tudo o que se discute hoje sobre o conflito volta a 1948: refugiados, fronteiras, a Judeia e Samaria, a UNRWA. Se a história de origem chega errada, o resto do debate chega torto.

Lia: E para quem dá aula, escreve ou estuda, isso pesa. Então vamos aos fatos, em ordem. Primeiro bloco: como se chegou a 1948?

Davi: A data foi o ponto de chegada de um processo de meio século. O movimento sionista organizado nasce em 1897. Em 1922, a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico.

Lia: E o Mandato reconhecia algo importante, não é?

Davi: Reconhecia, já no preâmbulo, a "conexão histórica do povo judeu" com a terra. E em 1947 cerca de 600 mil judeus viviam ali, com cidades, universidades e instituições próprias.

Lia: Vamos à votação, então.

Davi: Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181. Ela recomendava dois Estados, um judeu e um árabe, com Jerusalém sob regime internacional.

Lia: E qual foi o placar?

Davi: Foram 33 votos a favor e 13 contra.

Lia: E houve abstenções também.

Davi: Dez. E aqui entra o Brasil: quem presidia a sessão era o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha. Ele conduziu os trabalhos e anunciou o resultado. Mas a aprovação foi uma decisão de muitos países, não obra de uma só pessoa.

Lia: E como cada lado respondeu?

Davi: A liderança judaica aceitou o plano, apesar das críticas às fronteiras e à situação de Jerusalém. O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram a partilha e anunciaram que se oporiam a ela pelas armas.

Lia: Só para fixar: o que existia ali antes? Um país?

Davi: Não havia Estado soberano, nem judeu nem árabe. A região foi otomana até 1917 e depois virou Mandato Britânico. Isso não nega a sociedade árabe palestina, com cidades, jornais e vida política. Os palestinos existem como povo. O que é falso é a ideia de um "país roubado".

Lia: Segundo bloco: a guerra. Quando ela começou?

Davi: Em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação. A primeira fase foi uma guerra civil: milícias árabes e o Exército de Libertação Árabe atacaram bairros judaicos, comboios e comunidades isoladas. Jerusalém ficou sob cerco.

Lia: E aí vem a pergunta que sempre aparece: quem começou?

Davi: O próprio lado árabe respondeu na ONU. Em 16 de abril de 1948, Jamal Husseini, representante do Alto Comitê Árabe, disse ao Conselho de Segurança: "O representante da Agência Judaica disse ontem que eles não eram os atacantes, que os árabes começaram a luta. Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar."

Lia: E o Plano Dalet, que muita gente cita como prova de expulsão?

Davi: Era uma diretriz militar da Haganá, adotada diante do cerco a Jerusalém e da ameaça de invasão. O objetivo era controlar rotas de suprimento, proteger comunidades judaicas isoladas e assumir posições na área destinada ao Estado judeu.

Lia: E a independência?

Davi: Em 14 de maio de 1948, em Tel Aviv, David Ben-Gurion proclamou o Estado de Israel, poucas horas antes do fim do Mandato. A Declaração prometeu igualdade civil e liberdade religiosa. Também pediu aos árabes do novo Estado que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.

Lia: E no dia seguinte?

Davi: Cinco exércitos invadiram: Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque. Antes da invasão, o secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, tinha anunciado que seria "uma guerra de extermínio".

Lia: Como Israel resistiu?

Davi: As recém-criadas Forças de Defesa de Israel se rearmaram com material comprado via Tchecoslováquia, mesmo com um embargo de armas decretado pela ONU, e conseguiram repelir as ofensivas.

Lia: E o resultado?

Davi: Israel sobreviveu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. O custo foi alto: cerca de 6 mil mortos, entre soldados e civis.

Lia: Seis mil pessoas representavam quanto da população judaica da época?

Davi: Cerca de 1%. Israel foi invadido e lutou para sobreviver. E não havia ali um país soberano a ser anexado: o território era um Mandato Britânico que tinha acabado de terminar.

Lia: E como os combates terminaram?

Davi: Com armistícios assinados em 1949, sob mediação do diplomata da ONU Ralph Bunche. As linhas de cessar-fogo, a chamada Linha Verde, não eram fronteiras definitivas. Os próprios acordos diziam isso.

Lia: E o Estado árabe previsto pela ONU?

Davi: Nunca foi criado, e quem impediu isso não foi Israel. Em 1950, a Jordânia anexou a Judeia e Samaria, a região que sua Legião Árabe havia tomado na guerra, junto com Jerusalém Oriental. O Egito manteve Gaza sob administração militar. Nenhum dos dois criou ali um Estado palestino.

Lia: Terceiro bloco, o mais sensível: os refugiados palestinos. Quantos foram?

Davi: A maioria dos estudos fala em cerca de 700 mil pessoas. Algumas estimativas chegam a 800 mil.

Lia: E parte da população árabe ficou?

Davi: Ficou dentro de Israel e se tornou cidadã israelense.

Lia: Por que tanta gente saiu?

Davi: Por várias causas ao mesmo tempo. A maioria fugiu das linhas de frente. As elites de Haifa, Jaffa e Jerusalém saíram cedo, ainda na guerra civil, e a sociedade local entrou em colapso junto com a liderança palestina. Em alguns lugares, autoridades árabes deram instruções de saída. E houve expulsões locais.

Lia: Vamos falar das expulsões e da violência com clareza.

Davi: Com clareza. Em 9 de abril de 1948, forças do Irgun e do Lehi cometeram o massacre de Deir Yassin, e o pânico se espalhou. Em julho, houve a expulsão de Lida e Ramle. Aldeias foram destruídas. São fatos documentados, inclusive por historiadores israelenses.

Lia: Então foi uma limpeza étnica planejada, como acusa Ilan Pappé?

Davi: A pesquisa de arquivo mais completa não sustenta essa tese. Benny Morris não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema "nasceu da guerra, não de um plano".

Lia: E a tese oposta, de que todos saíram por ordem árabe?

Davi: Também não basta sozinha. Khaled al-Azm, primeiro-ministro da Síria na época, escreveu: "fomos nós mesmos que os instigamos a sair". Mas há registros de ordens para a população ficar, como as de Fauzi al-Qawuqji. Nenhuma causa isolada explica tudo.

Lia: E a palavra Nakba?

Davi: Quer dizer "catástrofe" em árabe. Descreve uma perda real e é compreensível como memória palestina. Mas também tem uso político, ligado a reivindicações de retorno. E, usada sozinha, costuma apagar quem rejeitou a partilha, quem começou a guerra e quem invadiu o novo Estado.

Lia: Quarto bloco: a metade da história que quase nunca aparece.

Davi: A dos judeus dos países árabes. Segundo o governo de Israel, cerca de 800 mil judeus deixaram esses países ou foram expulsos deles a partir de 1948.

Lia: E não se tratava de uma simples emigração.

Davi: Não. No Iraque, o sionismo virou crime no código penal em 1948. Uma lei de 1951 confiscou os bens de quem tinha perdido a cidadania.

Lia: E no Egito?

Davi: O governo militar prendeu sem acusação formal pelo menos 900 judeus em 1954.

Lia: E depois da Crise de Suez?

Davi: Vieram expulsões em massa e o confisco de empresas, imóveis e contas bancárias. A crítica aqui é a governos e a políticas concretas, não a povos. Em maio de 1948, o Comitê Político da Liga Árabe chegou a recomendar tirar a cidadania dos judeus, congelar suas contas e confiscar seus bens.

Lia: E o que aconteceu com esses refugiados judeus?

Davi: Israel os integrou como cidadãos. Já os refugiados palestinos, em grande parte, não foram integrados pelos países árabes, cujos governos recusaram essa integração.

Lia: E por que a questão palestina continua aberta até hoje?

Davi: Por mais de um motivo. Os Estados árabes recusaram a paz com Israel. E a regra da UNRWA transmite o status de refugiado aos descendentes.

Lia: Houve também uma decisão israelense nesse ponto.

Davi: Houve. Também pesou a decisão do governo de Israel, em 16 de junho de 1948, de proibir o retorno em massa enquanto os vizinhos mantivessem a guerra. A justificativa era a segurança do novo Estado.

Lia: E a Resolução 194, tão citada?

Davi: Ela é de dezembro de 1948 e tratava de retorno ou compensação para os refugiados dispostos a viver em paz. É uma recomendação, não uma decisão vinculante. E os países árabes votaram contra.

Lia: E como os números da UNRWA cresceram tanto?

Davi: A agência transmite o status de refugiado pela linha paterna. Ela começou em 1950 com cerca de 750 mil pessoas.

Lia: E hoje?

Davi: Considera elegíveis cerca de 5,9 milhões. Israel e críticos da agência afirmam que essa regra perpetua o problema.

Lia: Vamos fechar com três ideias-chave.

Davi: Primeira: a liderança judaica aceitou a partilha; a liderança árabe a rejeitou e iniciou a guerra. No dia seguinte à independência, cinco exércitos invadiram Israel.

Lia: Segunda: o êxodo palestino teve várias causas, inclusive expulsões e o massacre de Deir Yassin. Mas a pesquisa de arquivo não sustenta a tese de um plano israelense de expulsão total.

Davi: Terceira: 1948 tem duas histórias de refugiados. Israel integrou os judeus que deixaram os países árabes. Os refugiados palestinos, em grande parte, não foram integrados pelos governos árabes.

Lia: E um lembrete: reconhecer a dor palestina não exige tratar a existência de Israel como crime. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, segundo a qual negar ao Estado de Israel o direito de existir é antissemitismo.

Davi: E a JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Lia: Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Guia de estudo

Guia de estudo da JJO – Juventude Judaica Organizada Para universitários, professores e jornalistas


Objetivos

Ao final deste estudo, você deverá ser capaz de:

  1. Explicar por que Israel foi criado em 1948. A data foi o ponto de chegada de um processo de meio século, e não uma decisão tomada do nada.
  2. Identificar quem aceitou e quem rejeitou a partilha da ONU (Resolução 181) e quem iniciou a guerra.
  3. Distinguir as duas fases da Guerra de Independência: a guerra civil e a invasão por cinco Estados árabes.
  4. Explicar as várias causas do deslocamento de cerca de 700 mil palestinos, sem negar fatos graves e documentados, como Deir Yassin e Lida e Ramle.
  5. Conhecer o êxodo de cerca de 800 mil judeus dos países árabes, a outra metade da história de 1948.
  6. Entender por que a questão dos refugiados continua até hoje, a partir da Resolução 194 e das regras da UNRWA.
  7. Debater o tema com precisão, firmeza e respeito, sem desumanizar ninguém.

Conceitos-chave

Um processo de meio século

Israel não surgiu do nada. O povo judeu exerceu o direito à autodeterminação reconhecido pela comunidade internacional: - 1897: nasce o movimento sionista organizado. - 1917: a Declaração Balfour reconhece o lar nacional judaico. - 1920: a Conferência de San Remo define a entidade territorial. - 1922: a Liga das Nações aprova o Mandato Britânico, cujo preâmbulo reconhece a “conexão histórica do povo judeu” com a terra. - 1937: a Comissão Peel já propõe dois Estados.

Em 1947, cerca de 600 mil judeus viviam no território, segundo o relatório da UNSCOP. Eles já tinham cidades e instituições próprias: Tel Aviv (1909), o Technion (1912), a Universidade Hebraica (1918) e a Haganá (1920).

A ideia de que “a Europa pagou com terra árabe” é enganosa: - O Livro Branco de 1939 limitou a imigração judaica e proibiu judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato. - A presença judaica se construiu em grande parte com compra registrada de terras: cerca de 2 milhões de dunams até maio de 1948.

Território não é Estado

  • Entre 1516 e 1917, a região fazia parte do Império Otomano.
  • Entre 1922 e 1948, foi administrada pelo Mandato Britânico.
  • Nenhum Estado soberano, nem judeu nem árabe, existia ali.
  • Pelo Tratado de Lausanne (1923), a Turquia renunciou a esses territórios. Nenhuma soberania foi transferida a um Estado árabe local, porque esse Estado não existia.

Os palestinos existem como povo, com cidades, jornais e vida política. O que é falso é a ideia de um “país roubado”.

A partilha: um lado aceitou, o outro rejeitou

A Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. Ela recomendava: - um Estado judeu, com cerca de 56% do território; - um Estado árabe, com cerca de 43%; - um regime internacional para Jerusalém (corpus separatum).

A liderança judaica aceitou o plano, apesar das reservas. O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram a partilha e anunciaram que se oporiam a ela pelas armas.

Quem começou a guerra

Os combates começaram em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação, com ataques de milícias árabes a comunidades judaicas.

Em 16 de abril de 1948, Jamal Husseini, do Alto Comitê Árabe, admitiu no Conselho de Segurança: “Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar.”

As duas fases da guerra

Fase Período O que aconteceu
Guerra civil 30 nov. 1947 a 14 maio 1948 Milícias árabes e o Exército de Libertação Árabe atacaram estradas, bairros e comunidades judaicas. Jerusalém ficou sob cerco.
Guerra entre Estados 15 maio 1948 a 1949 Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o território.

Antes da invasão, o secretário-geral da Liga Árabe, Azzam Pasha, declarou: “Esta será uma guerra de extermínio e um massacre monumental.”

Israel foi invadido no dia seguinte ao seu nascimento e sobreviveu.

O Plano Dalet

Era uma diretriz militar da Haganá, adotada diante do cerco a Jerusalém e da ameaça de invasão. Seus objetivos eram: - controlar rotas de suprimento; - proteger comunidades judaicas isoladas; - garantir a área destinada ao Estado judeu.

Alguns autores o descrevem como um plano de expulsão. O historiador Benny Morris o trata como um plano essencialmente militar, mas reconhece que sua aplicação resultou na remoção de populações árabes de certas áreas.

O deslocamento palestino: várias causas

Cerca de 700 mil palestinos foram deslocados. O governo de Israel fala em cerca de 720 mil, e algumas estimativas chegam a 800 mil. As causas foram: - fuga dos combates e medo; - saída precoce das elites urbanas de Haifa, Jaffa e Jerusalém; - colapso da liderança e da sociedade palestina; - instruções de autoridades árabes em alguns lugares; - expectativa de retorno depois de uma vitória árabe; - expulsões locais.

Fatos graves e documentados, inclusive por historiadores israelenses: - o massacre de Deir Yassin (9 de abril de 1948), cometido por forças do Irgun e do Lehi; - a expulsão de Lida e Ramle (julho de 1948, Operação Dani); - aldeias destruídas.

Não houve plano mestre de expulsão. Benny Morris não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema “nasceu da guerra, não de um plano”.

Khaled al-Azm, primeiro-ministro da Síria em 1948-1949, escreveu: “fomos nós mesmos que os instigamos a sair”. Não se encontrou, porém, uma ordem árabe geral para toda a população sair. Nenhuma causa isolada explica tudo.

Parte da população árabe ficou dentro de Israel e se tornou cidadã israelense.

“Nakba” e Guerra de Independência

“Nakba” quer dizer “catástrofe” em árabe. Os palestinos usam o termo para a perda de casas e terras em 1948. Ele descreve uma experiência real de perda, mas também tem uso político.

Para Israel, o mesmo período é a Guerra de Independência. Usado sozinho, o termo “Nakba” costuma apagar quem rejeitou a partilha, quem começou a guerra e quem invadiu o novo Estado.

O fim da guerra

Israel venceu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. O custo foi alto: cerca de 6 mil mortos, 1% da população judaica da época.

Sob mediação de Ralph Bunche, os armistícios de 1949 foram assinados em Rodes: - Egito: 24 de fevereiro; - Líbano: 23 de março; - Jordânia: 3 de abril; - Síria: 20 de julho.

A “Linha Verde” marcou linhas provisórias de armistício, não fronteiras definitivas.

O Estado árabe previsto em 1947 não foi criado, e quem impediu isso não foi Israel: - a Jordânia anexou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental em 1950; - o Egito manteve Gaza sob administração militar.

Judeia e Samaria são territórios em disputa, cuja situação final depende de negociação.

O êxodo esquecido

Cerca de 800 mil judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles, segundo o governo de Israel. Outras estimativas vão de 850 mil a 900 mil. Suas comunidades viviam nessas terras havia mais de 2.000 anos.

A perseguição começou antes de 1948: o Farhud, pogrom de 1941 em Bagdá, deixou cerca de 180 mortos, segundo as estimativas mais citadas. Depois de 1948, vieram leis de perda de cidadania e de confisco, que foram política de Estado: - Iraque: o sionismo virou crime em 1948, e a Lei nº 5, de 1951, confiscou os bens dos judeus. - Egito: cerca de 23 mil a 25 mil judeus foram expulsos entre 1956 e 1958. - Liga Árabe: em maio de 1948, recomendou aos Estados membros tirar a cidadania de seus judeus, congelar suas contas e confiscar seus bens.

Israel absorveu a maioria como cidadãos. Por isso não existem campos para seus descendentes.

A crítica é a governos e a políticas concretas, não a povos.

Por que a questão dos refugiados persiste

  • Decisão de Israel: em 16 de junho de 1948, o governo proibiu o retorno em massa enquanto os vizinhos mantivessem a guerra.
  • Resolução 194 (11 de dezembro de 1948): é uma recomendação, não usa a palavra “direito” e prevê retorno para quem desejasse “viver em paz com seus vizinhos”, além de compensação. Egito, Síria, Iraque, Líbano, Arábia Saudita e Iêmen votaram contra.
  • UNRWA: estende o status de refugiado aos descendentes pela linha paterna. Os registrados eram cerca de 700 mil a 750 mil em 1950 e são cerca de 5,9 milhões hoje.
  • ACNUR: para os demais refugiados do mundo, quem se integra e recebe outra cidadania deixa de ser refugiado.
  • Consequência: exigir que cerca de 5,9 milhões de pessoas se instalem em Israel significaria o fim do Estado judeu.

Linha do tempo

Data Acontecimento
1897 Nasce o movimento sionista organizado
2 nov. 1917 Declaração Balfour
Abr. 1920 Conferência de San Remo
1922 Liga das Nações aprova o Mandato Britânico
1923 Tratado de Lausanne
Jul. 1937 Comissão Peel propõe dois Estados
17 maio 1939 Livro Branco britânico restringe imigração e compra de terras por judeus
1–2 jun. 1941 Farhud em Bagdá
29 nov. 1947 ONU aprova a Resolução 181 (33 a 13, com 10 abstenções), sob a presidência de Oswaldo Aranha
30 nov. 1947 Começam os ataques árabes: início da guerra civil
9 abr. 1948 Massacre de Deir Yassin
16 abr. 1948 Jamal Husseini admite na ONU que os árabes começaram a luta
14 maio 1948 Ben-Gurion proclama o Estado de Israel em Tel Aviv; EUA e URSS reconhecem Israel imediatamente
15 maio 1948 Invasão por Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque
29 maio 1948 ONU decreta embargo internacional de armas
16 jun. 1948 Israel proíbe o retorno em massa enquanto durar a guerra
Jul. 1948 Expulsão de Lida e Ramle; o Iraque criminaliza o sionismo
11 dez. 1948 Resolução 194 da Assembleia Geral
Fev.–jul. 1949 Armistícios com Egito, Líbano, Jordânia e Síria
8 dez. 1949 Resolução 302 cria a UNRWA
1950 Jordânia anexa Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental; UNRWA começa a operar (maio)
1950–1951 Operação Esdras e Neemias leva judeus iraquianos a Israel
1956–1958 Egito expulsa cerca de 23 mil a 25 mil judeus
23 jun. 2014 Knesset cria o Dia de Lembrança dos judeus dos países árabes e do Irã, celebrado em 30 de novembro

5 perguntas para discussão

  1. A liderança judaica aceitou a Resolução 181 e a liderança árabe a rejeitou pelas armas. Como essa escolha inicial muda a forma de entender tudo o que veio depois?
  2. Por que é possível reconhecer Deir Yassin e Lida e Ramle como fatos graves e, ao mesmo tempo, rejeitar a tese de uma “limpeza étnica planejada”? Que tipo de prova Benny Morris procurou e não encontrou?
  3. Por que o êxodo de cerca de 800 mil judeus dos países árabes é chamado de “êxodo esquecido”? O que muda no debate quando ele entra na história?
  4. Israel deu cidadania aos refugiados judeus, e os governos árabes recusaram integrar os refugiados palestinos. Qual o papel da regra hereditária da UNRWA na permanência do problema?
  5. Quem impediu a criação do Estado árabe previsto em 1947? Por que essa pergunta raramente aparece quando se fala em “Nakba”?

Glossário

  • Yishuv: a comunidade e a liderança judaica no território antes de 1948.
  • Haganá: organização de defesa judaica criada em 1920. Ao lado do Palmach, do Irgun e do Lehi, lutou na fase de guerra civil.
  • Alto Comitê Árabe: liderança árabe palestina que rejeitou a partilha.
  • Resolução 181: recomendação da ONU, de 1947, de dividir o Mandato em um Estado judeu e um Estado árabe.
  • Corpus separatum: regime internacional previsto para Jerusalém.
  • Plano Dalet: diretriz militar da Haganá em 1948 para proteger rotas e comunidades.
  • Nakba: “catástrofe” em árabe; termo palestino para o deslocamento de 1948.
  • Linha Verde: linhas de armistício de 1949; provisórias, não fronteiras definitivas.
  • Mizrahim: judeus de origem oriental, do Oriente Médio, do Norte da África e do Irã.
  • Maabarot: campos de trânsito em Israel que receberam imigrantes e refugiados judeus.
  • Resolução 194: recomendação da Assembleia Geral, de 1948, sobre retorno e compensação.
  • UNRWA: agência da ONU criada em 1949 para os refugiados palestinos; transmite o status aos descendentes.
  • ACNUR: agência da ONU para os demais refugiados; busca integração, reassentamento ou repatriação.

Conclusão

Em 1948, o povo judeu exerceu seu direito à autodeterminação, com base na conexão histórica com a terra e na Resolução 181 da ONU. A liderança árabe rejeitou a partilha, iniciou a guerra e, com cinco exércitos, tentou impedir o nascimento de Israel.

Israel sobreviveu a uma guerra defensiva. O deslocamento palestino foi real, doloroso e teve várias causas. Ele nasceu da guerra, não de um plano. No mesmo período, centenas de milhares de judeus foram perseguidos e expulsos dos países árabes, e Israel os acolheu como cidadãos.

Reconhecer a dor palestina não exige tratar a existência de Israel como crime. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA: negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Como votou a Assembleia Geral da ONU a Resolução 181, em 29 de novembro de 1947?

A partilha foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. A sessão era presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, mas a decisão foi multilateral.

2. Qual foi a resposta das lideranças à partilha recomendada pela ONU?

O Yishuv aceitou o plano como base para um Estado judeu. A liderança árabe o rejeitou e declarou que se oporia a ele pelas armas.

3. Em 16 de abril de 1948, o que Jamal Husseini, do Alto Comitê Árabe, disse ao Conselho de Segurança da ONU?

Husseini declarou: “Nós não negamos isso. Nós dissemos ao mundo inteiro que iríamos lutar.” Foi uma admissão de que os árabes começaram a luta.

4. Quais países invadiram Israel em 15 de maio de 1948?

No dia seguinte à proclamação do Estado, cinco exércitos árabes invadiram o território: Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque.

5. Qual conclusão o historiador Benny Morris tirou de sua pesquisa de arquivo sobre o problema dos refugiados palestinos?

Morris reconhece expulsões, mas não encontrou decisão nem ordem da Agência Judaica, do Governo Provisório ou do comando da Haganá para expulsar a população árabe.

6. Qual das alternativas lista corretamente causas do deslocamento palestino em 1948?

Nenhuma causa isolada explica tudo. Houve fatos graves, como Deir Yassin e Lida e Ramle, mas o êxodo teve várias causas simultâneas.

7. Depois da guerra, quem controlou Judeia e Samaria e Gaza?

O Estado árabe previsto em 1947 não foi criado, e quem impediu isso não foi Israel. Jordânia e Egito não criaram ali um Estado palestino.

8. O que era a “Linha Verde”?

Os próprios acordos de armistício diziam que as linhas não deveriam ser lidas como solução política ou territorial permanente.

9. Quantos judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles depois de 1948, segundo o governo de Israel?

O governo de Israel fala em cerca de 800 mil, e outras estimativas vão de 850 mil a 900 mil. Israel absorveu a maioria como cidadãos.

10. Por que o número de refugiados registrados pela UNRWA passou de cerca de 700 mil a 750 mil em 1950 para cerca de 5,9 milhões hoje?

Diferentemente do ACNUR, em cujo sistema quem recebe outra cidadania deixa de ser refugiado, a UNRWA transmite o status de geração em geração. Críticos dizem que isso perpetua o problema.

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Rounding Up Rome's Ancient Jewish Community in 1943Yad Vashem · em inglês

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Painel do Yad Vashem com os historiadores Iael Nidam-Orvieto, Sergio Della Pergola e Simonetta Della Seta sobre a batida nazista contra os judeus de Roma em 16 de outubro de 1943, o 'Sábado Negro', que levou mais de mil pessoas a Auschwitz, das quais só 16 voltaram. O debate aborda também a história milenar da comunidade judaica romana, as leis antissemitas fascistas de 1938 e o papel de Mussolini e dos italianos na perseguição.

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Anti-ZionismYad Vashem · em inglês

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Vídeo do Yad Vashem que explica a história do antissionismo, das objeções judaicas anteriores a 1948 à sua forma contemporânea, e mostra como a negação do direito de Israel existir e as comparações com o nazismo ultrapassam a crítica legítima e se tornam antissemitismo, na extrema esquerda e na extrema direita.

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The Best Explanation of Zionism and IsraelEinat Wilf · em inglês

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A ex-deputada israelense Einat Wilf apresenta o sionismo e Israel a partir de cinco conceitos: a ideia de Herzl, a aliá e a sociedade de imigrantes, o renascimento do hebraico, a minoria árabe e a raiz do conflito, que é a rejeição da soberania judaica. Uma introdução clara e didática ao direito do povo judeu à autodeterminação em sua terra ancestral.

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